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BASKETBOLDA ENERJĠ SĠSTEMLERĠ

ĠZOKĠNETĠK KUVVET

1.5. BASKETBOLDA ENERJĠ SĠSTEMLERĠ

Antes de tratarmos de retextualização, propriamente, é importante tocarmos, ainda que rapidamente, na noção de textualidade ou mesmo de textualização, revisitando definições que têm por base clássicos da literatura da área, como Beaugrande e Dressler (1981) e Beaugrande (1997). Costa Val (2004, p. 01) propõe que o texto seja entendido como “qualquer produção linguística, falada ou escrita, de qualquer tamanho, que possa fazer sentido numa situação de comunicação humana, isto é, numa situação de interlocução” –

85 posicionamento semelhante à concepção defendida por Koch (2006, p. 17), que define texto como “atividade interativa”. Na concepção de ambas as autoras, o ‘fazer sentido’ é fator de fundamental importância na definição de texto. Por outro lado, precisamos considerar que o sentido do texto não é constituído nele e por ele mesmo, mas na soma de diferentes aspectos que abrangem fatores de ordem social, linguística e cognitiva – daí a necessidade de se considerar a noção de gênero no estudo da (re)construção da textualidade do texto.

Em outras palavras, é isso que Costa Val considera ao afirmar que a definição de texto por ela apresentada implica duas coisas: “a) nenhum texto tem sentido em si mesmo, por si mesmo; b) todo texto pode fazer sentido, numa determinada situação, para determinados interlocutores” (COSTA VAL, 2004, p. 01, grifos da autora). Para falar de textualidade, a autora retoma o famoso conceito defendido por Beaugrande e Dressler (1981) como “o conjunto de características que fazem com que um texto seja um texto” (COSTA VAL, 2004, p. 01).

A partir da proposta de repensar o pensamento de Beaugrande e Dressler (1981) e baseada em Beaugrande (1997), Costa Val (2004) aprofunda o conceito de textualidade ao relacioná-lo ao de textualização. Considerando o critério de um mesmo texto poder ser textualizado de maneiras distintas por diferentes interlocutores, a autora ressalta que, ultimamente, tem-se preferido usar o termo textualização, ao invés de textualidade. Isso porque, para a autora, textualidade pode ser definida “como um princípio geral que faz parte do conhecimento textual dos falantes e que nos leva a aplicar a todas as produções linguísticas que falam, escrevem, ouvem ou leem um conjunto de fatores capazes de textualizar essas produções” (p. 02). Textualidade é, portanto, entendida como algo que não se encontra propriamente nos textos, mas, sobretudo, no saber (partilhado) das pessoas.

Costa Val (2004) destaca ainda os sete fatores apontados por Beaugrande e Dressler (1981) que são responsáveis pela constituição da textualidade, descritos como “princípios que fazem parte do conhecimento textual das pessoas, que elas aplicam aos textos que produzem e esperam encontrar nos textos que ouvem ou leem: coerência, coesão, intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade e intertextualidade” (p. 02). A autora chama a atenção para a importância de entender a noção de textualidade atrelada à de textualização,

86 ao tratar os sete fatores de textualidade, mencionados primeiramente em 1981, por Beaugrande e Dressler, e retificados em 1997 por Beaugrande, não como características do texto, como foram por muito tempo entendidos, mas como princípios que envolvem tanto a produção como a circulação dos textos.

Já o termo retextualização foi inicialmente utilizado, no Brasil, por Neusa Travaglia (1993), em sua tese sobre tradução, intitulada A Tradução numa Perspectiva Textual27. A autora emprega a expressão para tratar de processos de tradução de uma língua para outra, em que, numa perspectiva textual, traduzir consiste em retextualizar.

Marcuschi (2010 [2000]), em Da Fala para a Escrita: atividades de retextualização, apresenta a retextualização, incorporando ao termo uma definição mais ampla que aquela utilizada por Travaglia (1993). O próprio autor, ao mencionar o estudo de Travaglia, considera que:

O uso do termo retextualização, tal como feito aqui, se recobre apenas parcialmente com aquele feito por Travaglia, na medida em que aqui também se trata de uma ‘tradução’, mas de uma modalidade para outra, permanecendo-se, no entanto, na mesma língua (p. 46).

Nesse trabalho, Marcuschi examina os processos envolvidos na transformação da oralidade em escrita. Por outro lado, sabemos que o conteúdo de determinados textos, sejam orais e/ou escritos, decorre explicitamente de informações advindas de um texto específico, oral ou escrito, que é tomado como base de informações. Nesse sentido, o esquema apresentado na Figura 6 ilustra inicialmente, para nós, um processo de retextualização:

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Tese que mais tarde foi transformada no livro “Tradução Retextualização: a tradução numa perspectiva textual” (TRAVAGLIA, 2001).

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Figura 6: Esquema do processo de retextualização

Nesse sentido, o texto A serve como base informativa (chamado de texto-base ou texto-fonte) para a construção do texto B (chamado de retextualizado), logo, a existência do texto B está condicionada à existência prévia do texto A, que é aquele tomado como base de informação no processo de retextualização. Porém, a retextualização não envolve somente fatores de ordem textual, haja vista que, nesse processo de construção de um texto a partir de outro, podemos ter uma nova situação de comunicação, e a “mesma” informação que aparece no texto-base e no texto retextualizado pode funcionar socialmente de maneira diferente em razão da situação comunicativa de um e de outro texto.

A Figura 6 foi pensada a partir das considerações de base apresentadas por Marcuschi (2010 [2000]). O autor afirma que, mesmo o seu trabalho estando voltado mais especificamente para a transformação da fala em escrita, o processo de retextualização é mais amplo, pois consiste na transformação de um texto em outro, realizando-se, para isso, as adaptações necessárias que envolvem a situação de interação. Seguindo as afirmações de Marcuschi, Dell’Isola (2007) considera que retextualização:

é um processo que envolve operações complexas que interferem tanto no código como no sentido e evidencia uma série de aspectos da relação entre oralidade- escrita, oralidade-oralidade, escrita-escrita, escrita-oralidade. Retextualização é a refacção ou a reescrita de um texto para outro, ou seja, trata-se de um processo de transformação de uma modalidade textual em outra, envolvendo operações específicas de acordo com o funcionamento da linguagem (p. 36).

88 Diferentemente de Marcuschi, que trabalha com situações concretas de passagem de textos da modalidade oral para a escrita, Dell’Isola (2007) se preocupa com operações de retextualização no âmbito dos gêneros escritos. Assim, são trabalhadas situações em que um texto escrito serve de base para uma nova produção escrita, envolvendo consequentemente a passagem de um gênero textual escrito para outro também escrito. A autora trata mais especificamente de situações de trabalho com gêneros e operações de textualização voltadas para o ensino de linguagem, no contexto da sala de aula.

Como Marcuschi (2010 [2000]), Dell’Isola (2007) defende que a retextualização não deve ser entendida como “tarefa artificial”, pois ela acontece cotidianamente, correspondendo a um processo comum da vida prática e podendo ocorrer de maneira bastante diversificada, em situações rotineiras:

por exemplo, em uma reunião de condomínio debatem-se vários assuntos que culminam na produção de um regulamento a ser afixado na entrada do imóvel (um texto oral foi retextualizado em um texto escrito); esse regulamento pode ser transformado em um documento escrito para ser registrado em cartório como adendo da convenção do condomínio (um texto escrito para outro texto escrito); esse documento pode ser assunto de uma conversa entre funcionários do cartório interessados no assunto tratado no documento (o texto escrito foi retextualizado em um texto oral); um dos funcionários do cartório conta para seus familiares a respeito da conversa entre os funcionários sugerindo que no prédio em que mora aconteça uma reunião de condomínio (trata-se de uma retextualização de um texto oral para outro texto oral). (DELL’ISOLA, 2007, p. 37).

Ao exemplificar com situações tomadas como eventos comuns da vida social e que exemplificam bem operações de retextualizações de textos, Dell’Isola considera ainda o fato de que os exemplos ilustram “que um mesmo conteúdo pode ser retextualizado de muitas maneiras” (p. 37). A cada vez que o conteúdo de um texto é retextualizado na constituição de um novo texto, temos uma informação sendo dita de uma forma diferente, na qual estabelecemos uma nova situação comunicativa e cumprimos diferentes propósitos comunicativos.

Assim, como vimos, várias operações estão relacionadas ao processo de retextualização, como observa Dell’Isola (2007). A retextualização envolve operações que interferem tanto no código como no sentido dos textos, nas relações que estes mantêm entre si, seja no âmbito da oralidade para a escrita, ou vice-versa, ou mesmo permanecendo na mesma modalidade, oralidade-oralidade e escrita-escrita. Portanto, um estudo fundamentado

89 sobre a noção de retextualização, tal como viemos discutindo, não pode ignorar o papel do gênero, já que, numa nova textualização, podemos ter um novo texto, que realiza uma nova ação retórica, justamente porque participa de um ou mais gêneros, como é o caso dos textos que compõem o corpus desta pesquisa.

Matêncio (2002 e 2003) considera que a textualização está relacionada ao agenciamento de recursos linguageiros para a realização de operações linguísticas, textuais e discursivas, já a retextualização “envolve a produção de um texto a partir de um ou mais textos-base” (2003, p. 03 e 04). Para a autora, nesse processo, “o sujeito trabalha sobre as estratégias linguísticas, textuais e discursivas identificadas no texto-base para, então, projetá- las tendo em vista uma nova situação de interação, portanto um novo enquadre e um novo quadro de referência” (2003, p. 04). Afirmar isso significa entender a retextualização como um processo que envolve relações entre gêneros e textos, e ainda entre discursos.

Nesse sentido, a atividade de retextualizar, segundo a autora, não deve ser confundida com a de reescrita, já que, para Matêncio, a ação de revisar/reescrever é significativamente distinta da de produzir um novo texto a partir de um que lhe antecede na leitura: “as variáveis que interferem nesses dois processos não se comportam de forma semelhante” (p. 112). Assim, na retextualização, os dois textos, o texto-base e o retextualizado, são elaborados com propósitos específicos. Matêncio (2002) considera que se a retextualização consiste em produzir um novo texto, é possível dizer que toda e qualquer atividade de retextualização implica mudança de propósito.

Por outro lado, Marcuschi (2010 [2000]) e Dell’Isola (2007) não descartam a possibilidade de haver retextualização a partir da reescrita, onde não há, necessariamente, mudança de propósito, mas são desenvolvidas operações complexas que não equivalem a uma simples revisão textual. Porém, a partir do recorte teórico-metodológico que fizemos, o processo de retextualização que analisamos especificamente neste trabalho implica a produção de um novo texto a partir de um primeiro, com mudança de gênero, de situação comunicativa e, portanto, de propósito. Em nossa tese, desenvolvemos um estudo do

90 processamento dos textos-fonte na webnotícia, na retextualização entre textos escritos, considerando a produção de um texto a partir de um ou mais textos-base28.

Em todo caso, Marcuschi (2010 [2000]) já aponta para a necessidade de ver o processo de retextualização como uma atividade que envolve diferentes combinações e variáveis importantes. Tratamos disso mais especificamente na subseção 2.1.1.

2.1.1 O legado de Marcuschi para o estudo da retextualização

Como em Marcuschi (2010 [2000]) o objetivo é tratar mais especificamente das relações e diferenças entre as modalidades falada e escrita da língua, são analisados casos de textos orais retextualizados, em situações concretas, para textos escritos. O autor argumenta a favor da desmistificação de uma suposta supremacia da modalidade escrita da língua sobre a falada. Para tanto, considera que “a retextualização não é, no plano da cognição, uma

atividade de transformar um suposto pensamento concreto em um suposto pensamento abstrato” (p. 47-48, grifos do autor).

Assim, Marcuschi mostra que entre fala e escrita é possível que haja diferentes combinações para ocorrência do fenômeno da retextualização. Reproduzimos o Quadro elaborado e discutido pelo autor:

Quadro 2: Possibilidades de retextualização Possibilidades de retextualização

1. Fala – Escrita → 2. Fala – Fala → 3. Escrita – Fala → 4. Escrita – Escrita →

(entrevista oral – entrevista impressa) (conferência – tradução simultânea) (texto escrito – exposição oral) (texto escrito – resumo escrito)

Fonte: Marcuschi (2010 [2000], p. 48).

91 Considerando as diferentes possibilidades de combinação entre as situações de fala e escrita, Marcuschi assegura que lidamos diariamente com situações automatizadas de sucessivas reformulações de textos, em diferentes registros, gêneros, níveis linguísticos e estilos. O autor afirma que o processo de retextualização acontece todas as vezes em que repetimos ou relatamos a fala de alguém, ou até mesmo em citações ipsis verbis transformamos, reformulamos, recriamos e modificamos uma fala em outra.

Marcuschi (2010 [2000]) propõe que imaginemos situações corriqueiras do dia a dia, para pensarmos como estamos sempre lidando com os processos de retextualização, numa relação diversificada entre a sociedade e seus jogos linguísticos:

veja-se o caso de um documento discutido publicamente e que deve, de uma primeira versão escrita, chegar a uma versão final. Suponhamos que o documento seja a proposta governamental de um texto de Lei que vai ser debatido em plenário na Câmara dos deputados, recebendo emendas; depois será discutido nos jornais, na TV e no rádio para, finalmente, ir à votação e receber a versão final. Imagine-se quantas modificações ocorreram nesse processo de retextualização a ‘múltiplas mãos’ que foi, em princípio, uma ação de reescrita, situada na sugestão (4), com o movimento de um {texto escritoa} para outro {texto escritob}. O fato é comum no dia a dia de todos nós (p. 49).

A situação hipotética apresentada, na citação acima, por Marcuschi (2010 [2000]) se assemelha a muitas outras situações reais, em que vários textos são formados a partir de um primeiro. Muitas vezes nos apropriamos das informações de um texto X e as reformulamos, já noutras situações de uso linguístico, com outras finalidades, adaptando, reformulando, moldando as informações de acordo com o nosso objetivo de comunicar. Nessa intrincada relação de textos sendo feitos e refeitos a partir de outros, lidamos com a retextualização em nosso dia a dia, e nem sempre nos damos conta disso.

Olhando para a nossa proposta de pesquisa, analisamos notícias cujas informações foram retiradas principalmente de um texto-base (ou texto-fonte) específico, ou seja, a informação principal da notícia consta no texto-base. Logo, a produção dessa notícia se fez, sobretudo, por um processo de retextualização. Considerando a popularidade do gênero notícia em nosso meio social, temos um caso em que a retextualização acontece de maneira bastante automatizada, de modo que o sujeito se utiliza de várias estratégias textuais para composição rápida do texto, e normalmente tem em vista informações oriundas de outros textos, que lhe servem de fonte.

92 Marcuschi (2010 [2000]) argumenta que “nossa produção linguística diária, se analisada com cuidado, pode ser tida como um encadeamento de reformulações, tal o imbricamento dos jogos linguísticos praticados nessa interdiscursividade e intertextualidade” (p. 49). Na notícia não é diferente, até porque, como vimos no capítulo 2, a fonte é um fator de credibilidade, de idoneidade da informação, para que a notícia funcione socialmente como veiculadora de fatos, de verdades.

No estudo de Marcuschi (2010 [2000]), são analisadas apenas situações presentes nos processos de retextualização encontradas na primeira situação apontada no Quadro 2, na passagem do texto falado para o texto escrito, em que o autor sugere uma sistematização para o estudo dessas operações, que ocorrem naturalmente em nossas experiências diárias. Mesmo se referindo mais especificamente a situações de passagem da fala para a escrita, Marcuschi faz considerações importantes acerca da retextualização e chama a atenção para distinções entre noções teóricas que, embora parecidas, não se confundem.

Dentre essas, o autor faz, por exemplo, a distinção entre a noção de retextualização e a de transcrição, e afirma que “as mudanças operadas na transcrição devem ser de ordem a não interferir na natureza do discurso produzido do ponto de vista da linguagem e do conteúdo” (p. 49). Nesse sentido, transcrever está relacionado a um processo de passar um texto de sua realização sonora para a forma gráfica, respeitando, para isso, procedimentos convencionalizados. Já na retextualização “a interferência é maior e há mudanças mais sensíveis, em especial no caso da linguagem” (MARCUSCHI, 2010 [2000], p. 49).

Com base no trabalho desenvolvido por Rey-Debove (1996) acerca do francês, Marcuschi (2010 [2000]) entende que as mudanças sensíveis de linguagem estão mais diretamente relacionas aos planos oral e escrito da língua, como: (1) nível da substância da

expressão ou a materialidade linguística na correspondência entre letra e som, entrando ainda

em questões idioletais e dialetais; (2) nível da forma da expressão, os signos falados e os signos escritos, na distinção entre a forma do grafema (a grafia usual) e do fonema (a pronúncia) – diferenças mais acentuadas no francês; (3) nível da forma do conteúdo ou as relações entre as unidades significantes orais e as correspondentes unidades significantes escritas que operam como sinônimas no plano da língua, mas de realização diferente na fala e

93 na escrita; e (4) nível da substância do conteúdo ou realizações linguísticas que se equivalem do ponto de vista pragmático, no uso situacional e contextual específico.

A interpretação é condição necessária na transcrição do texto falado para o texto escrito e, nessa passagem, o caráter originário e pessoal do texto oral passa por uma neutralização devido à transcodificação para o escrito com todas as consequências inerentes a esse processo. No entanto, Marcuschi (2010 [2000]) advoga pela necessidade de distinção entre a transcodificação, a passagem do sonoro para o gráfico, e a adaptação, “uma transformação na perspectiva de uma das modalidades e que aqui chamaremos sistematicamente de retextualização” (p. 52, grifos do autor). Logo, a retextualização deve ser entendida, basicamente, como adaptação, que consiste, segundo o teórico, na transformação realizada em uma das modalidades oral e/ou escrita da língua.

A partir dessa definição de retextualização como adaptação, Marcuschi (2010 [2000]) chama atenção ainda para a relevância de algumas variáveis importantes no estudo da retextualização em situações de fala e escrita:

 O propósito ou objetivo da retextualização;

 A relação entre o produtor do texto original e o transformador;

 A relação tipológica entre o gênero textual original e o gênero da retextualização;  Os processos de formulação típicos de cada modalidade.

Na primeira variável, o propósito ou o objetivo da retextualização, há uma diferença acentuada no nível da linguagem do texto, dependendo da finalidade de uma transformação (a fala formal pode receber uma transformação mais descontraída e a fala informal pode receber uma transformação mais formal, por exemplo). Para Marcuschi (2010 [2000]), o mais importante a considerar nesse sentido é que a retextualização não é indiferente aos seus objetivos ou propósitos. Acrescentamos que, além de atentarmos para o objetivo ou propósito do autor com a retextualização, é preciso atentar ainda para o objetivo ou propósito do gênero de que ambos os textos, o texto-base e o retextualizado, participam.

94 Na relação entre o produtor do texto original e o transformador, Marcuschi (2010 [2000]) afirma que há a possibilidade de o texto ser “refeito” pela mesma pessoa que o produziu ou por outra. Segundo Marcuschi, quando uma “refacção” é feita pelo próprio autor, a mudança pode ser mais drástica que por outra pessoa, que normalmente demonstra mais “respeito”, fazendo mais intervenções na forma e menos mudança no conteúdo.

Na imbricada relação de produções textuais e as finalidades para as quais essas produções são feitas, podemos admitir que é possível também que a transformação do texto original seja mais acentuada quando o transformador não é o próprio autor do texto original. Isso vai depender da primeira variável apontada pelo autor, o propósito ou objetivo da retextualização. Em se tratando de textos midiáticos, a fala de uma personalidade pública, política ou artística, por exemplo, pode ser reconfigurada para outro sentido, de acordo com finalidades específicas do sujeito que faz a retextualização.

Sobre a relação tipológica, na transformação de um gênero textual oral para o mesmo gênero escrito, Marcuschi (2010 [2000]) considera que são percebidas menos mudanças que de um gênero para outro. Nos processos de formulação, há a questão das estratégias de produção textual vinculadas a cada modalidade oral e escrita da língua. Mesmo não se tratando de situações em que há a passagem entre as modalidades oral e escrita, as mudanças ou transformações vão estar relacionadas ao propósito e ao funcionamento social do gênero, que de certa forma vai orientar o autor na sua produção.

Já os processos de formulação típicos de cada modalidade, oral e escrita, estão relacionados aos condicionamentos e especificidades típicos e próprios das modalidades oral e escrita da língua, que são diversas, sobretudo, quanto ao modo de organização textual/discursiva, que é própria de cada modalidade. Importante atentar para o fato de que as quatro variantes estão intimamente relacionadas, ao ponto de não ser possível examinar uma,

Benzer Belgeler