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5.2. ÖNERĠLER

5.2.2. AraĢtırmacılara Yönelik Öneriler

história desse jeito e foi diferente.

Apesar de não termos usado texto produzido para a tela do computador, com sons diferentes e animação, o fato de ler na tela (mesmo sendo um livro escaneado) causou um impacto positivo nos alunos dessa turma.

Chamou atenção dos alunos a tela e a projeção da história em tamanho maior. Tudo isso representou novidade para eles, conforme observou a aluna VI, e despertou a curiosidade dos alunos para saberem como escanear o livro para o computador, como indagado pelo aluno PA.

E quanto à leitura dos alunos, melhorou pelo simples fato de ser feita na tela? É claro que não; apesar de termos constatado que para alunos como o RO (com deficiência visual acentuada) é muito mais confortável ler na tela, pois foi possível aumentar a letra de acordo com a necessidade dele.

Certamente que a leitura em si não melhora em nada pelo simples fato de ser feita diante da tela; no entanto, realizar essa atividade no instante em que a maioria da turma estava alfabética serviu de motivação não só para quem já sabia ler quanto para os que ainda não haviam alcançado tal nível.

Como comentam os alunos, essa é uma leitura “diferente”. Mas o que é diferente? É diferente mesmo? Em quais aspectos? Os próprios alunos chegam a destacar um desses aspectos: o texto projetado é maior.

Em outras entrevistas, os alunos chegam a destacar o uso da setinha para passar a página, o brilho da tela, dentre outros aspectos que não realçaremos no momento, pois os aspectos que envolvem gestos e comportamentos diante da tela serão contemplados e devidamente analisados no quarto capítulo desta tese.

O que nos interessa nesse momento em que nos propomos refletir sobre o computador enquanto instrumento de alfabetização é observar a apreciação que esses alunos fazem sobre o uso desse suporte para ler, quando o comparam com o livro.

E nessa comparação, como mostrado na entrevista, os dois instrumentos de alfabetização são considerados bons, cada um com suas peculiaridades. Como salienta a aluna SO, o livro é bom porque “a gente fica mais perto da história.” Essa observação merece um comentário especial, pois mostra os efeitos simbólicos das

duas modalidades. Se numa tela parece que o texto fica maior e, de maneira simbólica, mais acessível, como interpretar o “perto da história” mencionado por ela? Talvez a aluna esteja dizendo que ler em rodinha os aproxima da professora, dos colegas e do livro. Ou seja, há uma sociabilidade que não substitui os efeitos da outra modalidade, embora RO saliente que é bom também ler na tela a história projetada, porque “ficou grande. Nossa!”

Destacamos nessa análise o fato de o livro e o computador serem suportes de texto utilizados tanto na escola quanto fora dela. E isso é significativo, pois é muito importante que os alunos aprendam a ler e a escrever usando materiais de escrita que façam parte da sociedade em que vivem.

Como comenta Molinari e Castedo (2008, p. 18):

[…] de la enseñanza que considera como contenido escolar a las prácticas sociales de la lectura y la escritura, la lengua escrita no puede reducirse al conjunto de elementos gráficos y sus variantes tipográficas. La lengua escrita es una construcción histórica, un objeto social. […] Estos usos se concretan en géneros diversos con propósitos particulares que se vinculan a cada evento comunicativo.49

Salientamos, com isso, a necessidade da escola investir cada vez mais em práticas sociais de leitura e escritura de texto, quando os alunos estão no início da fase de alfabetização, para que desde o começo aprendam a língua escrita como elemento de sua cultura.

Para tanto, é preciso que a escola utilize não só o computador como todo e qualquer tipo de suporte e material de escrita que circule fora dela para que a escrita tenha, desde o início do processo de alfabetização, mais de um valor simbólico-cultural para a criança.

Molinari e Castedo (2008, p. 10) esclarece que: “Enseñar las prácticas sociales de lectura supone desarrollar situaciones en las que los niños se enfrenten

49 [...] o ensino precisa considerar como conteúdo escolar as práticas sociais de leitura e escrita, a

língua escrita não pode ser reduzida a um conjunto de elementos gráficos e suas variações tipográficas. A linguagem escrita é uma construção histórica, um objeto social [...]. Esses usos se concretizam em vários gêneros para fins específicos que estão relacionados a cada evento comunicativo. (Tradução nossa)

al desafío de leer textos auténticos con propósitos similares a los que impulsan la lectura en nuestra cultura.”50

Acrescentaríamos que alfabetizar letrando, inclusive digitalmente, implica dar à criança não só a vivência dos gêneros de texto que circulam na sociedade como também a experimentação de materiais e suportes de texto diferentes que irão proporcionar aproximações distintas com o material escrito.

Entendemos que a junção desses elementos (gêneros/suportes de texto) é que torna o processo de aquisição da escrita significativo para a criança, como pudemos constatar em nossa pesquisa. O computador foi mais um dentre tantos instrumentos de escrita utilizados pela professora F para levar os alunos a alcançarem a compreensão da escrita alfabética.

A influência do uso desse instrumento na alfabetização reside exatamente no fato de ser mais um; o suporte virtual de texto é mais um recurso com o qual a escola pode contar para levar a criança a adquirir conhecimentos formais sobre o uso da escrita em nossa sociedade.

As crianças parecem compreender as diferenças e o trecho a seguir é bem elucidativo dessa questão.

Trechos de entrevista dizendo da experiência de digitar e de escrever:

Pesquisadora: O que você achou de digitar ao invés de escrever no caderno?

Aluno TA: Eu achei diferente; é difícil, mas é legal. Pesquisadora: Por que é difícil?

Aluno TA: Porque eu ainda não sei onde estão direito as letras no computador.

Pesquisadora: Escrever dentro da caixa de texto é diferente de escrever no caderno?

Aluno GM: É porque escrever no caderno é só abrir a página e escrever; no computador você tem que clicar para abrir a caixa de texto.

Pesquisadora: E digitar um pedaço da história no computador? Aluno PA: Aí eu acho mais complicado.

50 Ensinar as práticas sociais de leitura supõe o desenvolvimento de situações que as crianças enfrentem o desafio da leitura de textos autênticos, com efeitos semelhantes aos que promovem a leitura em nossa cultura (Tradução nossa).

Aluno PH: É.

Pesquisadora: Por quê?

Aluno PA: Porque eu demoro mais para achar as letras no computador; no caderno eu escrevo rápido.

Pesquisadora: Você gostou da atividade com o livro dos bichos? Aluna IN: Gostei; eu gosto de tudo no computador.

Pesquisadora: Por quê?

Aluna IN: Porque é mais divertido. Pesquisadora: E o que é divertido?

Aluna IN: Por exemplo, você aperta a tecla e a letra sai bonitinha; você usa o baldinho e colore tudo de uma vez.

Pesquisadora: Você gosta da sua letra no caderno?

Aluna IN: Eu capricho; mas quando estou com pressa não fica bonito e, no computador, mesmo que eu esteja com pressa, a letra sai bonita, porque é só apertar a tecla que a letra sai pronta e bonita.

[...]

Observamos que os alunos da pesquisa tiveram que sistematizar não só conhecimentos sobre a escrita em si, como também aprender a lidar com o teclado, com o mouse e com as interfaces usadas pelo computador para poderem escrever e ler na tela. Portanto, é comum escutarmos os alunos dizendo da dificuldade em achar a letra no teclado e de usar a caixa de texto para escrever. Todavia, esses mesmos alunos são capazes de comentar que digitar é melhor que escrever, porque basta apertar a tecla que a letra sai pronta.

Segundo Ribeiro51 (2007, p. 168):

As crianças, por serem sujeitos deste momento histórico, demonstram bem mais habilidade com essas práticas do que alguns jovens e adultos. De acordo com o que observamos durante nossa pesquisa-ação, elas até parecem que já nascem dominando a tecnologia digital, pois não demonstram ter obstáculos no domínio da máquina, adaptando-se rapidamente ao manuseio do mouse e do teclado [...].

Constatamos isso em nosso estudo - a dificuldade inicial do domínio da usabilidade do suporte é superada com sucesso; daí, esses alunos declararem que digitar no computador seja difícil, mas gostam muito (“é legal”). Assim, vencida essa dificuldade inicial com as ferramentas do novo suporte de texto, eles começam a perceber que teclar é muito mais fácil do que escrever, como a aluna IN comenta, ao 51 Essa pesquisadora, sob orientação do Professor Doutor Júlio César Araújo da Universidade Federal do Ceará (UFC), desenvolveu uma pesquisa-ação com alunos em processo inicial de alfabetização para perceber a influência dos gêneros digitais na aprendizagem da leitura e da escrita.

se referir à ação de teclar a letra ao invés de escrevê-la: “[...] quando estou com pressa não fica bonito e, no computador, mesmo que eu esteja com pressa, a letra sai bonita, porque é só apertar a tecla que a letra sai pronta e bonita.”

Com isso, ressaltamos que esse suporte de texto, ao liberar a criança do gesto motor de escrever a letra, muitas vezes dolorido para a mesma, faz com que ela se concentre em elementos mais importantes como pensar o que digitar e como digitar a sílaba, palavra ou texto.

Essa é uma das características que pode fazer do computador um instrumento de alfabetização eficiente. À medida que a criança fica liberada do gesto de escrever (muitas vezes, nessa fase, tal gesto provoca dor), pode se dedicar mais ao levantamento de hipóteses sobre sua escrita ou a outros aspectos que envolvem a estrutura e elaboração de um texto. Embora saibamos que há pesquisas que ressaltam que as crianças não mudam as hipóteses conceituais sobre o sistema de notação alfabético, ao escrever com lápis e com teclado, conforme apontaram Molinari e Ferreiro (2007), podemos dizer que elas podem se concentrar em aspectos conceituais diversos daqueles presentes na conceituação do modo de notação alfabético.

Conclusão

Ao ponderar sobre investigações que levem em conta instrumentos e suportes para ler e escrever na escola, Frade (2009, p. 41) afirma que, do ponto de vista histórico:

Precisamos de novas pesquisas para investigar que lugar ocupam determinados suportes em cada nível de ensino, para qual tipo de atividade estes são empregados, se trata-se de material de uso particular ou largamente adotado em certos períodos ou se sua utilização é mais tardia por conta de aspectos materiais envolvidos.

Em relação à nossa pesquisa, percebemos que a presença do computador é benéfica, no período de alfabetização, como mais um suporte para a

criança ler e escrever na escola, dentre tantos materiais que compõem a cultura de escrita escolar. Dessa forma, a ausência desse suporte, numa alfabetização contemporânea, pode empobrecer as experiências vivenciadas pelas crianças, tendo em vista que seu uso já faz parte da cultura escrita.

Como salientamos anteriormente, o uso desse suporte no primeiro ano do ciclo de alfabetização libera a criança dos movimentos motores tão doloridos para escrever com a mão quando usam o lápis na fase de alfabetização.

Além disso, desenvolvendo atividades de produção e leitura de texto no espaço digital, a criança tem a oportunidade de aprimorar sua escrita dentro dos espaços virtuais, utilizando novos gêneros textuais e compreendendo sua dimensão comunicacional.

Quarto Capítulo: Apropriação de gestos e comportamentos para

Benzer Belgeler