2.2. EYLEM (DAS VERB) NEDİR?
2.2.1. Anlamlarına Göre Eylemler
A acusação pela morte de Tim Lopes recaiu sobre o grupo de traficantes liderados por Elias Maluco, conforme indiciamento do mesmo e mais oito comparsas no inquérito policial. Além de Elias Maluco, como líder dos traficantes, foram acusados Renato de Souza Paula (Ratinho), Elizeu Felício de Souza (Zeu), André da Cruz Barbosa (André Capeta), Maurício de Lima Matias (Boizinho), Ângelo Ferreira da Silva (Primo), Reinaldo Amaral de Jesus (Kadê), Fernando Sátiro da Silva (Frei) e Claudomiro dos Santos Coelho (Xuxa). Todos os acusados foram indiciados por homicídio qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.
A conclusão do inquérito policial foi um capítulo à parte na morte do repórter. Longe de ser celebrado pelos meios de comunicação como uma peça chave do processo, o relatório da investigação, produzido por Daniel Gomes, foi recebido como ultraje a Tim Lopes por atribuir-lhe responsabilidade nas ações que resultaram em sua execução pelos traficantes indiciados. Conforme destaca Castilho (2005), no jornal O Globo, o relatório de 655 páginas teve seu conteúdo negligenciado em diversos aspectos para ser expurgado pelo jornal como peça ofensiva à condição da vítima, sendo o jornalista acusado pela sua morte. As matérias sobre o inquérito ressaltaram trechos em que o relator descrevia a conduta do repórter como indicativo do mesmo ter colocado em situação de risco eminente a sua vida.
Para Castilho (2005), o relatório colocava em jogo as fundamentações do jornalismo investigativo que haviam sido ressaltadas pela Globo em seu discurso sobre a função social desse tipo de ação - o pano de fundo desse discurso era a ideia de que esse tipo de atividade cumpria um papel importante em relação aos compromissos éticos da imprensa em sua defesa dos direitos de cidadania. Essa peça do processo também rendeu mais um discurso emblemático de William Bonner sobre o caso. Em matéria do Jornal Nacional, foram apresentados trechos do relatório com intuito de demonstrar ao público a incapacidade do Estado, por meio
de suas agências policiais, em cumprir suas funções de controle social, atribuindo responsabilidade ao repórter ao invés de esclarecer detalhes do crime.
Willian Bonner - A Polícia [Civil] do Rio de Janeiro concluiu hoje o inquérito sobre o assassinato do jornalista da Rede Globo, Tim Lopes. Em vez de esclarecimentos sobre o crime, o inspetor que assina o documento preferiu culpar Tim Lopes pela própria morte. [abre a reportagem].
Eduardo Tchao (reportagem)61 - foram necessários 65 dias para a Polícia [Civil] entregar à Justiça o inquérito sobre o assassinato de Tim Lopes. Depois de ouvir 32 pessoas, concluiu o que todos já sabiam. O jornalista foi morto pelo bando do traficante Elias Maluco, mas não especifica, nas conclusões finais do inquérito, a participação e o que cada bandido fazia na hora da execução. No documento, que tem 650 páginas, o inspetor que comandou as investigações preferiu se dedicar às atividades jornalísticas de Tim Lopes. E, ao contrário do que todos sabiam e a Rede Globo fez questão de deixar claro desde o primeiro momento, diz que o repórter teria ido à favela ―filmar o /62 tráfico de drogas e o seu forte armamento e não o baile funk‖. O inspetor justifica a afirmação citando as imagens feitas pelo jornalista: ―vê claramente a presença de vários traficantes fortemente armados‖ e ―em nenhum momento a imagem é desviada para qualquer outra atividade que pudesse ocorrer no local‖. O inspetor preferiu ignorar o fato de que Tim Lopes foi à Favela Vila Cruzeiro depois de denúncias de moradores sobre a existência do baile funk e fez as primeiras imagens num domingo, dia em que os bailes aconteciam e foi capturado. No lugar de conclusões sobre a autoria do crime, o inspetor prefere culpar Tim Lopes pela própria morte. E diz que, sendo agraciado pelo Prêmio Esso de Jornalismo pela série ―Feira das Drogas‖ [―Tim Lopes sendo agraciado tornou a sua imagem pública‖, diz trecho do relatório em close], tinha ―no afã de efetuar melhores imagens dos traficantes / se colocou muito perto do perigo / não vislumbrando a diferença da emoção para razão / fato que ocasionou a sua detenção e morte‖. Ao contrário do que o inspetor afirma, no entanto, Tim Lopes como produtor de reportagens não tinha sua imagem veiculada, sendo portanto desconhecido pelo público. [a reportagem segue apresentando detalhes sobre acusação e os traficantes presos].
Fátima Bernardes (bancada do JN) - A conclusão do inquérito sobre a morte de Tim Lopes provocou indignação.
Nacif Elias (Pres. do Sindicato dos Jornalistas, em entrevista) - Nós não podemos aceitar isso. Nós vamos reagir. Vamos amanhã emitir uma nota ao Secretário de Segurança. Nós acreditamos que o nosso companheiro Tim Lopes foi assassinado, capturado, assassinado no desempenho das suas funções. Ele tava trabalhando. Ele não tava procurando notoriedade, como o inspetor está dizendo.
WB (de volta ao estúdio) - A TV Globo lamenta profundamente os resultados sobre o assassinato brutal do jornalista Tim Lopes. Passados 65 dias do crime, a Polícia [Civil] do Rio não conseguiu prender nenhum dos principais acusados. Nem sequer foi capaz de dizer com segurança quem matou, quem esquartejou, quem queimou. A Polícia fez apenas uma espécie de indiciamento coletivo do bando do traficante Elias Maluco. Mais
61 Um dado importante da reportagem é o fato dela iniciar com imagens do repórter como se
estivesse entrevistando o inspetor que está com relatório em mãos, mas apenas a sua voz emerge como narrativa ao fundo, sendo as imagens entrecortadas por outras dos traficantes, trechos em close do relatório em páginas que aparecem ao fundo e cenas de filmagens feitas por Tim Lopes nas matérias do baile funk e ―Feira das Drogas‖. Ao final, as imagens voltam ao repórter, que fala para a câmera sem a presença do inspetor.
62 A barra ( / ) representa os cortes que, durante a reportagem, são feitos para emendar em closes
grave! Numa atitude revoltante pôs em dúvida os reais propósitos de jornalista ao dizer que o Tim estava lá não para fazer uma reportagem sobre baile funk, mas apenas para realizar uma nova reportagem sobre o poderio armado do tráfico. Para sustentar esse absurdo, o investigador se baseou na fita que a própria TV Globo entregou a Polícia, onde só se veem traficantes armados. Mas, como todo Brasil sabe, Tim foi morto no domingo, no dia 02 de junho, exatamente o dia do baile funk. E as fitas foram queimadas, juntamente com o corpo do jornalista. Tomar um trabalho prévio para dizer que ele estava na Favela com outro propósito seria apenas mais um erro de uma Polícia que desaprendeu a investigar, mas a atitude do investigador parece sarcasmo. Ofende a TV Globo, os colegas e a família do Tim Lopes. [longo suspiro do apresentador representando sua indignação]. Ainda mais grave, é a tentativa de imputar ao repórter a culpa pelo próprio assassinato, com a insinuação ultrajante de que ele pôs em risco a própria vida no afã de obter mais sucesso porque, supostamente, já era um rosto conhecido. A TV Globo não pode aceitar que essa indignidade! Tim Lopes sempre foi um jornalista dedicado a missão de informar, servir a comunidade. As características de Tim Lopes eram opostas as que são descritas no relatório. Tim era discreto. Era avesso ao sucesso fácil, o que fazia dele, antes da sua morte, um rosto desconhecido. Logo ele? Que se desejasse, se quisesse, seria um dos mais famosos do Brasil porque talento, competência e amor a profissão não faltavam a ele. Não! Tim Lopes não foi assassinado porque buscava o sucesso. Ele foi morto ao tentar ajudar uma comunidade cansada de pedir ajuda a Polícia. A mesma Polícia que deixa solto os traficantes encastelados no seu poder paralelo. A mesma Polícia que nós não sabemos ainda com que propósito prefere culpar a vítima em vez de seus algozes. Até quando? Tenhamos todos uma boa noite! (EDITORIAL da TV Globo, 2002).
Antes de tudo, é importante destacar que erros e lacunas vislumbrados na produção dos inquéritos policiais decorrentes do trabalho das Policias Civis não são a grande novidade do caso Tim Lopes. Os problemas presentes em inquéritos encaminhados à Justiça já haviam despertado atenção no caso Daniella Perez, assim como será demonstrado que a qualidade da investigação policial foi a tônica dos debates sobre a morte de Isabella Nardoni, com enfoque significativo no trabalho da perícia criminal. Para Misse (2011), em geral, os problemas nos inquéritos policiais decorrem de uma complexa série de dificuldades que perpassam, dentre outras coisas, o volume de ocorrências registradas nas delegacias de policia civil que obrigam os inspetores a escolher o que poderá vir a ser ou não peça do
inquérito63. A partir de estudos realizados sobre o inquérito policial, Vargas e
Rodrigues (2011) concluem que, nos últimos anos, essa peça do processo criminal tem enfrentado graves crises de legitimidade, imprimindo discussões sobre suas
63 Como será possível observar no 6º Capítulo, casos de grande repercussão nos meios de
comunicação tencionam as policiais civis à produção de inquéritos extremamente detalhados, o que não ocorre no dia a dia em relação ao tratamento de crimes que não dispõem da mesma visibilidade pública.
possibilidades de extinção ou reformulação como parte integrante dos processos judiciais.
As instâncias de produção da Globo, em seus discursos oficiais veiculados em seus jornais e telejornais, não pareceram interessadas em discutir o papel do inquérito policial no processo de apuração do crime, mas contrariar a peça produzida pela Polícia Civil no Rio, nos pontos em que ela tencionou a atribuição de culpa e responsabilidade em relação ao acontecimento. Observa-se que, em linhas gerais, o discurso questiona a legitimidade do relatório, atribuindo-lhe uma visão equivocada das evidências por trás da morte do jornalista. A reportagem se desenvolve pautando três pontos fundamentais de um debate que pode ser analisado em três eixos fundamentais: 1) a (in)competência da Polícia Civil do Rio de Janeiro em investigar, analisar as informações e atribuir responsabilidade ao acontecimento; 2) a exposição do morto a um perigo amplamente divulgado e conhecido; 3) as ambições por trás do trabalho de jornalismo investigativo.
Em primeiro lugar, ao questionar a legitimidade do inquérito produzido pela Polícia Civil do Rio, os discursos proferidos no Jornal Nacional, baseado em trechos do extenso relatório, expõem uma ação indevida do relator ao realizar uma espécie de desvio de função da peça processual. Este desvio frustra as expectativas desses interlocutores, que buscam em lacunas do inquérito justificar sua indignação diante de detalhes expostos e outros omitidos. Desperta-se, assim, a atenção para o fato do inquérito não concluir ―quem matou, quem esquartejou, quem queimou‖ o corpo do jornalista. A Polícia Civil é apresentada como agência de segurança pública que desaprendeu a investigar, pois sequer é capaz de apontar o papel de cada traficante na cena do crime, sendo incapaz de atribuir responsabilidade específica para cada um dos acusados.
Na busca de desacreditar o inquérito produzido pelos responsáveis pelas investigações, os discursos veiculados no Telejornal colocam em dúvida suas intenções ao produzir um relato ―absurdo e indigno‖. Na interpretação dos enunciadores de notícias da Globo, o relato presente no inquérito atesta contra os valores morais do morto, atribuindo-lhe, ainda, responsabilidade sobre sua própria morte. Em busca de uma evidência empírica da incompetência da Polícia Civil, o discurso expõe o fato dos quatro ―principais acusados‖ pela morte do jornalista não terem sido presos até o momento da apresentação e encaminhamento do inquérito
aos promotores do Ministério Público. No caso, a reportagem faz menção aos acusados Elias Maluco (líder do bando), Ratinho, Boizinho e André Capeta.
Em seguida, ao atribuir responsabilidade ao morto, o relatório apresenta uma questão importante sobre as condições sociais em que a morte de Tim Lopes se produziu, sendo nesse ponto também fortemente atacado pelo discurso das instâncias de produção da Globo. Ao falar do perigo ao qual o repórter se submeteu ao tentar produzir a reportagem, o inquérito remete a uma situação amplamente conhecida pelos brasileiros e, mais especificamente, dos moradores do Rio, qual seja, as Favelas da Cidade são territórios dominados por traficantes de droga,
fortemente armados, que imprimem com rigor formas específicas de sociabilidade64
e processos de normalização social que devem ser observados e respeitados por aqueles que vivem ou estabelecem qualquer tipo de relação com esses lugares.
As favelas do Rio são, assim, representadas como espaços sociais estruturados em torno de códigos que devem ser considerados por aqueles que desejam preservar suas vidas nesses lugares. A negação dessa condição objetiva abre a possibilidade para acontecimentos como o que proporcionou a morte do repórter que, em conformidade ao relato do inspetor responsável pelo inquérito, se expôs a uma evidente situação de perigo. Ao tentar desqualificar essa linha de argumentação do relator, o discurso da Globo apela para as responsabilidade do Estado democrático de direito brasileiro, que trata a situação como algo natural, negligenciando o caráter de violação dos direitos das pessoas que moram nesses lugares. Estas são reivindicadas pelo discurso como sujeitos que não podem contar com o Estado para protegê-los, tendo que apelar para os meios de comunicação com o intuito de obterem algum retorno dos poderes instituídos para os problemas da sua vida cotidiana. Assim, a tentativa de responsabilizar o repórter é interpretada
64 É importante destacar que, conforme demonstra Machado da Silva (2008, p. 19
), ―não é verdade que bandos de traficantes (e/ou milícias) substituam o Estado nas favelas, embora a presença deste último nestas áreas não seja igual a do restante da cidade‖. Posto isto, o autor ressalta que os moradores das favelas ―são duplamente dominados: na ordem social dominante, compõem os estratos inferiores da estrutura social; na ‗sociabilidade violenta‘, são obrigados a se submeter aos traficantes‖ (p. 22). Sobre a reflexão de Machado da Silva a respeito da sociabilidade violenta, ver: SILVA, L. A. M. da. Sociabilidade violenta: por uma interpretação da criminalidade contemporânea no Brasil urbano. Soc. estado., Brasília, v. 19, n. 1, June, 2004. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922004000100004&lng=en&nrm= iso>. Acesso em 02 jul. 2009. Adiante, retomarei essa discussão para refletir sobre a situação que o Governo do Rio teria que enfrentar em virtude das pressões da imprensa.
como tentativa de eximir o Estado das suas responsabilidades em relação à defesa do direito à vida de pessoas que, como Tim Lopes, estão ali trabalhando.
No terceiro ponto explorado pelo discurso da Globo, a emissora questiona o fato da finalidade do trabalho de Tim Lopes também ser questionada no relatório. O mesmo coloca sob suspeita os reais motivos da reportagem, creditando-lhe ser uma tentativa de filmar o poderio armado de traficantes de drogas. Ambições pessoais do repórter emergem no inquérito como justificativa para que ele estivesse ali e, portanto, sofrido as devidas consequências. Neste ponto, os discursos proferidos no Jornal Nacional chamam atenção para a posição da Empresa como portadora de um testemunho verdadeiro sobre a finalidade do trabalho do jornalista na Vila Cruzeiro. Tal fato teria sido negligenciado pelo relator, que guardaria razões obscuras para ter se pronunciado da forma que fez.
Ao reivindicar para si a condição de informante privilegiado, a Globo toma como ofensa a insinuação presente no relatório, acusando o relator de atestar contra a moral e ética da Empresa como produtora de informação e instituição respaldada socialmente como portadora da verdade. A interpretação do relator a respeito das imagens é retratada pela Globo como desprovida de conhecimento a respeito das especificidades do trabalho jornalístico realizado por Tim Lopes. É considerada,
também, uma tentativa equivocada de justificar as motivações de ―bandidos‖ que o
mataram ―brutalmente‖. As considerações do relatório são atacadas mais veementemente quando se deslocam para as intencionalidades atribuídas ao próprio repórter, produzindo dúvidas sobre sua conduta, que, segundo o relator, teria sido motivada pela ambição de Tim em ganhar notoriedade.
O caráter de Tim como trabalhador desprendido de ambições é utilizado no discurso de Bonner como característica moral do morto que desqualifica o relato do inspetor em virtude do mesmo desconhecer que realmente era repórter. Mais uma vez, a ideia de que o jornalismo investigativo, como o feito pelo morto, cumpre uma função cidadã, enquanto o Estado é negligente, é reivindicada como forma não apenas de negar, mas de produzir um efeito de verdade que visa desmoralizar o inquérito e, portanto, o trabalho de uma Polícia Civil qualificada pela instância de produção como incompetente e incapaz de ajudar as pessoas que precisam dela.
Em suma, a crítica ao inquérito policial protagonizada pela Globo vislumbrou preservar sua imagem diante de pontos do relatório da investigação que assinalavam para a responsabilização não apenas do repórter, mas da própria
Empresa da qual Tim Lopes era funcionário. Apesar do esforço em conservar sua imagem de Instituição idônea, a Globo não escapou de enfrentar um significativo debate sobre a sua responsabilidade na série de eventos que envolveram a morte de um repórter dos seus quadros. Fatos emblemáticos desse debate foram conteúdos veiculados por instâncias de produção independentes do controle da Globo e que deram visibilidade ao discurso da ex-repórter da Empresa Globo, Cristina Guimarães, parceira de Tim Lopes na reportagem ―Feira das Drogas‖. Em janeiro de 2002, sete meses antes da morte de Tim Lopes, o Jornal Folha de São Paulo publicou uma entrevista com a jornalista, que, desde a notoriedade da matéria Feira das Drogas, afirmava ser vítima de ameaças de morte.
Repórter da Globo diz que traficantes querem matá-la
Há cerca de dois meses a jornalista Cristina Guimarães, 38, vive escondida. Co-autora da reportagem ͚Feira de Drogas͛ - exibida no Jornal Nacional em agosto e uma das vencedoras do Prêmio Esso 2001-, ela diz ter sofrido várias ameaças de pessoas ligadas aos traficantes da favela da Rocinha (Zona Sul do Rio), cujos rostos foram mostrados na televisão. Dizendo-se cansada de esperar pelo auxílio da Rede Globo, Cristina entrou com uma ação trabalhista contra a emissora e se afastou do trabalho e do Rio de Janeiro. Agora, pede ajuda à Anistia Internacional (Entrevista da Repórter Carla MENEGHINI, 2002).
A repórter contou detalhes de como foi produzida a matéria Feira das Drogas, cuja divulgação permitiu às Polícias do Rio identificar e prender traficantes expostos pela reportagem. Ela conta que, em setembro de 2001, quando retornou ao trabalho, foi avisada por moradores da Rocinha de que traficantes estavam oferecendo R$ 20.000,00 pela cabeça dos responsáveis pelas filmagens. Segundo seu depoimento, Cristina começou a receber telefonemas que se referiam a ela como ―dona ferrada‖ e que ―mais duas ou três vezes, um motoqueiro com capacete
bateu no vidro do meu carro e perguntou se eu era a Cristina‖. Ao ser questionada
sobre qual foi a atitude da Globo diante dos acontecimentos, ela respondeu que ―a
chefia do jornalismo da emissora falava que eu não devia esquentar a cabeça com aquilo, que não ia acontecer nada comigo. Afinal, eu já tinha feito outras reportagens
desse tipo‖.
Não obstante, Cristina narra que passou a se sentir mal com a situação e, em novembro, entrou com uma ação judicial contra a Globo, sendo afastada das suas atividades na Empresa por uma liminar do Ministério do Trabalho. Ao narrar sua situação, na época da entrevista, ela revelou que vivia escondida, esperando
resposta da Anistia Internacional para poder sair do País. Ao tomar ciência da liminar, a Globo chamou Cristina para conversar, mas a mesma afirmou que se negava a voltar ao Rio de Janeiro. Ao ser perguntada se a Empresa ofereceu algum tipo de auxílio à repórter, ela respondeu que ―não‖, sendo a sua família responsável pelos custos de tirá-la do Rio e contratar seguranças particulares para acompanhá- la. O Jornal também publicou, no decorrer da matéria, logo após a entrevista, o posicionamento da Central Globo de Comunicação sobre o caso.
Emissora não acredita
Segundo o diretor da Central Globo de Comunicação, Luís Erlanger, a emissora só tomou conhecimento das ameaças que Cristina Guimarães teria sofrido ao ser notificada pela Justiça. O suposto problema não foi