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2.3 İlgili Araştırmalar

2.3.1 Bilişsel Çarpıtmalar İle İlgili Türkiye’de Yapılan Araştırmalar

Força da imaginação/ além dos pés e do chão/ o que a mão ainda não toca/ o coração um dia alcança/ força da imaginação

Caetano Veloso e Dona Ivone Lara

Na estética transcendental de Kant estão definidas duas formas puras de intuição sensível, o espaço e o tempo.

O espaço é a condição de possibilidade dos fenômenos. Como forma de

intuição pura, contém a possibilidade de representação a priori. É a forma de

todos os fenômenos dos sentidos externos; isto é, condição subjetiva da sensibilidade. Se abandonarmos a condição subjetiva, sem intuição exterior – que é o mesmo que a possibilidade de sermos afetados pelos objetos – a representação do espaço nada significa. Só o espaço pode fazer com que as

coisas sejam, para nós, objetos exteriores. A primeira parte de nosso trabalho é dedicada à compreensão do espaço.

O tempo para Kant não é um conceito empírico. É a condição subjetiva indispensável para que tenham lugar em nós todas as intuições. É a forma pura do sentido interno – da intuição de nós mesmos e do nosso estado interior. A segunda parte de nosso trabalho é dedicada à compreensão do tempo.

Além de nos oferecer este chão transcendental da experiência e da geração de conhecimentos, a nossa simpatia com o filósofo Immanuel Kant deve-se a três motivos:

 Kant parte da ideia de que Deus concebeu um mundo inteligível, sendo esta a prova de Sua existência;

 Para este filósofo, se nos dedicarmos a compreender – pela geração de conhecimentos – este mundo inteligível, agiremos moralmente e seremos digno da felicidade;

 Reconhecemos em sua obra Crítica da razão pura fundamentos, finalidades e filosofia da Epistemologia Genética de Jean Piaget e seus colaboradores.

Parece-nos que Kant, extraindo ânimo de um cotidiano tanto mais regrado quanto mais propiciador de acordo entre entendimento e imaginação, esteve sempre balizado pelo sentimento, e pelos graus de ampliação do sentimento que ele definiu como a propriedade que apenas o homem tem de só poder julgar o particular no universal.

Julgamento este que é, ao mesmo tempo, dado pela faculdade intelectual (o entendimento) e a faculdade sensível (a imaginação), harmonizados por uma ideia de divindade com a contingência de que tudo é inteligível, moral, posto que governado por um sábio criador. Pela crítica, tudo pode vir a ter um sentido. Entretanto, este sentido não está pronto, não é anterior à nossa ação reflexiva, mas fruto desta. O belo é, então, a manifestação divina que provoca nossa ação reflexiva.

A razão pura contém assim, é verdade que não no seu uso especulativo, mas num certo uso prático, a saber, o uso moral, princípios da possibilidade da

experiência, isto é, ações que, de acordo com os princípios morais, poderiam ser

Devemos sempre buscar os princípios da razão, agindo moralmente na experiência – o mundo dos fenômenos, sensível e inteligível, para alcançar o interesse prático: “Faz o que pode tornar-te digno de ser feliz” (op. cit., p. 642).

A felicidade é a satisfação de todas as nossas inclinações (tanto extensive, quanto à sua multiplicidade, como intensive, quanto ao grau e também protensive, quanto à duração). Designo por lei pragmática (regra de prudência) a lei prática que tem por motivo a felicidade; e por moral (ou lei dos costumes), se existe alguma, a lei que não tem outro móbil que não seja indicar-nos como podemos

tornar-nos dignos da felicidade (KANT, 1989, p. 640).

Para nós, é possível reconhecer a possibilidade de ser feliz no construtivismo piagetiano, e aqui recorremos a Lino de Macedo (informações verbais)19. Construtivismo, ou estruturalismo genético, é um modo de ver a

problemática da vida por oposição ao inatismo e ao empirismo. Na perspectiva do construtivismo é o comportamento que mostra o que você é, sente, expressa. E o comportamento, ou ação na experiência, é simultaneamente estrutura – como você compreende, e procedimento – como você realiza. O procedimento, aquilo que ninguém pode fazer por nós, é encarnado na experiência do sujeito. Procedimentos geram, estendem e transformam estruturas, enquanto são possibilitados por estas. Assim, por um método procedural, o sujeito constrói sistemas de explicação que lhe permitem conhecer o mundo. Nesta perspectiva, interagir e aperfeiçoar são as ações que constituem a vida, e neste princípio vital reside a possibilidade de ser feliz, uma vez que nestas ações transformadoras somos sujeitos ativos e não sujeitados, autônomos, portanto. Para Kant, o sujeito autônomo é aquele que governa a si próprio em busca do belo (o mundo inteligível dos fenômenos) e do bom (o mundo moral que nos torna dignos da felicidade).

Kant parte de uma Doutrina transcendental dos elementos, da qual a Estética transcendental é a primeira parte; ali encontramos as definições seguintes.

19 Anotações em sala de aula, curso A pesquisa em uma visão construtivista, Instituto de Psicologia da USP, 2010.

Intuição é o modo e meio pelos quais o conhecimento pode se referir aos objetos; intuição pura é o fim para o qual tende, como meio, o pensamento, uma forma pura de sensibilidade (transcendental) que nos é dada se o objeto

afetar o espírito, e com ele se relaciona pela sensação empírica. Pela intuição

temos a possibilidade de representação do fenômeno – objeto indeterminado da intuição empírica, ou experimental. A sensibilidade é nossa capacidade de receber representações (receptividade), e nos fornece intuições, graças à maneira como somos afetados pelos objetos. O entendimento pensa os objetos e é dele que provêm os conceitos. Entendimento é faculdade não sensível do conhecimento, porém sem a sensibilidade não podemos participar de nenhuma intuição. Sensação é o efeito de um objeto sobre a capacidade representativa, na medida em que somos afetados por ele. Percepção é a consciência empírica, ou seja, uma consciência em que há, simultaneamente,

sensação. Os fenômenos, como objetos da percepção, não são intuições puras (simplesmente formais), como o espaço e o tempo (pois estes não

podem ser percebidos em si). Intuições assentam em afetos; conceitos assentam em funções; pensar é conhecer por conceitos.