II. BÖLÜM
4.5. Yabancılar İçin Türkçe–1 Adlı Ders Kitabının A1 Düzeyinde Yer Alan
5.3.5. Dil Öğreticisine Öneriler
O Teatro Oficina (FIG 10), sede do homônimo grupo dirigido por José Celso Martinez Correa, constitui um outro exemplo de arquitetura teatral que busca uma consonância com as concepções de espaço cênico contemporâneas e, neste caso, promovidas pelo grupo. Pelos idos de 1958, um grupo de estudantes universitários aluga um antigo teatro para instalar sua companhia teatral. A primeira reforma seguiu o projeto do engenheiro arquiteto Joaquim Guedes que dispunha duas platéias frente a frente, separadas pelo palco central, configurando um layout tipo “sanduíche”. Esta primeira fase perdurou até que um incêndio destruiu o prédio. O projeto de reconstrução do teatro ficou a cargo dos arquitetos Flávio Império e Rodrigo Lefevre que dispuseram a platéia em uma arquibancada de concreto com acessos laterais e o palco, de tipo italiano, possuía um circulo central giratório, criando uma nova configuração para o teatro, bastante distinta da original. A situação político-econômica do país, ocupações irregulares e uma disputa legal levou o edifício às ruínas. Com a solução dos problemas e o tombamento do edifício pelo Patrimônio Público do Estado de São Paulo, deu-se início ao reerguimento do Teatro Oficina. Desta vez o projeto ficara a cargo da arquiteta Lina Bo Bardi e equipe. O conceito norteador do projeto era a idéia de rua. A forma definitiva compõe-se de um palco longitudinal, uma grande passarela, com trechos em rampa, que atravessa todo o prédio, margeado pela platéia, que se dispõe em andares de galerias construídas com tubos desmontáveis, semelhantes a andaimes. Nesta “avenida” encontram-se os quatro elementos, considerados imprescindíveis por José Celso, representados por uma bica de fogo abastecida com gás no
centro geométrico do teatro; uma cascata alimentada por sete tubos aparentes remetia ao elemento água; enquanto uma clarabóia retrátil contemplava o elemento ar; por fim, um jardim embaixo da clarabóia dava cabo dos demais elementos, segundo descrição de Elito (2000, p. 14).
A metáfora da rua demonstra um processo de concepção de projeto arquitetônico extremamente próximo das idéias de espaço cênico propostas pelo Oficina. O trabalho do teatro Oficina possui fundamento dionisíaco e tem fortes influências das idéias do encenador francês Antonin Artaud, isto se torna ainda mais enfático depois do contato com o trabalho do grupo inglês Living Theatre. Busca-se uma transformação do ser humano através do mítico do teatro, onde se aborda o indivíduo pela psiché, pela “possessão”, segundo José Celso (KOSOVSKI, 2000,
p.171) e não pelas vias da razão, tão somente. Para tal incorporação é fundamental a aproximação entre cena e público, um contato real entre ambos. No ritual, todos participam do evento e não existe uma separação entre os que assistem e os que tomam contato com as entidades, pois todos são participadores, ativos. Certamente o espaço, fora do contexto sagrado do ritual, em que todos se relacionam e participam ativamente é a rua. A rua promove aproximações, a dinâmica espaço-temporal torna-se o meio no qual as relações entre homens acontece. O Oficina funda seu teatro neste simbolismo, nesta emoção e no desejo de contato físico com o outro, buscando uma linguagem que aproxima as raízes da cultura brasileira com as informações provenientes do mundo, rompendo cânones e derrubando dogmas, uma atitude bem própria de seu tempo.
No caso do Teatro Oficina constata-se uma combinação orgânica entre o espaço cênico e a arquitetura teatral, capaz de proporcionar uma experiência renovada no que tange a relação entre cena e público e que, em certa medida, modifica a própria concepção do evento. Uma tensão dialógica permanente assume o espaço e determina novos vetores de apropriação dos espaços e abre possibilidades para experiências diferenciadas entre indivíduos, lugares e temporalidades.
José Celso Martinez Correa compreende bem qual a relação que o teatro do Oficina estabelece com a cidade, neste caso, a metrópole que é a capital paulista:
O projeto de Teatro Oficina é uma pequena parte de um projeto maior [...] o objetivo é criar uma praça cultural no centro da cidade, é a agora, do nome
das assembléias e dos mercados gregos.
O nosso objetivo é explodir a consciência da cidade, e também do público, que tem poder para interferir sobre os que têm poder na cidade (KOSOVSKI, 2000, p.172-173).
Apesar de conformado em um edifício, o Teatro Oficina é muito mais próximo da rua e isso repercute na arquitetura de sua sede. A rua como experiência ontológica onde o evento, com inscrição do extraordinário no ordinário do cotidiano, promove uma nova dinâmica na vida extraindo do seu próprio substrato a matéria prima para a reflexão, para a incorporação e para a transformação dos sentidos e das sensibilidades do espaço e do próprio indivíduo.
Ao se usar a rua como metáfora norteadora do projeto arquitetônico para o teatro Oficina, muda- se o paradigma fundamental para a concepção do espaço. Este deixa de ser calcado em uma experiência predominantemente visual, onde o que se enfatiza é a contemplação, para adentrar- se na esfera da ação. A rua é o espaço onde é possível encontrar-se o Outro e este encontro é essencial para a construção do sujeito, do eu. Somente no diálogo dinâmico entre o eu e o Outro que é possível realizar-se como este sujeito. Se esta existência dá-se no diálogo, ela não pode ser considerada estática, é um processo. Processo este que amadurece a medida que se estabelecem mais diálogos.
O edifício, então, deixa de ser apenas um invólucro, um abrigo para as pessoas e torna-se, efetivamente, um espaço promotor de encontros. Seja o encontro com os outros indivíduos, seja o encontro do ator com a personagem. O espaço arquitetônico do teatro, que se tornará o espaço cênico no evento, proporcionará uma vivência diferenciada da ocasião. Neste caso, tanto a arquitetura quanto o teatro tornam-se espaços ao redor de um sujeito. A experiência dá-se em um acontecimento e não simplesmente no fato de se estar naquele espaço. Sem o deslocamento, sem os encontros e desencontros o espaço não se torna um lugar, o lugar teatral, nem contribui para que o indivíduo torne-se um sujeito e o ator o personagem.
A arquitetura do Oficina não é mutante e polivalente, mas contribui fundamentalmente para a montagem da cena e para a experiência do público. Define as formas de relação entre a cena e o público bem aos moldes dos espaços pensados por encenadores como Grotowski e
Schechner. Além disso, estabelece um diálogo particular com o urbano a partir do momento em que transpõe uma das experiências da rua para o lugar teatral.