BÖLÜM I: GENEL BİLGİLER
1.1. Sözlü Çevirinin Kuramsal Alt Yapısı
1.1.2. Bilişsel Psikoloji
A rede municipal de Araraquara é composta por 10 escolas nas quais trabalham aproximadamente 230 professores e que atendem aproximadamente 5100 alunos. Entre essas 10 escolas, 7 se encontram na periferia da cidade. Duas escolas se localizam em assentamentos que ficam afastados de 15 a 20 Km do centro e a última escola fica em Bueno de Andrada, um distrito rural que fica a 16 Km do centro da cidade, e que está ligada administrativamente ao município de Araraquara.
As escolas que ficam nas periferias da cidade possuem instalações bem parecidas em suas arquiteturas: são novas, com pátios grandes, salas bem amplas e que seguem aparentemente a mesma dinâmica interna. As escolas localizadas nos assentamentos, incluindo a que se localiza em Bueno de Andrada, diferenciam-se das outras pelas características culturais e necessidades próprias, seguindo, em vista disso, a política pública educação do campo5. Ao redor delas, há áreas com plantações de cana e muitas árvores.
5
Devido às características e necessidades próprias dos alunos do campo no seu espaço cultural, a Coordenação- Geral de Educação do Campo implementou as Diretrizes Operacionais para Educação Básica do Campo (CNE/CEB nº1. 3/04/02), aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação a partir do diálogo com movimentos sociais. A meta é pôr em prática uma política de Educação que respeite a diversidade cultural e as diferentes experiências de educação em desenvolvimento, em todas as regiões do País, como forma de ampliar a oferta de educação de jovens e adultos e da educação básica nas escolas do campo. Entre seus objetivos está a valorização do campo, que engloba os espaços da floresta, da pecuária, das minas, da agricultura, os pescadores, dos caiçaras, dos ribeirinhos e dos extrativistas como espaço de inclusão social, a partir de uma nova visão de desenvolvimento. A formação de professores do campo é discutida e trabalhada pela coordenação de Educação do Campo, como principal estratégia. A Coordenação realiza desde julho de 2004 uma série de seminários estaduais de educação do campo, nos quais os participantes, representantes de instituições e entidades ligadas às questões rural e educacional têm a oportunidade de discutir estratégias para a implementação das diretrizes operacionais para a educação básica nas escolas do campo, produzir subsídios, elaborar propostas para uma política nacional e criar uma esfera pública de tomada de consciência. Já foram realizados quatorze seminários este ano, reunindo cerca de 2.700 pessoas, e outros 13 estão previstos para acontecer até maio de 2005. Para a realização deste trabalho, o Ministério da Educação conta com a parceria das secretarias estaduais e municipais de Educação, Conselhos Estaduais de Educação, Movimentos Sociais, Undime, Consed e com a mobilização de gestores, profissionais e entidades da educação. (www.educação.gov.br). Hoje, Araraquara mantém as 3 escolas rurais, sendo 2 encravadas em Assentamentos da Reforma Agrária e 1 no Distrito Rural de Bueno de Andrada,
Realizei entrevistas com duas professoras que trabalham em escolas distintas: uma delas trabalha em uma escola na região periférica de Araraquara e, a outra, em uma escola localizada em um assentamento. Exatamente por isso, por se tratarem de duas professoras, em duas escolas diferentes, torna-se necessário uma caracterização mais apurada dessas duas escolas.
A escola da professora localizada no assentamento fica em um espaço amplo, cercada por muitas árvores, plantações de cana e casas de camponeses. Dentro desse espaço, existem: uma horta, uma quadra para atividades esportivas, e três edificações. A primeira edificação é um casarão antigo utilizado como escola rural de 1ª à 4ª séries do ensino fundamental6. Contudo, foi apenas a partir de 2001, no primeiro ano da Administração Municipal 2001/2004 do atual governo, que esse casarão passou a ser utilizado para os fins do projeto Escola do campo. As duas outras edificações foram construídas em 2003.
No casarão, estão os banheiros, a cozinha utilizada para a confecção da merenda dos alunos, a área para merenda, as 4 salas de aula, as salas de coordenação e diretoria, e uma sala usada para reuniões que acontecem todos os dias. A área onde fica o refeitório está repleta de cartazes feitos pelos alunos que mostram as características próprias do local. No segundo prédio, estão o laboratório de ciências, a sala de informática e Multimeios, a biblioteca e uma sala de aula. O terceiro prédio é uma cozinha experimental.
No dia em que conheci a escola do campo, pude perceber um grande envolvimento dos funcionários que ali trabalham. As reuniões acontecem todos os dias e têm a participação ativa dos professores e coordenadora que debatem assuntos referentes: aos conteúdos, sobre as atividades já realizadas e as que serão propostas e sobre os procedimentos avaliativos.
A movimentação dos alunos, na escola, é constante, possivelmente resultado da proposta escola do campo e estrutura física da escola. Chamo de movimentação o deslocamento regular e direcionado dos estudantes dentre os diferentes espaços específicos
totalizando 538 matrículas em 2 anos de Educação Infantil e 9 anos de Ensino Fundamental. As outras 940 crianças matriculadas no Ensino Fundamental (1ª à 8ª séries) são transportadas para a cidade. O projeto da Escola do Campo de Araraquara teve início no Grupo de Trabalho de Escola Rural, constituído no Fórum Municipal de Educação, que participou da primeira Conferência Municipal de Educação do Município, ocorrida em 2001, primeiro ano da Administração Municipal 2001/2004 e prevista no plano de governo democrático e popular. A primeira diretriz atendida foi a municipalização da Escola Estadual “Hermínio Pagôtto” em dezembro de 2001 e, em seguida, a extensão do atendimento do Ensino Fundamental de quatro para nove anos 5, já em 2002. (FREITAS, Escola do Campo: a proposta de Araraquara, revista Tempo & Espaço, 2003)
6
O registro de matrículas da Diretoria Regional de Araraquara indica que em 1984 Araraquara possuía 31 escolas rurais de 1ª à 4ª séries do ensino fundamental em funcionamento, com 596 alunos matriculados. (FREITAS, A.L.M, Escola do Campo: a proposta de Araraquara, revista Tempo & Espaço, 2003)
oferecidos pela escola. O beneficio dessa estrutura está nas diferentes possibilidades que possui o educador para trabalhar os conteúdos.
É importante destacar a atenção e hospitalidade dos funcionários, que sempre se prontificaram a auxiliar o pesquisador no que fosse necessário.
Nesse mesmo dia, fui apresentado à professora que leciona Ciências, nas 4as séries do ensino Fundamental, que se mostrou muito entusiasmo com a pesquisa. Pude evidenciar isso, não só pelo fato de responder o questionário na mesma hora, mas também, por mostrar grande interesse pela problemática que envolve o ensinar Ciências. Devido a disposição demonstrada e a outros fatores, essa professora foi uma das selecionadas para participar da entrevista, segunda etapa desse estudo empírico.
A escola, da professora Q, também selecionada para realizar a entrevista, está localizada na periferia de Araraquara e também possui um espaço amplo que abriga: uma quadra para atividades esportivas e cinco edificações interligadas por um corredor coberto. Na primeira edificação, localizam-se: a cozinha, o espaço da merenda e os banheiros. Na segunda: as salas de coordenação e diretoria, a secretaria, o almoxarifado e banheiros para os funcionários. Nos terceiro e quarto prédios, estão as salas de aula, sendo que há 3 salas em cada prédio. No quinto prédio, localizam-se: as salas de vídeo e informática, a biblioteca e duas salas de aula. Essa escola não possui laboratório de ciências e essa falta é reclamada pela professora em uma das suas respostas ao questionário.
Em relação a essa escola pude observar, assim que levei os questionários para que as professoras respondessem, um certo afastamento entre elas, que se constata nos grupos isolados que se formaram na parte da reunião que assisti e pelos assuntos pessoais conversados entre esses grupos, que aparentemente estavam descontextualizados. Também percebi a falta de disponibilidade, pela maioria das professoras, quando expliquei a importância da pesquisa que estava realizando, bem como, quando solicitei que preenchessem o questionário. Uma delas, prontamente, se negou a responder alegando falta de tempo.
A única professora que se animou com a pesquisa, mostrando-se a disposição para o esclarecimento de qualquer dúvida, foi a escolhida para que realizasse a entrevista. Nesse momento ela já havia cumprido um dos critérios estipulados para a escolha dos sujeitos que seriam entrevistados. A escolha se confirmou quando a professora me devolveu o questionário, onde mostrou posições claras e grande envolvimento com as questões.