A ANSI (American National Standards Institute) e a IEC (International Electroacoustical Comission) são as normas mais conhecidas que especificam como os aparelhos de amplificação sonora individuais (AASIs) devem ser testados. Os dois conjuntos de normas têm muitas coisas em comum e algumas diferenças. A principal diferença é que a ANSI S3.22 especifica que os AASIs devem ser medidos em acopladores de 2cc, e a IEC 118-0 especifica que eles devem ser medidos em um simulador de ouvido. (DILLON, 2001).
Os equipamentos necessários para a medida das características eletroacústicas do AASI são compostos, além do acoplador, por uma caixa teste, que inclui um gerador de ruído, um amplificador, um alto falante e um microfone controle, ou de referência. Esse é colocado próximo ao microfone do AASI e controla o nível de pressão sonora vindo do alto falante e irá atingir o aparelho de amplificação sonora. (FRYE, 2002).
O acoplador de 2cc é composto por uma peça de metal com um tubo que simula o molde na orelha do usuário, e uma cavidade cilíndrica de volume 2 centímetros cúbicos. Esse volume foi escolhido porque é uma aproximação do volume médio restante (volume residual) no conduto auditivo externo, de um adulto, após a inserção do molde auricular do AASI. Infelizmente, esse valor não é uma boa aproximação do volume médio do CAE, e ainda pior é a aproximação à impedância acústica da orelha nas altas freqüências. Todo esse sistema deve permanecer dentro de uma câmara anecóica (caixa de teste) para atenuar o ruído ambiental e a reflexão do som. (DILLON, 2001).
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A resposta eletroacústica do AASI medida em acoplador não é a mesma medida em orelha real. No entanto, ela é confiável e reaplicável e fornece um bom ponto de partida para a verificação do desempenho do AASI. (LYBARGER; LYBARGER, 2000; FRYE, 2002).
Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora
Figura 2 - AASI na posição correta para ser medido no acoplador de 2 cc
O simulador de ouvido, teoricamente, é capaz de reproduzir de maneira mais fidedigna as características de uma orelha humana ocluída pelo molde auricular. Ele foi desenhado para simular as mesmas características de impedância da orelha humana. Essa impedância varia conforme a freqüência, fazendo a orelha parecer menor nas altas freqüências, e assim, aumentando o ganho efetivo do AASI. (FRYE, 2002). O simulador de ouvido é constituído por uma cavidade principal, com volume de 0,6 cc, e outras quatro cavidades com volumes de 0,10 a 0,22 cc, conectadas a cavidade principal por pequenos tubos, em que três deles possuem filtros. (DILLON, 2001) para simularem melhor a impedância da orelha humana.
Posteriormente, o simulador de ouvido foi inserido dentro de um manequim com as medidas antropométricas de um homem adulto para que assim pudesse oferecer mais realismo às medidas realizadas. (HARFORD, 1980). Dessa forma, tentou-se diminuir os outros fatores que podem interferir na interação entre o AASI e a orelha do usuário, como: difração e absorção do som provocados tanto pelo efeito sombra da cabeça, quanto pelo corpo
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do usuário e localização do microfone do AASI em relação à incidência do som. As medições com o manequim são realizadas em uma câmara anecóica.
Para citar um exemplo, o KEMAR (Knowles Electronics Manikin for Acoustic Research) foi construído no início da década de 70, para simular o tamanho médio da cabeça, tronco e conduto auditivo de adultos (Figura 3). O KEMAR possui um pavilhão auricular removível e no lugar onde estaria a membrana timpânica encontra-se um pequeno microfone de meia polegada que capta o som para a realização da mensuração. Este manequim geralmente utiliza o acoplador ou um conduto auditivo chamado acoplador Zwislocki (simulador de ouvido). Esse é um cilindro de metal de 21,5 mm de comprimento que possui, dependendo do tipo, dois ou quatro ressonadores laterais. Essa combinação do comprimento do conduto (21,5 mm) e do microfone de meia polegada resulta em uma ressonância de 2700 a 3000 Hz, igual à da orelha humana. (CHASIN, 2005).
Fonte: http://www-users.york.ac.uk/~dtm3/RS/dummy2.jpg. 2008.
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As medidas em acoplador de 2 cc ou no simulador do ouvido servem para verificação de funcionamento para controle de qualidade e também para estimar qual seria o desempenho do AASI na orelha do usuário. Apesar do simulador de ouvido fornecer uma informação um pouco mais precisa em relação à adaptação do AASI quando comparado ao acoplador de 2cc, ele é uma peça mais delicada, de manuseio mais difícil, mais caro e exige uma maior atenção quanto à calibração, por isso é menos utilizado e encontrado nas clínicas. No entanto, ambos os sistemas são medidas incapazes de mostrar ao fonoaudiólogo o desempenho exato do AASI na orelha de um paciente específico porque não conseguem reproduzir a orelha humana, com suas características físicas e acústicas individuais.
Em alguns protocolos, o ajuste do AASI para se equiparar a um determinado
target é realizado por meio do acoplador de 2cc. No entanto, é difícil predizer o ganho em
ouvido real (in situ) a partir do ganho no acoplador para um determinado paciente, pois as medidas em acoplador subestimam as respostas em ouvido real. (HAWKINS, 1987). Isso ocorre devido às diferenças da ressonância da orelha externa entre os indivíduos e também em virtude do acoplador não levar em consideração os efeitos acústicos produzidos pelo pavilhão auricular, cabeça e tronco do paciente e, principalmente, as propriedades de ressonância do CAE. Também não consideram os efeitos do posicionamento do microfone do AASI. (MUELLER, 2001). As medidas em acoplador também não levam em consideração os efeitos acústicos de um determinado tipo de molde auricular e suas modificações acústicas.
Essas variabilidades podem ser diminuídas por meio da realização da medida da diferença entre a resposta em orelha real e no acoplador (Real Ear to Coupler Difference - RECD). A RECD representa um fator de correção personalizado entre as diferenças acústicas da orelha do indivíduo e o acoplador de 2cc. Essa medida tem uma função fundamental nos procedimentos de seleção e verificação do AASI em bebês e crianças, possibilitando ao clínico, a adaptação mais precisa e segura do AASI nessa população. A RECD também pode ser utilizada para avaliação da saída máxima do AASI em adultos. Outras informações sobre essa medida serão dadas posteriormente.
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