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BAZI MATR˙IS SINIFLARI

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Aguinaldo Silva nasceu em 7 de julho de 1943, na cidade de Carpina, Pernambuco. Era filho de uma dona de casa e um frentista. Aos 14 anos começou a trabalhar como datilógrafo em uma agência de navegação, em Recife, e com o dinheiro pagava os estudos no Colégio Salesiano da capital pernambucana. Ao tratar de sua história, em diferentes momentos, o autor destaca sua origem humilde e sua sexualidade, chegando a dizer em certo momento que ―desde que me dei conta da minha sexualidade, nunca precisei viver no armário‖ (QUEM ONLINE, 20 de julho de 2014).

Em um perfil escrito para a sua página na internet também são destacados preconceitos que sofrera ao longo da juventude, por sua condição: ―Enfrentou o desdém e o preconceito, foi rotulado pelos estudantes como ‗pobre, feio, esquisito e efeminado‘, sendo humilhado constantemente, apanhando e até sofrendo abuso!‖ (AGUINALDO SILVA DIGITAL, 2013). A origem pobre no Nordeste e a sexualidade seriam temas que reverberariam adiante em sua carreira como escritor e autor de telenovelas.

Hoje considerado um dos principais autores de telenovela da Rede Globo de Televisão, Aguinaldo Silva atuou, primeiramente como jornalista e escritor.

Como escritor, Aguinaldo Silva começou sua carreira aos 16 anos, com seu primeiro livro, Redenção para Job. O romance foi lançado em 1961, pela Editora do Autor. Fundada nos anos 1960, por Fernando Sabino, Rubem Braga, Vinicius de Moraes e Walter Acosta, a Editora já nasceu com a publicação de autores clássicos brasileiros – seus fundadores. Ainda jovem, mas com a ambição de se fazer visto como escritor, redigiu uma carta aos editores que enviou com os originais que havia feito. Aguinaldo reproduz o texto que Fernando Sabino escrevera na orelha do livro, sobre a carta enviada. ―‗Sou um caso raro de precocidade e

intuição‘, confessou o autor, numa carta aos editores, remetendo ao seu livro que, escrito aos dezesseis anos, era ‗o terceiro da minha imodestíssima pessoa‘‖ (SABINO, 1961, apud SILVA, 2016, p. 18). A imodestíssima pessoa conseguira, com isso, a publicação do romance aos 18 anos. Elogiado por Sabino, o livro teve o lançamento no Rio de Janeiro e contou com a presença de Clarice Lispector.

Logo após a estreia como escritor, assumiu o posto de repórter da sucursal pernambucana do jornal Última Hora, de Samuel Wainer. Lá trabalhou até 1964, deixando a redação com o fechamento do veículo após o golpe civil-militar.

Mesmo com o fechamento da sucursal do Última Hora, após três anos de trabalho, Aguinaldo Silva seguiu a carreira como jornalista. Com o golpe civil-militar, o então repórter seria transferido para a sede de São Paulo do impresso – tinha passagem e emprego garantidos, mas preferiu mudar-se para o Rio de Janeiro. Conseguiu um emprego como redator no Última Hora carioca, onde ficou até 1968. Após essa passagem, trabalhou brevemente no Jornal do Brasil. No fim daquele ano, ingressou para o jornal O Globo, em que assumiria também o posto de copidesque. Durante a carreira como jornalista, Silva acabou se especializando na editoria policial, em que trabalhou como repórter e editor (MEMÓRIA GLOBO, 2013).

No começo de sua passagem pelo jornal O Globo (com cinco dias na nova redação), Aguinaldo Silva foi preso pelo regime militar. O motivo da prisão foi ter escrito o prefácio de uma das edições do livro Diário de Che Guevara, cujo título era A Guerrilha não acabou. Embora o livro tenha sido publicado antes do AI-519, Silva ficou preso por 70 dias, desses, 40 incomunicável. Ainda que ―desaparecido‖ pelo regime durante esse período, conseguiu manter seu trabalho no jornal de Roberto Marinho.

Durante a década de 1970, Silva atuou como colaborador (freelancer) de dois jornais alternativos de esquerda que faziam resistência à Ditadura Militar, Opinião e Movimento.

19 Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, durante o governo do general Costa e Silva. Marcou o

endurecimento do regime militar no país, dando plenos poderes aos governantes para punir arbitrariamente aqueles que fossem considerados contra o regime.

O resumo do texto do Ato traz: ―São mantidas a Constituição de 24 de janeiro de 1967 e as Constituições Estaduais; O Presidente da República poderá decretar a intervenção nos estados e municípios, sem as limitações previstas na Constituição, suspender os direitos políticos de quaisquer cidadãos pelo prazo de 10 anos e cassar mandatos eletivos federais, estaduais e municipais, e dá outras providências‖.

O presidente ainda ganhava poderes para decretar ―o recesso do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas e das Câmaras de Vereadores, por Ato Complementar, em estado de sitio ou fora dele, só voltando os mesmos a funcionar quando convocados pelo Presidente da República‖.

Durante esse período, o autor foi processado duas vezes por crime de opinião, baseado na Lei de Imprensa (REIMÃO, 2009).

Também foi fundador, ao lado de Peter Fry, Jean-Claude Bernardet, Darcy Penteado, João Silvério Trevisan e outros artistas e intelectuais homossexuais, do jornal Lampião da

Esquina, lançado em 1978 e que perdurou até 1981. A publicação era voltada, a princípio, para a defesa dos direitos das minorias, concentrando-se na luta contra a discriminação e pelos direitos dos homossexuais. ―O nome da publicação no primeiro número era Lampião da Esquina, e esse título era uma referência tanto à vida das ruas, a vida noturna, quanto ao rei do cangaço – Virgulino Lampião‖ (REIMÃO, 2009, p. 214). A utilização do cangaceiro, símbolo de uma machice nacional, como padroeiro da publicação, por engano do ilustrador que produziu o logotipo – Mem de Sá que, pensando que o nome era uma referência ao rei do cangaço, traçou um chapéu tal qual Lampião usava –, demonstrava o tom de deboche que seria a marca do periódico (SILVA, 2016, p. 104).

Sobre o jornal, Silva relembra a expressão dos donos de banca ao recusarem-se a expor a primeira edição: ―Mas isso é um jornal de veados!‖. A ideia era essa, a criação de um jornal gay brasileiro, nos moldes do Gay Sunshine20, veiculado nos Estados Unidos, com edição de Winston Leyland.

20 O Gay Sunshine foi uma publicação voltada para o público gay, foi publicada por um coletivo de Berkeley,

Califórnia, nos Estados Unidos. Apresentava notícias locais e nacionais sobre as atividades de liberação gay. Ficou suspenso durante o ano de 1971 e, no mesmo ano, foi reassumido por Winston Leyland, passano também a incorporar conteúdo literário gay, cultura gay e trabalhos de artistas homossexuais.

Além do tablóide, foi criada a Gay Sunshine Press, editora que publicou diversos livros também sobre cultura gay, sob a edição de Leyland.

Figura 2: Capa Lampião da Esquina, edição experimental Fonte: Grupo Dignidade; Centro de Documentação Prof. Dr. Luiz Mott

A Edição experimental do jornal foi publicada em abril de 1978, com a manchete:

Celso Curi processado. Mas qual é o crime deste rapaz?. O rapaz em questão era o ―colunista de um jornal paulista que abordava temas gays e por isso estava sendo processado‖ (SILVA, 2016, p. 104). Também na capa, havia a chamada Homo eroticus – Um ensaio de Darcy Penteado. Essa primeira edição foi coordenada por Aguinaldo Silva. O primeiro editorial

Saindo do Gueto trazia a questão:

Mas um jornal homossexual, pra quê?

A resposta mais fácil é aquela que nos mostrará empunhando uma bandeira exótica ou ―compreensível‖, cavando mais fundo as muralhas do gueto, endossando – ao ―assumir‖ – a posição isolada que a Grande Consciência Homossexual reservou aos que não rezam pela sua cartilha, e que convém à sua perpetuação e ao seu funcionamento. Nossa resposta, no entanto, é esta: é preciso dizer não ao gueto e, em consequência, sair dele. O que nos interessa é destruir a imagem- padrão que se faz do homossexual, segundo a qual ele é um ser que vive nas sombras, que prefere a noite, que encara a sua preferência sexual como uma espécie de maldição, que é dado aos ademanes e que sempre esbarra, em qualquer tentativa de se realizar mais amplamente enquanto ser humano, neste fator capital: seu sexo não é aquele que ele desejaria ter. (CONSELHO EDITORIAL, 1978, p. 2)

A Edição experimental ficou encalhada em um galpão durante dias após sua impressão. Os jornaleiros se recusavam a levar os impressos para as bancas. Após a insistência dos jornalistas, finalmente o primeiro número começou a circular. A primeira tiragem do Lampião da Esquina teve 15 mil exemplares. Com o tempo, chegou a 20 mil, circulando em diversas capitais brasileiras. Editor da publicação, Aguinaldo Silva também respondeu por ela, em 1979, a um processo baseado na Lei de Segurança Nacional.

Paralelamente a esses trabalhos na imprensa alternativa, o autor seguiu na editoria policial do jornal O Globo até 1978. Foi em sua atuação como jornalista que adquiriu a

expertise que o levou a trabalhar na televisão, segundo o próprio autor. Sua primeira experiência no meio televisivo foi como roteirista do seriado Plantão de Polícia, entre os anos de 1979 e 1981, pela Rede Globo de Televisão. Aguinaldo foi convidado para a redação do seriado. Além do então jornalista, foram convidados para a redação do seriado Doc Comparato, Antonio Carlos da Fontoura e Leopoldo Serran. O convite da emissora ao jornalista ocorreu justamente por sua experiência na editoria de polícia, tal qual o personagem principal da trama, Waldomiro Pena, um jornalista da mesma seção, interpretado por Hugo Carvana. Também foi roteirista do seriado Obrigado-doutor, em 1981 (MEMÓRIA GLOBO, 2008).

Já no ano 1982, escreveu, com Doc Comparato, a primeira minissérie brasileira,

Lampião e Maria Bonita (MEMÓRIA GLOBO, 2008). Antes de atuar como autor de novelas ainda escreveu as minisséries Bandidos da Falange (1983), e Padre Cícero (1984). A primeira experiência como autor de telenovelas veio em 1984, quando trabalhou com Gloria Perez em Partido Alto. Já em 1985, dividiu com Dias Gomes a autoria de Roque Santeiro.

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Benzer Belgeler