• Sonuç bulunamadı

2.4. Depresyona Kuramsal YaklaĢımlar

2.4.2. BiliĢsel Kuram

A seguir seguem os aspectos gerais das observações realizadas para a coleta de dados do presente estudo, e em seguida, a descrição das aulas ministradas pelo professor (nas quais o conteúdo do Iluminismo foi desenvolvido) e da orientação dada para a pesquisa escolar. Optou-se por dividir a análise dos dados em três estágios (iniciação, exploração e apresentação) devido ao fato de serem essas as fases que se destacaram ao longo do processo, característica essa que já indica que alguns estágios (mencionados por Kuhlthau) foram suprimidos.

As observações foram feitas entre os dias 20 de fevereiro e 05 de abril de 2013, em três turmas do segundo ano do ensino médio integrado durante as aulas de História. Foram observadas dez aulas na turma 2°E (terças e quartas- feiras), dez na turma 2°C (quartas e sextas-feiras) e doze aulas na turma 2°A (sextas-feiras), totalizando 32 aulas observadas. Na turma do 2°A foram observadas duas aulas além do número registrado nas outras turmas devido ao andamento mais delongado dos seminários e por conta de um feriado. O professor foi acompanhado desde o início do período letivo, portanto, ele não conhecia os estudantes e os estudantes também não o conheciam.

A primeira aula (20 de fevereiro de 2013) aconteceu na turma do 2°E e, assim que entrou em sala de aula, o professor começou a montar o equipamento de projeção data show. Ele afirmou, dirigindo-se à pesquisadora e à turma, que é dependente de tecnologia, que utiliza o aparelho em praticamente todas as aulas, pois os estudantes assimilam melhor o conteúdo quando ouvem e veem. Assim, em todas as aulas, os slides foram uma constante, especialmente no que diz respeito ao uso de imagens. Imagens de filósofos, pinturas, esculturas, cidades,

bem como citações, questões, vídeos foram usados pelo professor para ilustrar e expor o conteúdo do Iluminismo.

Estágio inicial – apresentação dos dados Primeira aula

Na primeira aula do 2°E, no dia 20 de fevereiro de 2013, o professor se apresentou à turma e fez uma breve explanação do que esperava no decorrer do ano. Como os estudantes se encontravam agitados, devido ao trote que acontecia na escola, o professor utilizou esse fato para mencionar a origem do trote que, segundo ele, era uma forma de se marcar negros e judeus por não serem bem vindos às escolas. Alertou os estudantes de que, quando realizam um trote, estavam perpetuando um sinal de intolerância. Esse fato ilustrou bem a postura do professor no decorrer de todo o período em que suas aulas foram observadas: os fatos cotidianos da escola ou que os estudantes traziam para a sala de aula sempre foram usados para conectar com alguma informação histórica que explicasse aquele acontecimento. Constantemente, o professor buscava ressaltar o respeito ao ser humano, aos direitos de livre pensamento e proteção às fontes de informação. A frase “e depois vocês me perguntam para que serve a história” era recorrente nas aulas, buscando assim conscientizar os estudantes para a importância de se entender o presente baseando-se nos acontecimentos passados.

Ainda durante a apresentação da disciplina, o professor questionou sobre o tipo de saber que a escola é responsável por ensinar. Um aluno respondeu que a escola é responsável por desenvolver o pensamento crítico. O professor confirmou a resposta do estudante e acrescentou que o saber científico é a base escolar, o método científico, o conhecimento baseado em dados concretos, como por exemplo, o método da observação (nesse momento apontou para a pesquisadora e afirmou que o que ela estava fazendo ali na sala constituía-se de um método científico, ou seja, a observação).

O professor questionou se os alunos já haviam realizado um seminário. Diante da resposta afirmativa da turma, comentou que os estudantes iriam desenvolver uma pesquisa durante o bimestre e que deveriam apresentá-la em forma de seminário. Disse que cada grupo apresentaria um filósofo iluminista e então mostrou o material que ele mesmo havia separado para emprestar aos alunos. Ao apresentar uma revista com a ilustração de Voltaire na capa e ler uma de suas célebres frases, o professor disse que o “cara” (Voltaire) era um “cabeção”, que as frases dele se tornaram “torpedão” e que os estudantes deveriam postar o pensamento citado no Facebook. No decorrer das aulas, esse tipo de linguagem informal foi uma constante. Com tal abordagem, os estudantes se mostravam entusiasmados com o conteúdo e a abordagem descontraída do professor.

Ao falar de Diderot, o professor mencionou que ele foi o grande idealizador da Enciclopédia, pois buscou reunir em um só livro todo o conhecimento teórico e prático de sua época. O professor afirmou que, se hoje temos a Wikipédia, devemos “agradecer ao Diderot”.

Ao final da primeira aula apresentou uma questão do ENEM e pediu que toda a turma pensasse sobre a resposta correta, dizendo que a questão estava relacionada ao conteúdo que eles haviam estudado na disciplina de História no ano anterior. O professor parecia querer conferir o conhecimento prévio dos estudantes e quais estratégias utilizavam para responder uma pergunta de múltipla escolha, pois ao corrigi-la questionou sobre os motivos que levaram os estudantes a escolher uma determinada alternativa em detrimento das outras. Explicou cada opção incorreta, apontando que o enunciado da questão já dava pistas claras de qual seria a alternativa correta. Percebeu-se que, com essa atitude, o professor buscava estimular o pensamento baseado na experimentação, ou seja, mostrou que, eliminando-se as alternativas incorretas, a opção correta aparecia de forma mais clara.

A mesma abordagem usada na turma do 2°E em sua primeira aula (da apresentação até o fechamento com a questão do ENEM) foi repetida com as turmas do 2°C e 2° A com pequenos acréscimos. Na turma do 2°A o professor afirmou que iria utilizar o livro didático apenas para exercícios, pois para tratar do conteúdo preferia usar variadas fontes de informação.

Segunda aula

Na segunda aula (21 de fevereiro de 2013) na turma do 2°E, após a explanação sobre o Iluminismo e seus filósofos, os estudantes foram orientados a formar grupos de quatro a cinco membros. O professor permitiu que eles se organizassem enquanto escrevia o nome dos cinco iluministas no quadro (o sexto pensador surgiu nas turmas do 2°A e 2°C devido ao grande número de alunos), portanto, os grupos ficaram restritos ao número de filósofos escolhidos pelo professor. Passados alguns minutos, em que os estudantes organizavam os grupos, o professor realizou um sorteio para decidir qual grupo escolheria primeiro um filósofo. Os alunos se mostraram satisfeitos com as escolhas.

Após a escolha, o professor passou as orientações sobre a pesquisa pedindo aos estudantes que anotassem os detalhes no caderno. Cada grupo deveria percorrer o seguinte roteiro na apresentação do seminário:

1. Introdução: falar da contextualização histórica (como o pensamento de determinado filósofo se inseria na sociedade da época?)

2. Breve biografia: o autor contesta ou defende a sociedade da época? 3. O pensamento central: ideias defendidas.

4. Problema específico para cada iluminista.

O professor orientou para que cada grupo programasse vinte minutos de apresentação e, portanto, deveriam ser objetivos. Todos os membros do grupo deveriam participar da apresentação; poderiam e deveriam usar o aparelho de projeção, bem como entregar uma folha/resumo para a turma, contendo os principais tópicos da apresentação. Também orientou para que a turma organizasse as cadeiras em formato de meia lua, a fim de que todos pudessem se ver e ver o grupo apresentando, e esclareceu que poderiam fazer perguntas ao final de cada apresentação. Com essa última informação, a turma se exaltou e um burburinho e risadas foram ouvidos. O professor disse que sabia da existência de um “pacto de silêncio” entre os alunos, afirmando que tal pacto não auxiliava na aprendizagem.

Em continuação, o professor disse que já havia deixado cópias dos livros e revistas na mecanografia e que os alunos deveriam se pautar pelo uso daquele material para a apresentação, mas que poderiam também usar a internet, a biblioteca da escola e/ou outros materiais para a pesquisa. Disse que estaria sempre à disposição para auxiliá-los na pesquisa e que poderiam inclusive usar o horário da tutoria, em que não há aula na escola (tardes de 4ª feira), para procurarem o professor e esclarecer dúvidas. Após a divisão e sorteio dos grupos, o professor apresentou um subtópico a ser abordado por cada grupo que ele chamou de problema principal para a pesquisa. Esses subtópicos foram:

(1) Grupo Voltaire: explicar o que era o despotismo esclarecido e falar da polêmica entre Voltaire e um padre após o terremoto de Lisboa.

(2) Grupo Montesquieu: falar do concurso de redação que o pensador ganhou e por que causou polêmica com seu texto; mostrar o vídeo em que Dilma Rousseff toma posse e explicar de que forma as ideias de Montesquieu estão presentes no juramento feito pelos presidentes.

(3) Grupo Diderot e D’Alembert: falar da moral laica e do surgimento da Enciclopédia e da importância desta para a ciência.

(4) Grupo John Locke: explicar o que era o contrato social e os princípios da tolerância.

(5) Grupo Rousseau: falar da origem da desigualdade dos homens.

(6) Grupo Condorcet: falar da educação laica e dos direitos da mulher defendidos pelo pensador.

Após propor os subtópicos específicos a cada grupo, o professor perguntou se havia alguma dúvida. A turma permaneceu em silêncio. O professor então questionou qual seria a melhor data para os seminários começarem, sugerindo o dia 07 de março, com o que os alunos concordaram.

Os mesmos procedimentos foram seguidos na segunda aula da turma do 2°C (22 de fevereiro) e 2°A (22 de fevereiro). Entretanto, na turma do 2°C, o professor mostrou-se um pouco irritado ao afirmar que nas pesquisas os alunos fazem control c e control v sem ao menos ler o que estão copiando, que não tiram sequer o hiperlink dos trabalhos entregues. Mencionou que a ideia de

Enciclopédia criada por Diderot é que possibilitou o surgimento da Wikipédia, que os alunos tanto gostam de usar. Explicou de que maneira o conteúdo da Wikipédia é formulado e revisado. Já na turma do 2° A o professor mencionou a Wikipédia, ligando-a a questão da confiabilidade das fontes da internet. Disse que para montar os slides os alunos poderiam fazer uso do Google Imagens e que os seminários ficariam muito bons se trabalhassem com ilustrações, portanto, os alunos não precisariam ficar presos somente ao texto. Nessa turma, um aluno perguntou qual era a quantidade de páginas de material que o professor havia deixado na mecanografia para que eles consultassem. Outra aluna perguntou se poderiam usar os livros da biblioteca e obteve resposta afirmativa do professor, que ressaltou que eles deveriam se dedicar à pesquisa pensando especialmente na sua própria aprendizagem e no seu compartilhamento com os colegas. Marcou a primeira apresentação para o dia 08 de março. Os alunos não demonstraram preocupação com o trabalho, parecendo até mesmo apáticos.

Terceira aula

Na terceira aula (27 de fevereiro) do 2°E, o professor, antes de começar o conteúdo expositivo sobre o Iluminismo, perguntou se os estudantes já haviam tirado o xerox do material que ele disponibilizara, se haviam feito a leitura e se tinham dúvidas com relação ao trabalho. Como a turma permaneceu em silêncio, o professor afirmou que eles haviam ficado todo o fim de semana no Facebook e que estavam deixando tudo para a última hora. Lembrou que na semana seguinte começariam as apresentações e comentou que os alunos pareciam não ter dúvidas. Um aluno perguntou como o trabalho deveria ser feito e o professor disse que já havia explicado o passo a passo na semana anterior. Houve então a intervenção de outro aluno, dizendo que passaria as instruções para o colega que havia feito a pergunta.

O professor deu início à aula sobre o Iluminismo e utilizou muitas imagens para trabalhar o conteúdo: o aparelho de projeção funcionou durante toda a aula, inclusive para a realização da chamada. O Facebook foi mencionado como exemplo em vários momentos da aula: para mostrar imagens e frases de filósofos retirados da rede social, para falar da liberdade de expressão e as consequências

de tal fato no mundo digital, sobre ética ao postar e usar as ferramentas da internet, entre outros. Essa terceira aula na turma do 2°E foi praticamente toda expositiva, entretanto, o professor trabalhou características (uso da internet, ética, uso de imagens, administração do tempo) que poderiam auxiliar os estudantes no desenvolvimento da pesquisa, embora o tenha feito de forma indireta.

Já na terceira aula da turma 2°C o professor fez o sorteio dos grupos e explicou os detalhes do seminário. Os alunos tiveram comportamento semelhante à turma do 2°E, questionando apenas detalhes técnicos do seminário, como número de páginas do trabalho escrito, quando começariam as apresentações, quanto valeria o trabalho. O professor esclareceu todas as dúvidas.

Na turma do 2°A (01 de março), a aula expositiva foi semelhante à do 2°E. Nessa turma, foram formados seis grupos, pois a turma era mais numerosa que as demais. O professor entregou o livro com o conteúdo do filósofo Condorcet para que o sexto grupo pesquisasse. Em seguida, fez uma pergunta específica sobre um dos filósofos para um dos grupos e como ninguém soube responder, afirmou que se não sabiam responder é porque ainda não haviam começado a pesquisar, o que era preocupante. A primeira apresentação foi marcada para o dia 15 de março.

Quarta aula

Na quarta aula, na turma do 2°E (28 de fevereiro), o conteúdo do Iluminismo foi a pauta de quase toda a aula, mas o professor fez várias interferências lembrando aos alunos a importância de pesquisarem com antecedência o que iriam apresentar no seminário. Um aluno se manifestou dizendo que já havia lido o material, ao que o professor respondeu sugerindo que eles agilizassem o andamento do trabalho, pois do contrário o mesmo ficaria mal feito. Ao final da aula, o professor alertou que no próximo encontro dois grupos deveriam se apresentar: Locke e Montesquieu. Um dos alunos se aproximou da mesa do professor e perguntou sobre a divisão das tarefas: se poderiam dividir o trabalho para que alguns falassem enquanto outros fariam somente a digitação e a criação dos slides. O professor mostrou-se inflexível e insistiu que todos os membros do grupo deveriam participar da apresentação do seminário.

O mesmo andamento teve a quarta aula na turma do 2° C (28 de fevereiro). O professor começou a aula questionando os alunos se já haviam feito a cópia do texto base, se alguém o havia procurado, se haviam dúvidas da aula passada. A turma permaneceu em silêncio, exceto por um aluno que pediu para que o professor passasse os slides das aulas passadas. No final na aula, o professor disponibilizou para um dos grupos o vídeo do discurso de posse de Dilma Rousseff. Na turma do 2°A, não houve menção à pesquisa, e a terceira aula (01 de março) foi toda expositiva sobre o conteúdo do Iluminismo.

Quinta aula

Na quinta aula, em todas as turmas, o professor aplicou um exercício (entretanto, ele havia indicado que os seminários teriam inicio nessa data) que consistia na análise de um texto sobre a importância da música clássica para o Iluminismo. Trouxe para apreciação em sala de aula algumas músicas do compositor Vivaldi. Os alunos do 2°E e 2°C realizaram a atividade da forma como o professor havia solicitado. Já na turma no 2°A o professor afirmou, antes do início da atividade, que eles estavam atrasados com relação às demais turmas, que já haviam começado as apresentações. Disse também que nas outras turmas os seminários estavam tomando o tempo de uma aula inteira (50 minutos) e não os vinte minutos que ele havia suposto serem necessários, pois ele (o professor) estava fazendo muitas perguntas. Após essa informação, os alunos se agitaram e passaram a interrogar o professor sobre orientações para o seminário. Entretanto, nenhuma pergunta nova foi feita e o professor só confirmou as orientações que já havia passado.

Sexta aula

A grade de aulas da disciplina de História na turma do 2°A se concentrava apenas na sexta-feira, portanto o professor deu sequência ao conteúdo curricular nessa turma, mesmo sem finalizar o período do Iluminismo. As outras turmas tinham a grade de aulas divididas em dois dias da semana, o que facilitava ao professor instruir sobre as tarefas da aula seguinte.

Estágios iniciais - análise dos dados

Foram necessárias quatro aulas em cada turma para que o professor introduzisse a temática do Iluminismo e orientasse sobre a pesquisa a ser desenvolvida. A quinta aula serviu como um momento de aplicação do conteúdo que estava sendo estudado, permitindo assim, que os alunos tirassem suas dúvidas sobre o conteúdo exposto e descontraíssem junto ao professor. Em tal aula, os alunos do 2°A aproveitaram também para tirar dúvidas com relação à apresentação do seminário, e somente o fizeram, após o professor afirmar que os seminários nas outras turmas estavam durando tempo superior ao que ele havia imaginado, pois ele estava fazendo muitas perguntas aos alunos que estavam apresentando. O fato de os estudantes apenas se manifestarem após a indicação do professor de que o seminário duraria mais tempo que o inicialmente previsto e que ele faria perguntas sobre certos pontos evidencia que o estímulo de procurar o professor para uma orientação somente surgiu quando o mesmo mostrou-se exigente com relação ao que seria apresentado, revelando que a motivação dos alunos está diretamente ligada à questão da avaliação.

O modelo ISP mostra que professor e bibliotecário são responsáveis por auxiliarem os estudantes na tomada de consciência do processo de pesquisa assim que o trabalho é proposto, pois conhecendo os pensamentos e sentimentos comuns a cada fase do processo, eles saberão antecipar as reações e, assim, superarão com mais confiança as dificuldades. Notou-se que o professor teve a preocupação de perguntar aos alunos se já haviam realizado esse tipo de trabalho anteriormente e as três turmas responderam que sim. Entretanto, no decorrer do processo de pesquisa percebeu-se que ele focou na orientação para a apresentação final do trabalho, não incentivando a tomada de consciência por parte dos alunos para a importância do processo em si. O professor esperava que os alunos o procurassem em horário extra sala de aula para mais orientações sobre a busca de informações, e incentivou constante e insistentemente que os alunos assim o fizessem.

Nesse primeiro estágio, os estudantes não tiveram que selecionar o assunto da pesquisa, pois o professor, seguindo o conteúdo programático da disciplina que previa o Iluminismo, orientou para que a pesquisa fosse feita sobre

os filósofos mais representativos do movimento. Portanto, o professor já levou, para o primeiro dia de aula, todo o planejamento da pesquisa pronto, inclusive já com as fontes (livros e revistas) que os alunos poderiam usar como base. Os estudantes deveriam entender o que era esperado deles e, nesse momento, tirar as dúvidas, mas como o professor foi bastante detalhista em suas explicações, não levantaram muitos questionamentos. Como previsto no modelo ISP, as dúvidas giraram em torno da simples apresentação técnica do trabalho: quanto tempo teriam para a apresentação, se todos os membros do grupo deveriam falar, qual o número de páginas possuía o material que o professor havia deixado para a consulta. A única pergunta sobre a bibliografia recomendada para a pesquisa foi de uma aluna que questionou se poderiam usar os livros da biblioteca. Entretanto, o professor já havia orientado que poderiam sim utilizar outras fontes além das que ele havia indicado.

Estudos anteriores (ALMEIDA, 2006; SILVA, 2006; DIEDRICH, 2009; BURLAMAQUI, 2007; BICHERI, 2008; GARCEZ, 2009) mostraram a possibilidade de evitar a prática da cópia ao se trabalhar com a pesquisa na perspectiva de questionamento, e não de temas, e também quando o professor solicita produções que fazem sentido para os alunos, características essas presentes nas ações do professor observado. Para tanto, ele elaborou um esquema de apresentação e subtópicos de forma a orientar a pesquisa. Sendo assim, percebe-se que o professor pretendia usar a pesquisa escolar para ensinar, além do conteúdo obrigatório, habilidades de busca e uso de informações, para estimular a autonomia e uso consciente das fontes pelos estudantes, o que mostra uma preocupação diferente dos professores investigados nos estudos de Carvalho (2007) e de Campello et al (2010) que encontraram professores que apenas se queixavam da cópia de textos, sem orientar o processo de busca. Entretanto, a orientação para certas habilidades, dava-se de forma indireta, apresentando características que compõe a ideia de currículo oculto, que é definida como:

(...) um conjunto de competências ou disposições que se adquire na escola por experiências, impregnação, familiarização ou inculcação difusas, em contraste com aquilo que se aprende através de procedimentos pedagógicos explícitos ou intencionais (APPLE, 1980 apud MONTEIRO, 2001).

O modelo ISP mostra que, diante da proposta da pesquisa, os alunos se

Benzer Belgeler