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II. BÖLÜM

2.5. Belli Başlı Dil Öğretim Yöntemleri

2.5.3. Bilişsel yöntem

A pluralidade de correntes artísticas e de diferentes linguagens, que caracteriza a produção artística do século XX, dificulta a definição de uma fórmula, de um estilo característico para a cenografia, mesmo esta se caracterizando pela presença marcante da imagem, ou imagens, relacionadas entre si. Mais complicado ainda é estabelecer uma correlação direta entre a cenografia e a arte moderna. Entretanto, é notável como o palco italiano é capaz, como afirma Kosovski (2000), de “subjugar qualquer coisa nele inserida e assumir uma aparência mais ou

menos homogênea”. “Num palco italiano, um cenário é sempre um cenário”, afirma Arnold Aronson3 (apud KOSOVSKI, 2000).

Para ter o fôlego necessário para incorporar os novos conceitos insurgentes, o Teatro deve ter o distanciamento crítico necessário da tradição. A abertura criada pela ampliação do lugar teatral é um caminho frutífero para tal realização, partindo-se deste ponto rumo aos limites que esta maneira de abordagem da espacialização pode apresentar. Para tanto, os avanços preconizados pelas vanguardas do início do século XX, principalmente no que tange as artes cênicas, seriam fundamentais para que o Teatro trilhasse novos rumos e se aproximasse das demandas mais urgentes do homem de sua época.

Os primórdios do século XX são marcados por uma imensa gama de experiências e investigações acerca do espaço cênico que promoveram novos rumos para o teatro, ampliando seus horizontes de possibilidades de trabalho na cena, explorando-a das mais variadas formas.

As vanguardas artísticas do início do século XX, notadamente Futurismo, Construtivismo Russo, Dadaísmo e Surrealismo, buscaram introduzir novas formas de concepção artística, rompendo radicalmente com a tradição no intuito de criar uma arte mais sintonizada com as demandas do homem da época. Para tanto, utilizou-se as artes cênicas, principalmente a performance4, como

um meio de expressão inovador e fora do convencional para as novas idéias. A performance tornou-se um meio adequado de exploração dos limites de uma idéia e foi frequentemente usada pelas vanguardas. As questões mais complicadas eram apresentadas e discutidas por meio da performance. A definição mais simples e abrangente para performance, segundo Goldberg (2006), seria a de uma arte feita ao vivo pelos artistas. Esta aproximação entre artista, obra e espectador será reconhecida no Teatro. Os artistas e a produção da arte deixar-se-ão atrair pelo Teatro na mesma medida que este contaminará aquela e vice versa.

[...] as invenções de Jarry e de Satie tinham mudado radicalmente o curso do desenvolvimento “teatral”, além de fornecer o nascedouro do Novo Espírito, pontuado ao longo dos anos para Roussel, Apollinaire, Cocteau e dos dadaístas e surrealistas “importados” e locais, para citar apenas algumas

3 ARONSON, Arnold. The history and theory of environmental scenography. Michigan: UMI books and demand,

1981.

4 Ainda que não seja a intenção deste trabalho esgotar as implicações das influências da performance nas artes

dessas extraordinárias figuras [...]. O Surrealismo havia introduzido os estudos psicológicos na arte, de modo que os vastos domínios da mente se tornaram, literalmente, material para novas explorações da performance. Na verdade, com sua concentração na linguagem, a performance surrealista afetaria mais fortemente o mundo do teatro do que as subseqüentes expressões de arte performática. Por que foi para os princípios básicos do dadaísmo e do futurismo – acaso, simultaneidade e surpresa – que os artistas se voltaram, indireta ou mesmo diretamente, depois da II Guerra Mundial (GOLDBERG, 2006, p. 86).

É notável constatar que as vanguardas contribuíram principalmente para a preocupação com a relação essencial que existe entre o lugar da performance e as formas de percepção, assimilação e recepção do público. A tradicional estaticidade desaparece e o público adentra a obra para vivenciá-la, experimentá-la de outra forma. Certamente esta forma diferenciada de relação entre público e obra demanda uma outra relação espacial e uma nova configuração arquitetônica. Toda a contaminação que o Teatro recebe das artes visuais e demais artes cênicas provocará uma desestabilização dos fundamentos tradicionais desta arte, o que afetará diretamente o lugar teatral uma vez que este é o espaço onde ocorre a relação entre a cena e o público.

As vanguardas do início do século XX abriram caminhos para que o teatro contemporâneo empreendesse uma jornada rumo a novos espaços, mais próximos da esfera da vida cotidiana, para constituição do espaço cênico. O edifício, projetado com o palco italiano, que impõe regras, limita soluções e disciplina a representação é questionado e amplia-se o panorama de ruptura com o que era considerado estabelecido. O espaço, especialmente o palco, como afirma Roubine (1998), é explodido. Esta explosão lança fragmentos por todas as partes e o teatro envereda por outros rumos, sediando-se em outras arquiteturas, na rua, na cidade, enfim, mais próximo da realidade. O palco atinge uma proporção inimaginável, ele pode ser do tamanho do mundo, como afirma Aderbal Freire Filho5 (apud KOSOVSKI, 2000). Por mais que iniciativas

anteriores tenham proposto, as vanguardas artísticas conformaram de maneira mais consolidada o movimento das artes cênicas rumo à cidade. Este diálogo que é iniciado aponta mais clara e consistentemente para o que virá a ser compreendido como teatro urbano.

5 FREIRE FILHO, Aderbal. A mise-en-scène de Senhora dos Afogados (duas cenas). Cadernos de Espetáculos:

Revista do teatro Carlos Gomes da secretaria municipal de cultura da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, n°1, p. 71, 1995.