B. Belirtme Hâli Ekiyle Kurulan Deyimler
B.1. Belirtili Nesne + Fiil Yapısında Deyimler
Dentro do contexto da indústria automobilística nacional, chamamos de Liderança Tecnológica Intermediária (LTI) ao desenvolvimento evolutivo de uma subsidiária brasileira com o objetivo de se tornar referência em características e tecnologias específicas de produto ou subsistemas. Em outras palavras, buscar Liderança Tecnológica Intermediária consiste em ampliar competência no desenvolvimento de produtos e criar competências de inovação tecnológica e conceitual, ao ponto de liderar uma fração determinada da gama de produtos ou seus subsistemas que respondam pelas especificidades técnicas e de mercado a ela atribuídas. Restringimos o significado aqui usado para tecnologia como sendo a tecnologia de base do produto a ser desenvolvido. A característica denotada pela palavra “intermediária” diz respeito à restrição de domínio aplicada a esta tecnologia - ela corresponde somente às características específicas do produto induzidas pelo mercado local. Do ponto de vista da distribuição de papéis entre subsidiárias locais e matrizes assim como da maturidade das competências tecnológicas instaladas para que tal distribuição ocorra, o conceito aqui apresentado possui sua base na proposta de Consoni (2004). No entanto, dentro dos objetivos estabelecidos para este trabalho, o conceito de LTI busca dar mais destaque à dinâmica do propósito empresarial buscado do que à definição de relações entre matrizes e subsidiárias.
Simples exemplos podem ajudar a esclarecer o propósito da LTI. Consideremos, por exemplo, o Brasil como país pioneiro na utilização de álcool combustível. Tal combustível representa alternativa competitiva à gasolina devido à disponibilidade de recursos naturais renováveis no país para sua produção. Caracteriza-se aqui uma especificidade do mercado local. Tal especificidade se desdobrará conseqüentemente em necessidades técnicas de projeto e controle dos motores para que funcionem adequadamente com álcool (ou sua mistura com a gasolina). Um outro exemplo seria quanto ao desenvolvimento e incorporação de tecnologias para conjugar baixa cilindrada e bom desempenho, ou a redefinição de sistemas de suspensão robustos às condições de estradas brasileiras. Podemos afirmar que características da cadeia produtiva, questões legislativas, padrões, perfil social do mercado comprador, clima e outros vários fatores determinam condições de contorno que tornam o mercado local da indústria automotiva específico. Tais especificidades podem gerar pequenas alterações em projetos já definidos (como em projetos de tropicalização) ou mesmo influenciar na seleção e desenvolvimento das tecnologias que serão incorporadas ao produto. No caso brasileiro de montadoras de automóveis, demandas de consumo e particularidades do mercado local estiveram na base de investimentos em P&D (QUADROS et al., 2000).
Dessa forma, espera-se que a busca da LTI ocorra mais efetivamente quanto mais recompensador for adotar uma estratégia local de produto. Um dos pressupostos da LTI é, portanto, a integração e localização física do pólo de desenvolvimento no mercado local. Esta seria uma estratégia eficaz para entendimento das regras que regem este mercado e para determinação de tecnologias e produtos mais adequados a esta realidade. Partindo desta linha, podemos conceituar então uma Liderança Tecnológica Intermediária motivada pelo mercado local quando este é o principal motivador da construção de competência tecnológica de produto na subsidiária em questão.77
A LTI motivada pelo mercado local possui seu conceito estendido quando a responsabilidade de desenvolvimento da subsidiária abrange também outros países. Tal situação ocorre tipicamente com países de proximidade geográfica e social. Assim podemos perceber que a necessidade de
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Em contrapartida, quanto à inovação tecnológica em sentido amplo, existe ainda notadamente a tendência de centralização das competências nas matrizes (FLEURY, 1999) ou centros de pesquisa tecnológica associados diretamente às mesmas. Em tal contexto, a competição se dá dentro de um conceito que poderíamos chamar de Liderança Tecnológica Abrangente (LTA) nos países de economia industrial desenvolvida conforme comentado no capítulo 5. Outro ponto é que quando falamos de características específicas de produto para o mercado local no contexto da LTI, devemos ter especial cuidado para não confundir com a estratégia de combinação de capacidade tecnológica com requisitos específicos de clientes (ver Pavitt, 1991). Esta última ocorre como alternativa estratégica para se conquistar pequenos mercados de clientes específicos sendo mais freqüentemente discutida no plano de pequenas e médias empresas.
conhecimento mais abrangente de mercado pode abrir portas para um contínuo desenvolvimento tecnológico da subsidiária em questão.
Consideremos, contudo, uma segunda proposição. O desenvolvimento de competências tecnológicas de produto ou processo pode ser motivado pelo objetivo de se obter exclusividade, participação efetiva no negócio ou mesmo tornar-se referência técnica na produção e/ou desenvolvimento de um novo produto ou subsistema frente a outros pólos de produção e desenvolvimento do mesmo grupo industrial. Aqui se pressupõe uma concorrência interna entre as várias subsidiárias de dada organização que buscam atrair para si os novos negócios angariados pelo grupo. O objetivo seria então ampliar sua responsabilidade e representatividade neste grupo e, consequentemente, a rentabilidade da operação. Assim, propomos diferenciar esta vertente como Liderança Tecnológica Intermediária motivada pela competição interna ao grupo industrial. Os arranjos propostos por estes conceitos estão ilustrados na Figura 21.
Figura 21 - Liderança Tecnológica Intermediária
Há um vasto campo de estudo para entender o contexto total que envolve o enquadramento dos papéis das subsidiárias brasileiras dentro de seus grupos industriais. Contudo, acredita-se que estes dois desdobramentos do conceito de LTI possam explicar de forma macroscópica os casos mais freqüentes na indústria automobilística brasileira. Não é correto, no entanto, estabelecer uma classificação simples das empresas quanto ao tipo de Liderança Tecnológica Intermediária por elas buscado. Acredita-se que os dois motivadores possam coexistir de forma mais ou menos forte em cada ambiente analisado. No caso particular da LTI motivada pela competição interna, observa-se uma evolução recente mais forte deste modelo devido às grandes diferenças de custo
de desenvolvimento e manufatura do produto verificadas entre pólos dos países de economia emergente e pólos localizados em países industrialmente desenvolvidos. Neste caso ocorre o desenvolvimento de produtos e tecnologias, porém não necessariamente direcionados ao mercado local. Outro ponto é a mudança das preferências do consumidor observadas em determinados países industrialmente desenvolvidos, que pode privilegiar categorias de produtos desenvolvidos em outros países. No caso da indústria automobilística, um forte fator motivador para esta mudança de preferências tem sido as altas cotações do petróleo, que estimulam a procura por modelos mais econômicos ou que usem fontes alternativas de energia.
O presente trabalho parte do pressuposto de que a busca pela LTI é uma tendência no mercado automobilístico local e esta realidade foi observada tanto no contato da pesquisa prática quanto no acompanhamento de publicações do meio automotivo. Em última análise, é importante destacar que buscar a LTI é, antes de tudo, uma opção estratégica da organização. Uma via de mão dupla na qual a subsidiária constrói sua credibilidade em torno de um ambiente favorável e a matriz entra com a estratégia global que definirá a função desempenhada por tal subsidiária. Determinados grupos podem tomar ou não tal opção como estratégia conforme parâmetros próprios de avaliação. Portanto, os conceitos desenvolvidos neste capítulo buscam agregar valor para companhias que se encontram inseridas nesta estratégia.
Partindo das observações realizadas na pesquisa, os seguintes pontos completam o contexto descrito:
A descentralização da tecnologia e do desenvolvimento de produtos ocorre mais lentamente do que a descentralização das atividades de produção. A estratégia típica das organizações industriais internacionais parte da criação de pólos essencialmente de produção em localidades onde haja mercado consumidor atraente e/ou condições econômicas mais competitivas para se produzir e exportar.
As atividades de P&D nas subsidiárias dos países em desenvolvimento nasceriam de uma evolução das engenharias de apoio à produção. Em outras palavras, observa-se que as subsidiárias nascem como pólo de produção e evoluem para um centro de desenvolvimento conforme o mercado local e o papel estratégico definido pela matriz. A disponibilidade de mão-de-obra qualificada e o perfil sócio-cultural do país são fatores
de influência na decisão de se delegar a uma subsidiaria o desenvolvimento de produtos e tecnologias. Estes fatores se somam às características da infra-estrutura local de pesquisa e inovação.
Pólos de desenvolvimento existem em menor número que pólos produtivos e são caracterizados por forças e fraquezas conforme seu domínio em segmentos de
produtos e subsistemas.
Fleury e Fleury (2000) observam que as empresas com atividades de projeto e inovação são majoritariamente as de maior porte. Pode se relacionar isto ao fato de que estas não são atividades de retorno a curto ou médio prazo. Por isso, pequenas estruturas encontram dificuldades em promover investimentos desta linha. Esta afirmação reforça o fato de que políticas externas, sejam das matrizes industriais ou do próprio governo local, têm papel decisivo no perfil industrial brasileiro.
A realidade aqui descrita através do conceito de LTI vem sendo cada vez mais reconhecida dentro do setor automobilístico brasileiro. Pinto, Luz e Teruya (2006) fazem importantes observações através do caso Audi/Volks em Curitiba. Citando Steinemann (1999), afirmam que os fatores que influenciaram e forçaram o processo de inovação tecnológica na indústria automobilística foram a globalização e regionalização dos mercados; mudanças nas preferências do consumidor; regulação do produto e; responsabilidade do produto.
8.2. Níveis de competências tecnológicas das subsidiárias brasileiras da indústria