2. SERAMİK ENDÜSTRİSİ, ATIKSU KİRLİLİK PARAMETRELERİ VE
2.3. Membran Prosesleri
2.3.6. Basınçla çalışan membran sistemleri
Dando continuidade à análise sobre o significado das sementes plantadas, a arte de preparar alimentos e cozinhar proporcionou momentos singulares, lúdicos na vida do grupo de adolescentes residentes na EAJ.
A princípio, a culinária foi apreciada apenas pelas meninas que no histórico de suas vidas, já tinham vivido essa experiência. No entanto, com o desenvolvimento dos encontros, um número maior de jovens, inclusive os meninos, passou a participar dessa vivencialidade. Nela, os estudantes puderam dialogar sobre suas preferências, realizar troca de informações, cada um opinando de acordo com seu repertório de experiências.
Com as parcerias estabelecidas, os residentes descobriram que aquele não era apenas um momento de preparar comidas, mas também de celebrar os sabores que fazem de nossa existência algo prazeroso. O Solo I.M.B. (2008) falando sobre a vivência da culinária expressa: “Ótimo! Sem igual. Só outra tarde que nem essa, pois foi um ambiente de descontração, bem atrativa e, acima de tudo, saborosa. Sabor de quero mais!”
Conforme depoimento do Solo I.M.B., a experiência foi saborosa. Com ela, descobriu-se o verdadeiro sabor do alimento; isso porque, na maioria das vezes, os residentes não paravam para apreciar o que comiam, apenas comiam para atender as necessidades de sobrevivência. Sobre isso, Alves (2005, p. 44) revela:
[...] É verdade que em sua situação bruta – antes de sua educação! – os sentidos somente atendem às necessidades elementares de sobrevivência. Um homem faminto não é capaz de fazer distinções sutis entre gostos refinados: angu ou lagosta, tudo é a mesma coisa. Seu corpo vive sob o imperativo bruto do comer.
A culinária como algo transformador na vida do adolescente possibilitou a expansão dos sentidos, transformando o ato de comer em uma fonte de satisfação potencialmente rica. Salientamos que o ato de misturar ingredientes transformando-os em deliciosos pratos também estimulou o paladar, a curiosidade e a criatividade dos participantes, tornando-se rica fonte de experienciação de fluxo (CSIKSZENTMIHALYI, 1999).
A magia da transformação dos alimentos motivou as pessoas a se aproximarem dessa arte, possibilitando um envolvimento em todo o processo e aguçando suas percepções sensoriais. O envolvimento pôde ser percebido nas expressões fisionômicas que sugeriam emoções de prazer. Durante a vivência da culinária, o sorriso, o olhar atento, a dinamicidade das mãos demonstravam o interesse dos residentes no processo de experienciação de uma vivência de lazer, tão diferenciada das ações do dia-a-dia, sendo para outras pessoas um trabalho profissional desgastante e repetitivo.
Notamos pelos depoimentos, que a partir desse envolvimento com a culinária, os residentes passaram a cozinhar no próprio alojamento, em alguns finais de semana, como declara o Solo A.H.C. (2008) ao descrever seu cenário da caixa de areia: “O fogão representa os dias que faço meu café da manhã ao meu gosto e temos mais tempo para comermos sem pressa. E, assim, fico mais relaxada, e isso torna nossa refeição mais saborosa, por compartilhar com minhas amigas nos finais de semana”.
Como uma vivência de lazer a culinária teve um significado especial na vida dos residentes, uma vez que eles se permitiram ampliar seu tempo livre para o lazer deleitando-se em uma prática cultural criativa.
Aspectos como o cuidado e a higiene no preparo dos alimentos foram observados por todos dentro da cozinha. Além disso, a oportunidade de experimentar os diferentes ingredientes estimulou ainda mais os estudantes residentes. A alquimia dos sabores atraía a curiosidade dos adolescentes que buscavam alcançar uma meta pessoal. Assim, o nível de interesse e de envolvimento dessas pessoas ia definindo algums personalidades autotélicas. Para Csikszentmihalyi (1999), quando conseguimos enfrentar a vida com significativo envolvimento e entusiasmo, podemos dizer que conquistamos uma personalidade autotélica.
A vivência da culinária como lazer teve um sentido especial, pois favoreceu aos estudantes a possibilidade de desempenharem papéis diferentes dos convencionais. Além de atuar como chefs de cozinha, formando um grupo cooperativo para criar pratos diferentes, eles construíram também um momento coletivo para se deliciarem com os pratos elaborados, tornando-se avaliadores de suas próprias ações. Para muitos, a culinária teve “[...] um sabor de amizade, de companheirismo, onde todos ajudaram a preparar as comidas para saborearmos, e o ambiente ficou muito alegre e divertido” (SOLO, Y.M.F., 2008).
Para Csikszentmihalyi (1999, p.48), a convivência com amigos oferece as experiências mais positivas uma vez que “a importância das amizades no bem-estar dificilmente pode ser superestimada”. Além disso, essa vivência de lazer mostra que a “qualidade de vida melhora intensamente quando há pelo menos outra pessoa disposta a escutar nossos problemas e a nos apoiar emocionalmente”.
Com as vivências da culinária, a sensibilidade de cada estudante foi sendo desabrochada, o que era visivelmente constatado por meio dos gestos e palavras afetuosos que eram trocados entre eles. Nesse sentido, como uma vivência que reúne pessoas com diferentes estilos de vida, a culinária possibilitou um maior entrosamento, ampliou a comunicação e promoveu a troca de receitas e de experiências. Essa parceria entre colegas foi assim destacada: “[...] um sabor de satisfação e prazer por estar com nossos amigos, e o gosto da amizade sendo saboreado por nossos corações” (SOLO J.C.S., 2008).
A experiência se constituiu em um momento de autofruição, em que se estabeleceram e se ampliaram vínculos afetivos. Até então os residentes não possuíam muitas oportunidades para estreitar esses laços afetivos em decorrência das diferentes atividades que desempenhavam no seu cotidiano.
Destacamos que a autofruição revelou-se no momento em que os residentes entregaram-se inteiramente à atividade que realizavam. Não é o contexto que determina esse processo, mas a implicação do próprio sujeito nele. A espontaneidade, a alegria de estar ao lado do colega e de descobri-lo por meio do diálogo permitiu que os residentes vivessem a autofruição, encontrando prazer na arte de preparar alimentos.
O prazer partilhado pela presença do outro na preparação e na apreciação do prato elaborado, é assinalado por Solo A.C.M. (2008): “[...] sabor de alegria, pois passar uma tarde fazendo bolos e salgados, após uma semana de aula, relaxa qualquer pessoa, principalmente junto de amigos”.
Percebe-se que existiu um movimento delicado de relaxamento e de partilha, o qual tornou possível o fluir das emoções. Na experiência da culinária, o elo afetivo entre os
residentes foi fortalecido, permitindo que essa atividade adquirisse uma característica integralizadora. De acordo com Romanelli (2006), o preparo de comida tem significativa visibilidade social no presente, fazendo parte de um conjunto de experiências humanas. No estudo que trata sobre o significado da alimentação, numa dimensão antropológica, o autor assim se expressa:
A alimentação não é ato solitário, mas é atividade social, sempre envolve outras pessoas na produção de alimentos, em seu preparo e, sobretudo, na própria comensalidade, ocasião para se criar e manter formas ricas de sociabilidade (ROMANELLI, 2006, p.335).
Nota-se que essa atividade vivencial foi vinculada à aprendizagem de conhecimento, aspecto pouco trabalhado na escola especialmente às aulas do ensino médio. Para alguns estudantes, passou a ser nítido que a construção do conhecimento não é realizada apenas na sala de aula, com livros; que ela ocorre em todos os momentos em que interagimos, partilhamos e vivemos experiências: “[...] uma tarde diferente, com sabor mais gostoso, com novos conhecimentos, interagindo com amigos” (SOLO A.L.S., 2008).
Nesse tipo de vivência, foi possível perceber o autovalor demonstrado pelos residentes nas brincadeiras que ocorreram entre eles. O trabalho ganhava um caráter lúdico, a partir do desejo do próprio do estudante para partilhar seu lazer com os amigos. Era evidente a alegria deles quando sorriam uns para os outros, servindo seus pratos e saboreando a comida que haviam feito.
Nesse sentido, foi interessante observar a emoção dos estudantes no trabalho de preparação do ambiente, no trato com os alimentos e na manipulação dos utensílios da cozinha, em um espaço de magia. Esse local é retratado por Rubens Alves, nas Estórias para
quem gosta de ensinar, como um espaço de educação para a vida:
Cozinha: ali se aprende a vida. É como uma escola em que o corpo, obrigado a comer para sobreviver, acaba por descobrir que o prazer vem de contrabando. A pura utilidade alimentar, coisa boa para a saúde, pela magia da culinária, se torna arte, brinquedo, fruição, alegria. Cozinha, lugar dos risos [...] (ALVES, 1995, p.133).
o prazer em participar das tardes de culinária não está associada simplesmente a degustar as delícias cozinhadas, e, sim em pôr a mão na massa: tentar aprender a fazer a comida para se ver posteriormente os resultados. E era exatamente isso que fazíamos (SOLO R.S.N., 2008).
Esse depoimento mostra claramente o fluxo energético gerado na experiência, principalmente quando se observa na ação de preparar o alimento como a consciência e a emoção são expressadas. Para Csikszentmihalyi (1999), os efeitos psicológicos dependem de sua relação sistêmica com tudo o que fazemos. Nesse caso, o prazer vinculou-se não apenas à degustação do alimento, mas, principalmente, ao processo de elaboração deste. Com isso, a autofruição sentida na vivência culinária e descrita nessa fala revelaram emoções dos residentes como o prazer, tanto nos momentos de preparação dos alimentos, como quando aguardavam os pratos ficarem prontos e também na hora de degustá-los juntamente com os amigos.
A semente da culinária teve, portanto, um importante significado alquímico na vida dos residentes, sendo o envolvimento amoroso no processo de transformação dos alimentos, o principal aspecto observado nessa vivência de lazer, como se pode verificar no seguinte depoimento:
Além do mais, nosso prazer se multiplicava à medida que percebíamos em nossa volta várias pessoas fazendo o mesmo que nós e todos sempre com um sorriso no rosto. E na hora da degustação então... todos unidos, conversando sentados à mesa. Momentos únicos e muito especiais que traziam a nossas tardes de final de semana na EAJ muita alegria (SOLO R.S.N., 2008).
A experiencialidade da arte de cozinhar como uma vivência de um lazer prático, manual (DUMAZEDIER, 1999) ampliou um pouco mais o repertório de experiências lúdicas de cada “cozinheiro”, possibilitando o fluir das emoções. Nos estudos de Certeau,
À medida que se adquire experiência, o estilo se afirma, o gosto se apura, a imaginação se liberta e a receita perde a sua importância para tornar-se apenas ocasião de uma invenção livre por analogia ou associação de idéias, através de um jogo sutil de substituições, de abandonos, de acréscimos ou de empréstimos (CERTEAU, 1996, p. 271).
A semente da culinária ludopoiética materializou-se como um momento no qual era possível sentir, tocar e tatear as diferentes texturas dos alimentos, sentir seus diferentes aromas e sabores, descobrir novas combinações de sabores, inventar ou reinventar novas formas de misturar os ingredientes. Um novo sentipensar veio à tona na corporeidade dos estudantes residentes, abrindo espaço para a ampliação da sensibilidade, da solidariedade e da humanidade existente em cada Ser: “Sinto um gosto muito delicioso de um final de semana diferente dos habituais, pois, além de estarmos todos unidos, aprendemos a transformar as deliciosas comidas em verdadeiras alegrias e inesquecíveis experiências” (SOLO J.J.S., 2008).
Entendemos o que essa semente do lazer significou na vida desses adolescentes: uma experiencialidade ludopoiética de cunho social e manual que possibilitou uma melhor convivência, tornando-se, inclusive, para alguns deles, momentos de fluxo. Com ela, aprendeu-se a dividir, a agregar, a tocar, a apreciar, a brincar, a conhecer, ações necessárias a uma vida com qualidade.