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BÖLÜM 1 : TÜKENMİŞLİK (BURNOUT) SENDROMU

1.2 Tükenmişliğin Nedenleri

1.2.2 Bireysel Nedenler

Os princípios nazistas (a palavra “nazismo” é uma abreviação de Nacional-Socialismo25)

têm sua origem muito antes da Segunda Guerra Mundial. O nazismo, apesar de ter sido um

processo muito particular dentro da História por ter “arquitetado”26 uma indústria da morte,

infelizmente não foi único. Houve outros episódios de perseguição e eliminação de supostos

inimigos. A chacina de civis e militares ocorrida nos primeiros dias da invasão da União

Soviética por tropas nazistas em 1941, a deportação e massacre de mais de 1 milhão de armênios

que viviam no Império Otomano, durante o governo dos chamados Jovens Turcos, entre 1915

e 1917, com a intenção de exterminar sua presença cultural e econômica, as leis escravocratas

regulamentadas em vários países das Américas, além do Brasil, e as perseguições a negros,

25O Pa tidoàNa io alà“o ialistaàdosàT a alhado esàále ãesài i iouàsuasàatividadesàe à à o oà Co it àliv eà

para a paz dos ta alhado esàale ães ,à uda doàseuà o eàposte io e te.à“urgiu na Baviera e, em pouco tempo, transformou Adolf Hitler em seu líder.

26Para mais informações sobre como foram projetados e executados os princípios nazistas ver filme Arquitetura da destruição (Peter Cohen, 1992).

católicos, judeus e asiáticos por grupos extremistas como a KuKluxKlan27, somam-se ao

conjunto de “crimes cometidos contra a humanidade”28.

A essas catástrofes históricas podemos acrescentar, de acordo com Primo Levi (2004),

o horror de Hiroshima e Nagasaki, a vergonha dos Gulags, a inútil e sangrenta campanha do Vietnã, o autogenocídio cambojano, os desaparecidos na Argentina e as muitas guerras atrozes e estúpidas a que em seguida assistimos [...]. Ninguém absolve os conquistadores espanhóis pelos massacres por eles perpetrados na América durante todo o século XVI (p. 17).

O autor continua suas reflexões sobre a dimensão dos crimes cometidos pelos nazistas

que, em nossa compreensão, são fenômenos que se assemelham às catástrofes acima citadas,

mas que não se igualam a elas pois

o sistema concentracionário nazista permanece ainda um unicum, em termos quantitativos e qualitativos. Em nenhum outro tempo e lugar se assistiu a um fenômeno tão imprevisto e tão complexo: jamais tantas vidas humanas foram eliminadas num tempo tão breve, e com uma tão lúcida combinação de engenho tecnológico, de fanatismo e de crueldade (Ibid., p. 17).

As origens do Nacional-Socialismo estão intrinsecamente ligadas ao fanatismo racial, ao

nacionalismo29 extremista, ao alto índice de desemprego, às injustiças sociais e ambições

militares da Alemanha, o que resultou na instituição do regime ditatorial e da chamada “Era

Nazi”30 (1933-1945). Por sua vez, as origens desse fanatismo estão no pangermanismo31 e no

antissemitismo32 manifestados a partir da segunda metade do século XIX.

27 Organização racista que criou raízes nos Estados Unidos e expandiu-se pela Europa. 28 Menção à bibliografia de Maria Luiza Tucci Carneiro (2002).

29 O nacionalismo constituiu-se como movimento de massa, orientado por fervorosa crença que se tornou a força

maior do movimento.

30 Assim chamada por Pinsky & Pinsky.

31 Movimento político do século XIX que defendia a união dos povos germânicos da Europa central.

32 Preconceito exercido contra judeus baseado no ódio por seu histórico étnico, cultural e religioso. O

antissemitismo é um fenômeno histórico bastante antigo. Para mais informações consultar material do United States Holocaust Memorial Museum. Disponível em

O nazismo formou uma geração voltada para a morte. A violência, a luta, o sangue, a guerra são elementos constitutivos do imaginário social alimentado pela propaganda. Mas os imaginários sociais [...] só proliferam onde encontram chão propício. Esse chão se mostrou extremamente fértil na conjuntura do entre guerras, mas foi preparado ao longo da história alemã, fazendo parte da sua cultura (CAPELATO, 1995).

O racismo como justificativa ideológica apoiava-se no fato de que, para os alemães, os judeus constituíam uma raça à parte, diferente da raça alemã, cuja “malignidade estaria no sangue”, portanto, a alternativa na preservação da unidade racial seria a eliminação da presença judia de seu meio. “Só membros da nação podem ser cidadãos do Estado, apenas aqueles com sangue alemão, qualquer que seja seu credo, podem ser membros da nação. Consequentemente, nenhum judeu pode ser membro da nação” (PINSKY & PINSKY, 2004, p. 104).

Antes da constituição do III Reich alemão as ações contra aqueles denominados

indesejáveis eram públicas, mas individuais, sem assumir um caráter de Estado. A partir de 30

de janeiro de 1933, quando Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha, começou a haver um

boicote institucionalizado que, aos poucos, foi tirando os direitos dessa parcela da população,

como frequentar locais públicos ou atuar profissionalmente. Grande parte da sociedade apoiou

essa ideologia de cunho racista, enxergando em Hitler a figura messiânica de um salvador para

a Alemanha destruída pela Primeira Guerra Mundial, o escolhido para cumprir a missão de

devolver dignidade à nação e salvar o mundo da presença do mal. Ele soube como conquistar

as massas em seu momento de dificuldade, explorando bem os sentimentos de humilhação, impotência e insegurança. “Conquistou as massas e o poder porque foi sensível aos anseios do povo. Propôs, nesse momento de crise aguda, um projeto de domínio do mundo pela raça ariana” (CAPELATO, 1995).

A crise nacional, intensificada pela recém terminada guerra, foi terreno fértil na

proliferação de um ideal para o povo alemão, pautado pela criação de inimigos comuns à nação – judeus, comunistas, homossexuais, negros, ciganos, deficientes, entre outros – e na ideia de

que esses inimigos deveriam ser excluídos do convívio popular. A ideologia nazista estava fundamentada no fanatismo e no ódio gratuito, na ideia de que “se somos odiados, devemos odiar também”.

Para a criação desse consenso coletivo, o Partido Nacional-Socialista lançou mão da

propaganda e da mídia para atingir as grandes massas: panfletagem, cartazes, cinema, rádio,

revistas ilustradas, álbuns de figurinhas, grandes comícios e festas. O nacionalismo trouxe

consigo sentimentos de repulsa contra “os outros”, o que levou a nação a uma neurose coletiva.

Sentimentos de ódio e repúdio aos judeus e a outras minorias étnicas, dentre elas os ciganos, foram moldados interferindo no plano emocional dos indivíduos comuns que, seduzidos pelos inflamados discursos proferidos por Adolf Hitler, Hermann Goering e Joseph Goebbels33, ficaram fascinados com a possibilidade de poder pertencer a uma

elite. A doutrina do arianismo veio ao encontro dessa tendência, oferecendo ao homem comum a ilusão de fazer parte de um grupo seleto segundo critérios raciais (PINSKY & PINSKY, 2004, p.116).

Com suas mentes moldadas por um ideário estético, biológico e racista – “de cada dez

alemães, nove eram seguidores de Hitler”-, os alemães apoiaram e levaram a efeito as leis e

normas de exclusão e, posteriormente, a chamada Solução Final34, o extermínio dos

indesejáveis. “A morte [matar ou morrer] simbolizava sacrifício à glória da nova humanidade” (CAPELATO, 1995).

Sobre o apoio do povo alemão aos nazistas, Noemi Jaffe (2012) afirma que

O nazismo incorporou ao seu discurso vários ideais do indivíduo burguês pós- Revolução Francesa, romântico e ciente de seus direitos e deveres coletivos: nação, justiça social, proteção à natureza, liberdade e bem-estar comum. A diferença – a mais significativa e mais poderosa – é que, no nazi-fascismo, para que se atingissem esses objetivos, seria necessário exterminar o maior empecilho à sua realização: as impurezas. Os judeus, os ciganos, os homossexuais, os deficientes. A justificativa era

33 Hermann Goering foi um militar e político alemão, líder do Partido Nazista. Joseph Goebbels foi um político

alemão e Ministro da Propaganda do III Reich da Alemanha de 1933 a 1945.

34 Ou Solução Final da Questão Judaica refere-se ao plano de remoção (extermínio) da nação judaica de todo o

supostamente nobre; a causa também. Mas foi o meio o que mais apaixonou a todos. É claro que os fins, como em todas as políticas e práticas absolutistas e totalitárias, faziam com que os meios se tornassem mais razoáveis, mesmo que duros (p. 209).

As Leis Raciais de Nuremberg foram promulgadas em setembro de 1935 e oficializaram

a primeira parte do plano de Solução Final. Essas leis definiam quem era ou não judeu,

institucionalizando a participação ou eliminação de todos os setores da vida social e política.

Em 1939, o Partido organizou e comandou o assassinato de milhares de pessoas consideradas

inferiores: idosos, doentes incuráveis, deficientes físicos e mentais; tudo em nome da pureza

racial. Os familiares dessas pessoas simplesmente nunca mais as encontraram ou, o mais

assombroso, consentiram com a morte em favor do bem da Alemanha, pois já que não podiam

ser bons soldados para Hitler, era melhor que estivessem mortos.

Para tanto, o Partido Nacional-Socialista contou com duas Unidades Combatentes, a S.A.

(Sturmabteilung, Tropas de Choque) e a S.S. (SchutzSttafel, Guarda de Elite). O grupo da S.A.

desempenhou seu papel na sociedade com brutalidade e violência, invadindo teatros, cinemas,

cabarés, espancando e interrogando todo aquele que não fazia parte da suposta elite. Além disso,

foram construídos milhares de campos de concentração por toda a Alemanha e nos países

dominados que cumpriam três funções básicas: campos de trabalho, campos de extermínio e

campos de transição, para posterior extermínio. O mais conhecido dentre todos foi Auschwitz,

na cidade polonesa de Oswiecim. Auschwitz foi um grande complexo com três subcampos:

Auschwitz I, para trabalhos forçados, Birkenau, Auschwitz II ou campo familiar, onde foram

exterminadas cerca de 1.6 milhão de pessoas e Buna-Monowitz, ou Auschwitz III, um conjunto

de 46 campos de trabalhos forçados.

O “sucesso” da doutrina nazista se deu, de acordo com Primo Levi (2004), devido à combinação de fatores como o estado de guerra alemão, seu perfeccionismo tecnológico e

organizativo, o carisma de Hitler e a ausência de sólidas raízes democráticas na Alemanha (p.