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GENOTYPING OF ECHINOCOCCUS GRANULOSUS ISOLATES

BİLGİLENDİRİLMİŞ OLUR FORMU

Como já mencionado, os etnofaulismos são um tipo de injúria que se sustentam por um processo metafórico que se constrói a partir de estereótipos e ideias preconceituosas quanto aos povos envolvidos. A relação entre estereótipos e preconceito é forte. Em consonância, Hughes afirma que estereótipos

[…] são geralmente baseados em preconceitos. Normalmente, a nacionalidade “lar” vê a si mesma em termos positivos, estereotipando os de fora e estrangeiros com caracterizações negativas como a indolência, o desasseio, a ineficiência, a ignorância, a avareza, a covardia, a agressividade, a beberronia, a promiscuidade sexual e a perversão. Tais qualidades são atribuídas a grupos e, por extensão, a indivíduos, o que é manifestamente absurdo e ofensivo. 48

(HUGHES, 2010, p. 41)

Como se pode verificar em outro trecho, para o autor, a relação “estereótipo” e “preconceito” parece ser circular; alternadamente, um é consequência do outro: “O preconceito deriva, como o nome sugere, do ‘julgamento antecipado’ de fatos ou do que se sabe de um indivíduo ou de situação real. É a consequência natural do pensamento estereotípico.” (HUGHES, 2010, p. 40) 49

No que diz respeito ao léxico de uma língua, os dicionários, ao descrevê-lo, acabam por reproduzir não só aqueles usos socialmente aceitáveis, mas também aqueles correntes, os “estereótipos próprios de cada sociedade, entre os quais podemos destacar aqueles que se prendem com a denominação das diferentes raças, etnia, em suma dos grupos humanos agrupados em torno de características físicas, culturais, religiosas, linguísticas, etc.” (CORREIA, 2006)

Fusco (2012), ao observar as representações estereotípicas em torno da unidade lexical “donna” (“mulher”, em português) e outras, do mesmo campo semântico-lexical, num dicionário da língua italiana, buscou definir o que seriam os estereótipos. Reproduzimos abaixo o que a autora propõe a seus leitores:

Mas o que é um estereótipo? Na literatura de referência, esse é definido como um conjunto rígido e simplificado de crenças que um certo grupo

“Stereotypes are generally based on prejudice. Usually the ‘home’ nationality sees itself in positive terms,

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stereotyping outsiders and foreigners by negative characterizations such as idleness, dirtiness, inefficiency, stupidity, meanness, cowardice, aggressiveness, drunkenness, sexual promiscuity, and perversion. These qualities are attributed to groups and by extension to individuals, which is manifestly absurd and offensive.”

“Prejudice derives, as the term suggests, from ‘judging in advance’ of facts or knowledge of an individual or

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social compartilha e reproduz, de forma acrítica, sobre um objeto, sobre um estado de coisas, sobre um evento ou um comportamento, sobre um outro grupo social, algumas vezes fazendo desse um pressuposto para formular preconceitos, isto é juízos apriorísticos, não baseados em dados empíricos suficientes, que, às vezes, são neutros, mas com mais frequência, negativos. Poder-se-ia dizer que o estereótipo serve para categorizar, simplificando e generalizando; mas dois traços o tornam extremamente furtivo: o emprego, geralmente, inconsciente e o seu reforço determinado pelo uso. (FUSCO, 50

2012, p. 8–9, grifos nossos)

Em um trabalho em torno do mesmo objeto, Wanwelkenhuyzen, observando contextos exemplificatórios de entradas como “donna” e “uomo” (“homem”, em português), conclui que ali estão presentes um “certo conservadorismo ideológico que se alimenta no uso e no imaginário comum, assim como nuanças depreciativas quanto ofensivos estereótipos.” 51

(2007 apud FUSCO, 2012, p. 37)

Os estereótipos estariam presentes no dicionário não apenas como um fenômeno que envolve a maneira como alguns usos são registrados, mas também como um modelo universal de definição. Lara (1996, p. 189) aponta que há dois conceitos importantes para entender o significado e sua apresentação em trabalhos lexicográficos. Um deles é o PROTÓTIPO, a partir do qual, segundo um modelamento mental, os indivíduos socioinseridos atribuiriam propriedades aos objetos, tornando-os instâncias de categorias maiores e de reconhecimento mais próximo de sua realidade. É por meio do protótipo que definições como “que tem a cor do sangue” para a entrada “vermelho” (HOUAISS, 2001, s.v. 1vermelho) e “a cor da relva”

para “verde” (op. cit., s.v. verde) chegam ao dicionário. 52

O ESTEREÓTIPO seria bastante similar, mas comporta uma dimensão social, com desdobramentos pragmáticos muito maiores que o protótipo. Para exemplificar tal fato, o autor recorre ao exemplo de “perro”, que era definido pelo dicionário da Real Academia

Española, como um “mamífero doméstico de la familia de los cánidos, de tamaño, forma y pelaje muy diversos, según las razas, pero siempre con la cola de menor longitud que las patas

“Ma che cos’è uno stereotipo? Nella letteratura di riferimento, esso è definito come un insieme rigido e

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semplificato di credenze che un certo gruppo sociale condivide e replica in modo acritico su un oggetto, su no stato di cose, su un evento o un comportamento, su un altro gruppo sociale, talora facendo del medesimo un presupposto per formulare pregiudizi, cioè giudizi aprioristici non basati su dati empirici sufficienti che a volte sono neutri ma più spesso negativi. Si potrebbe dire che lo stereotipo serve per categorizzare, semplificando e generalizzando; ma due tratti lo rendono estremamente subdolo: l’impiego per lo più inconsapevole e il rafforzamento determinato dall’uso.”

“[…] un certo conservadorismo ideologico che alimenta nell’uso e nell’immaginario comune tanto delle

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sfumature spregiative quanto degli offensivi stereotipi.”

Observe-se que “azul”, no mesmo dicionário, apresenta uma definição mais técnica: “cor que, no espectro

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solar, ocupa a área entre o verde e o violeta” (op. cit., s.v. azul). Para mais informações sobre as cores no dicionário, veja-se Zavaglia (2006)

posteriores…”. Essa definição, como classicamente tem sido a prática, parte de 53

características mais gerais até chegar às diferenças específicas (differentia specifica). O problema se apresenta quando se tomam cães como o bulldog ou o boxer, cuja cauda não apresentam longitude menor que as patas posteriores. Assim, “podem-se encontrar em todas as línguas estereótipos que são contraditórios às características reais — isto é, definidas pelo conhecimento científico — dos objetos.” (LARA, 1996, p. 186) 54

Dessa forma, o autor (op. cit., 187–188) aponta que os estereótipos nos dicionários se fazem presentes até mesmo na definição de uma entrada como “gato”, ao defini-lo a partir 55

de suas características que não são aquelas biológicas ou anatômicas, mas àquelas socialmente fabricadas e difundidas (que caça ratos, com olhos brilhantes), segundo a imagem que circula, numa dada comunidade linguística, sobre esse animal. Além do trabalho de Fusco, mencionamos ainda a dissertação de Ball (1998) que investigou a ideologia no tratamento dispensado por nove dicionários do inglês e do francês (monolíngues e bilíngues) a 67 entradas que dizem respeito aos gays, lésbicas e bissexuais. O autor aponta que sua análise ainda deixa questões não respondidas sobre o enviesamento cultural nos dicionários. Entretanto, ao observar unidades particularmente sensíveis no que diz respeito a um dado grupo minoritário, nos dicionários, o autor conclui que esse tipo de obra deve descrever tanto conotações positivas, quanto negativas das palavras, sejam elas controversas ou não, a fim de neutralizar atitudes culturais como o sexismo, o racismo e a homofobia nos produtos lexicográficos. Para apoiar sua argumentação, o autor cita o exemplo de uma discussão levantada por Walter Duncan, ao analisar as palavras “white” e “black” no Random House Dictionary. Duncan questiona por que esse dicionário não inclui sentidos negativos de “white” (em expressões como “white night” e “white as ghost” ), mas apresenta tantos outros para “black”. Da mesma 56

Gabriel García Marquez, num artigo intitulado “La vaina de los diccionarios”, alude a esse mesmo exemplo,

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conforme se lê: “A veces, los diccionarios se dan cuenta de que han hecho el ridículo, y lo corrigen en una edición posterior. Eso le ocurrió al de la Real Academia con la famosa e inefable definición de perro: "Mamífero doméstico de la familia de los cánidos, de tamaño, forma y pelaje muy diversos, según las razas, pero siempre con la cola de menor longitud que las patas posteriores, una de las cuales levanta el macho para orinar". Se prestó a tantas burlas esta precisión excesiva -y entre ellas una muy feroz e inteligente de Guillermo Cabrera Infante en su novela Tres tristes tigres-, que en las ediciones más recientes del diccionario de la Real Academia ya los perros no levantan la pata posterior para orinar, aunque sigan haciéndolo en la vida real.” (GARCÍA MARQUEZ, 1982)

“[Tan es así] que se pueden encontrar en todas las lenguas estereotipos que son contradictorios con las

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características ‘reales’ —es decir, definidas por el conocimiento científico— de los objetos.”

Os dicionários usados por Lara para a ilustração foram o Dictionnaire françois, de Richelet (1680), o Dictionnaire

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Universel, de Furetière (1690), o Diccionario de autoridades, da Real Academia Española (1739), e o Tesoro de la lengua

castellana o española, de Cobarruvias (1979).

“White night” e “white as ghost” são fraseologias que corresponderiam, respectivamente, em português, a “(passar)

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forma, o dicionário não faz menção a conotações positivas para “black” (como “black tie” ou “operating in the black” ) (BALL, 1998, p. 135). 57

Esses apontamentos demonstram que a inclusão de determinados sentidos expõe o problema quando não se incluem outros. Considerando que se espera do dicionário de língua uma descrição “a mais completa possível”, incluir e excluir determinados significados pode, com efeito, apontar para indícios de subjetividade e arbitrariedade na compilação da obra, fato que procuramos demonstrar, neste trabalho, a partir dos etnofaulismos.

Em trabalho que trata exatamente sobre os estereótipos que circularam em dicionários do francês , Giaufret-Colombani (1997) vale-se do termo “etnótipos” (em francês, 58

“ethnotypes”), emprestado de Brès (1993 apud GIAUFRET-COLOMBANI, 1997, p. 291), para referir-se a estereótipos que se relacionam especificamente a nomes de povos. O foco de sua análise está nos exemplos fornecidos por esses dicionários. A autora aponta que nos dicionários observados existe

[…] em primeiro lugar […] a vantagem de prover uma imagem, a mais completa possível, dentro dos limites da época, dos usos linguísticos, e sabemos que “os grupos estão vinculados com as palavras que os designam” (Bourdieu, p. 560), por conseguinte, de veicular, transversalmente e de maneira fragmentada, e mais ainda de maneira reveladora, conteúdos ideológicos difundidos no grupo que os produz, grupo restrito de uma elite aculturada do século XVII, que vai, entretanto, marcar fortemente o futuro. (GIAUFRET-COLOMBANI, 1997, p. 292) 59

A autora vale-se ainda da definição de “estereótipo” de Preiswerk e Perrot (1975), segundo a qual um estereótipo é

um conjunto de traços destinados a caracterizar ou tipificar um grupo, em seu aspecto físico ou mental e em seu comportamento. Aquele que utiliza o estereótipo pensa, frequentemente, estar realizando uma simples descrição. No entanto, ele chapa um molde sobre uma

“Black tie” corresponde a vestir-se, para eventos noturnos, de maneira não tão formal, como trajes de gala, mas,

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ao mesmo tempo, de maneira não tão casual, como para um evento vespertino. Seria uma roupa semiformal; usa-se “operating in the black” para referir-se a uma empresa ou negócio que está gerando lucro.

Mais especificamente, as obras analisadas foram: o Thresor, de Jean Nicot (1606), o Dictionnaire françois contenant

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les mots et les choses, de Pierre Richelet (1680), o Dictionnaire Universel, de Antoine Furetière (1690) e a primeira edição do dicionário da Academia (1694).

“Ces dictionnaires ont tout d'abord l'avantage de donner une image, le plus complète possible, dans les limites

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de l'époque, des usages linguistiques et l'on sait que “les groupes ont partie liée avec les mots qui les désignent” (Bourdieu, : 560), par conséquent de véhiculer transversalement et de façon fragmentaire, d'autant plus révélatrice, des contenus idéologiques diffus dans le groupe qui les produit, groupe restreint d'une élite acculturée au XVIIe siècle, qui va cependant marquer fortement l’avenir.”

realidade que este não pode conter” (PRESKWERK; PERROT, 60

1975 apud GIAUFRET-COLOMBANI, 1997, p. 292)

Assim, a partir da combinação dessas duas ideias, Giaufret-Colombani apresenta uma análise que recai sobre exemplos que figuram em verbetes e que fazem referência estereotípica a um povo, como é o caso encontrado no dicionário de Richelet, na entrada “gesticulateur” da obra, em que se lê: “Les Italiens sont de grans gesticulateurs” ou o exemplo “Les peuples sauvages sont 61

cruels”, s.v. “cruel” (GIAUFRET-COLOMBANI, 1997, p. 292). 62

A autora conclui que os dicionários observados refletem um pensamento nacionalista fortemente construído em depreciar o outro e valorizar a própria identidade, haja vista os poucos etnótipos que se referem aos próprios franceses, encontrados no levantamento.