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Bilimsel, Teknik, Teknolojik, Ekonomik ve/veya Sosyal Gelişmeler ve Kazanımlar

2. TEKNİK BÖLÜM

2.2. Bilimsel, Teknik, Teknolojik, Ekonomik ve/veya Sosyal Gelişmeler ve Kazanımlar

Nesta seção, apresentamos o tipo de discurso predominante nas produções de textuais, os tipos de discurso subordinados e alguns trechos que os exemplificam. Tendo como suporte as instruções solicitadas aos participantes, o tipo de discurso predominante e esperado é o interativo. Subordinados a ele, encontramos também os tipos de discurso relato interativo e narração.

No grupo dos docentes pertencentes à universidade pública com o tipo de discurso interativo, os enunciadores iniciam seus e-mails cumprimentando a pesquisadora ou buscam estabelecer uma „conversa‟ com ela, marcando a informalidade e a igualdade de tratamento entre enunciadores e destinatária direta. Esse tipo de discurso foi encontrado nas produções de Simone e Samuel, como mostram os exemplos a seguir:

Oi Glenda,

(Vivência Profissional de Samuel, 2008) Oi Glenda,

vou começar contando um pouco sobre o uso que faço do computador em minhas aulas.(Vivência Profissional de Simone, 2008)

O trecho citado contém uma unidade linguística informal de cumprimento e junto a ela o nome da pesquisadora: “Oi Glenda”. Nota-se um traço de informalidade presente no e-mail, com os participantes parecendo dialogar diretamente com a pesquisadora; além disso, há indicação de tratamento de igualdade entre enunciadores e destinatária direta. Verificamos unidades linguísticas como o uso de pronomes pessoais de primeira e segunda do singular, além de possessivos (eu e minha). Observamos ainda o uso do presente do indicativo e do futuro perifrástico (vou começar). Nos dois exemplos a seguir, temos:

Prá te dar uma idéia, tive grupos preparam videos com "talk show", propaganda, pequenas sitcoms e até um desenho animado (Vivência Profissional de Simone, 2008). O último chat que fizemos no dia 22 de abril na disciplina de Funcionamentos Discursivos foi compilado em 32 páginas de A4 só para você ter uma idéia de quanto os alunos participam e se colocam (Vivência Profissional de Samuel, 2008).

Em relação aos tipos de discurso subordinados, trechos em discurso relato interativo foram observados quando eram contados fatos do passado em que o enunciador foi protagonista, ou seja, para relatar situações relacionadas à formação ou experiência profissional. Por exemplo, um excerto do texto de Karina:

Em 1987, concluí Graduação (Bacharelado e Licenciatura) em Letras (Português- Inglês) pela UFRJ. Em 1989, concluí Especialização em Língua Inglesa (na verdade, era Lingüística Aplicada) também pela UFRJ. Em 1993, concluí Mestrado em Letras Anglo-Germânicas (na verdade, era Lingüística Aplicada) também pela UFRJ. Em 2004, concluí o Doutorado em LAEL pela PUC-SP, tendo investigado sobre a formação do moderador de listas de discussão (Vivência Profissional de Karina, 2008).

Os eventos narrados ocorreram em épocas diferentes do momento de produção. Ao mencionar referências temporais específicas como 1987, 1989, 1993, 2004, Karina revela os momentos distintos em que os fatos ocorreram, distanciados temporalmente do momento de produção. Além disso, há unidades linguísticas como a primeira pessoa, verbos no pretérito perfeito e imperfeito, advérbios e dêiticos.

Para finalizar, outro tipo de discurso subordinado ao interativo percebido nos textos foi o narração. Os trechos do tipo narração foram observados quando os participantes exemplificavam o uso das TICs em sala de aula em que o participante não era protagonista. Ele foi identificado apenas na produção de Karina e é caracterizado pela ausência de pronomes pessoais ou possessivos de primeira e/ou segunda pessoas; neles são citados personagens que pertencem ao mundo narrativo:

Na aula no laboratório, os alunos receberam por escrito as instruções passo a passo para acessarem o YahooGrupos e se cadastrarem. Naquela época (primeiro semestre de 2002), a grande maioria dos alunos não estava familiarizada com listas de discussão e muitos ainda não tinham acesso à Internet em casa (Vivência Profissional de Karina, 2008).

No exemplo anterior, os personagens são os alunos, isto é, a grande maioria dos alunos. Há uma referência ao tempo específico da ação no caso do texto de 2002 ou a expressão Naquela época, com o uso do pretérito perfeito- imperfeito indicando que o momento de produção também difere do mundo discursivo.

Na semana seguinte (as aulas eram uma vez por semana), houve a inversão dos grupos. A atividade desenvolvida no laboratório visava ao cadastramento dos alunos no

YahooGrupos para que tivessem acesso a todas as facilidades oferecidas pelo serviço e não apenas recebessem por e-mail as mensagens distribuídas pela lista de discussão criada para a disciplina.

Nesse trecho, também não há menção a um enunciador e sim aos personagens, que são os alunos. Os tempos verbais predominantes são o pretérito imperfeito do indicativo e o pretérito imperfeito do subjuntivo, que podem sugerir hipóteses para o objetivo da aula: o cadastramento de alunos no YahooGrupos e o conhecimento dos serviços oferecidos por esse provedor.

Tendo como suporte os resultados, observa-se que na produção de texto dos participantes Samuel e Simone há predominância do tipo de discurso interativo, com trechos de relato interativo. Por outro lado, diferentemente deles, no texto de Karina o tipo de discurso predominante é o relato interativo, e o tipo subordinado foi o narração.

Observamos que os tipos de discurso estão relacionados aos temas abordados pelos participantes. No texto de Karina, por exemplo, o narração foi empregado quando o tema uso das TICs foi abordado, mas para relatar sua formação empregou-se o relato interativo. Já nos textos de Samuel e Simone, o interativo foi utilizado ao tratar do tema uso das TICs e o relato interativo para apresentar a formação acadêmica.

Resultados semelhantes também foram encontrados nos textos dos docentes de universidades particulares. As produtoras do texto também iniciavam seus e-mails cumprimentando a pesquisadora (Olah Glenda. Tudo bem?), ou buscavam estabelecer uma „conversa‟ com ela no texto, marcando a informalidade e a igualdade de tratamento entre enunciadores e destinatária direta, como vemos no trecho a seguir:

Bom Glenda, espero que a gente possa dialogar. Vou colocar abaixo algumas das coisas que escrevi - um pouco sem pensar ou reler (Vivência Profissional de Adriana, 2008).

Estou disponível para responder quaiquer perguntas q vc possa ter ok? (Vivência Profissional de Adriana, 2008).

Olá, Glenda. Tudo bem?

(Vivência Profissional da Flor, 2008)

Esse tipo de discurso foi encontrado na produção de Adriana e Flor, que buscam estabelecer um diálogo com a destinatária direta, com um tratamento

de igualdade de posições. Os tempos verbais do trecho são o presente do indicativo (espero, vou, estou); o presente do subjuntivo (possa); e o infinitivo (dialogar, pensar).

O primeiro tipo de discurso subordinado encontrado também foi o relato interativo, observado em trechos em que os participantes apresentam fatos do passado dos quais foram protagonistas, ou seja, para relatar situações relacionadas à sua formação ou experiência profissional:

Fiz uso do projetor multimídia, do notebook e de arquivos de imagem e de áudio baixados da Internet. Na maior parte das vezes, eram exemplos de discursos, apresentações orais etc (Vivência Profissional de Adriana: 2008).

A enunciadora é participante da interação. Os fatos narrados ocorrem em épocas diferentes do momento de produção. O uso do pronome pessoal eu indica que Adriana participa da interação e os verbos no pretérito perfeito e imperfeito, fiz e eram, mostram que o tempo não se refere ao exato momento de produção. A seguir, outro exemplo:

Iniciei minha vida acadêmica em 1994 na cidade de São Paulo nas universidades UNIBAN, UNINOVE e UNISANTANNA e desde 2003 leciono em uma universidade na cidade de Franca, UNIFRAN (Vivência Profissional de Fernanda: 2008).

No trecho acima, o pronome pessoal eu indica a participação de Fernanda na interação. O verbo no presente do indicativo – leciono – indica uma ação cotidiana presente na rotina da participante; já o pretérito perfeito mostra que o fato não ocorreu no momento da enunciação. O tempo e o espaço são marcados pelos anos que constam do texto (1994 e 2003) e pelos lugares de trabalho que a participante menciona (Uniban, Uninove, Unisantanna).

Verificamos que há outros tempos verbais, como o presente do indicativo (ocorrem), para especificar que as aulas acontecem, habitualmente, no cotidiano da professora:

Uso muito o computador com um grupo de alunos nas aulas de Literatura Inglesa e Norte-Americana.(Vivência Profissional de Flor, 2008)

Também uso o e-mail do grupo para passar alguma informação sobre algum evento da área de interesse como palestras, congressos, eventos, etc. (Vivência Profissional de Flor, 2008)

O segundo tipo de discurso subordinado presente nos textos é o de narração, notado em momentos em que os participantes exemplificavam o uso das TICs em sala de aula e a participante não era protagonista da ação. Esse tipo de discurso está presente no texto de Adriana, como mostramos a seguir:

Além do uso desse tipo de material, os alunos aprenderam a melhor usar o powerpoint uma vez que nas suas apresentações no final do semestre, precisariam usar o recurso (Vivência Profissional de Adriana, 2008).

O verbo está no pretérito perfeito do indicativo (aprenderam) e os alunos são os protagonistas da ação. Não há uso de pronomes ou unidades linguísticas que incluam os participantes da interação em curso.

Em síntese, no tipo de discurso predominante os textos de todas as participantes foi o interativo. No entanto, nas produções de Adriana e Fernanda foram encontrados trechos do relato interativo e do narração, quando abordavam os conteúdos tematicos formação acadêmica e experiência profissional. No texto de Flor, notamos apenas o relato interativo quando abordava sua experiência e o uso das TICs.

Nesta seção, podemos observar que os dois grupos empregam tipos de discurso semelhantes; o interativo predominou nas produções dos dois grupos, exceto no texto de Karina, em que predominou o relato interativo. Quanto aos subordinados, também observamos o mesmo emprego. Isso mostra que os mesmos elementos linguísticos e discursivos foram utilizados para construir as representações sobre o uso das TICs, sua formação acadêmica e sua experiência. Isto pode ter ocorrido pela semelhança entre o contexto de produção e as instruções.

Vejamos, então, o nível enunciativo.