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U M O U T R O R O T E I R O

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U M O U T R O R O T E I R O :::::

1 Poderá ser visto, neste capítulo, o grau de envolvimento dos protestantes, sobretudo dos presbiterianos, na reforma do ensino efetuada por Caetano de Campos e Rangel Pestana, em princípios da década de 1890, na cidade de São Paulo.

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que que seus alunos tomassem contato com bibliografia, mobiliário, didáticas, datas comemorativas e professores norte-americanos, o que permite propor a tese de que significativa parcela dessa clientela, formada em instituições moldadas por este projeto educacional, interpretou os Estados Unidos como um local adequado para a obtenção de diplomas profissionais. Ou seja, sustenta-se a hipótese de que quem foi educado segundo os moldes norte-americanos, nos anos de formação básica, tendia a continuar seus estudos superiores nos mesmos parâmetros, como um desdobramento natural. É, pois, vasculhando esta conexão educacional que se explicará, neste capítulo, o porquê de muitos brasileiros terem rumado aos Estados Unidos em busca de uma profissão de nível superior,2 buscando um outro roteiro, não-europeu,

para obterem tituIação (FREITAS, 2002: 233-234).

3.1 – “Espalhando Sementes”: A Atuação de Educadores Norte- 3.1 – “Espalhando Sementes”: A Atuação de Educadores Norte- 3.1 – “Espalhando Sementes”: A Atuação de Educadores Norte- 3.1 – “Espalhando Sementes”: A Atuação de Educadores Norte-

3.1 – “Espalhando Sementes”: A Atuação de Educadores Norte-Americanos no BrasilAmericanos no BrasilAmericanos no BrasilAmericanos no BrasilAmericanos no Brasil

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ligação entre o protestantismo trazido por norte-americanos e a educação, no Brasil, tem sido abordada por alguns pesquisadores da área da Pedagogia e da Teologia.3 Neste rol destacam-se, sobretudo, os

trabalhos acerca das iniciativas presbiterianas no setor escolar, uma vez que esta religião teve a primazia na criação e no desenvolvimento de escolas e de cursos superiores no país,4 que seguiram a estrutura

educacional norte-americana. Ao lado dos presbiterianos, devem ser colocados, também, os metodistas e os batistas que, ainda durante o século XIX, se valeram de escolas como forma de expandir suas missões no país.

O método dos missionários estadunidenses na área da educação foi, ao lado de outros já discutidos anteriormente, um dos mais eficazes na transmissão de imagens e conceitos sobre os Estados Unidos, aos brasileiros. Uma importante relação a ser frisada é a que vincula o incremento do campo educacional ocupado pelos protestantes, no país, à divulgação e às interpretações políticas da República Norte- Americana, aqui chegadas desde o século XVIII, à época da Inconfidência Mineira, mas ampliadas, de fato, na segunda metade do século XIX, no período antecedente à Proclamação da República (CALMON, 1944: 31-32). Com o avançar do século XIX, e com o aumento do número de adeptos da causa republicana por aqui, os protestantes foram ganhando terreno e prestígio junto à elite nacional. Como analisa o historiador Oswaldo Hack,

“a efervescência política e social do Brasil, no período que caracterizou a preparação do ambiente para a libertação dos escravos e a proclamação da República, era alimentada não só pelo Parlamento e pelos

2 Por outro lado, quase que num processo especular, analisar- se-ão as contribuições de alguns profissionais norte- americanos para a consolidação dessa imagem atraente dos Estados Unidos, no Brasil, seja por meio da educação, seja por meio da arquitetura, sobretudo, no quarto tópico deste capítulo.

3 Ver a este respeito as obras de HACK, Oswaldo (2002). OOOOO Mack

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Mackenzie College e o ensino superior brasileirenzie College e o ensino superior brasileirenzie College e o ensino superior brasileirenzie College e o ensino superior brasileiro:enzie College e o ensino superior brasileiro:o:o:o: uma proposta de universidade; MENDES, Marcel (2000). Mack

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Mackenzie no Espelhoenzie no Espelhoenzie no Espelhoenzie no Espelhoenzie no Espelho; MESQUIDA, Peri (1994). Hegemonia norte-americana e educação pr

Hegemonia norte-americana e educação pr Hegemonia norte-americana e educação pr Hegemonia norte-americana e educação pr

Hegemonia norte-americana e educação protestante nootestante nootestante nootestante nootestante no Brasil

Brasil Brasil Brasil

Brasil; ELIAS, Beatriz Vicente (2005). Inovação americanaInovação americanaInovação americanaInovação americanaInovação americana na educação do Brasil;

na educação do Brasil; na educação do Brasil; na educação do Brasil;

na educação do Brasil; BENCOSTTA, Marcus (1996) IdeIdeIdeIdeIde por T

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por Todo Mundo:odo Mundo:odo Mundo:odo Mundo:odo Mundo: a província de São Paulo como campo

missionário presbiteriano – 1869-1892; GARCEZ, Benedito Novaes (1970) MackMackMackMackMackenzieenzieenzieenzieenzie, entre muitos outros. 4 Apesar de outras tentativas, os presbiterianos se debruçam, de fato, sobre o Ensino Superior com o Mackenzie College, transformado, nos anos 1970, em Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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clubes, mas também pelas lojas maçônicas, das quais as elites intelectuais e líderes norte-americanos de áreas empresariais ou religiosas participaram ativamente. (...) As novas idéias oriundas dos Estados Unidos, em franco desenvolvimento e com projeção mundial, foram recebidas com boa dose de otimismo. (...) A presença da educação protestante [sobretudo] na província de São Paulo respondia à convicção da elite intelectual e política portadora de ideais liberais norte-americanos, buscando o progresso e a Modernização” (HACK, 2002: 44-45).

O texto de Hack permite expor, de imediato, uma das condições basilares da implementação do ensino protestante no país: o relacionamento da elite republicana brasileira com a idealização da sociedade norte-americana. Personagens ligados à história do republicanismo no país, como Prudente de Moraes, Cincinatto Braga, Rangel Pestana, Campos Sales,5 entre outros, foram muito próximos do ensino protestante

de ascendência norte-americana, por julgarem que os missionários, mais do que mensageiros da salvação cristã, eram propagadores do mundo americano e de seus símbolos, como a liberdade política e o desenvolvimento capitalista. Como analisa a historiadora Ana Maria Costa de Oliveira, este relacionamento se efetivou porque vinha

“ao encontro dos interesses de facções político-sociais brasileiras, que se empenhavam, quer na luta pela substituição da mão de obra escrava e na conseqüente abolição da escravatura, quer na expansão do comércio e da indústria, já visualizando uma diversificação na área econômica dedicada exclusivamente à monocultura latifundiária do café, quer na pregação do regime republicano” (OLIVEIRA, 1995: 14).

Um exemplo bem elucidativo do interesse da elite política e econômica brasileira pelo campo educacional estadunidense é o de Prudente José de Moraes Barros. Ituano e primeiro presidente civil do país (1894– 1898), ele possuía divergências com os métodos de ensino católicos que, em sua interpretação, reforçavam o caráter imperial da sociedade brasileira e, obviamente, opunham-se aos seus interesses políticos e econômicos, sobretudo pela manutenção da escravidão como base do trabalho. Ciente da atuação de professoras americanas em São Paulo, no Colégio Pestana,6 Prudente de Moraes contatou, na segunda

metade da década de 1870, o pastor metodista Junius Newman para a fundação de uma escola que aplicasse os “métodos americanos” de ensino. Esta escola, como informa Hack, ficou conhecida como Colégio Newman e foi fundada em 1879, valendo-se, em seu corpo docente, das professoras Annie e Mary Newman. Annie Newman foi a professora norte-americana que lecionou para Rangel Pestana, em São Paulo, e de quem Moraes tivera notícia para contatar esta família. A proposta do Colégio Newman era a de criar uma escola para moças brasileiras, visando a formação de professoras. A experiência malogrou, conforme narra Hack, mas foi revista e ampliada por outra metodista, a professora e missionária Martha

5 O sítio do Colégio Batista Brasileiro, de São Paulo, traz informações de que Campos Sales, no final de seu mandato como presidente, trocava correspondências com os missionários William Bucky e Ana Luther Bagby, fundadores da instituição. “Em uma de suas cartas, revelou que sua família tinha sido educada em escolas evangélicas. Isso levou os missionários a refletirem na idéia de reforçarem sua atuação com a fundação de um Colégio”, o que ocorreu em 1902. O então-presidente referia-se à Escola Americana, mais tarde Mackenzie College, na carta. (CBB, disponível em www.batistabrasileiro.com.br/home/institucional/ nossahistoria.asp). Acesso em 04 nov 2006.

6 O Colégio Pestana pertencia ao jornalista, professor e republicano Rangel Pestana; foi fundado no Brás, em São Paulo, no início da década de 1870.

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Hite Watts, que iniciou o Colégio Piracicabano, em 1881, núcleo original da futura Universidade Metodista de Piracicaba.

Revelando métodos de educação bem diferenciados dos encontrados no país nessa época,7 como mostra

o artigo da jornalista Beatriz Vicentini Elias sobre o Colégio Piracicabano, as mudanças implantadas por Watts, “começavam pelos prédios próprios, com arquitetura que os distinguia pelas salas amplas e construídas especificamente para o ensino” (ELIAS, 2005: 82). A mesma autora ainda complementa dizendo que as classes eram mistas, com mobiliário individualizado, repletas de mapas de história e geografia, além de “cartazes com esqueleto do corpo humano, pesos e medidas para o ensino do sistema métrico, microscópios”, e outros suportes didáticos para o ensino, que era ministrado sem castigos físicos e sem a necessidade de memorização de pontos escolares (ELIAS, 2005). A política educacional calcada em salas de aula com freqüência mista, e sem o ensino da religião oficial do Império8 (católica romana) acarretou,

logo no início de funcionamento do Colégio Piracicabano, críticas e punições por parte do Inspetor Geral do Ensino de São Paulo, as quais foram rebatidas por Rangel Pestana,9 que replicou dizendo que os

mestres protestantes possuíam “critérios saudáveis” para conduzir uma escola mista (HACK, 2002: 63).

Esta iniciativa dos metodistas no interior do estado de São Paulo não deve ser vista como uma atitude isolada, já que sua proposta educacional frutificou por todo o país.10 Uma das razões da expansão da fé de

John Wesley11 era que ela, assim como outros grupos protestantes do período, procurava arrebanhar

filhos de políticos que estavam em litígio explícito com a Corte, ajudando a passar a imagem de que era liberal e não-discriminatória. Mesmo que explicitamente vinculados a denominações reformadas, geralmente os colégios protestantes não obrigavam seus freqüentadores a se converterem, muito embora esta fosse uma questão capital para os mantenedores das obras missionárias e um dos pontos de maior debate no seio da elite brasileira.

Antônio Gouvêa Mendonça, estudando a inserção do protestantismo no Brasil, indaga sobre quais teriam sido as razões que levaram os missionários a essa preocupação com a educação, paralelamente à propaganda religiosa.

“Poderia haver algum traço de espírito filantrópico diante da escassez de instrução vigente que chocava os norte-americanos? (...) Por outro lado, a carência de instrução podia ser um notável empecilho ao aprendizado da doutrina protestante, todo calcado na leitura da Bíblia, livros, revistas e jornais, que logo começaram a ser

7 Embora os jesuítas tivessem sido expulsos do país, no período pombalino, os castigos e punições físicas, herdados do seu método educacional, ainda prevaleciam no século XIX. 8 O artigo quinto da Constituição Imperial de 1824 definia como religião oficial do Estado o catolicismo romano e proibia que as demais religiões usassem, para seus locais de culto, edifícios com a forma tradicional de templos religiosos. 9 Rangel Pestana fora ligado não só ao grupo que fundou o Colégio Newman, mas, antes também, fora docente do Colégio Internacional de Campinas, iniciativa de missionários presbiterianos, analisada adiante, neste capítulo. Ressalte-se, também, que Pestana mantinha relações pessoais com Prudente de Moraes, o que explica, de certo modo, o porquê de sua manifestação a favor do Colégio Piracicabano.

10 Depois do Colégio Piracicabano, em Piracicaba, foram fundados a Escola do Alto, no Rio de Janeiro, em 1888; o Colégio Americano, em Petrópolis, em 1895; o Colégio Metodista, em Ribeirão Preto, em 1899, e o Colégio Isabela Hendrix, em Belo Horizonte, em 1904. Como esclarece Beatriz Elias, “todas essas escolas priorizavam a educação da mulher e receberam contribuições da Woman’s Missionary Society, ou seja, de membros de igrejas metodistas americanas, que recolhiam contribuições mensais voluntárias” com o propósito de sustentar missões estrangeiras (ELIAS, 2005: 82).

11 John Wesley, o criador do Metodismo na Inglaterra, no século XVIII, intentava uma reforma da religião Anglicana, mas, por ter sido incompreendido, acabou montando uma nova denominação religiosa que conheceu grande expansão

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Fig. 112 - Alunos metodistas em frente ao Colégio Piracicabano, por volta de 1906. Fonte: ELIAS, 2005.

Fig. 113 - Sede do Colégio Batista Americano [Gilreath], de Recife. Fonte: www.americanobatista.com.br. Acesso em 04 nov 2006.

Fig. 114 - Prospecto do Colégio Internacional de Campinas, conhecido como Instituto de Campinas, por um curto espaço de tempo. Fonte: BENCOSTTA, 1996.

Fig. 115 - Fotografia da sede definitiva do Colégio Internacional de Campinas, no bairro Guanabara. Fonte: MATOS, 2004.

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publicados por iniciativa das missões. (...) Daí não ser difícil concluir que a evolução do protestantismo dependia, em grande dose, da alfabetização de seus adeptos e, em especial, da criança” (MENDONÇA, 1984: 98).

Mas, bem mais que isso, como bem aponta Ana Maria Costa de Oliveira:

“a necessidade de suprir lacunas no campo cultural, educacional e religioso, fundamental para a sobrevivência ideológica do projeto de imigração norte-americana, já que não podiam encontrar correspondência nas instituições católicas tradicionais brasileiras, sulcou o veio para a infiltração da proposta liberal norte-americana, que encontrava respaldo ‘nas forças liberalizantes do país’” (OLIVEIRA, 1995: 14).

Nota-se, então, que, embora tivesse havido, dentro do seio das instituições protestantes, certa dúvida acerca da vinculação de suas expansões religiosas através da constituição de igrejas ou de escolas, - debate conhecido, respectivamente, pelos nomes de sistema evangelístico direto e indireto -, algo muito claro estava colocado pelos imigrantes norte-americanos, que seduzia os políticos brasileiros: a idéia de que a ação missionária ultrapassava o universo religioso, pois envolvia a divulgação de valores culturais e éticos norte-americanos e, conseqüentemente, atingia setores da prática econômica. Esta espécie de explanação dos protestantes acerca de suas intenções provocou uma nítida condescendência das autoridades brasileiras com suas escolas, mas permitiu que os missionários fossem, na prática, aliando educação e evangelização, sobretudo no que concerne à transmissão de uma moral protestante, em suas instituições.12

Embora os batistas13 explicitassem que a “expansão da fé reformada” por meio de igrejas fosse a prioridade,14

é possível detectar algumas mensagens subliminares deixadas na constituição das escolas que fundaram pelo Brasil. Conforme avançava a aceitação das religiões protestantes, e da Batista, em particular, como demonstra o gráfico 1, a sociedade brasileira começava a ser introduzida ao “mundo americano” de forma mais veemente. Isso se dava pela própria nomenclatura das instituições, que, via de regra, valiam-se do termo Americano como forma de adjetivar os colégios, imputando-lhes distinção social por sua origem em uma sociedade diversa da brasileira. Mas, mais que isso, era possível perceber, já nas primeiras décadas do século XX, que a própria arquitetura de tais edifícios escolares seguia modelos estadunidenses, enfatizando a adjetivação iniciada com a nomenclatura das iniciativas. O exemplo mais contundente, neste sentido, vem das informações contidas no sítio eletrônico do Colégio Batista Americano de Recife, outrora conhecido como Colégio Americano Gilreath. Fundada em 1905, pelo missionário W.H. Canada, e expandida por seu colega H.H. Muirhead, a escola,após a aquisição de uma chácara nos arrabaldes dessa cidade, começou

entre os puritanos que imigrariam aos Estados Unidos. 12 Ana Maria Costa de Oliveira fornece uma lista com nomes de colégios fundados pelas missões protestantes no país, que permite acrescentar alguns nomes aos tratados neste capítulo, como: “Colégio Granberry (primeira Faculade de Farmácia e Odontologia do Brasil), Minas Gerais, 1889 e Colégio Americano de Taubaté, Taubaté, 1890” (OLIVEIRA, 1995: 180).

13 O primeiro colégio Batista fundado no país foi o Colégio Americano, em Salvador, em 1898, seguido do Colégio Batista Americano de São Paulo, em 1902; do Colégio Batista Americano de Recife [Gilreath], em 1905, e do Colégio Batista Brasileiro, no Rio de Janeiro, em 1908.

14 Os líderes batistas decretaram em sua assembléia nacional, em princípio do século XX, que: “a educação segue a evangelização e não a evangelização a educação. Ademais, a experiência nos ensina que as grandes quantias derivadas da evangelização e despendidas na construção de grandes colégios prejudicam a causa do Evangelho e retardam seu progresso. A pátria brasileira jamais seria evangelizada pelos colégios” (CABTREE, 1962, citado por HACK, 2002: 58).

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“a construção de seu primeiro edifício,15 que levaria o nome do professor Alfredo Freyre16, (...) diretor do

colégio. A idéia original era que o prédio reproduzisse a fachada da Casa Branca,17 sede da presidência dos

Estados Unidos” (Disponível em www.americanobatista.com.br. Acesso em 04 nov 2006).18

Outros desdobramentos dessa ascendência americana entre os colégios batistas no Brasil podem ser sentidos na auto-identificação desses institutos educacionais como os introdutores de signos da vida americana no país, como o volleyball, que se tornou prática esportiva regular nas escolas do Brasil. Outra transmissão de emblemas norte-americanos foi a fundação do primeiro centro de ensino de datilografia de Recife, montado dentro do Colégio Americano desta cidade, e batizado com o nome da célebre empresa de máquinas de escrever Remington (Disponível em www.americanobatista.com.br. Acesso em 04 nov 2006).

Já os presbiterianos, apesar de debaterem as duas formas de evangelismo (direto ou indireto), tiveram de superar outra dicotomia: a presença de dois grupos evangelísticos diversos, embora ambos fossem procedentes dos Estados Unidos. Oficialmente, o introdutor do presbiterianismo no país foi o pastor Ashbel Green Simonton, natural de West Hanover, Pennsylvania, chegado ao Rio de Janeiro em 1859. Ele era enviado da Junta de Missões Estrangeiras do Norte dos Estados Unidos19. Cerca de uma década

depois, os pastores missionários George Nash Morton e Edward Lane, ligados à Junta de Missões Estrangeiras do Sul daquele país aportaram também, fixando-se no interior da, então, Província de São Paulo (MATOS, 2002: 8).

Estes dois grupos missionários reproduziram, mesmo que somente por alguns anos, no Brasil, a divisão tomada pelo presbiterianismo nos Estados Unidos, em função da Guerra Civil.20 Com a beligerância entre

o norte e o sul, também a Igreja Presbiteriana sofreu um cisma, dividindo-se, em 1861, em duas.21 A

Igreja dos estados do norte passou a ser chamada de Presbyterian Church of the United States of América, conhecida pela sigla PCUSA, e a dos estados do sul se tornou The Presbyterian Church in the United States, PCUS. Estas duas células presbiterianas, apesar de conservarem as tradições calvinistas,22 divergiam

com relação às práticas cotidianas de condução da igreja e, principalmente, com relação à escravidão. A igreja do norte possuía uma estrutura administrativa autônoma em relação à do sul.23 Dessa forma, pode-

se entender que Simonton, enviado da Junta de Missões da igreja do norte, também chamada de Board of Foreign Missions ou, simplesmente, Board of New York, chegou ao Brasil e iniciou sua obra missionária em meio urbano, enquanto Morton e Lane foram enviados pelo órgão sulista, chamado de Committee of

15 Ainda existe uma lacuna grande no que tange ao estudo das arquiteturas desses colégios do século XIX. É possível identificar dois motivos para isso. O primeiro diz respeito ao desaparecimento de grande parte dos edifícios desses colégios e, o segundo, concerne a uma questão ideológica, que esmaeceu o estudo sobre o mundo protestante e seus artefatos no Brasil, a ser feito urgentemente.

16 Alberto Freyre era pai do intelectual brasileiro Gilberto Freyre, ex-aluno e professor do Colégio.

17 A arquitetura da “Casa Branca” é pertencente ao Federal Style, nos Estados Unidos. Este estilo arquitetônico, originalmente chamado de Adam Style, por causa do arquiteto Robert Adam, que lhe deu força, no século XVIII, na Inglaterra, foi muito executado nos Estados Unidos após o Processo de Independência das antigas 13 colônias,

sobretudo na construção de edifícios públicos, cujo ápice seria alcançado em Washington D.C. Segundo Philadelphia Architecture: a guide to the city, “o Federal Style é leve e delicado (...), colunas, pilastras e outros ornamentos são estreitos e planos. As janelas são estreitas, com delicadas divisões. A decoração exterior é contida, e usualmente empregada apenas nas portadas. A ornamentação interna é também delicada, com um apurado uso de formas curvas e ovais nas plantas das salas, nas bay-windows, ou nas janelas de ventilação acima das portas principais. O efeito geral é