1.1. SOSYAL BĠLGĠLER DERSĠNĠN TARĠHÇESĠ
1.2.3. Beceriler
Uma vez explicitado o porquê de se ensinar Biotecnologia nas aulas de Biologia no Ensino Médio é preciso apontar como os conteúdos pertencentes a esse tema deveriam ser trabalhados. Vale lembrar que, assim como nos demais temas da Biologia e nas demais disciplinas do ensino básico, não há uma fórmula mágica para ensinar e garantir que o aluno compreenda o conteúdo, afinal, cada indivíduo aprende de um jeito.
O que serão apresentadas aqui são ideias já publicadas a respeito de metodologias utilizadas para ensinar na disciplina de Biologia e no tema Biotecnologia, cabendo a cada professor e pesquisador utilizar a que se adequar melhor a seu objetivo.
Para iniciar a discussão, admite-se que o processo de ensino deve ser mediado pelo professor e este precisa ter uma formação adequada para desempenhar essa função, Carvalho e Gil-Pérez (2011) indicam uma proposta de: ―o que os professores deverão saber fazer‖, sendo possível fazer uma relação com os saberes docentes, saberes que os professores precisam mobilizar para ensinar. Essa proposta é baseada na ideia de aprendizagem como construção de conhecimento e com características de uma pesquisa científica. Uma proposta baseada na necessidade de transformar o pensamento espontâneo do professor. Os itens constantes dessa proposta são:
―1- Conhecer a matéria a ser ensinada
2- Conhecer e questionar o pensamento docente espontâneo
3- Adquirir conhecimentos teóricos sobre a aprendizagem e aprendizagem de Ciências
4- Crítica fundamentada no ensino habitual 5- Saber preparar atividades
6- Saber dirigir a atividade dos alunos 7- Saber avaliar
8- Utilizar a pesquisa e inovação‖ (CARVALHO E GIL-PÉREZ, 2011, p.18).
Dentre os itens, o conhecer a matéria a ser ensinada ganha destaque entre os professores, porém, o que acontece é que, aqueles que têm o domínio da matéria apenas têm o domínio dos conhecimentos científicos, vistos superficialmente durante a formação inicial. E quando vão para a formação continuada, esses conhecimentos científicos continuam sem ser vistos, pois se considera que estes foram vistos na formação inicial (CARVALHO E GIL- PÉREZ, 2011, p. 22).
Destaca-se ainda que, conhecer o conteúdo da disciplina implica em conhecimentos profissionais muito diversos, como visto no capítulo anterior sobre saberes docente, entre os saberes que os professores mobilizam para ensinar há os disciplinares, os pedagógicos e os curriculares, que vão além do que se habitualmente trata os cursos universitários, os professores devem:
―Conhecer as interações Ciência/Tecnologia/Sociedade associadas à referida construção, sem ignorar o caráter, em geral, dramático, do papel social das Ciências; a necessidade da tomada de decisões. Ter algum conhecimento dos desenvolvimentos científicos recentes em suas perspectivas, para poder transmitir uma visão dinâmica, não fechada, da Ciência. Adquirir, do mesmo modo, conhecimentos de outras matérias relacionadas, para poder abordar problemas afins, as interações entre os diferentes campos e os processos de unificação‖ (CARVALHO E GIL-PÉREZ, 2011, p.23).
Essa formação adequada se faz necessária principalmente quando o professor tem de lidar com conteúdos do tema Biotecnologia, afinal, como já descrito, acarretam discussões mais profundas do que apenas as definições de termos científicos.
O professor deve saber, nesse sentido o saber inclui-se novamente os saberes mobilizados por ele, o conhecimento disciplinar, o pedagógico e o curricular de modo a selecionar a melhor metodologia diante do conteúdo e objetivos de ensino para explicar esses conteúdos e para evitar o desinteresse dos alunos na disciplina, como evidenciado no estudo de Kidman (2008), onde os alunos apenas tinham interesse nos conteúdos de Biotecnologia que continham atividades práticas em sala de aula, como por exemplo, extração de DNA, enquanto que em aulas que exigiam a leitura de textos impressos, os alunos consideravam as aulas chatas e desinteressantes (KIDMAN, 2008, p. 9).
Nesse mesmo sentido, é necessário haver uma reforma nos currículos e uma melhor capacitação dos professores em formação de modo a incluir a experimentação nas aulas de biologia, afinal, o interesse na disciplina muitas vezes não ocorre espontaneamente. O caráter acadêmico e não experimental que marca os currículos de biologia e o seu ensino é um dos maiores responsáveis pelo desinteresse dos jovens alunos por estudos na área de Ciências. A Ciência que se legitima nos currículos está desligada do mundo a que, necessariamente, diz respeito (CACHAPUZ et. al, 2004, p. 368).
Para o ensino de Biotecnologia é importante que haja, no processo educacional, a integração da argumentação, da ética, da moral e da ciência no contexto da sala de aula. Dessa forma, as discussões podem ser bem informadas quanto às implicações das novas tecnologias e os estudantes terão a capacidade de sustentar questões sociais e éticas relacionadas aos processos da biotecnologia (KLEIN, 2011, p. 37).
Para a devida promoção do Ensino de Biologia que melhor contribua para entendimento e construção de contéudos, para despertar o interesse do aluno e buscando os objetivos propostos nos documentos oficiais indicados, são trazidas algumas técnicas e metodologias propostas por alguns autores.
Segundo Galanjauskas (2009), as atividades realizadas pelos professores devem contextualizar os conteúdos de Biotecnologia. É importante a
elaboração de novos materiais didáticos como jogos, simulações em computadores, kits de materiais práticos e cursos que levem os avanços científicos recentes à escola (GALANJAUSKAS, 2009, p. 30).
Em seu trabalho, Galanjauskas (2009) apresenta uma proposta de ensino de Biotecnologia dividida em temas:
―Tema 1: ―Biotecnologia‖
Tema 2 : ―Simulação da estrutura e função do DNA/RNA‖ Tema 3: ―Extração do DNA‖
Tema 4: ―Síntese de Proteínas‖
Tema 5: ―Cromossomo e divisão celular‖
Tema 6: ―Cariótipo: O estudo dos cromossomos‖ Tema 7: ―Teste de Paternidade‖
Tema 8: ‖Bactérias e Fungos‖
Tema 9: ―Transgênicos e Bioética‖‖ (GALANJAUSKAS, 2009, p. 49)
Cada módulo apresenta estratégias diferentes para abordar os conteúdos descritos nos temas, como por exemplo, uso de textos de apoio; mapeamento dos conhecimentos prévios dos alunos através da discussão em sala; construção de modelos da estrutura do DNA; extração de DNA através de experimentos e uso de materiais de laboratório como microscópios; uso de recursos de multimídia como computadores e retroprojetores e atividade de montagem de cariótipo, para familiarização quanto aos diferentes tipos de cromossomos, simulando o trabalho do geneticista (GALANJAUSKAS, 2009, p. 58).
Outros métodos foram; o estudo dirigido; o uso de notícias de TV e jornal para analisar um problema e o reconhecimento da paternidade de um indivíduo segundo o padrão de bandas geradas a partir do teste de paternidade. Em outro tema a atividade proposta foi uma prática envolvendo a importância dos microrganismos para a nossa vida e a vida na Terra, no caso da Biotecnologia, aplicada a indústria, demonstrada na forma de iogurte e da fermentação da massa do pão através do fermento biológico. No último tema os alunos realizaram pesquisas a respeito e depois foi realizado um debate sobre as implicações do uso de algumas biotecnologias (GALANJAUSKAS, 2009, p. 64). Krasilchik (2011) também traz contribuições importantes a respeito de métodos que podem ser utilizados na disciplina de Biologia como um todo, incluindo os conteúdos do tema Biotecnologia.
A estratégia mais comumente utilizada pelos professores é a aula expositiva, apesar de ser vista como desvantajosa, afinal, os alunos recebem o conhecimento passivamente, causando uma retenção pequena desse conhecimento, causada pelo decréscimo da atenção por parte deles (KRASILCHIK, 2011, p. 81).
O método é importante, pois, em se tratando a Biotecnologia de assuntos recentes para muitos alunos, a aula expositiva permite que o professor transmita suas ideias, enfatizando os aspectos que considera importante. Portanto, essa modalidade serve para introduzir um assunto novo, sintetizar um tópico, ou comunicar experiências pessoais do professor, que pode despertar o interesse do aluno quando o professor utiliza um tom de voz diferente, se move pela sala, insere discussões durante a explicação, recorre a recursos audiovisuais, entre outros (KRASILCHIK, 2011, p. 81).
A discussão é muito utilizada, e no caso dos conteúdos pertencentes a Biotecnologia considerados polêmicos, esse é um recurso importante, pois podem auxiliar na aprendizagem, desenvolver ideias novas e aumentar a interação aluno-aluno. Além disso, esse método pode ser empregado tanto nas aulas teóricas e práticas, quanto para estudos dirigidos e como avaliações (KRASILCHIK, 2011, p. 85).
A discussão consiste basicamente em construir um diálogo com o aluno. Deixando um pouco de lado a aula expositiva, o professor apresenta o tema da aula e faz perguntas norteadoras aos alunos, interferindo, mas não muito, quando necessário (KRASILCHIK, 2011, p. 86).
Outra maneira é deixar que os alunos façam seminários. Dentre os conteúdos de Biotecnologia, há muitos que não estão presentes nos materiais didáticos, como afirma Ferreira (2004), sendo esse um bom método para os alunos buscarem informações em fontes alternativas, como internet, jornais e revistas, aprendendo a fazer pesquisas, selecionando conteúdos e aprendendo mais sobre esses conteúdos. Porém, esses seminários precisam ser feitos da forma correta, não apenas selecionando um tema, e deixando que apenas um grupo leia o material e o apresente, isso é passar a função da aula expositiva para outra pessoa. Um bom seminário é quando todos os alunos recebem o material a ser estudado de todos os assuntos, e que o estudem, e que haja uma
discussão do assunto após a apresentação de cada seminário (KRASILCHIK, 2011, p. 86).
As demonstrações e aulas práticas, como já apontadas nos trabalhos de Kidman (2008) e Cachapuz et. al (2004), despertam muito a atenção dos alunos. A demonstração é utilizada quando o professor não dispõe de muito tempo, não tem material para toda a turma utilizar ou ainda pretende que todos vejam o fenômeno simultaneamente. Contudo, para que a demonstração seja efetiva, alguns cuidados precisam ser tomados, como por exemplo, os materiais precisam estar visíveis para todos os alunos, o professor deve falar em alto e bom som para todos escutarem e repetir o passo a passo do experimento, até que todos entendam. O mais importante é que o experimento seja simples e de fácil execução, algo complexo pode também distrair os alunos (KRASILCHIK, 2011, p. 87).
Já as aulas práticas têm como objetivo despertar e manter o interesse dos alunos, envolver os estudantes em investigações científicas, desenvolver a capacidade de resolver problemas, compreender conceitos básicos e desenvolver habilidades. Outra função importante das aulas práticas é estimular a imaginação do aluno e o raciocínio, o ajuda a lidar com imprevistos, a resolver um problema, afinal, em laboratório ele estará representando um fenômeno biológico, e como todo experimento, pode apresentar problemas durante a execução. Caberá ao aluno com a ajuda do professor lidar com isso (KRASILCHIK, 2011, p. 88). Como visto no trabalho de Galanjauskas (2009) a experimentação ocupa um papel importante em sua proposta de ensino.
Outra metodologia que poderia ser empregada, mas que exige um planejamento delicado e enfrenta obstáculos, são as excursões de campo. Esse método exige autorizações de diversas instâncias dentro da escola e dos pais dos alunos e não é bem vista por colegas professores, pois ocupam tempo de suas aulas (KRASILCHIK, 2011, p. 90). Porém, é um bom instrumento para se utilizar no ensino de Biotecnologia, afinal, muitos dos processos biotecnológicos acontecem dentro de laboratórios de indústrias, e muitas vezes difíceis de serem representados em sala de aula. A excursão de campo é um método interessante para mostrar aos estudantes conceitos vistos em sala e retomá-los no momento da visita ou até depois na forma de relatórios, apresentações, discussões, avaliações, dentre outros.
Um último método, a ser apresentado neste trabalho, seria a utilização de simulações. Quando direcionadas ao ensino, se entende as simulações como situações onde os participantes são envolvidos em uma situação problemática, com relação à qual devem tomar decisões e prever suas consequências. Exemplos dessas simulações estão dramatizações, uso de computadores, jogos cujo objetivo é a memorização de fatos e conceitos, como por exemplo, jogos da memória ou palavras cruzadas (KRASILCHIK, 2011, p. 92).
As simulações por dramatizações ou role play no inglês, possuem várias etapas que incluem caracterizar o problema, coletar informações para análise do problema, avaliar se essas informações são pertinentes, decidir e testar a validade da decisão e quando necessário, reconsiderar a primeira decisão. Um bom exemplo que relaciona o ensino de Biotecnologia e a dramatização é a atividade proposta no material didático do Estado de São Paulo, material fornecido pelo governo do Estado às escolas públicas estaduais, como material de apoio a professores e alunos. Na atividade em questão, o roteiro para aplicação da situação de aprendizagem é divido em duas etapas. As duas etapas são relacionadas, uma vez que a primeira etapa consiste em os alunos se organizarem em grupos, pesquisarem, e apresentarem seus resultados na segunda etapa.
Na primeira etapa, como descrito, exigirá que os alunos realizem pesquisas sobre o conteúdo. Será necessário que eles resgatem conceitos vistos em outras situações de aprendizagem. O material ainda propõe que essa atividade seja apresentada logo no início das aulas, sendo retomada nas aulas finais, ―com isso, espera-se que eles aproveitem melhor as aulas intermediárias, em virtude do desafio a ser cumprido ao longo do período‖ (SÃO PAULO, 2014, p.77).
O professor deve ler uma carta fictícia de uma cidade para uma convocação a um debate sobre a utilização ou não de organismos transgênicos na cidade. O professor apresentará a seguir os grupos sociais que participarão do debate, e os alunos devem formar grupos e escolher entre eles, os quais são: empresa de biotecnologia, profissionais da saúde, setor agropecuário, poder público e pesquisadores da área de ecologia. Cada grupo fará pesquisas em livros didáticos ou outras fontes confiáveis, buscando elaborar uma opinião sobre as
questões mais importantes para o setor que representam (SÃO PAULO, 2014, p.79), a descrição de cada grupo será fornecida pelo professor.
A etapa seguinte será a de apresentação dos resultados, como já apontado. Os alunos devem se reunir nos grupos formados inicialmente e discutir que respostas dariam à solicitação do prefeito, do ponto de vista que representam (SÃO PAULO, 2014, p.80). Alunos de cada grupo devem se reunir em novos grupos e anotar as informações de cada um dos outros grupos sociais e expor a sua.
Em seguida o material aponta que,
―diferentemente dos tradicionais debates organizados nas aulas de Biologia sobre temas polêmicos, nesta oportunidade os alunos devem elaborar uma carta de consenso, em que se incorporem os diferentes pontos de vista, caso não seja possível uma proposta única. Essa não é uma tarefa simples e exige orientação e apoio do professor‖ (SÃO PAULO, 2014, p.80).
Para finalizar, o material propõe que no processo de avaliação das cartas, o professor pode ―levar em conta a presença de opiniões contrastantes, que evidenciem o debate realizado pelo grupo nesse importante momento de argumentação a respeito desse tema sociocientífico‖ (SÃO PAULO, 2014, p. 81).
A estratégia de debate proposta pelo material é interessante, pois propõe não um antagonismo entre as instâncias que na realidade acabam por se confrontar pelos interesses econômicos, sociais e ambientais, mas uma tentativa de consenso entre elas, propondo uma participação total dos alunos e uma tentativa de chegar a uma solução ideal para o problema proposto pelo material.