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As dificuldades apresentadas com ausência da Tabela de Áreas do Conhecimento da Capes não impediram que a comunicação organizacional e as relações públicas alcançassem a consolidação como “[...] campo acadêmico e aplicado de múltiplas perspectivas” (KUNSCH, 2014, p. 157), com presença nos Programas de Pós-Graduação em Comunicação reconhecidos pela Capes e grupos de pesquisa registrados no CNPq, além de vasta produção científica sob a forma de teses, dissertações, livros, artigos publicados em periódicos e em anais de congressos nacionais e internacionais.

A obra A Pesquisa em Comunicação Organizacional e Relações Públicas (MOURA; FERRARI, 2014) trouxe importantes contribuições para o “enquadramento” (CRAIG, 1999, 2007) dessa subárea que pretendemos evidenciar nesse tópico, ou seja, como um campo acadêmico de estudos em fase de consolidação e que vem desenvolvendo pesquisas sobre a comunicação organizacional digital.

Os programas de pós-graduação em comunicação (PPGComs) reconhecidos pela Capes são responsáveis por parte relevante da produção científica da área. De acordo com Kunsch (2014, p. 160):

[...] as relações públicas e a comunicação organizacional no Brasil se desenvolveram como campo científico a partir da existência dos cursos pós- graduação stricto sensu. A existência desses cursos permitiu que aos poucos esse campo fosse tomando forma, buscando se consolidar com novos aportes metodológicos, teóricos e aplicados. A dedicação de professores orientadores e pós-graduandos tem contribuído sobremaneira para uma produção científica inovadora e muito sintonizada com as novas demandas da sociedade contemporânea.

O Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) viabiliza a busca textual por temáticas às quais eles se dedicam e constitui uma fonte de informação periodicamente atualizada sobre as pesquisas acadêmicas, pesquisadores e suas vinculações a esses grupos e às IES.

Os grupos de pesquisa em comunicação organizacional e em relações públicas registrados no (CNPq) foram analisados por Moura (2014). Eram 48 grupos de pesquisa em 2013 (Quadro 7).

Quadro 7 – Grupos de Pesquisa registrados CNPq

GRUPOS DE PESQUISA REGISTRADOS 2013

Comunicação organizacional e relações públicas 13 Comunicação organizacional 27 Relações Públicas 08 TOTAL 48 Fonte: Moura, 2014

A pesquisa realizada possibilitou a construção de um banco de dados com informações diversas sobre os grupos de pesquisa, seus líderes e sua produção, além de viabilizar a produção de vários trabalhos43 que foram debatidos no 1º e no 2º Colóquio de Grupos de Pesquisa em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, a criação da Rede de Pesquisadores da Abrapcorp.

Em 2014, como decorrência dos dois colóquios, surgiu a Rede de Pesquisadores da Abrapcorp, baseada na articulação dos grupos de pesquisa criados para o debate na própria associação. As ementas dos grupos de pesquisa da Abrapcorp já foram legitimadas pela comunidade científica à medida que houve uma adoção de seus enfoques no GT da Compós que trata das questões de comunicação organizacional. As relações entre os grupos de pesquisa, os programas de pós-graduação e os cursos de graduação concretizam as conexões entre teoria, pesquisa, ensino e produção. (MOURA, 2014, p. 129-130).

Vale destacar que em seu estudo a autora considerou a busca textual pelas expressões “relações públicas e comunicação organizacional”, “relações públicas” e “comunicação organizacional”, o que nos permite inferir que, além desses grupos que constam da pesquisa, outros grupos de pesquisa, com denominações diferenciadas

43 “A reflexão originária do projeto pode ser encontrada nos textos apresentados e publicados em

eventos das áreas (Confibercom, Intercom, Rede Alcar, Ibercom) e coletâneas (e-books).” (MOURA, 2014, p. 129).

podem também estar desenvolvendo estudos vinculados a estas áreas e à comunicação organizacional digital.

Estudos de caráter exploratório foram realizados junto aos sites dos PPGComs das regiões Sudeste (KUNSCH, 2014); Sul (BARICHELLO, 2014); Centro- Oeste, Nordeste e Norte (CURVELLO; FAGUNDES, 2014)44 e apresentaram dados recentes referentes à produção científica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, especificamente em dissertações e teses.

Quadro 8 – Levantamento de Dissertações (D) e Teses (T) sobre comunicação organizacional e relações públicas no período de 2006 a 2012

REGIÕES 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 TOTAL D T D T D T D T D T D T D T D T Sudeste 07 13 12 04 16 04 07 06 09 07 15 08 21 04 87 46 Sul 03 02 06 06 08 05 06 02 07 04 08 01 03 01 41 21 Centro- Oeste 04 - 05 01 06 02 02 03 11 01 04 - 06 - 38 07 Nordeste 02 01 02 - 01 - 05 01 - - 01 01 05 02 16 05 Norte - - - 01 - 03 - 04 - Total 16 16 25 11 31 11 20 12 27 12 29 10 38 07 186 79

Fonte: Barichello (2014), Curvello e Fagundes (2014) e Kunsch (2014)

De acordo com o quadro 8, de 2006 a 2012, foram defendidas 186 dissertações de mestrado e 79 teses de doutorado45 com vinculação temática à comunicação organizacional e às relações públicas, concentradas, de modo predominante, nas regiões Sul e Sudeste, onde está também a maioria dos PPGComs brasileiros.

As principais temáticas abordadas na produção científica analisada foram identificadas pelos pesquisadores. Ficou evidenciado o interesse por temas relacionados com a comunicação digital na produção das regiões: Sudeste (tecnologias, redes sociais e mídias sociais); Sul (comunicação institucional digital,

44 O detalhamento e os resultados da pesquisa encontram-se em Moura e Ferrari (2014), publicados

nos capítulos 8, 9 e 10.

45 Optamos por expor os dados até 2012, período pesquisado nas regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste

e Norte, embora a pesquisa realizada na região Sudeste apresentasse dados de 2013 (22 dissertações e 2 teses). É possível que estes números sejam maiores, uma vez que os autores deixam claro que os sites de alguns PPGComs não disponibilizavam as informações buscadas.

relações públicas digitais, comunicação organizacional digital, comunicação pública digital); Centro-Oeste (relações públicas, a partir de uma abordagem histórica da evolução da profissão sob os impactos da internet); Nordeste (estudos sobre cibercultura e impactos das tecnologias da comunicação e da informação) e Norte (estudos sobre redes sociais e tecnológicas, sob o viés da comunicação pública).

As abordagens e estratégias metodológicas evidenciadas contemplam os principais paradigmas relacionados às ciências sociais e à área da comunicação. Na região Sudeste, segundo Kunsch (2014), predominam os estudos empíricos (41 dissertações e 29 teses) e os estudos de caso (39 dissertações e 9 teses). Para a mesma autora,

[...] a pesquisa empírica tem como foco central estudar uma realidade a partir de parâmetros metodológicos previamente definidos e estruturados” e “precisa ainda ser muito mais efetiva e praticada nos diferentes campos e subáreas da comunicação. (KUNSCH, 2014, p. 158).

Na região Sul do país, a pesquisa realizada aponta para abordagens e estratégias metodológicas também diversificadas:

[...] estudos de caso, estudo exploratório, análise de conteúdo, análise visual, semiologia hermenêutica, paradigma da complexidade, dialético histórico- estrutural; estudo bibliográfico. As expressões pesquisa quantitativa, qualitativa e quantitativa e qualitativa também aparecem nas descrições das metodologias. (BARICHELLO, 2014, p. 189).

No caso das regiões Centro-Oeste, nordeste e norte, os autores ressaltam que “A maioria absoluta de trabalhos baseia-se em estudos de casos, com o suporte da aplicação de questionários, física e eletronicamente, análises de conteúdo, análises de discurso, observação participante, grupos focais e entrevistas”. (CURVELLO; FAGUNDES, 2014, p. 197).

Ressaltamos que essa produção científica pode ter sido replicada em publicações diversas e trabalhos apresentados em congressos e disponibilizada na internet, o que amplia as possibilidades de acesso a ela e de sua utilização por pesquisadores e estudantes da área.

Benzer Belgeler