• Sonuç bulunamadı

Öğretmen Adaylarının Belgesel Destekli Tarih Öğretimi Konusunda

II. BÖLÜM

4.2. K ONU İ LE İ LGİLİ B ULGULAR VE Y ORUMLAR

4.2.2. Öğretmen Adaylarının Belgesel Destekli Tarih Öğretimi Konusunda

Nesta seção abordaremos os verbos chamados depoentes, classificação essa que, inclusive, gera algumas divergências entre alguns estudiosos. De maneira geral, verbos depoentes são tratados como uma classe à parte, o que pode ser justificado pelas divergências semânticas encontradas nesses verbos do grego antigo: por exemplo, ἀ ί α , competir, ἀ οάο α , ouvir, ἄ ο α , pular, ού ο α querer, ί ο α nascer, tornar, έχο α , aceitar, ἐπίσ α α , saber, έ χο α , ir, ὔχο α , rezar, ο ίζο α calcular, πυ ά ο α , aprender, ouvir, inquerir. Salientam-se as diferenças também do ponto de vista morfológico, se pensarmos que as formas aoristas desses verbos ora são sigmáticas, ora passivas ou mesmo atemáticas35. Conforme mencionamos, na maioria das vezes, os verbos depoentes são citados à parte, em métodos de ensino ou mesmo em gramáticas, o que, a princípio, tornaria essa uma categoria particular. No entanto, as definições acerca dos depoentes se restringem, muito frequentemente, ao fato de essas formas verbais não possuírem um verbo ativo em oposição. Resta a pergunta: os verbos depoentes, embora particulares por não possuírem uma oposição ativa, também são classificados como os demais médios? Segundo Allan (2003), existem problemas na separação dessa classe de verbos. Primeiramente, há um problema quanto ao critério utilizado na análise: de um lado, para verbos médios com oposição ativa, baseia-se no aspecto semântico, por exemplo, a média reflexiva indireta difere pelo traço semântico sujeito que extrai benefício da ação, e a forma médio-passiva difere pelo fato de possuir um sujeito, semanticamente, paciente. Os verbos depoentes são caracterizados pela não existência de uma forma ativa, critério que se torna ortogonal em relação ao critério semântico utilizado nos verbos médios com oposição ativa. Segundo o autor:

Muitos verbos depoentes são semanticamente muito próximos aos verbos médios com oposição ativa. Não seria, portanto, natural tratá-los como uma classe a parte pela única razão de não possuírem uma forma ativa em oposição. Um bom exemplo é o verbo depoente α , gostar, que é semanticamente próximo ao verbo ὐφ α αί α , alegrar-se (que possui a forma ativa causativa ὐφ αί , alegrar) e o verbo homérico έπ α ,

alegrar alguém (com forma ativa causativa έπ , alegrar) [...]. Verbos depoentes geralmente fazem a mesma escolha tanto para o aoristo sigmático

35 Para maior detalhes, cf. Allan(2003) cap.3

62 quanto para o aoristo passivo que as formas médias com oposição ativa do mesmo conteúdo semântico. (p.35)

Exemplos de verbos depoentes em grego antigo classificados por Allan (2003):

a) Verbos depoentes com sujeito beneficiário/recipiente: έ α aceitar/receber; ἐ ά α trabalhar/fazer; ά α adquirir.

b) Verbos depoentes de movimento corporal: α pular; ἔπ α seguir; ἔ α ir; πέ α , voar.

c) Verbos depoentes de emoção e cognição: α α supor; α estar pesaroso; α querer; ἔ α α amar; α aproveitar; α pensar; πυ ά α aprender/ouvir.

d) Verbos depoentes de atividades mentais volitivas: ί α calcular; α ά α , conspirar.

e) Verbos depoentes recíprocos: ἀ ί α disputar; ά α , lutar.

f) Verbos depoentes de percepção: ἀ ά α ouvir; έ α perceber; ά α contemplar; φ αί α cheirar; έπ α olhar.

g) Verbos depoentes de atos de fala: αἰ ά α , acusar; ἀ ά α , rezar; φύ α lamentar; α ύ α chamar como testemunha; υ έ α falar.

Verbos depoentes com sujeito beneficiário/recipiente são equivalentes aos médios com oposição ativa classificados como reflexivos indiretos. Já os de movimento corporal são equivalentes aos pseudo-reflexivos. Verbos depoentes de emoção e cognição podem se equivaler aos pseudo-reflexivos propostos por Rijksbaron (1994) φ έ amedrontar; φ έ α temer. Por fim, os verbos de (d) a (g) podem ser incluídos como extensões na estrutura polissêmica dos verbos médios com oposição média que também recebem essa classificação, algo que será tratado com maior detalhe no capítulo 2. Com efeito, em nossa análise, a categoria de verbos depoentes do grego antigo possui, de fato, a particularidade de não apresentar uma forma ativa em oposição; no entanto, essa diferença não se torna motivo suficiente para classificá-la à parte dos demais verbos médios, uma vez que, do ponto de vista semântico, todos apresentam os mesmos traços que os definem como médios e, por conseguinte, podem se enquadrar num mesmo mapa semântico de classificação.

Finalmente, resta uma última questão acerca da voz média, que envolve a abordagem acerca da valência dos verbos. Conforme salientamos, seguimos a ideia de

63 que a voz média apresenta o traço de afetação do sujeito, porém, há trabalhos que salientam que a voz média é, na verdade, uma marca de redução na valência, significando que os predicados transitivos são intransitivados pelos morfemas mediais. Segundo Marguilés (1929):

Se assumirmos o fato de que não há um sufixo responsável por tornar intransitivo um verbo, então, não parece muito ousado assumir que a função inicial da média seria a de intransitivar o verbo.36 (p.37)

O problema das teorias que tratam da redução da valência para a voz média grega está justamente ligado ao fato de existirem, nessa línguas, os verbos depoentes e, consequentemente, verbos médios sem oposição ativa. Ou seja, esses verbos não podem derivar de um predicado ativo e relegar esses verbos ao léxico seria negligenciar a unificação da categoria voz média. Além disso, muitos verbos médios em grego são transitivos, tal qual sua oposição ativa, o que enfraquece esse argumento. Cabe ressaltar que a maioria dos verbos médios intransitivos são mais frequentes nos textos do que seu correspondente ativo. Em Heródoto, por exemplo, encontramos a distribuição explicitada na tabela 1137:

Tabela 11 - Distribuição de verbos ativos e médios em Heródoto

Verbos ativos transitivos Verbos médios intransitivos

αἰ ύ 1 αἰ ύ α 3 ἀπα ά 2 ἀπα ά α 86 αὐ ά 1 αὐ ά α 13 ἐ ί 2 ἐ ί α 5 ἔ π 0 ἔ π α 9 1 α 39 47 α α 85 ή 0 ή α 7 ί 40 ί α 26 ίπ 36 ίπ α 16 υπέ 6 υπέ α 2 ή 0 ή α 30 36Tradução nossa. 37 Extraído de ALLAN, 2003, p.38

64

Verbos ativos transitivos Verbos médios intransitivos

ά 2 ά α 93 παύ 14 παύ α 45 π ί 47 π ί α 95 π ύ 0 π ύ α 75 ήπ 0 ήπ α 4 έ 9 έ α 20 ή 2 ή α 3 έπ 8 έπ α 94 έφ 15 έφ α 11 φαί 14 φαί α 141 φ έ 2 φ έ α 21 φύ 8 φύ α 28 φέ 118 φέ α 16 ύ 0 ύ α 8

Os dados da tabela 11, uma vez que mostram que na maioria dos exemplos a construção média intransitiva é mais frequente do que a ativa, afastam a hipótese de que, então, esses verbos seriam derivados de ativos transitivos. Conforme mencionamos, muitos verbos médios são transitivos o que acaba, portanto, por reduzir a plausibilidade da teoria de redução de valência.

Vimos, neste capítulo, que as gramáticas tradicionais do grego antigo, bem como as teorias linguísticas ao longo do tempo, reconhecem a existência de três vozes na língua grega: ativa, passiva e média. A ativa é definida como portadora de um sujeito agente que incide num objeto paciente e, prototipicamente, possui predicados transitivos e uma diátesis que pode envolver, do ponto de vista funcional-cognitivo, os protótipos de manipulação, transferência e traslado. A passiva, por sua vez, remete-nos a um sujeito paciente, que recebe a ação expressa pelo verbo, cujo agente nem sempre é explícito, e com uma diátesis variando entre dinâmica, estática, facilitadora e impessoal. Em relação à voz média, a dificuldade de defini-la proporcionou, se pensarmos numa análise diacrônica acerca dos estudos linguísticos, inúmeras tentativas de definições, culminando nas abordagens mais recentes, cujas novas análises e

65 conclusões também se explicam pelo surgimento das novas ferramentas tecnológicas para o auxílio nas pesquisas linguísticas, tais como os trabalhos baseados em corpus que abarcam os aspectos semânticos e funcionais-cognitivos da voz média. Optamos por expor um panorama que resumisse os trabalhos acerca da medial ao longo do tempo, desde as definições dos gramáticos gregos, até os trabalhos de pesquisa linguísticas iniciados no século XX. Percorrido esse caminho histórico, o traço que selecionamos para defini-la é aquele empregado por Allan (2003), que a voz média apresenta o traço de afetação do sujeito, contemplando onze diferentes classificações semânticas. A fim de entender como essa noção se aplica no grego antigo, salientamos a importância de se compreender os papéis semânticos dos sujeitos oracionais e também apresentamos o modelo cognitivo "Bola de Bilhar", criado por Langacker (1994), por meio do qual o autor nos mostra como se dá o mecanismo de transferência de energia em orações transitivas. Além disso, expusemos noções de Initiator e Endpoint, presentes em alguns estudos e, principalmente, formalizadas por Kemmer (1994); dessa maneira, por meio da transitiva prototípica, pudemos entender como as relações sujeito-objeto diferem no sentido empregado nessas três vozes verbais e, principalmente, como resulta na afetação do sujeito, quando tratamos de um verbo médio. Propusemos esclarecer alguns conceitos divergentes nas teorias verbais, tal qual o de diátesis, propondo uma definição para esse conceito e mostrando como ela opera nas vozes ativa, média e passiva do grego antigo, de modo a tratar das variantes de sentido que pode existir em cada uma dessas vozes. Ademais, foi dada especial atenção a como as novas teorias linguísticas vêm tratando a questão das vozes verbais, em especial à média, como no caso do trabalho de Kemmer (1994) e, especificamente no grego antigo, a teoria funcional- cognitiva de Vasquez-Yamuza (1999) e Allan (2003). Por fim, abordamos a questão dos verbos depoentes na língua grega, os quais só possuem forma média, sem uma oposição ativa, e como eles devem ser inseridos na categoria voz média, ao invés de serem tratados como uma categoria à parte. Complementando isso, tratamos brevemente da questão da valência, negando que a proposta de que a voz média apresenta uma redução de valência em relação à voz ativa, o que resultaria na perda de transitividade do verbo. A partir do capítulo 2, trataremos das onze categorias semânticas de classificação da voz média propostas por Allan (2003), definindo cada uma delas, analisando sua veracidade para com os exemplos coletados em nosso corpus, em busca do mapa semântico da voz média e da categoria prototípica.

66

Capítulo 2 - Classificação preliminar dos usos da voz média no corpus de