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2.3. Şizofreni Hastalarında Bilişsel İşlevler

2.3.2. Bilişsel işlev bozukluklarının hastalık evresi ve hastalık süresi ile

A “teoria da prática” das regras, desenvolvida por Herbert L. A. Hart, faz distinção entre aspectos internos e externos do direito e trata as regras sociais como sendo constituídas por uma prática social que abrange modelos de conduta observados pela maior parte do grupo e ditados pela atitude de aceitação dessas regras por parte do agrupamento humano a que se destinam. Essa “aceitação” expressa a disposição dos indivíduos para tomar tais modelos de conduta como guia para comportamentos futuros, mas também como padrões de crítica legitimadores de pretensões e de pressões no sentido de sua observância. A aceitação, portanto, refere-se aos aspectos internos das regras. O aspecto externo que corresponde ao comportamento regular e uniforme perceptível por um observador na maior parte do grupo, ainda que seja característico do simples hábito social, não é suficiente para se cogitar de uma regra social. Sua “existência” depende do aspecto interno, que corresponde ao fato de que pelo menos alguns membros do grupo social reconheçam no comportamento exigido “um padrão geral a ser observado pelo grupo como um todo”.170

Se, como anuncia Hart, as regras reconhecidas pelo grupo social como válidas em nível oficial “são geralmente obedecidas”, a desobediência generalizada há de ser vista como uma patologia cuja “terapêutica” independe da mera atuação repressiva dos setores oficiais, dado que é impossível se cogitar do processamento judicial de todas as situações em que haja lesão de direitos do trabalhador. Do mesmo modo que é também incogitável a estratégia de se disponibilizar um auditor fiscal para cada empresa ou, mesmo, para cada segmento de atividade, por absoluta inviabilidade material e humana.

Embora não se admita que o direito seja mero resultado de práticas sociais reiteradas e aceitas como regras gerais, não se pode deixar de reconhecer que a falta generalizada de aceitação de qualquer norma jurídica constitui aspecto determinante da patologia de um sistema jurídico que tem, nesse caso, sua efetividade absolutamente comprometida. Aqui, pouco importa a afirmação da presença dos critérios formais de validade da norma considerados pelos tribunais.

Se se admitir, contemporaneamente, que o problema da falta de efetividade constitui-se na conseqüência mais desastrosa da crise da organização do trabalho, impõe-se aos juristas teóricos e de ofício e às autoridades o dever funcional de perquerir acerca de suas causas.

Em expressão e diagnóstico precisos, Hart reconhece que, “por vezes, o sector oficial pode estar divorciado do sector privado, no sentido em que já não existe uma obediência geral às regras que são válidas, segundo os critérios de validade usados pelos tribunais”.171 Esta ruptura importa no reconhecimento da existência de um fracasso daquilo

que é pressuposto que pode resultar de diversos “fatores perturbadores”.

No caso da legislação trabalhista, os fatores perturbadores mais relevantes são a insuficiência e obsolescência do modelo de racionalidade e a incompatibilidade operacional do sistema jurídico-trabalhista no estabelecimento da equação norma versus realidade, como bem demonstram os “fragmentos de realidade”, aqui levantados por simples amostragem.

A ratificação dessa assertiva vem do diagnóstico realizado pelo Fórum Nacional do Trabalho172, recentemente concluído, que revela que essa “patologia” se estende a todo o

sistema de relações de trabalho nacional. No mesmo sentido, aponta o Relatório do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social173, que considerou superado “o sistema brasileiro de

relações trabalhista”, propugnando pela rediscussão do marco normativo constitucional e infraconstitucional. Recomenda, ainda, a adaptação do marco normativo da legislação às novas configurações do mundo do trabalho.

O modelo de racionalidade que anda persiste nas práticas jurídicas e institucionais da organização do trabalho aguça a “patologia” do sistema jurídico com os persistentes resíduos de formalismo e/ou conceptualismo, que aparentemente prestam-se a “disfarçar e minimizar” a necessidade de escolhas, por parte dos decisores e aplicadores do direito,

171

HART, O conceito de Direito, 1994, p. 129.

172 http://www.mte.gov.br/EstudiososPesquisadores/fnt/conteudo/pdf/DIAGNOSTICO_DAS-RELACOES_DE_ TRABALHO_Brasil.pdf. 173 http://www.mte.gov.br/EstudiososPesquisadores/fnt/conteudo/pdf/Reforma_Sindical_e_Trabalhista_relatorio _final_do_CEDES.pdf.

entre inúmeros alternativas possíveis, ante a inegável conclusão de Hart acerca da textura aberta da linguagem jurídica.

Se não se acolhem os fundamentos da vertente sociologista dessa concepção, não se pode deixar de reconhecer que há sempre uma ampla margem de discricionariedade e escolha deixada pela linguagem nos campos interpretação e da aplicação da norma jurídica.

Não se pode perder a oportunidade de reiterar que, para o enfoque desta investigação, a inadequação da legislação não diz respeito aos direitos trabalhistas propriamente ditos e inscritos na Constituição Federal como direitos fundamentais. Aqui se refere a um conjunto considerável de normas instrumentais inadequadas à realidade local e que foram constituídas como meio para a atualização dos direitos do trabalhador propriamente ditos. Ocorre que a falta de efetividade das normas instrumentais implica a falta de efetividade das normas constitutivas dos direitos dos trabalhadores. Em outros termos, a inadequação de normas instrumentais passa a ser invocada como justificativa para o descumprimento destas últimas.

Dessa forma, fica aberto um “fosso” profundo entre o direito oficialmente reconhecido e o direito efetivo, entre as práticas institucionais e a realidade. O direito do Trabalho passa a ser uma referência meramente simbólica.

É por essa razão que a efetividade da legislação trabalhista, uma vez depurada de tais desmazelos normativos, é compreendida como uma dimensão relevantíssima do princípio de democracia, já que o Estado Democrático Constitucional de Direito pauta-se pela garantia efetiva de um catálogo de direitos fundamentais.174 Não há dignidade humana, nem cidadania

– princípios-fundamento da república – sem a efetividade dos diretos sociais.