3. GEREÇ VE YÖNTEM
4.2. Anket Formundaki Sorulara Verilen Cevapların Değerlendirilmes
5.2.3. Bebeklik dönemi ile ilgili değerlendirme
Considerando o revelado pela análise, não há como negar a enorme influência das características de um contexto como o tandem dentro da formação dos conflitos observados, já que o contexto leva os aprendizes para um novo ambiente (biblioteca, restaurante, shopping etc.). O tandem como contexto estimula os participantes a desconstruir aquele significado da sala de aula convencional, e a reconstruir conscientemente a partir do fato de que o tandem é um contexto de diálogo colaborativo.
Nos seguintes subitens, será analisado o contexto, pois a parceria, às vezes, percebia o ambiente como estressante e limitador. Falar por um tempo determinado fazia com que os aprendizes perguntassem coisas que nem precisavam, ou simplesmente que o expert explicasse coisas que o aprendiz nem tinha interesse, só por completar o tempo ou cumprir uma regra. Os dados mostraram que passar de uma língua para outra poderia resultar confuso, situação que tanto para o expert como para o aprendiz dificultava seu processo de autorregulação.
3.5.1 O tandem como contexto conflituoso: Percepção Daniela
Daniela evidencia ter problemas para se organizar durante os encontros. No excerto a seguir, ela queria mostrar uns contos em espanhol para Andressa:
Excerto 61 (Trecho do diário 03)
1 En esta ocasión se presentó conflicto al inicio de la sesión ya que no nos podíamos entender como realizaríamos las dos partes, ya que en mi caso era leer los cuentos en portugués pero yo traía cuentos en español y lo mismo sucedió con Andressa. Se decidió tomar 30 minutos para abordar el tema principal y 30 minutos para la lectura de los textos traídos por Andressa. 2
3 4
Daniela, ao começar a interação, trazia material na LM, o mesmo acontecia com sua parceira (linhas 2 e 3), mas como elas queriam respeitar o turno da língua, Daniela falou dos contos que ela mais gostava em português e leu os contos brasileiros propostos por Andressa (linhas 3 e 4). No excerto 62, Daniela entrava em conflito (situação dramática) sobre como realizar a atividade e, especialmente, como administrar o tempo, já que acabado o tempo para uma língua tinha que passar a enfocar a outra:
Excerto 62 (Trecho do diário 05)
1 En la actividad de portugués, hubo tensión en algunos momentos porque me sentía confundida para hablar en portugués ya que pensaba en español esto hizo que lo que respondía era poco, a veces no entendía la pregunta, hablaba muy despacio o repetía lo que había dicho con anterioridad
2 3 4
Observa-se que Daniela realmente percebia o contexto como elemento que influenciava seu comportamento (linhas 1 e 2) e, dessa forma, sua participação no diálogo se via comprometida e limitada (linhas 3 e 4). No excerto 63, para Daniela, o tempo destinado a cada língua exercia algum tipo de pressão:
Excerto 63 (Trecho do diário 02)
1 Pude sentir tensión con el manejo del tiempo, ya que faltando entre 15 a 20 minutos para terminar la sesión, sentía que estaba hablando cosas que ya había hablado o pensando en que más hablar.
2 3
O tempo fazia com que Daniela se sentisse pressionada a manter o diálogo por mais tempo e, faltando 15 ou 20 minutos para o término do turno em sua L-alvo, ela se sentia obrigada a falar, repetindo coisas que já tinha falado.
3.5.2 O tandem como contexto conflituoso: Percepção Andressa
Andressa avalia participação escutando as gravações de suas interações em espanhol, percebendo a influência do contexto no seu desempenho e no aproveitamento das interações com a sua parceira. No excerto 64, ela afirma que mudar de uma língua para outra era uma ação difícil de ser realizada:
Excerto 64 (Trecho da entrevista final)
1 Ao escutar todas as gravações eu percebo como sempre tentava me corrigir naquilo que eu escutava (...) mas para meu cérebro era difícil captar MUDEI DE LÍNGUA acho que teve uma última (...) no último tandem que a gente fez que eu do nada comecei a falar em espanhol e era o tandem em português (...) às vezes tem isso (...) mesmo nas minhas aulas de inglês eu vou para espanhol (...) demora um pouco para o cérebro processar (...) mais é só isso.
2 3 4 5
No excerto seguinte, Andressa diz que seu cérebro não conseguia captar a mudança de língua e que quando ela conseguia se acostumar com o código linguístico o tempo se havia esgotava, como expressado no seguinte excerto:
Excerto 65 (Trecho da entrevista final)
1 O tempo era suficiente?
2 Eu achava que o tempo era pouco (...) quando, por exemplo, para passar de uma língua para outra requer um tempo até você se adaptar e se soltar melhor (...) eu acho que os 15 minutos iniciais a gente ainda não tá falando tanto na hora que a gente engrena (...) na hora que a gente consegue falar bastante já está acabando (...) ou às vezes quando a gente estava falando de um assunto (...) a gente precisava mais tempo para falar daquilo e a gente não tinha (...) ou o tempo já tinha acabado. 3 4 5 6 7
Observa-se que Andressa não pensa diferente de sua parceira, já que o tempo influencia o comportamento do parceiro no diálogo e, às vezes, limita sua participação nele. No próximo excerto, Andressa menciona que outros espaços diferentes ao da biblioteca influenciavam a interação:
Excerto 66 (Trecho da entrevista final)
1 Eu achava muito difícil quando a gente saia ((outros espaços diferentes à biblioteca)) eu até parava de perguntar coisas para ela e eu tinha que fazer ela falar em português (...) mas se a gente estava comendo e não podia falar (...) também o barulho da rua atrapalhava.
2 3
Observa-se a preferência pelo contexto da biblioteca (linha 1), lugar tranquilo onde era mais fácil ouvir a parceira. Sem dúvida, o que tende a fragilizar a participação tanto do aprendiz como do expert em um contexto de diálogo colaborativo refere-se ao contexto concreto que envolve os interagentes e os regula, neste caso, o contexto como espaço de duas línguas envolvidas, espanhol e português, o qual evidentemente dificultou o desenvolvimento da parceria, criando-lhes (aos interagentes) a necessidade de uma regulação interna, bem como a necessidade de estabelecer uma melhor organização do contexto e de si mesmos dentro dele (regulação interna e externa).