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BEDENSEL-ZAMANSAL VE MEKANSAL FARKINDALIK İLE DİNAMİK DENGE

Feito esse apanhado sobre o desenvolvimento cultural brasileiro e françês, iremos discutir a partir daqui os reflexos da cultura no contexto organizacional, destacando as possíveis diferenças entre franceses e brasileiros.

D’IRIBARNE (2003, p. 327) observa a existência de três correntes de trabalhos interculturais em estudos organizacionais. A primeira delas procura caracterizar diferentes culturas como um conjunto de costumes e estereótipos. Esses estudos, diz o autor, se apóiam grandemente em impressões, descrevendo as maneiras de ser e agir, e não oferecem uma explicação sobre aquilo que fundamenta tais observações.

A maior parte das comparações internacionais, entretanto, se baseia em surveys feitas através de questionário (D’IRIBARNE, 1996, p. 30).

Esta segunda abordagem resulta em comparações de atitudes entre gestores ou entre trabalhadores de empresas em diferentes países. Tais estudos permitem investigações baseadas em amostras contendo um vasto número de indivíduos em diferentes países, a fim de caracterizar cada cultura através de um conjunto de índices e permitindo situar uns em relação aos outros em uma série de escalas de atitudes (D'IRIBARNE, 2003, p. 327). O trabalho de Hofstede (1980) é considerado como o mais completo estudo desse tipo.

Finalmente, alguns projetos de pesquisa comparativa adotam uma abordagem etnográfica, baseada na observação detalhada e na comparação da vida em unidades de produção, localizadas em vários países e da forma como esses estabelecimentos funcionam. D’IRIBARNE (1996, p. 30) observa que esses estudos estão longe de cobrir a vasta área contemplada pelos demais. Eles procuram atingir uma compreensão fina da influência do contexto cultural sobre as práticas de gestão, sobre a maneira como essas práticas são implementadas e sua eficácia, a fim de alimentar uma melhor adaptação da gestão à diversidade dos países (D'IRIBARNE, 2003, p. 328). O autor ressalta que:

“Nesse tipo de abordagem, a cultura não é vista como um conjunto de estereótipos (visão predominante da primeira corrente), nem como um conjunto de atitudes e valores (a qual anima a segunda corrente), mais como um conjunto de esquemas de interpretação, através dos quais uma situação adquire sentido.” (D'IRIBARNE, 2003, p. 327).

Esses estudos, ao mesmo tempo em que reduzem as possibilidades de comparações imediatas entre culturas, pois não buscam necessariamente elementos comuns a todas elas, permitem aprofundar a reflexão dentro de cada cultura.

Tendo em vista que apenas as abordagens comparativo- quantitativa e etnográfica podem ser consideradas com dentro dos moldes acadêmicos de produção científica, nos focalizaremos nessas duas para tecer uma análise sobre as diferenças culturais entre franceses e brasileiros.

Analisando o trabalho de Hofstede (1980, 2001), veremos que, independentemente da cultura em análise, o autor consegue classificá-la segundo elementos ou traços, considerados não apenas universais – já que estão presentes (podem ser medidos) em todas as culturas –, mas também fundamentais – pois são apresentados pelo autor como os grandes elementos que explicariam o comportamento da sociedade correspondente.

As dimensões de cultura apresentadas por HOFSTEDE (1980) são: distância de poder, aversão a incerteza, individualismo e masculinidade. Na segunda edição de Culture Consequences (2001), uma quinta dimensão é incluída, referente à propensão de uma cultura de atuar segundo uma orientação a longo prazo.

Com base na análise de respostas de questionários aplicados em vários países onde a empresa IBM atua (ou atuava, na década de 70), HOFSTEDE avalia o posicionamento relativo de um país, em cada dimensão (dados os dois polos opostos). Além de apresentar a ‘nota’ de cada país, no que tange uma dimensão específica, o autor procura analisar os fatores culturais e históricos que podem explicar tais diferenças.

Para cada uma dessas dimensões, indicadores são mensurados e convertidos em índices, que representam quão saliente cada uma delas é para cada cultura particular. Isso permite em seguida a comparação entre culturas. Assim, a comparação das culturas brasileira e francesa, com base nos seus índices obtidos para os cinco elementos fundamentais de cultura de Hofstede, poderia ser representada graficamente como a seguir (dados do quinto eixo não são apresentados para a França).

Considerando os índices obtidos para o Brasil e a França em cada uma das dimensões definidas por HOFSTEDE, pode-se observar os reflexos de traços comuns, reconhecidamente latinos, e de diferenças entre as duas culturas.

A figura a seguir ilustra os índices obtidos para Brasil e França nas cinco dimensões de cultura nacional apresentadas por HOFSTEDE – a exceção da dimensão Orientação de Longo Prazo, para a França.

Na primeira edição da pesquisa, as análises de HOFSTEDE (1980) são baseadas em dados de 39 países. As pontuações desses países são retomadas na segunda edição, que passa a contar com 50 países e 3 regiões (HOFSTEDE, 2001). Nesse trabalho, consideramos os resultados da segunda edição, que pode apresentar diferenças quanto as pontuações médias, máximas e mínimas, em algumas dimensões de cultura nacional.

Figura 4: Representação das dimensões de cultura brasileira e francesa

0 50 Distância de poder Aversão ao risco Individualismo Masculinidade Orientação longo prazo França Brasil 0 50 0 50 Distância de poder Aversão ao risco Individualismo Masculinidade Orientação longo prazo França Brasil França Brasil

Fonte: adaptado de HOFSTEDE (2001).

A abordagem de HOFSTEDE inspirou críticas, as quais são importantes de serem comentadas, antes de utilizarmos suas conclusões em nossa análise. McSWEENEY (2002a, p. 1364) aponta que essa teoria

essencialmente reafirma o determinismo cultural nacional. Já D’IRIBARNE (2002, p. 260) observa que a unidade que caracteriza uma cultura não implica acordar valor às mesmas realidades, nem estar pronto para agir de forma concertada em sua defesa, mas utilizar as mesmas referências para situar aquilo que se estima. Em uma mesma sociedade, uma mesma situação não será observada de forma exatamente igual em todas as suas esferas, em todos os grupos sociais ou famílias ideologicas. Por exemplo, existem na

França muitas nuances entre diversas leituras de relações do "paternalismo" (...),

nos trabalhadores menos qualificados e nos profissionais (D’IRIBARNE, 2002, p.

268).

Com efeito, explicar o comportamento dos diferentes atores sociais, quando esses se deparam com todo tipo de situação, através de um índice homogêneo é, no mínimo, otimista. Para McSWEENEY (2002a, p. 1366), o mesmo a priorismo crônico que inviabiliza a mensuração das culturas

nacionais de Hofstede também invalida seus casos ilustrativos. Eles são muitas vezes construídos sem atenção a contra-exemplos facilmente observáveis.

Segundo D’IRIBARNE (1996, p. 43), Hofstede reconhece, por exemplo, que sociedades diversas utilizam formas diferentes de controle de incerteza; entretanto, no momento de construir um indicador de aversão à incerteza, as perguntas feitas são selecionadas sem que haja uma verificação de sua neutralidade quanto aos diversos métodos de controle de incerteza usados em vários países – e essas verificações não podem ser feitas sem uma análise prévia dos métodos empregados nas várias culturas.

Em termos metodológicos, McSWEENEY (2002, p. 39) aponta quatro falhas importantes na operacionalização da pesquisa de HOFSTEDE. Primeira – referindo-se ao número pequeno de observações por país –, cada micro-espaço é considerado típico do nacional, permitindo tirar generalizações sobre uma população nacional inteira, baseando-se somente

em algumas respostas de questionário. Segunda, os respondentes já são previamente programados com três culturas rígidas e não interativas: a ocupacional, a organizacional e a nacional, sendo que as duas primeiras são comuns à toda organização, em qualquer parte do mundo. Terceira, o questionário utilizado para a pesquisa não foi desenvolvido com o propósito de identificar diferenças culturais, assim é provável que ele não seja adequado para tal propósito. E quarta, Hofstede assume que aquilo que foi identificado no ambiente de trabalho não é específico da situação e da interação dos atores nela inseridos.

Entretanto, argumenta SØNDERGAARD (2002, p. 41), o trabalho de Hofstede se tornou um clássico por causa da enorme quantidade de suporte aos resultados obtidos através da pesquisa na IBM. Posteriormente, os resultados da IBM foram validados quantitativa e qualitativamente por centenas de estudos em diferentes disciplinas.

As críticas de McSweeney, diz WILLIAMSON (2002, p. 1391), chamam a atenção dos pesquisadores que utilizam o modelo de Hofstede para três questões importantes. Para o perigo de assumir que todos os membros de uma cultura carregam de forma homogênea os atributos culturais. Para o problema de pensar que os indivíduos são entorpecidos por sua cultura, de forma que a totalidade de seus valores e comportamento pode ser determinada por seu referencial cultural. E para o perigo de confundir os escores das dimensões culturais com os construtos culturais, para os quais eles são apenas medidas aproximadas.

WILLIAMSON enfatiza, entretanto, que rejeitar totalmente o modelo de cultura nacional de Hofstede, ou estudos similares, antes que um modelo mais satisfatório seja desenvolvido, seria jogar fora um valioso trabalho.