II. BÖLÜM
4.2. K ONU İ LE İ LGİLİ B ULGULAR VE Y ORUMLAR
4.2.3. Belgesellerin Tarih Öğretiminde Kullanılmasına İlişkin Öğretmen
O processo espontâneo envolve sujeitos que passam por uma interna e física mudança de estado. O sujeito possui o papel semântico de paciente. Uma propriedade essencial dessa categoria é o fato de ela ser conceitualizada por ocorrer sem uma iniciação direta por um agente e, com efeito, nesse aspecto, é diferente da média –
70 passiva, que implica em um agente, na maioria das vezes, não especificado. Verifiquemos os exemplos abaixo:
a) ὸ ῦ ὲ Ἀ ύ έ ἰ Θή ύ , ὰ ὸ ἐ ὼ
ὶ ὴ ί ά ύ , ὅ Ἀ ύ ό Ἀ ή
ά [...] (Apol. Biblio. 2.4.8) - Mas antes que Anfitrião chegasse a Tebas, Zeus veio durante a noite e, após triplicar sua duração, tendo se tornado semelhante a Anfitrião, dormiu com Alcmena [...]
b) ὶ ὕ ἔ , ῶ ἄ έ , ἀ ά ὐ ὸ ἔ .
(Apol. Biblio. 2.4.12) - dessa forma – disse – realizando os trabalhos, ele seria imortal.
Os exemplos a e b apontam para duas formas verbais exclusivamente médias, chamadas depoentes: ό e ἔ (futuro do verbo ἰ ί - ser).
c)[...] ἰ ό ὴ έ ἰ ή ἐ ί ἐ ό ἰ
ή . (Apol. Biblio. 2.5.4) - [...] empurrando o animal para a neve caída e amarrando-o, levou - o para Micenas.
d) ύ ἰ ὼ ἐ έ Ἡ ὑ έ ώ [...](Apol. Biblio. 2.5.9)
- Após vê-la exposta, Héracles prometeu salvá-la.
e) ύ ὲ ἦ Ὠ ῦ ί έ , ῦ ά ῖ
(Apol. Biblio. 2.5.10) – Era Eritéia, ilha situada próximo do Oceano, a qual agora se chama Gadeira.
Enquadrar os verbos na categoria de processo espontâneo não é uma tarefa simples, ainda mais diante do limite estreito que separa essa classificação das ocorrências médio-passivas. De maneira geral, entendemos que o principal sentido encontrado nesses exemplos esteja ligado à existência. Os verbos em c e d deixam esse aspecto mais claro; já em e, chamar, dependendo do contexto, poderia incidir em outra categoria; no entanto, nesse exemplo, entendemos no sentido de existência, visto que a Ilha Gadeira é chamada dessa forma, consistindo num sujeito paciente e uma frase ausente de um agente iniciador. É interessante salientar que muitos verbos médios gregos que denotam processo espontâneo possuem uma forma ativa em oposição, tal qual mostramos nas tabelas 12, 13, 14 e 15.
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Tabela 12 - Verbos de processo psicológico com entidades orgânicas
Verbos de processo psicológico
Envolvendo entidade orgânicas
ἀ ό morrer, perecer ἀ ό destruir, matar ὐ ά crescer ὐ ά aumentar, crescer ί nascer, tornar-se não há forma ativa correspondente ή apodrecer ή tornar podre
έ crescer έ fazer crescer ί perecer ί destruir, arruinar ύ nascer ύ produzir, engendrar
Tabela 13 - Verbos de processo psicológico com entidades inorgânicas
Verbos envolvendo entidades inorgânicas
ί queimar ί queimar
ή emperrar ή fazer sólido ί preencher ί preencher ῥή quebrar ῥή quebrar
ή derreter ή derreter έ espalhar έ derramar
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Tabela 14 - Verbos que envolvem mudanças nas propriedades físicas
Verbos de mudanças nas propriedades físicas
ί ficar branco ί tornar branco ἐ ί avermelhar ἐ ί tornar vermelho
ί secar ί ω secar έ aquecer έ esquentar
έ secar não há forma ativa correspondente ύ secar ύ esfriar, secar
Tabela 15 - Verbos de aparecimento e desaparecimento
Verbos de aparecimento e desaparecimento
ἀ ί desaparecer ἀ ί ω remover
ί tornar-se visível, aparecer ί fazer aparecer, mostrar ά tornar-se visível ά tornar visível
A existência de uma contrapartida ativa na maioria dos verbos médios que indicam processo espontâneo reforça o conceito de motivação anteriormente tratado nessa dissertação. Diante da coexistência de duas possibilidades de construção verbal, um falante do grego antigo identificava, a princípio, uma distinção entre os sentidos ativos e médios, saliente o suficiente a ponto de tornar motivada essa escolha. Em Apolodoro, o verbo médio de processo espontâneo mais recorrente foi ί 38, tal
como no primeiro exemplo encimado. Em português, existem algumas construções cujo sentido da construção verbal se mostra problemático, como em: o macarrão cozinhou muito; o gelo derreteu; as flores crescem radiantemente. Nessa orações, o verbo está na voz ativa, porém o sujeito é paciente, e o sentido da oração é passivo. Esse tipo de construção permanece uma das possibilidades de emprego da voz média, desaparecida em línguas modernas como o português, porém existente e producente no grego antigo.
73 O processo espontâneo é tratado na teoria linguística de diversas maneiras e, por conseguinte, denominado de diferentes modos se percorrermos alguns dos autores envolvidos nesse estudo. Geniusiene (1987), Haspelmath (1990) e Andersen (1994) usam o termo anticausativo (anticausative); Gerritsen (1990) utiliza-se de processo decausativo (decausative processual), enquanto Rijksbaron (1994) elege o termo pseudo-passivo. A definição de processo espontâneo, adotada por Allan (2004) e usada neste trabalho, surgiu, a priori, em Kemmer (1994). Langacker (1991) trata essa questão de maneira bastante interessante, visto que utiliza o termo construção absoluta, pois "a construção de uma relação (especialmente uma relação temática conceitualmente autônoma) sem referência à causação ou à energia que a dirige ou a sustenta". Para o autor, torna-se claro entender esses exemplos como um fato que podemos conceber como portador de uma entidade que de modo autônomo passa por uma mudança sem o causador externo, enquanto esse causador somente pode ser imaginado em relação a uma causa, tal qual exemplificado nos exemplos abaixo:
a) The wind caused the tree to fall b) The tree fell over
c)*The wind caused
As situações podem ser explicadas com relação ao causador e o causado, como em a, ou, de modo autônomo, apenas com relação à entidade que sofre uma mudança, tal como em b. O último exemplo não possui sentido, como se não se referisse a uma mudança induzida a alguma entidade. Para Kemmer (1994), o processo espontâneo é semanticamente médio, "já que a entidade afetada não é somente o Endpoint, mas também é conceituada como Initiator". Para a autora, há duas formas de entender um evento como espontâneo: a) nenhuma entidade saliente está disponível, podendo ser apresentada como initiator do evento, como no caso de notar uma maçã apodrecendo espontaneamente, já que nada pode ser identificado, ou concebido aquilo que o provoca. Em grego, são os verbos ή , apodrecer, e ἰό , enferrujar. O outro sentido é b) em que há uma entidade presente na cena que pode ser vista como uma causa(causadora), porém, há uma opção do falante em não enfatizar o papel da entidade
74 no evento por motivos pragmáticos39. Há um número considerável de verbos médios em que o sentido do evento denota a existência de um agente iniciador externo e aqueles em que tudo ocorre de forma autônoma. αί α queimar; ser queimado; ὄ υ α perecer; ser destruído; πή υ α fixar; ser fixado; ή υ α romper, ser quebrado; ή
derreter, ser derretido. Conforme ressaltamos, é difícil precisar quando lidamos com um processo espontâneo ou com um sentido tipicamente passivo. Novamente, diante de uma língua literária, a falta de falantes elimina uma ferramenta que tornaria possível tornar mais precisa essa distinção e nossa classificação fica restrita diante das inferências serem feitas com base, unicamente, num texto escrito.