BÖLÜM 2: TÜRK KÜLTÜRÜNDE EKMEK ĐLE ĐLGĐLĐ ĐNANIŞLAR
2.3. Bayramlarda Ekmek
• Leitura freudiana do sintoma
Em sua Conferência XXIII, “Os caminhos da formação dos sintomas”, Freud (1917b/1990) retomou sua proposição inicial (“Projeto”, 1950/1990) concebendo os sintomas como equivalentes da doença, no sentido em que “decifrar os sintomas significa o mesmo que compreender a doença” (p. 419).
Loffredo (1999) afirmou que a proposta, segundo a qual a neurose desaparece quando o sentido do sintoma é desvendado, decorre da busca de Freud pela gênese do sintoma, da qual ele nunca abriu mão definitivamente, mesmo tendo se deparado com algo irredutível à palavra tanto nos sonhos como nas formações sintomáticas.
Os sintomas, assim como os sonhos e as parapraxias, são formações do inconsciente e, como tal, possuem um sentido singular e intimamente ligado à vida daquele que o produz. Em “O sentido dos sintomas”, Freud (1917a/1990) apoiou-se na análise de sintomas obsessivos em mulheres para demonstrar outra função dos sintomas, a tentativa de satisfação de um desejo por meio da repetição.
Parece já estar provado que o ato obsessivo tinha um sentido; parece ter sido uma representação, uma repetição daquela cena importante28. Mas não devemos parar aqui. Se examinarmos a relação entre as duas cenas mais detidamente, provavelmente obteremos informações acerca de algo que vai além – acerca da intenção do ato obsessivo. … Vemos, portanto, que ela não estava simplesmente repetindo a cena, ela estava continuando e, ao mesmo tempo, corrigindo-a; ela estava consertando-a. No entanto, com isso, ela também estava corrigindo uma outra coisa, que fora tão desagradável, aquela
28A cena à qual se refere, nesse caso, é a da relação sexual não consumada na noite de núpcias devido à impotência do marido.
noite, … – a impotência dele. … Representava este desejo, a maneira de um sonho, como sendo satisfeito numa ação da época atual. (Freud, 1917a/1990, p. 311)
Assim como nos sonhos, os sintomas concorrem para a realização de um desejo inconsciente no sentido de tentar restituir ao sujeito o que lhe ficou faltando: a satisfação pulsional. É isto que visa o sintoma em sua repetição. Assim como afirmava Freud, desde o inicio de seus trabalhos com as histéricas, os sintomas representam o caminho substitutivo para a satisfação pulsional, tornando-se “a atividade sexual dos doentes” (Freud, 1905/1990, p. 153). A satisfação pulsional, que deveria ser obtida de forma direta, ocorre justamente na repetição dos atos obsessivos. Vale ressaltar que é sempre um trauma o evento causador do sintoma. Para Freud (1917/1990c), as “neuroses traumáticas” nos ensinam que o trauma deve ser tomado no sentido econômico, ou seja, como qualquer experiência que, em curto espaço de tempo, produza um acúmulo excessivo de estímulos na mente, que precisam ser elaborados, resultando em distúrbios permanentes.
Essa analogia nos compele a descrever como traumáticas também aquelas experiências nas quais nossos pacientes neuróticos parecem fixados. Isto nos proporia uma causa única para o início da neurose. Assim, a neurose poderia equivaler a uma doença traumática, e apareceria em virtude da incapacidade de lidar com uma experiência cujo tom afetivo fosse excessivamente intenso. (Freud 1917c/1990, p. 325)
Aspecto fundamental é o fato de que os sintomas, assim como os sonhos, lapsos, atos falhos, etc derivam de experiências passadas, cuja conexão é ignorada pelo sujeito. Esse fato alude à existência de processos mentais inconscientes, à condição de que, para haver sintoma, seu sentido deve ser inconsciente e suas conexões ocultas pelo efeito do recalque.
É uma situação semelhante que temos diante de nossos olhos quando falamos na existência de processos mentais inconscientes. Podemos desafiar a quem quer que seja, no mundo, que faça uma descrição cientifica mais correta desta situação e, se o fizer, de bom grado renunciaremos a nossa hipótese de processos mentais inconscientes. Enquanto tal
não acontecer, porém, nos aferraremos à hipótese; e se alguém levantar a objeção de que aqui o inconsciente não constitui nada de real, num sentido cientifico, que é um artifício,
une façon de parler, podemos apenas sacudir os ombros resignadamente, e não levar em conta o que diz, por ininteligível. Algo não real, que produz efeitos de uma realidade tão tangível como um ato obsessivo! (Freud, 1917c/1990, p. 328)
A cura decorreria de uma ação direcionada a trazer, à consciência, os processos inconscientes. Entretanto, essa ação não se resume simplesmente em informar ao paciente as conexões entre seus sintomas e os processos inconscientes, visto que há outro aspecto em jogo: a resistência inerente à formação dos sintomas.
O conhecimento do médico não é o mesmo que o do paciente , e não pode causar os mesmos efeitos. Se o médico transferir seu conhecimento para o paciente, na forma de informação, não se produz nenhum resultado. … Não resulta em remoção do sintoma, mas tem um outro resultado – o de por em movimento a análise, do que um dos primeiros sinais, frequentemente, são as expressões de rechaço. O paciente sabe, aquilo que antes não sabia – o sentido de seus sintomas; porém, sabe tanto quanto sabia.(Freud,1917c/1990, p. 332)
Freud (1917b/1990) destacou que, se por um lado, os sintomas se expressam em atos aparentemente inúteis ou prejudiciais à vida do sujeito, por outro lado, possuem uma função específica e são plenos de sentido. É uma solução de compromisso entre as duas partes do conflito, ou seja, a libido insatisfeita e as exigências externas visando à auto-preservação: “o sintoma emerge como um derivado múltiplas-vezes-distorcido da realização de desejo libidinal inconsciente, uma peça de ambigüidade engenhosamente escolhida, com dois significados em completa contradição mútua” (p. 421). Ao funcionar como solução de compromisso entre as partes do conflito psíquico e como via alternativa para a satisfação pulsional concorre para que se apresente como uma formação resistente a toda e qualquer iniciativa de demovê-lo de forma direta.
A similitude entre a formação sintomática e mecanismo dos sonhos se expressa por meio de sua função de realização de desejo. “Os mesmos processos pertencentes ao inconsciente têm seu desempenho na formação dos sintomas, tal qual o fazem na formação dos sonhos – ou seja, condensação e deslocamento”. Esse mecanismo de satisfação da libido, via sintoma, só é possível pela presença das fixações, cuja origem remonta às experiências sexuais infantis, as tendências parciais ligadas aos objetos da infância que foram abandonados (Freud1917b/1990, p. 428).
Para Freud (1898/1990), a sexualidade é o fator etiológico comum a todos os tipos de neurose e, segundo seu desempenho no processo de adoecimento, dois grupos são possíveis de serem distinguidos. O primeiro se refere às psiconeuroses – histeria a neurose obsessiva –, ligadas ao nó dos desejos sexuais infantis recalcados, cuja cura poderia ocorrer com o tratamento psicanalítico. O segundo grupo é representado pelas neuroses atuais – neurastenia e neurose de angustia29 –, cuja causa data do período após a maturidade sexual e decorre da impossibilidade de obter satisfação sexual de maneira adequada. Nesses casos, os sintomas são orgânicos e bastaria uma anamnese bem conduzida para detectar a causa do sofrimento e subsidiar as orientações sobre a prática sexual para atingir a cura.
Além da etiologia sexual, a forma de descarga do excesso de excitação no aparelho psíquico é também relevante para o diagnóstico de neurose. Nas neuroses atuais, há um emprego anormal da excitação, que é esgotada “por outros canais, que se mostram mais promissores em termos de descarga do que a via que passa pela psique”, como sói acontecer nas psiconeuroses (Freud, 1895/1990, p. 110).
29A diferenciação entre neurastenia e neurose de angustia foi estabelecida por Freud em 1895/1990, num artigo intitulado “Sobre os fundamentos para se destacar da neurastenia uma síndrome específica denominada ‘neurose de angústia’”. O termo “neuroses atuais” foi introduzido em 1898 no artigo sobre “A sexualidade na etiologia das neuroses”. Segundo Laplanche e Pontalis (1967), o termo atual se refere a uma atualidade no tempo e também “à ausência daquela mediação que encontramos na formação dos sintomas da psiconeurose (deslocamento, condensação etc.)” (p. 382).
A equação etiológica da neurose, apresentada por Freud, baseou-se no mecanismo das psiconeuroses, na associação do conteúdo recalcado com a predisposição hereditária, dando maior ênfase ao primeiro.
A importância das experiências infantis não deve ser totalmente negligenciada, como as pessoas preferem, em comparação com as experiências dos ancestrais da pessoa e com sua própria maturidade; pelo contrario, as experiências infantis exigem uma consideração especial. Elas determinam as mais importantes conseqüências, porque ocorrem numa época de desenvolvimento incompleto e, por essa mesma razão, são capazes de ter efeitos traumáticos. (Freud, 1898/1990, p. 422)
Todavia, cumpre esclarecer que, na teoria freudiana, a ocorrência de experiências sexuais na infância, por si só, não leva necessariamente ao adoecimento. É necessária a ocorrência de nova experiência, já na fase de puberdade, produzindo aumento do investimento libidinal dessas primeiras experiências devido à regressão. Assim, o caráter traumático, aspecto fundamental dessas experiências, é adquirido por retroação.
Em que pese a sedução na infância, como fato real, ter sido considerada o principal evento responsável pelo trauma, Freud (1897/1990) viu-se obrigado a abandonar essa teoria, como testemunha sua “Carta 69” a Fliess, ao dizer que não confiava mais em suas pacientes, pois, implicaria considerar todos os adultos perversos, já que, em todos os casos, o pai era sistematicamente apontado como agente da sedução. O abandono dessa teoria obrigou Freud, durante algum tempo, a voltar-se para o determinismo endógeno, em detrimento dos fatores externos no surgimento da neurose. A teoria da sedução tinha, até então, operado como ponto central na etiologia da histeria, pois, sendo um determinante externo, explicava, com igual força, o adoecimento, juntamente com a predisposição inata. Seu abandono levou consigo a noção de cena primária (acontecimento real), cláusula pétrea da teoria freudiana. Entende-se, deste modo, a escassez de referências ao complexo de Édipo nos textos freudianos dessa época.
Conferir um papel privilegiado a fantasia não fez outra coisa que produzir esse desequilíbrio. Por isso mesmo a noção de sedução, ou melhor, generalizando, a noção de cena primária, é fundamental. Sem ela a teoria não encontra seu ponto de equilíbrio. (Monzani,1989, pp. 47-48)
Entretanto, a sedução foi resgatada a partir da noção de realidade psíquica, em oposição a fato real, passando a ser uma fantasia, cujo tema é os pais. O abandono da teoria da sedução, tendo como base o fato real, permitiu a emergência das três noções fundamentais: a fantasia, a sexualidade infantil e o complexo de Édipo.
A teoria da fantasia, vindo substituir a antiga teoria do traumatismo, iria tornar-se a base essencial da Psicanálise …. Foi a descoberta do fantasma que conduziu Freud a descobrir, no curso do mesmo ano, a sexualidade infantil e o complexo de Édipo. (Ortigues, 1973, citado por Monzani, 1989, p. 42)
A fantasia, em sua estrutura, se constrói a partir de fragmentos da realidade e não pura e simplesmente como expressão das pulsões. Essa constatação possibilitou recuperar a função central da cena primária, sem desvalorizar a fantasia. O que passa a adquirir caráter de sedução na fantasia infantil decorre das primeiras experiências de satisfação por meio dos cuidados maternos. A mãe passa a ser a figura principal da sedução como atesta em “Novas Conferências”. No período em que o principal interesse voltava-se para a descoberta de traumas sexuais infantis, quase todas as minhas pacientes contavam-me haverem sido seduzidas pelo pai. Fui forçado a reconhecer, por fim, que tais relatos eram inverídicos, e assim cheguei a compreender que os sintomas histéricos se derivam de fantasias, e não de ocorrências reais. Apenas mais tarde pude reconhecer nessa fantasia de ser seduzida pelo pai a expressão do típico complexo de Édipo típico nas mulheres. E agora encontramos mais uma vez a fantasia de sedução na pré-história pré-edipiana das meninas; contudo, o sedutor é regularmente a mãe. Aqui, a fantasia toca o chão da realidade, pois foi realmente a mãe quem, por suas atividades concernentes à higiene corporal da criança, inevitavelmente estimulou e, talvez, até mesmo despertou, pela primeira vez, sensações prazerosas nos genitais da menina. (Freud, 1933/1990, p. 120-121)
Nesse contexto, realidade e fantasia se igualam como substrato decisivo para formação do sintoma, como se observa no texto seguinte.
Ademais, esta é, evidentemente, a única atitude correta a adotar para com esses produtos mentais. Também eles possuem determinada realidade. Subsiste o fato de que o paciente criou essas fantasias por si mesmo, e essa circunstância dificilmente terá, para a sua neurose, importância menor do que teria se tivesse realmente experimentado o que contém suas fantasias. As fantasias possuem realidade psíquica, em contraste com a realidade material, e gradualmente aprendemos a entender que, no mundo das neuroses, a
realidade psíquica é a realidade decisiva. (Freud, 1917b/1990, p. 430)
Ressaltando a função das primeiras relações da criança para a assunção da sexualidade e como subsídios para a construção da fantasia, Freud (1923c/1990), em “A organização genital infantil: uma interpolação na teoria da sexualidade”, chamou a atenção para o complexo de Édipo como operador dessas relações. Afirmou que a mãe figura como o primeiro objeto de amor da criança. Entretanto, acontecimentos, tais como a interdição da prática de masturbação ou o ciúme do irmãozinho, frustrarão a criança em sua exigência de amor e posse da mãe. A demanda de amor ilimitado da criança acabará, necessariamente, em desapontamento, dando lugar a uma atitude hostil.
O amor pela mãe tem encaminhamentos diferentes no menino e na menina. O menino, ao perceber a ausência de pênis em meninas, conclui que o órgão foi extirpado como castigo. Além disso, desenvolve sentimento de rivalidade com o pai, ao constatar a presença e interposição paterna entre ele e a mãe, assim como, frequentemente experiencia situações em que suas práticas auto-eróticas são reprimidas pela mãe ou pelas pessoas que dele cuidam. Esses elementos são suficientes para que o menino deduza a castração como conseqüência desses desejos e moções proibidas. Tendo o pai, via discurso materno, sido apresentado como agente da castração, é o medo que porá fim à rivalidade do menino com o pai, passando, deste modo, a renunciar ao desejo pela mãe no sentido de preservar seu órgão.
A mãe torna-se, assim, o objeto proibido e a ameaça de castração permanecerá para sempre, organizando sua vida adulta. O complexo de castração representa o epílogo do complexo de Édipo, inaugurando a fase de latência, na qual a libido dirigir-se-á a outros interesses não sexuais. Decorre, desse momento, a formação do supereu e do ideal de eu. A interdição paterna, presente na ameaça de castração, ganha universalidade nas normas morais, regulando a vida do sujeito e a rivalidade, outrora dirigida ao pai, é substituída pela identificação. Nessa passagem, o falo é simbolizado, podendo tornar-se adjetivo de uma gama infinita de objetos que se posicionam no horizonte do sujeito como ideal de eu. É nesse horizonte, por estrutura inatingível, que o sujeito masculino vislumbra a promessa paterna, qual seja, o acesso, no futuro, a uma mulher, que não seja a mãe.
Diferentemente, na menina, o complexo de castração é o operador primeiro na assunção da sexualidade. Inicialmente, o clitóris ganha o status de um pequeno pênis. Na comparação com o menino, percebe a “injustiça”, o que fundamenta o sentimento de inferioridade em relação ao sexo oposto. Acredita que, ao tornar-se adulta, adquirirá um órgão maior, pensamento caracterizado por Freud como o complexo de masculinidade. Embora relute em aceitar tal “deficiência”, encara-a como fato consumado, diferentemente do menino, para quem a castração é vivenciada como uma ameaça.
Inicialmente, a menina enfrenta a castração como infortúnio pessoal, identificado igualmente em outras crianças e adultos. Essa compreensão de que nem todos são dotados de pênis a conduzirá a conclusão de que sua própria mãe é também castrada, passando a depreciá-la. Esses acontecimentos resultam na censura à figura materna, responsabilizada por tê-la trazido ao mundo sem um órgão apropriado. As reprovações dirigidas à mãe, observadas no contexto das análises, são, segundo Freud, racionalizações em torno do sentimento de que a mãe a privou de um falo. É a inveja do pênis que compele a menina a mudar, tanto de objeto como de zona
erógena, e a ingressar no complexo de Édipo, determinando a substituição da mãe pelo pai como objeto de amor. No entanto, a relação de amor com a mãe não será, de todo, abandonada, marcando as relações posteriores da menina com o pai, o marido e a própria maternidade. No dizer de Freud (1933/1990), “as meninas permanecem nele por tempo indeterminado, destroem- no tardiamente e, ainda assim, de modo incompleto” (p. 129). Nessa mesma vereda, Freud apresentou três respostas possíveis à castração: a inibição sexual, o complexo de masculinidade e a feminilidade normal. A feminilidade somente será alcançada quando a inveja do pênis, característica comum a essas respostas, puder ser substituída pelo desejo de ter um filho, compensação capaz de reparar a falta do pênis.
Nas palavras de Freud (1924b/1990):
Ela desliza – ao longo da linha de uma equação simbólica, poder-se-ia dizer – do pênis para um bebê. Seu complexo de Édipo em um desejo mantido por muito tempo de receber do pai um bebê como presente – dar-lhe um filho. Tem-se a impressão de que o complexo de Édipo é então gradativamente abandonado, uma vez que esse desejo jamais se realiza. Os dois desejos – possuir um pênis e um filho – permanecem fortemente catexizados no inconsciente e ajudam a preparar a criatura do sexo feminino para seu papel posterior. (Freud, 1924b/1990, pp. 223-4)
O desejo de ter um filho é derivado da inveja do pênis, portanto, caudatário da função fálica, estando sempre articulado à castração e à falta. “Com muita freqüência, em seu quadro combinado de ‘um bebê de seu pai’, a ênfase é posta no bebê, e o pai fica em segundo plano. Assim, o antigo desejo masculino de posse de um pênis ainda está ligeiramente visível na feminilidade alcançada desse modo” (Freud, 1933/1990, p. 128).
O complexo de castração, tanto no menino como na menina, ao marcar as vicissitudes da relação com a mãe como primeiro objeto de amor, funda a resposta sintomática que cada sujeito encontrará para satisfazer a libido inicialmente dirigida à mãe, e, então, recalcada. Esse processo
fundamentará as fantasias de cada sujeito, como ponto de fixação libidinal, para onde a libido voltar-se-á na vida adulta.
Por isso, Freud (1917b/1990) destacou as experiências sexuais infantis, no âmbito da relação mãe-criança e do drama edipiano, como de maior potencial para subsidiar a formação das fantasias, afirmando que não se pode menosprezar a sensibilidade infantil para perceber o que se passa ao seu redor e construir suas fantasias, associando pequenos fragmentos da realidade.
A única impressão, que nos fica, é desses eventos da infância serem de certo modo exigidos como uma necessidade, incluírem-se entre os elementos essenciais de uma neurose. Se ocorrerem na realidade, são agregados a partir de determinados indícios e suplementados pela fantasia. O resultado é o mesmo, e, até o presente, não conseguimos assinalar, por qualquer diferença nas conseqüências, se foi a fantasia ou a realidade aquela que teve a participação maior nesses eventos da infância. (Freud, 1917b/1990, p. 432).
Segundo Freud (1917b/1990), a fantasia surge como uma forma de compensar a renuncia ou a postergação da busca exclusiva do prazer, por parte do eu, visto que se trata de uma atividade mental cujos conteúdos estão preservados do julgamento imposto pelo teste de realidade. “Na atividade da fantasia, os seres humanos continuam a gozar da sensação de serem livres da compulsão externa, à qual há muito tempo renunciaram na realidade” (p. 434).
É justamente por atuar dessa forma que a fantasia participa da estrutura do sintoma. A explicação dada por Freud é a seguinte: a frustração na obtenção do prazer produz regressão da libido às posições de fixação, às zonas erógenas, o que permite que a libido retroceda para a fantasia. O que concorre para a formação sintomática a partir desse ponto é uma condição de natureza quantitativa. O retrocesso da libido acarreta um aumento das catexias nas fantasias, produzindo uma pressão para se realizarem, tornando inevitável o conflito com o eu, o que as tornam sujeitas ao recalque.
Tendo sido anteriormente pré-conscientes ou inconscientes, agora estão sujeitas ao recalque por parte do ego e ficam à mercê da atração por parte do inconsciente. Partindo daquilo que, agora, são as fantasias inconscientes, a libido movimenta-se pra trás, até as origens dessas fantasias no inconsciente – aos seus próprios pontos de fixação. (Freud, 1905/1990, p. 436)
Assim, o retorno da libido para a fantasia consiste num estádio intermediário para a formação do sintoma, que só se completará com a participação do fator quantitativo. O sintoma é o resultado do recalque que, por sua vez, é um processo egóico, que opera impedindo que uma idéia se associe à pulsão. Entretanto, essa idéia persiste como uma formação inconsciente. Pelo recalque, o prazer que seria resultante da satisfação pulsional se transforma em desprazer (Freud, 1925/1990).
No desenvolvimento do aparelho psíquico, já considerando a segunda tópica freudiana, o eu se diferencia do isso, por meio de suas relações com o mundo externo, tornando-