Argissolo Vermelho Amarelo Eutróico Podzólico Vermelho Amarelo Eutróico Argissolo Vermelho Amarelo Distróico Podzólico Vermelho Amarelo Distróico Neossolos Quartzarênicos Areias Quartzosas e Areias Quartzosas Marinhas Neossolos Flúvicos Solos Aluviais
Gleissolos Solos Indiscriminados de Mangue
Fonte: Adaptada de Brandão et al. (1995); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (1999); Souza et al. (2009). Organizada por Santos (2011).
Os Neossolos Quartzarênicos são solos arenosos, geralmente pro- fundos, pouco desenvolvidos, com alta permeabilidade e baixa fertilidade natural. Apresentam coloração esbranquiçada ou amarelada. São solos distróicos (ácidos com baixa saturação por bases), praticamente despro- vidos de minerais primários, o que confere pouca reserva de nutrientes para as plantas. Sua distribuição geográica está associada à planície lito- rânea e a setores dos tabuleiros pré-litorâneos da Formação Barreiras.
Na planície litorânea, sua ocorrência está associada ao campo de dunas e setores da faixa praial, onde foi possível o desenvolvimento da pedogênese que deu início ao processo de colonização vegetal. Por serem solos pobres em matéria orgânica e nutrientes, a vegetação assen-
tada sobre eles é constituída principalmente por espécies herbáceas e arbustivas de vegetação pioneira do complexo vegetacional litorâneo, com exceção das áreas a sota-vento do campo de dunas.
Na área dos tabuleiros pré-litorâneos, esses solos, por vezes, estão associados aos Argissolos Vermelho-Amarelos. Seu desenvolvi- mento ocorreu a partir do retrabalhamento dos sedimentos da Formação Barreiras, produto da lixiviação ou de um recobrimento por sedimentos eólicos. São solos que variam de profundos a muito profundos, excessi- vamente drenados com baixos teores de argila e forte acidez. Sua colo- ração varia de avermelhada a branca, textura arenosa e baixa fertilidade natural. Nele se assentam espécies do complexo vegetacional litorâneo. Em alguns setores dos tabuleiros, revestidos por Neossolos nas proxi- midades da Cidade dos Funcionários, Cambeba e Seis Bocas, veriica- va-se a existência de encraves de cerrado, que foi sumariamente supri- mida para dar lugar à ocupação urbana. Atualmente, esse remanescente de cerrado está restrito a uma gleba de terra com pouco mais de 2,8 hectares no bairro Cidade dos Funcionários.
Os Argissolos Vermelho-Amarelos podem ser distróicos ou eu- tróicos. Ocorrem nos tabuleiros pré-litorâneos e em relevos de planos a suavemente dissecados nas áreas de transição do tabuleiro com a depressão sertaneja. Sua profundidade varia de profundo a moderada- mente profundo, com textura de média a argilosa. São solos bem dre- nados que apresentam acidez elevada. A coloração é variada, apresen- tando tons desde vermelho-amarelados até bruno acinzentados.
Os Argissolos Vermelho-Amarelos Distróicos são solos de baixa fertilidade natural e elevada acidez. Por vezes, apresentam-se asso- ciados a Neossolos Quartzarênicos nas proximidades da zona litorânea. O complexo vegetal dominante é a mata de tabuleiros, apresentando também espécies da caatinga e do complexo vegetacional litorâneo.
Quando os Argissolos Vermelho-Amarelos são eutróicos, apresentam-se nas áreas de transição e nas depressões sertanejas, cuja origem está relacionada a diferentes tipos de materiais. São solos bem desenvolvidos e que, de modo geral, apresentam boas condições de fertilidade natural. Sua principal limitação está relacionada à dis- ponibilidade hídrica, já que o relevo na área em estudo não é fator
limitante. Originalmente, apresentam-se ocupados por diferentes tipos vegetacionais com predominância de caatingas e espécies da mata de tabuleiro.
Os Neossolos Flúvicos têm sua gênese na sedimentação luvial, estando associados aos rios de maior luxo hídrico e ambientes lacus- tres. Distribuem-se paralelamente à calha luvial dos maiores rios como o Cocó, Coaçu, Maranguapinho e às margens de lagoas, sob o domínio dos glacis de deposição pré-litorâneos; dentre as lagoas, destaque para a da Precabura, Maraponga e Messejana.
Variam de muito profundos a moderadamente profundos e têm textura variada. Apresentam-se de moderada a imperfeitamente dre- nados, com acidez moderada a levemente alcalinos. A camada superi- cial geralmente apresenta coloração bruno-acinzentada-escura e bruno muito escura. São solos de alta fertilidade natural que, por vezes, são inundados sazonalmente quando do período chuvoso. Primariamente, esses solos eram revestidos por uma vegetação do tipo mata ciliar e la- custre. Veriica-se o recobrimento de vastos setores por carnaubais, principalmente nas proximidades do contato da Formação Barreiras com as rochas cristalinas na porção sul do município. Em razão da dis- ponibilidade hídrica e da boa fertilidade natural, esses solos foram sendo sistematicamente ocupados por atividades agrícolas.
Gleissolos Sálicos ocorrem em áreas que apresentam altas taxas de salinidade, nas zonas litorâneas e pré-litorâneas, principalmente na planície luviomarinha dos rios Cocó, Maranguapinho e Pacoti. Veriica-se também sua ocorrência nas margens de lagoas situadas mais próximas do litoral, nos setores mais próximos ao espelho de água. Não possuem diferenciações nítidas dos horizontes, sendo muito ricos em matéria orgânica em decomposição. Geralmente exibem elevadas con- centrações de sais, o que os torna inadequados às atividades agrícolas. Nesses solos é que se desenvolvem os manguezais.
Referida vegetação é um complexo vegetacional altamente espe- cializado por ser tolerante aos elevados índices de salinidade e subme- tida a inundações diárias conforme a variação de marés.
Como exposto anteriormente, ica evidente a estreita relação que os solos estabelecem com os demais componentes ambientais.
A Figura 7 esquematiza essa relação, associando unidades itoecoló- gicas, classes de solos e formas do relevo.
Fonte: Adaptada de Brandão et al. (1995); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (1999); Souza et al. (2009); Santos (2011).
Mesmo em face da interconectividade entre os diversos compo- nentes ambientais, maior atenção será dada às características geomorfo- lógicas do sítio urbano de Fortaleza. Tal preocupação se justiica, pois a geomorfologia encerra o resultado das combinações entre esses compo- nentes, mediante luxos de matérias e energia e constitui o principal pro- duto intermediário para a construção do mapa de fragilidade ambiental.