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Bilişim Teknolojilerinin Erişilebilirliğe Katkısı

3.2. ADLİYE KULLANIMINI ETKİLEYEN İLKELER

3.2.1. Bilişim Teknolojilerinin Erişilebilirliğe Katkısı

Uma análise de discurso é uma leitura cuidadosa, próxima, que caminha entre o texto e o contexto, para examinar o conteúdo, organização e funções do discurso.

Discurso, ou melhor, a formação discursiva que reflete e constitui a prática social por meio da linguagem é entendida aqui como prática discursiva. Assim, pode-se entender as formações discursivas do campo estudado como a linguagem em ação, isto é, maneiras a partir das quais

as pessoas produzem sentidos e se posicionam em relações sociais cotidianas. Sob essa perspectiva, as formações discursivas refletem diretamente em decisões e escolhas, em ações, e produções históricas, contextos, enfim, construções sociais das quais é expressão.

Conforme já assinalado, pela concepção e dinâmica inerente às formações discursivas, sempre é possível observar as ressignificações, as rupturas, a reconstrução de sentidos. Dessa forma, em que pese haver um discurso formal que regule as instituições e organizações e, ainda, possibilite a reprodução de práticas semelhantes, na verdade podem conviver outros discursos que atribuam significados distintos à mesma prática. Em que pese a importância do contexto, isso não implica que esse contexto possa ser descrito com neutralidade, pois o analista do discurso também produz a sua versão da realidade e do discurso quando faz a leitura e interpreta outros discursos.

Quincot (2003) salienta, ainda, que é necessário tomar em conta a totalidade do que foi expresso e também os detalhes, buscando recuperar as ocorrências contextuais do fenômeno ou objeto estudado. A metodologia deve possibilitar a sistematização do discurso por temas, tornando-os comparativos a fim de encontrar as convergências e os contrastes no grupo referente. Outro aspecto importante do método é que deve gerar a possibilidade de captar a organização sintático-semântica com a qual os informantes construíram a realidade expressada.

Gill (2002) indica que o investigador atente para a regularidade e a variabilidade nos dados. As variações no discurso ou contradições podem sinalizar a forma real como o discurso se orienta para a ação. Alem disso, Spink (1995) enfatiza que é importante analisar a retórica, ou seja, a forma como se estrutura o discurso do entrevistado quando ele se posiciona a favor ou

contra uma versão dos fatos. Spink (1995, p.130) complementa ainda que essas características do discurso “podem dar pistas valiosas quanto à natureza de sua construção ou à sua funcionalidade”.

Ademais, Gill (2002) observa que os analistas do discurso, ao mesmo tempo em que examinam a maneira como a linguagem é empregada, devem também estar sensíveis àquilo que não é dito – aos silêncios. Para tanto, há que ter uma compreensão contextual mais ampla, sem a qual não seria possível perceber o amplo espectro de significados embutido no discurso, a ausência de explicações específicas nos textos e tampouco as possibilidades de significação do silencio.

Gill (2002) ajuda a relacionar as etapas para análise do discurso. Após formular as questões de pesquisa e escolher os textos / entrevistas, um procedimento importante é a transcrição em detalhes. Essa transcrição textual, conforme Quincot (2003) indica, busca reproduzir fielmente o manifestado. Mesmo assim, há a perda inevitável de informações no que se refere à entonação, à pausa e seus significados, ao gestual. No entanto, ainda não foi desenvolvida aproximações analíticas sistemáticas consistentes para analisar tais níveis discursivos.

A próxima fase consiste em uma leitura cética e interrogar o texto, codificando-o logo em seguida. Spink (1995) chama essa etapa de leitura flutuante, pois aconselha a intercalar a leitura com a escuta do material gravado, incentivando o pesquisador a estar atento para a construção, para a retórica e para os sentimentos que surgiram durante as entrevistas. Sugere a autora citada, ainda, que se atente à variação, ou seja, versões contraditórias que emergem no discurso e que são indicadores sobre a forma como o discurso se orienta para a ação; detalhes

sutis, como silêncios, hesitações, lapsos, dentre outros aspectos que indiquem o investimento afetivo do sujeito.

A codificação consiste em três momentos: o primeiro é a segmentação, em que se divide o texto em unidades básicas definidas com base em critérios semânticos que permitam manejar a informação mais facilmente, sem perder a fidelidade do manifestado. Atenta-se para o fato de que o contexto serve para atribuir significado a um signo, evitando ou limitando a polissemia e produzindo uma âncora para o signo. Essa segmentação pode resultar em uma base de dados, uma vez que é uma ferramenta que permite uma análise mais fina da informação. Esta forma garante certa objetividade, dentro da intersubjetividade inevitável.

O segundo momento é a designação de chaves a cada um dos fragmentos do discurso, chaves essas que reflitam os temas relevantes tratados na investigação. Muitas vezes, o mesmo participante pode atribuir palavras de diferentes sentidos para se referir ao objeto. Quando se contempla esse conjunto de palavras, percebe-se o quanto de variedade expressiva e dialética existe na construção discursiva e, ainda, é possível identificar quantos significados podem existir para a mesma pessoa sobre o objeto de estudo. Nesse sentido, se faz mais importante conhecer o contexto social, cultural, econômico e político que perpassa o estudo.

O terceiro momento depende dos dois últimos, dado que a construção dos eixos temáticos reflete as formas como os conceitos são e estão estruturados por meio da expressão lingüística. Servem, principalmente, para agregar e ordenar todo o manifestado com respeito ao objeto estudado.

Finalmente, a última fase consiste em retornar aos objetivos da pesquisa e revê-los, talvez os reconstruindo. Os discursos são complexos mesmo quando pensamos estar entrevistando

sobre um tema único, muitas vezes estão presentes outros aspectos. Essa fase final permite redefinir as dimensões do discurso.