4.1. KiĢisel Bilgiler
4.2.1. Birinci Alt Probleme ĠliĢkin Bulgular ve Yorum
Esse livro foi escaneado e, ao ser transferido para o Linux, teve o formato do texto original desconfigurado, mas ainda foi possível fazer a leitura do mesmo. A professora F sugeriu que se apagasse a luz do laboratório de informática para que os alunos vissem com mais nitidez a história. Na leitura do texto inicial, cada aluno, a critério da professora F, lia um trecho da história em versos curtos e com rima no final e o livro impresso circulou no laboratório, enquanto os alunos faziam a atividade de leitura na tela.
Todos os alunos nessa 1ª etapa de aula ficaram olhando para a parede onde a imagem do livro escaneado fora projetada. Observamos que, em alguns instantes, os alunos se dispersavam (principalmente, o aluno AR, TA e RAI), mas logo que a professora F pedia atenção, eles retomavam a leitura.
Usamos boa parte do horário para a leitura porque a professora F fez alguns comentários sobre palavras usadas na história, além de alguns alunos participarem bastante, ora comentando sobre o texto da história, ora sobre a ilustração. Outros alunos leram muito baixo (por exemplo, alunas SO e VI), pois em entrevista disseram que ficaram com vergonha da leitura na frente da turma.
Ainda sobre as condições de produção e leitura de texto nessa atividade, a história foi escolhida, após os alunos participarem de uma excursão a um sítio próximo a Belo Horizonte, onde tiveram a oportunidade de ver muitos dos bichos citados no livro. Como os alunos, nessa fase, ainda tinham uma leitura sem entonação, após cada aluno ler um trecho do texto, a professora F lia o texto novamente, com entonação, a fim de que os alunos pudessem colocar sentido no texto lido.
Destacamos também que todas as vezes que um aluno lia, a professora F pedia para o mesmo se dirigir ao centro da sala; ela ficava ao lado dele e o assessorava. Nem todos os alunos leram uma parte do texto, pois ainda não tinham domínio suficiente da leitura (são eles: as alunas RAI, GIO e JU e os alunos TA, RO e AR).
Após a leitura do livro, cada dupla recebeu um trecho do texto da história para copiar no Kolorpaint48 e ilustrar. Demos algumas instruções sobre como usar a caixa de texto e depois sair da mesma para colorir. Essas orientações foram passadas através da projeção na parede das imagens do computador com o qual esperávamos que todos os alunos pudessem acompanhar a explicação ao mesmo tempo (os alunos ficaram atentos olhando para a parede).
Nesta aula os alunos ficaram centrados na atividade (com mais autonomia para realizar a tarefa no computador); quando tinham alguma dúvida consultavam a pesquisadora ou a professora F; alguns iam nos buscar onde estivéssemos. Como já tinham a referência da aula com o livro da nuvenzinha Flofi, mesmo quando não se lembravam do que fazer, bastava falar só uma vez que a
48 Essa atividade é semelhante à 7ª atividade em que os alunos trabalharam com a história da
nuvenzinha Flofi. Como perdemos o trabalho que os alunos fizeram com o livro, resolvemos repetir a atividade com outro livro para que pudéssemos postar o trabalho no blog da turma.
memória ativava e eles faziam a atividade tranquilamente, sem grandes interrupções nem ansiedade. Seguem trechos de diálogos ocorridos durante a aula em que fizeram a cópia em registro digital da história do livro:
Aluno AR: Julianna, como coloca esse chapeuzinho aqui mesmo? Eu esqueci!!
Pesquisadora: Esse acento é o circunflexo, ok? Aluno AR: Ah, é!
Pesquisadora: Aperta essa tecla aqui que tem a setinha. Aluno AR: Já sei!!
[Ele segura e clica no acento.] Pesquisadora: Legal!
Aluna ME: Julianna, eu quero ir para cá. Pesquisadora: Para a linha de baixo, né?
Aluna ME: É; eu sabia, mas não me lembro mais. Pesquisadora: Clica aqui nesta tecla! [aponto] Aluna ME: É mesmo!! A tecla grande!!
[Os alunos fazem sem ansiedade a atividade, relembram como soltar espaço, colocar acento, pular para a linha de baixo e colocar a caixa de texto.]
[...]
Segundo Anne-Marie Chartier (2008, p. 3):
Para fazer da cópia uma situação de aprendizagem, é necessário que o professor ensine os alunos a copiar. Não basta colocar os alunos diante de um texto a ser reproduzido para que, de forma mágica, a aprendizagem aconteça; mas ela é possível se o professor ensina aos alunos estratégias de cópia como memorizar partes de frases e verificar, durante a leitura, as dificuldades ortográficas etc. Copiar de forma inteligente é guardar um texto mentalmente e ditá-lo a si mesmo em etapas. É uma ocasião importante para aprender a memorizar.
Em relação à cópia em registro digital, além de a professora ter ensinado estratégias de memorizar partes do texto para que a atividade fluísse, foi necessário relembrar com os alunos alguns procedimentos que implicam a usabilidade do suporte virtual de texto necessária para realizar a digitação (abrir a caixa de texto, realizar alguns acentos e pontuações, etc.).
À medida que íamos recordando, a reação dos alunos era sempre a mesma: “Já sei!”; “Ah, é!”; “É mesmo!”, dentre outras. Enfim, aprendizado garantido tanto pelo estímulo da memória quanto pela reflexão sobre a digitação da cópia.
Foi possível notar, através da atividade descrita, a eficácia desse instrumento multimodal de alfabetização, o computador, para estimular os alunos a pensarem o registro da escrita à medida que digitam e mesmo a internalização dos gestos necessários para esses procedimentos.
Délia Lerner (2008, p. 3) acredita que: “[...] Copiar requer saberes específicos. Quando copiam, as crianças usam tudo o que sabem para que o texto fique o mais parecido possível com o original. Copiar pode ser, então, um desafio.”
Certamente que a cópia, em si, já é uma atividade extremamente rica de oportunidades para a criança sistematizar saberes sobre a escrita alfabética, e realizá-la no computador faz realçar ainda mais esses saberes. Afirmamos isso levando em consideração todos os procedimentos que os alunos tiveram que executar para que efetivamente pudessem fazer o registro de sua escrita.
Exemplo disso é observado quando a aluna ME quer mudar simplesmente de linha (ir para a linha de baixo). Isso já requer do aluno, nesse início de alfabetização, entender que precisa fazer o registro da escrita até o final de uma linha para depois passar para a de baixo; visto que alguns costumam, mesmo que não tenham ocupado o espaço da linha até o final, mudar de linha todas as vezes que o texto a ser copiado sugira isso.
No caso observado, além de a aluna ME demonstrar tal conhecimento ao executar o exercício de cópia, no suporte digital, esse saber fica mais evidenciado ainda quando ela, para passar para a linha de baixo, necessita saber qual tecla precisa ser apertada, a fim de que o sensor do mouse mude para a próxima linha.
Ao partir dessa situação, podemos perceber que o computador, por ser um suporte de texto multimodal, expõe a criança a um teclado repleto de letras, de acentos, de pontuação e de todos os outros ícones presentes. Ao mesmo tempo, isso a faz pensar em como proceder para fazer a letra, o acento, a pontuação, para passar para a linha de baixo. Isso contribui para tornar o exercício de cópia digital mais pensante.