2.1.1.3. Başlıca Kişilik Kuramları
2.1.1.5.2. Beş Faktör Kişilik Modeli Envanteri
Nesta seção, o colecionismo, o agenciamento e a circulação são compreendidos como anéis entrelaçados sem perder o foco da complexidade do ato de colecionar. Os objetos colecionados, em si, não possuem significados construídos socialmente nem lhes são atribuídos significados que dependem (ou não) da interação dos indivíduos para fazer sentido. Tanto na coleção como no processo colecionista, expressam-se as ideologias sociais dos grupos e atribuições dos indivíduos daquelas sociedades.
Ainda pode-se contar com três momentos diferenciados do colecionismo, do agenciamento e da circulação. Pearce (2005) oferece um modelo, classificando-o como “três realidades” – material, do grupo e individual – e concebe-o como ferramenta analítica para auxiliar a descrição e a definição, fornecidas pela formação e pelo uso dos significados da coleção dentro de um grupo. A síntese acerca das realidades que envolvem o processo de análise de significações do objeto, segundo a autora, ficaria fracionada em realidades materiais, composta de objetos e percebida na circulação do ambiente determinado pelo tempo e espaço. Desta forma, de modo indireto, a sua interpretação teve, no sentido social, um sistema de signos que gerou significados para manter a sua importância (PEARCE, 1994). Na realidade do grupo, o
consenso é necessário por haver a existência de uma rede provocadora dos discursos, da interação entre os indivíduos e de visões particulares do mundo.
Os significados são, de certa forma, estáveis por um determinado período, “espaço temporal”. A realidade individual, como não poderia deixar de ser, remete ao indivíduo, quanto à interpretação que ele faz do signo. Este poderá ser interpretado de várias formas. Embora a Antropologia, nos estudos das sociedades simples, aborde a interpretação de signos em significados coletivos, o indivíduo, frente ao signo, faz a sua interpretação e não a do grupo que impõe, em níveis discutíveis, a percepção em consenso.
Frente ao quadro de destaque do problema, surgem quatro níveis para compreender o colecionismo, o agenciamento e a circulação das informações dos objetos que se situam entre a complexidade temática e o uso, entre a análise documental e o domínio dos processos de investigação.
O primeiro nível é aquele que advém da prática do colecionismo pela força do agenciamento, da apropriação dos objetos que objetivam a formação das coleções no tempo e no espaço. Os objetos semióforos, dotados de significados, quando são expostos ao olhar, não sofrem usura física (POMIAN, 1985); entretanto, a sua condição em criar relações metafóricas entre pessoas e o mundo, necessariamente, não resulta em garantias de continuidade da tradição, da transmissão de valores ou da sua (re)significação. Talvez o maior equívoco do colecionismo seja tomar como ponto de partida, e disparar no mundo presente, os arremedos (muitas vezes lamentáveis tentativas) de reconstituição do passado, a partir da tentativa do enunciado da permanência e da conservação e de teatralizar narrativas dos valores do passado. Usurpa-se a linguagem do teatro para maquiar o que pesquisadores do “passado” considerem como aquilo que é passível de interpretação, mas não de reconstituição.
O indivíduo colecionista, na qualidade de agenciador das tentativas de racionalizar as ações, infere suas concepções, valores e práticas a partir das questões sociais evidentes no processo de colecionar. A interligação entre o indivíduo e tais questões, aqui levantadas no sentido que possa existir além da reunião dos objetos do colecionismo, também se relaciona em estruturas psíquicas, baseadas em padrões éticos ou estéticos, acompanhando as interações anteriores de seus genitores (FORMANEK, 1994, p. 327), ainda que na dinâmica social valores influenciem e sejam influenciados.
Por exemplo, no primeiro nível de contato com a documentação museológica, nos registros, a leitura dos documentos de acervos museológicos permitida por alguma razão, isto é, impressos, manuscritos ou virtuais, empregam termos em campos descritivos dos objetos: aquisição por compra, por doação e por receptação; esta última, comum em antiquários.
Os termos “compra” ou “doação”, condição das aquisições descritas nos formulários e catálogos, são genéricos demais para o aprofundamento das razões do agenciamento do colecionador. Tais termos ocultam as relações sociais estabelecidas a partir de interesses de aquisição ou de descarte de objetos ou mesmo de coleções.
O segundo nível é aquele no qual os objetos são (re)interpretados através da linguagem natural de uma sociedade. Ao submeterem tais órfãos ao novo batizado e destinar-lhes novas denominações espaciais, temporais e classificações, também lhes são impostos novos curadores e pertencerão a novos períodos, nem sempre satisfatórios do ponto de vista da conservação e da acessibilidade.
O terceiro está relacionado à cultura a que pertencem no processo de contextualizar os modos do fazer no espaço (CERTEAU, 1994). O conceito lugar é
um elemento-chave para o entendimento das bibliotecas, arquivos, museus e centros de memória, porém pouco discutido nessas áreas. A questão dos contextos e das ambiências dessas instituições poderá ser incorporada e ampliada dentro de uma discussão sobre o lugar. Isto é, a institucionalização de práticas profissionais e sociais ligadas à memória e ao conhecimento deveria ser interpretada pelo reconhecimento da construção social desses lugares e das determinações posteriores que eles exercem nas instituições mencionadas.
Na década de 70, Michel de Certeau, pensador francês, organizou círculos de pesquisa que os chamou de seminários. O terceiro seminário discutiu etapas de pesquisas, desde a primeira hipótese teórica, na busca de um “terreno”, até chegar às interpretações últimas que formalizaram os resultados obtidos na pesquisa. A invenção do cotidiano é uma obra resultante de um desdobramento da pesquisa intitulada A cultura no plural. A apresentação de Luce Giard para a obra A invenção do cotidiano diz que Certeau faz algum barulho nos anos 70 e 80 na França. Foi censurado por relativizar a noção de verdade, por valorizar a escrita em detrimento da apreensão do “real”, quando o historiador quer imprimir a uma descrição o tom da “verdade”. Certeau foi discípulo de Freud e de Foucault, tendo pertencido à Escola Freudiana de Jacques Lacan, desde a sua fundação em 1964 até a sua dissolução em 1980.
Certeau (1994), a partir da obra “A invenção do cotidiano”, contribuiu para a adoção de uma linha de fuga que, em perspectiva, define a maneira de fazer como relevante aspecto estruturado do âmbito do patrimônio cultural.
Outra linha desenha, a partir dessa obra, a importância das práticas (falar, ler, circular, fazer, comprar, cozinhar etc.) que muitas vezes são táticas, associadas às estratégias, e são fundadas sobre um “[...] desejo e sobre um conjunto desnivelado de
relações de poder [...]” (JOSGRILBERG, 2005, p. 23), dos movimentos políticos e sociais. O autor ainda observa o modo de fazer como algo essencial para a definição de cultura. Define táticas como procedimentos que utilizam as referências de um “lugar próprio”, isto é, do território, da localidade particularizada, que se desfazem pelas mãos da própria história.
A partir desses limites e possibilidades da linguagem que estão no cotidiano, as práticas afetam o discurso teórico – território, espaço, táticas e operações. Ele compreende o espaço como controlado por um conjunto de operações táticas, correlatas aos processos enunciativos (JOSGRILBERG, 2005).
E, por último, em um quarto nível, há a tentativa de se estabelecer a interdisciplinaridade entre a Museologia, as Ciências da Informação e a História, ainda que de maneira limitada, para a atribuição de valores aos objetos, provenientes mais do contexto local do que de uma simbologia universal. O elo deste local com os sentidos do mundo perfaz a trajetória semelhante às conquistas territoriais como aquelas ocorridas na lembrança da frase de Tolstói: “Se quer ser universal, fale da sua aldeia”.
Com essa relação estabelecida, está destacada a importância dos modos de fazer na sociedade. Não tendo a pretensão de universalizar a presente pesquisa, mas talvez torná-la circunscrita aos estudos das Ciências da Informação e à área da Organização da Informação, o desenho das linhas de fuga da pesquisa orienta essa discussão para o que foi considerado na análise dos fenômenos do colecionismo, do agenciamento e da circulação da informação. Certamente, essas discussões remetem às várias modalidades ideológicas – do poder, da produção, do produtor e de quem realiza a mediação entre os níveis, relativos à produção do conhecimento necessário para as instituições culturais.