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No dia 02 de junho de 2002, o jornalista Tim Lopes saiu da redação da Rede Globo de televisão para ir à favela Vila Cruzeiro, no Bairro da Penha, no Rio de Janeiro, onde realizava matéria investigativa em bailes funk. Segundo a

emissora, duas semanas antes do desaparecimento, ―a Rede Globo recebeu uma

denúncia, que era mais um pedido de socorro, de moradores de favelas do bairro da Penha, no subúrbio do Rio. Eles diziam que na Vila Cruzeiro os traficantes promovem um baile funk com venda, consumo de drogas e shows de sexo explícito

com menores‖ (JORNALISTA..., 2002).

A denúncia dos moradores havia motivado Tim Lopes a realizar a matéria. O jornalista, antes do seu desaparecimento, realizara três visitas ao local, mas sem obter imagens que pudessem comprovar a denúncia. O jornalista foi à favela acompanhado de um motorista contratado pela Rede Globo de Televisão que devia buscá-lo, em local combinado entre os dois, por volta de 20h. Segundo o motorista, Tim havia solicitado mais tempo, pois ainda não havia terminando o trabalho, pedindo ao motorista que o buscasse no mesmo local por volta das 22h. Ao voltar ao local, o jornalista não apareceu, conforme acertado. De acordo com informações

publicadas no website do Proyeto Impunidad59, a partir daí o motorista comunicou ao

chefe de reportagem da Rede Globo de televisão que o jornalista não havia aparecido no local.

Marcelo Moreira, 32 anos, chefe de reportagem da TV Globo no Rio de Janeiro, conta que, quando o motorista ligou para a redação avisando que o jornalista não havia aparecido, foi recomendado que ele esperasse por Lopes até a meia-noite. ―A questão do horário é rígida, mas ele foi num baile funk, não tinha horário para acabar, e fomos levados a crer que o baile tinha se estendido por causa do jogo do Brasil (durante a Copa Mundial de

59 Conforme informações disponíveis em seu website

―el Proyecto Contra la Impunidad, creado en 1995, tiene como principal objetivo reducir la impunidad que rodea a la mayoría de los crímenes contra periodistas. Un factor determinante para el éxito del Proyecto lo representa el generoso e irrestricto auspicio económico de la Fundación John S. y James L. Knight, que ha aportado un total de $7.7 millones entre 1992 y 2011 a la campaña contra la impunidad y el programa de libertad de prensa‖. (¿QUÉ es..., 2011).

Futebol)‖, explica Ali Kamel, 40 anos, diretor-executivo de Jornalismo da TV Globo.

Moreira chegou mais cedo na redação, por volta das 4h, devido ao jogo, que começaria às 6h. ―Quando desconfiamos que algo de errado havia acontecido, ligamos para todo mundo‖, disse Moreira.(GLOCK, 2002). Após ter conhecimento do fato, a Rede Globo de Televisão comunicou à polícia e publicou nota sobre o desaparecimento do jornalista. Apesar da declaração de Marcelo Moreira, Glock (2002) destaca que a Polícia Civil do Rio considerou que houve demora da Emissora carioca em comunicar o desaparecimento do jornalista.

O chefe de reportagem da TV Globo se defendeu declarando que ―Mandamos uma

pessoa fazer queixa na delegacia, e ela só chegou às 8h. Mas, antes disso, já

havíamos ligado para o posto da Polícia Militar na favela‖ (GLOCK, 2002). Marcelo

Moreira insiste que, apesar de dar notícia do desaparecimento do jornalista, ―a

primeira incursão da polícia na favela só ocorreu às 13h do dia 3, segunda-feira‖. A

questão se houve ou não demora na comunicação do acontecimento, como demonstra Glock, foi apenas um dos pontos que provocaram amplo debate entre o papel das agências de segurança pública e as Organizações Globo durante apuração do caso, que envolveu as circunstâncias da morte do jornalista Tim Lopes.

Os dias que se seguiram à morte de Tim Lopes foram intensos de notícias sobre o caso e de buscas da Polícia em prol de encontrá-lo. A confirmação da morte de Tim Lopes ocorreu após a prisão de Fernando Sátiro da Silva, o Frei, e Reinaldo Amaral de Jesus, o Kadê. Segundo informações da Polícia do Rio, os dois integravam a quadrilha do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, que, segundo Glock, era ―um dos líderes do grupo criminoso Comando Vermelho, que detém o poder no Complexo do Alemão‖.

A notícia da morte do repórter da Globo promoveu a elaboração de inúmeros conteúdos divulgados por instâncias de produção em todo mundo, com enfoque na questão da comoção e indignação gerada pelo caso no interior do próprio campo jornalístico. Em seu Portal na Internet, o Fantástico, da Rede Globo, retratou o impacto da morte de Tim na imprensa internacional ao dar visibilidade à repercussão do caso na imprensa estrangeira. No conteúdo reproduzido no Portal, aparece a declaração da jornalista Lina Williams, representante do jornal de The New York Times no Sindicato Nacional dos Jornalistas dos Estados Unidos, ressaltando que

[...] os jornalistas americanos ficam indignados quando ouvem uma notícia dessa. Estamos tentando fazer o nosso trabalho com objetividade, sem tomar partido. E quando matam alguém que está denunciando o tráfico de drogas, chamando atenção para um problema mundial, matar alguém assim é abominável. (REPERCUSSÃO..., 2002).

Também aparece no conteúdo acessível no Portal uma manifestação da

Revista Newsweek ressaltando que ―a imprensa brasileira precisa ser solidária,

ajudando a descobrir o que aconteceu ao jornalista Tim Lopes‖. Ademais, a morte também produziu ecos na imprensa brasileira, mobilizando manifestações de jornalistas e associações de classe. Em edição dedicada a Tim Lopes, no Jornal Nacional do dia 10 de Junho de 2002, William Bonner encerrou o Programa com o seguinte discurso:

Tim, você sabe que em dias tristes como o de hoje nós costumamos evitar o boa noite, deixando o silêncio do estúdio mostrar toda eloquência da nossa dor. Mas hoje nós decidimos fazer diferente. Você sempre foi um apaixonado pela profissão. Sempre teve uma palavra de incentivo para os menos experientes. Sempre vibrou diante de cada reportagem que fez. E agora, com a sua morte, você nos deu a chance e saber que mesmo no grande repórter convivia um marido carinhoso que deixou um amor imenso a Alexandra. E uma pai extremado capaz de passar aos filhos Bruno e Diogo toda retidão do seu caráter, a coragem para enfrentar os dias difíceis e uma vontade desmedida de ajudar ao próximo. Hoje você começaria um novo Globo Repórter sobre a vida dos caminhoneiros. Foi uma ideia que você trouxe das férias aprovada pela direção do Programa que queria vê-lo logo na estrada. Você pediu tempo! Estava terminando uma reportagem a favor dos moradores da Penha. Os traficantes que o mataram interromperam o seu plano e devem estar acreditando que calaram a sua voz. Estão errados! A sua voz será ouvida cada vez mais alta, em cada reportagem que nós, jornalistas do Brasil, fizermos. A sua voz vai ecoar hoje e sempre na redação da Globo e nas casas de cada brasileiro de bem. Em vez do silêncio, o nosso aplauso [segue a câmera pela redação do Jornal com jornalistas aplaudindo Tim Lopes que aparece em imagem reportada no começo desse capítulo]. (EDITORIAL..., 2002).

No discurso do apresentador, observam-se traços importantes sobre a vida e a atividade profissional do jornalista. A imagem profissional de Tim Lopes é celebrada como a de um ―grande repórter‖ não apenas pela sua capacidade de realizar matérias importantes, mas, sobretudo, por se dispor a auxiliar pessoas que necessitam do trabalho jornalístico como forma de reivindicar seus direitos. As qualidades profissionais também são reportadas como valores de uma pessoa que, em sua vida, resguardava princípios morais observados em suas relações com outros repórteres e família. Sua mulher e seus filhos são apresentados como pessoas especiais, que se destacam por ter compartilhado da biografia do morto. A

paixão pela profissão e o compromisso profissional do morto são elementos pelo qual o discurso se pauta em busca de produzir reconhecimento social das iniciativas do repórter como sujeito sempre atento aos problemas sociais e disposto a criar novas peças jornalísticas.

A ação dos traficantes, vista como forma de tentar calar a voz do repórter, é pautada como ato covarde que não obteve seus fins, pois, conforme ressalta Bonner, as redações das Organizações Globo não permitiriam que o caso ficasse impune. Este anúncio representou o prelúdio de uma nova investida da imprensa brasileira em prol de pressionar o Estado para providências contra os responsáveis por terem protagonizado uma morte violenta. O encerramento do Jornal com aplausos marca um ritual de reconhecimento de amigos e colegas que celebram o morto como símbolo da ação dos jornalistas sobre a realidade social.

Como foi anunciado no discurso de Bonner, a Globo, por meio de suas mais diversas instâncias de produção, cuidou em pautar cuidadosamente cada detalhe da morte de Tim Lopes. De acordo com Castilho (2005), o Jornal O Globo foi um dos carros chefes da iniciativa da Empresa em denunciar cada detalhe da morte

de seu funcionário, ressaltando o ―martírio‖ pelo qual o morto teria passado durante

os momentos que culminaram em seu assassinato. O autor demonstrou como o Jornal apresentou detalhadamente cada momento do sofrimento vivenciado por Tim Lopes ao ser surpreendido e morto pelo grupo de traficantes do Complexo do Alemão, liderado por Elias Maluco, destacando em suas chamadas o caráter trágico e violento do acontecimento. A estratégia jornalística de O Globo foi construída, de acordo com Castilho, como forma de passar ao leitor uma cena na qual o personagem ocupa o centro da trama e a história fosse contada pelo próprio morto.

De acordo com informações retiradas do inquérito policial e amplamente divulgadas nos meios de comunicação da época, o jornalista teria sido surpreendido por traficantes enquanto tentava recolher imagens do baile funk. Foi ventilada a possibilidade de ele ter sido reconhecido em virtude de uma reportagem intitulada ―Feira de Drogas‖, na qual trabalhou recolhendo imagens do tráfico de drogas no Morro do Alemão. O jornalista havia sido premiado com o Prêmio Esso de Jornalismo por essa matéria, realizada em 2001. Essa reportagem possibilitou a identificação e prisão de traficantes, dentre os quais, Renato Souza de Paula, o Ratinho, suspeito de ser um dos envolvidos na morte de Tim Lopes. Tal fato gerou especulações sobre o caráter de vingança dos traficantes por trás da morte do

repórter. Após ser capturado pelos traficantes do grupo de Elias Maluco na Vila Cruzeiro, Tim Lopes teria sido levado para Favela da Grota, onde se encontravam os líderes da quadrilha e principais responsáveis pela realização de um julgamento que culminou na decisão de executar o repórter.

Castilho (2005) ressalta como os jornalistas da época cuidaram em descrever o ritual de morte pelo qual passou o repórter, ressaltando em seus conteúdos produzidos os detalhes do inquérito policial que apontavam para o fato de ele ter sido brutalmente espancado e torturado até o momento de sua morte. O mesmo teria recebido dois tiros nos pés para que não fugisse. A riqueza dos detalhes permitiu aos leitores vislumbrar as cenas terríveis pela qual o jornalista, indefeso diante de seus algozes, teria passado até o momento da decisão do grupo

de encerrar sua vida. Após decidirem matá-lo em ―rápido julgamento‖, os traficantes

teriam esquartejado o jornalista e queimado seus restos mortais em pneus de carro. Essa metodologia, conhecida como ―micro-ondas‖, ganhou notoriedade como técnica perversa de execução sistematicamente utilizada pelos traficantes em suas ações punitivas nos territórios dominados pelos mesmos. As barbaridades presentes no discurso dos meios de comunicação de massa reforçaram a indignação de um público perplexo diante das brutalidades protagonizadas por traficantes nas favelas do Rio de Janeiro.

No caso Tim Lopes, os acusados não emergiram como sujeitos inesperados, mas como sujeitos acostumados às práticas criminosas e detentores de costumes perversos que sujeitavam milhares de pessoas à sua conduta arbitrária. Assim, o caráter de não-pessoa e desumano dos acusados não era algo que as pessoas de bem deveriam necessariamente se surpreender, pois fazia parte das rotinas de milhões de brasileiros que convivem diariamente com o tipo de atrocidade vivido por Tim Lopes. A perversidade revelada pela morte do repórter era apresentada apenas como mais um capítulo da realidade desastrosa experimentada pela população do Rio de Janeiro. Ao contrário de outras mortes, a grande diferença

do ato de barbaridade cometido pelos acusados consistia na ―audácia‖ deles terem

matado um funcionário da mais poderosa Organização da Indústria de Comunicação brasileira. Além desse caráter corporativo, havia também o caráter de classe compartilhado por jornalistas que reconheciam no trabalho de Tim Lopes algo que caracteriza a atividade desse grupo profissional nas mais diversas instâncias de produção do País e do mundo. O impacto da morte de Tim Lopes foi recebido e

ressaltado em múltiplas ações de entidades de classe, como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em nota oficial, a ABI, na época em que o corpo de Tim ainda não havia sido encontrado, a Associação destacou:

"Em reunião extraordinária conjunta de seu Conselho Administrativo e de sua Diretoria, a Associação Brasileira de Imprensa decidiu, por unanimidade, expressar publicamente ao governo do Estado do Rio de Janeiro e ao Ministério da Justiça a exigência de que o corpo do nosso desafortunado companheiro Tim Lopes seja localizado e entregue à sua família, para um sepultamento digno.

A ABI formula por igual a exigência de que as investigações acerca desse bárbaro episódio não cessem enquanto os criminosos não sejam localizados, presos e entregues à Justiça, para a responsabilização criminal que se impõe. Entende também a Associação Brasileira de Imprensa que o elenco de providências que reclama deve alcançar igualmente a apuração de outros crimes desnudados pela ação policial provocada pelo sacrifício de Tim Lopes.

Não é admissível que, sob o Estado Democrático de Direito, as autoridades do Estado não promovam a apuração de dezenas de crimes consumados no complexo da Vila Cruzeiro, como revelaram as incursões policiais realizadas naquela região. Reclama ainda a ABI das empresas jornalísticas, especialmente as de televisão, a adoção de garantias para proteger a integridade física e a vida de seus jornalistas, ora expostos a riscos como os que roubaram Tim Lopes ao convívio de sua família e de seus companheiros. Por fim, salienta a ABI que as providências ora exigidas não excluem a obrigação permanente do Poder Público, em todos os níveis da Federação, de adotar políticas econômicas e sociais que detenham e diminuam a proliferação de núcleos criminosos como os que sacrificaram Tim Lopes.

Rio de Janeiro, 17 de junho de 2002." (VEJA..., 2002).

A Associação, em sua nota, revela um discurso que impõe ao Estado o compromisso de tomar providências referentes tanto à localização do corpo do morto, quanto à prisão e punição dos acusados pelo crime. Em seu conteúdo, o discurso revela a tônica dos discursos que buscaram reivindicar das agências de controle social do Estado o compromisso efetivo com apuração do crime, não permitindo que a situação recorrente de impunidade pertinente a outros crimes ocorridos na Vila Cruzeiro continuasse se reproduzindo. A nota também revela a dinâmica de um debate intenso sobre o trabalho de jornalistas em empresas de comunicação, ao reclamar das condições de segurança oferecidas por essas empresas aos seus profissionais comprometidos com trabalhos do tipo daquele realizado por Tim Lopes na ocasião de sua morte - a especificidade dessa discussão será tratada no tópico seguinte por merecer uma atenção especial.

Importante observar que, em praticamente todas as manifestações que trataram do caso Tim Lopes, o discurso é dotado de uma especificidade que busca

imprimir um significado especial ao morto por ser alguém executado em função do exercício de sua atividade profissional. Uma atividade profissional revestida nos discursos apresentados de uma aura especial, algo que remete à esfera do que sociólogos como Durkheim (2003) definem como sagrado. Na abordagem durkheimiana, o sagrado corresponde a uma espera de interditos que não podem ser maculados, por isso cumprem uma função especial para a ordem social, pois devem ser preservados da ação arbitrária e voluntária daqueles que compõem uma coletividade. Essa discussão também remete ao papel das agências de comunicação como instituições que têm um papel social demarcado por suas formas de pensar a si mesmas e serem reconhecidas socialmente como entidades que representam uma esfera importante da vida social.

Sobre essa discussão, vale ressaltar algumas considerações da antropóloga Mary Douglas sobre como pensam as instituições. Para autora, as instituições se caracterizam pelas formas em que buscam construir sua legitimidade pela fundação distintiva na natureza e razão. Posto isto, elas proporcionam aos seus membros um conjunto de analogias com as quais ―vai explorar o mundo e com as quais vai justificar a naturalidade e o aspecto razoável das regras instituídas e consegue manter sua forma contínua identificável‖ (DOUGLAS, 1986, p. 151). Ao resgatar Durkheim, Douglas destaca a dinâmica das instituições como a dinâmica do sagrado que funciona essencialmente como artefato da sociedade. Em seu estudo das instituições, Douglas resgata três características fundamentais do sagrado evidenciadas por Durkheim: 1) é perigoso e por isso deve ser preservado, pois sua profanação coloca em jogo o tecido social, a integridade do mundo e do próprio profanador; 2) os ataques ao sagrado despertam emoções em sua defesa; 3) é explicitamente invocado por símbolos que o tornam tangível, mas de forma alguma limitam seu alcance.

Ao reivindicar, em seu discurso, a legitimidade do trabalho jornalístico, a Globo busca retratar a atividade do seu repórter morto com um símbolo de sua própria autoconstrução como instituição detentora do direito a produzir informações de interesse público. Ao deslocar para uma reivindicação da comunidade a ação protagonizada por Tim Lopes, a Globo tenta deslocar a iniciativa do repórter para uma ação enquadrada em uma motivação muito maior do que seus possíveis

interesses editoriais. A morte de Tim Lopes ganha um significado de profanação60 de uma atividade que, ao ser maculada, coloca em jogo o equilíbrio social, pois visa, em seus fins, impedir as pessoas de terem livre acesso à informação jornalística produzida pelas agências de notícias. As ações que atentaram contra vida de Tim Lopes são reinterpretadas em um repertório discursivo que objetiva colocá-las em um patamar de atentado contra toda sociedade. Assim, como é possível observar na conduta televisiva dos telejornalistas, há uma performance discursiva, como expressada no Jornal Nacional por William Bonner, afetada por emoções que demonstram a dor e a revolta diante de um ―crime bárbaro‖.

Mais uma vez, o Estado se vê diante de uma situação de profundo questionamento das suas funções de detentor do monopólio legítimo da violência. Neste caso, a ação policial é amplamente tencionada pela necessidade de investigar e oferecer respostas efetivas, no intuito de recompor o equilíbrio social perturbado. O perigo em torno da não solução da morte de Tim Lopes é demostrado como perigo para a própria manutenção do tecido social, ameaçado em sua institucionalidade pelo comportamento de sujeitos que não se furtam a confrontar o Estado democrático de direito em sua capacidade de atuar como mantenedor da ordem e do bem estar social. Como no caso Daniella Perez, a morte de Tim Lopes é generalizada como símbolo do sofrimento social vivido por sujeitos anônimos que agora reaparecem no discurso dos meios de comunicação como um dispositivo para legitimar suas reinvindicações. As ações do Estado, protagonizadas por suas forças policiais, passam a ser vigiadas e tencionadas ao máximo pelos meios de comunicação, que fazem questão de demarcar posição diante das dificuldades encontradas para solucionar questões como o encontro do corpo do repórter.

No intuito de reforçar a legitimidade do trabalho jornalístico, como o

Benzer Belgeler