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III. BÖLÜM

4.1. Birinci Alt Probleme Ait Bulgular ve Yorumlar

Na África tradicional, o indivíduo é inseparável de sua linhagem, que continua a viver através dele e da qual ele é apenas um prolongamento. É por isto que, quando desejamos homenagear alguém, o saudamos chamando-o repetidas vezes, não por seu nome próprio, que corresponde no Ocidente ao nome de batismo, mas pelo nome de seu clã: “Bâ! Bâ!”, ou “Diallo! Diallo!”, ou “Cissé! Cissé!” Porque não se está saudando o indivíduo isolado e sim, nele, toda a linhagem de seus ancestrais (HAMPATÉ BÂ, 2003, p. 23).

onforme apontado anteriormente o homem yorubá é concebido como o resultado da complexa relação entre princípio de vitalidade e imortalidade, elementos que embora estejam relacionados a processos específicos de animação do corpo e propagação da energia vital, se manifestam no seio familiar no propagar de sua linhagem, por meio do renascimento. Neste sentido, a afirmação de Bâ supracitada, coloca em evidência que o sujeito, em sua essência, só pode ser concebido e reconhecido nessa cultura enquanto indivíduo, se fizer parte de uma organização familiar. E sendo este considerado um parente que regressou de um mundo distante, a saudação em sua homenagem direcionada à família, reaviva a memória coletiva do grupo em detrimento de sua individualidade. A família, a propósito, exerce papel fundamental em manter a harmonia e continuidade dos princípios e valores que transcendem o mundo dos vivos, na elaboração de identidades e relações sociais

com seus sujeitos. “Esses princípios caracterizam a afirmação existencial do homem negro e constituem a sua identidade própria” (LUZ, 2000, p. 31).

De maneira geral, pode-se afirmar que a família assume assim papel central na organização das sociedades negro-africanas, sendo estruturada sob o modelo de família extensa, composta pelos parentes diretos e indiretos do patriarca-chefe. Nesse espaço de relações inter-parentais, encontra-se a família do chefe formada pelo esposo, esposa ou esposas e respectivos filhos, assim como seus irmãos, com suas esposas e filhos, suas irmãs, tias e sobrinhas solteiras. Em muitos casos, ainda se incluíam aí os escravos, que compunham a mão de obra necessária para o trabalho doméstico e agrícola.

A família africana é uma categoria muito ampla, incluindo, além dos membros que no mundo ocidental são considerados “parentes diretos”, toda uma gama de “parentes distantes”, daí ser denominada família extensa. Essa inferência reflete-se em muitos idiomas do continente. Na maioria das línguas faladas na África, não existe palavra para “primo”, nem para “tio”, pois todos são considerados irmãos e pais. Também não existe termo equivalente a “tio-avô” ou “tia avó”, pois todos são avôs e avós (SERRANO; WALDMAN, 2007, p. 129).

Observa-se, portanto, que a família extensa é uma estrutura ampla, que consiste na extensão das relações do homem com seus parentes diretos e indiretos, que possuem um ancestral comum que estabelece os vínculos identitários entre os membros do grupo. Vale ressaltar que a família extensa não desconsidera o ancestral de seu corpo de linhagem; mas pelo contrário, é por ele que se legitima e se assegura o pertencimento dos sujeitos a suas famílias, condição que é garantida por meio dos ritos de passagem. Assim, o conviver com o ancestral em suas mais variadas formas de representações, no espaço das relações sociais é comum para o homem africano, que não isola seu ancestral num espaço específico, excluindo- o de sua realidade. O ancestral está presente desde o plano das relações biológicas diretas e indiretas; como está vivo, no imaginário mágico religioso, ocupando aí o status de “herói fundador do clã”.

Outro fator de extrema relevância para se compreender a importância da instituição familiar, e seu poder enquanto mecanismo mantenedor das tradições e costumes do grupo de linhagem está configurado no modelo de organização matrilinear, estabelecido pelos laços uterinos de sangue, razão pela qual a mulher é a única fonte de legitimação das descendências. Isto é, constituem o núcleo fundamental que define a família, sendo que em suas bases encontram-se as ancestrais-mulheres que lhes deram origem. E é devido a essa configuração do parentesco que os direitos e deveres são institucionalmente transmitidos de mãe a filha, de irmã a irmã, de tia a sobrinha; e, quanto aos homens, de irmão a irmão, e de tio a sobrinho.

Esses pressupostos são válidos também para a sucessão nas chefias, inclusive para a sucessão do rei, sendo aspirantes legítimos ao exercício desses cargos os indivíduos ligados à ascendência uterina (LEITE, 2008). Assim, a questão do laço uterino como fonte geradora e legitimadora de linhagem, apresenta-se como fórmula fundamental de organização familiar a qual tende a preservar o patrimônio genético estabelecido pela mulher, para fins institucionais.

Diante do papel da mulher em tal modelo de linhagem, o homem, atua diretamente na execução do poder local, pois é aquele que zela pela organização matrilinear, possuindo o “título” e “status” de “guardião”, reservado principalmente aos mais velhos, e geralmente, os primogênitos de suas famílias. Embora seja a função de todos os homens zelar pela descendência da família, os mais jovens, geralmente não executam funções significativas (OLIVEIRA, 2008). De certa maneira é função principal do patriarca-chefe garantir a guarda, bem estar e prosperidade de todos os membros da família, assegurando a harmonia no seio matrilinear e proporcionando aos seus parentes, condições para a realização de casamentos, sendo responsável pela educação dos filhos e sobrinhos, pela conduta matrimonial de suas protegidas e por fim, pela organização de cerimônias fúnebres de extrema importância para garantir o retorno do parente em gerações futuras.

Benzer Belgeler