• Sonuç bulunamadı

4. MALZEMELER VE METODLAR

4.4. Kullanılan Metotlar

4.4.4. Atıksu arıtma işlemi ve membran performanslarının incelenmesi

O espaço do açude foi palco de cinco festas tematizadas, pois, apesar de ser uma área mais distante dos alojamentos e do espaço de circulação diária de todos, tinha uma magia que aproximava mais as pessoas, tornando-se um cenário propício ao deleite da festa, sendo ambiente de forte ligação com a natureza.

Em um espaço aberto, com chão coberto de areia fina, um açude de águas escuras e refrescantes, uma mangueira de copa frondosa e uma brisa suavemente delicada acolhiam professores, estudantes e funcionários. Esses elementos traziam novos ares à noite, tornando o ambiente mais acolhedor para a contemplação do céu com uma enorme lua radiante e estrelas cintilantes, proporcionando maior aproximação entre as pessoas. Um verdadeiro espetáculo da natureza, que aproximava o homem do cosmos!

Na primeira festa realizada, denominada “Lual Contemplativo”, observou-se a influência poética e melancólica da lua, proporcionada pela magia da natureza sobre os estudantes residentes, os professores e os funcionários. Aquele momento contribuiu para despertar um processo de religação consigo mesmos e com a natureza, considerado significativo por cada estudante que esteve presente ao lual. Podia-se perceber a manifestação de processos de autovalia numa vivência ludopoiética, relativos ao valor que cada estudante atribuía a essa vivência. Tal fenômeno mostrava como as pessoas podem se tornar mais felizes em uma sintonia mais ampla com a natureza, como se pode observar nos seguintes depoimentos: “As festas do lual que sempre são feitas na escola são aguardadas com muita

ansiedade. Eu particularmante amo os luais que são realizados no açude (SOLO J.V.P., 2008) e outro “Sinto uma ansiedade e até aflição, pensando se tudo vai estar bem (SOLO J.J.S., 2008).

A expectativa gerada pela festa era cercada de um significado especial para os adolescentes. O momento da preparação se caracterizava por uma efervescência, seja na organização, seja na preocupação de cada um com sua imagem, por se tratar de um ato

coletivo extraordinário, extratemporal e extralógico. Isso possibilita que o sujeito se liberte

das amarras do cotidiano. Como afirma Perez (2002. p.19), “a festa é uma sucessão de instantes fugidios, presididos pela lógica do excesso, do dispêndio, da exacerbação, da dilapidação”. Durante as festas, observou-se a alegria e o contentamento estabelecidos nas relações entre os adolescentes, o que nos leva a destacar a autoconectividade ludopoiética. As sensações e emoções expressas pelos participantes nas festas iam alimentando o processo de formação do pensamento reflexivo dos estudantes, passando a fazer parte de suas histórias de vida, como foi revelado na seguinte fala: “Nas festas eu vi que nossa turma tem uma forte ligação entre uns e outros e que a distância que irá nos afastar ano que vem não acabará com nosso sentimento” (SOLO A.C.M., 2008).

As festas são momentos marcados pelo fio da ludicidade que se fortalece a cada trama que se forma, entrelaçando-se com o fio da reflexividade histórica e vivencial na vida dos residentes. No “Lual Contemplativo”, em especial, ocorreu a contemplação da lua cheia e, de maneira tímida e, ao mesmo tempo, curiosa, os estudantes se aproximaram do açude. Vimos a alegria de alguns quando entraram na água para brincar e tomar banho; nas brincadeiras de pular a fogueira; nos diálogos descontraídos nos pequenos grupos, que se formavam por afinidade pessoal.

Na festa do “Lual Havaiano”, evidenciaram-se mais intensamente os fios da criatividade e da sensibilidade, demonstrados no cuidado do grupo organizador com a decoração do espaço, buscando também a unidade temática nas vestimentas usadas e na culinária elaborada. A partir das observações que fizemos, destacava-se nesse contexto festivo, os processos da autovalia da vivência ludopoiética, devido ao valor gratuito atribuído pelos participantes ao trabalho realizado para a festa. Observamos a preparação de um ambiente humanescente com uma mesa bem decorada com frutas tropicais, salada de frutas, sucos e coquetéis variados, lembrando as festas do Havaí. Os organizadores, vestidos a caráter, usavam colares coloridos, que também foram entregues aos convidados com o objetivo de sensibilizá-los com a temática escolhida. O variado repertório musical e a tradicional fogueira na beira do açude realçaram o brilho dessa festa.

Em outra festa realizada no açude da escola, intitulada “Lual Sertanejo”, a dança e a música nordestina foram os destaques. Essa festa possibilitou uma alegria e um envolvimento maior entre os participantes, evidenciando-se a uma autofruição bem intensa. A linguagem musical favoreceu uma maior interação entre residentes, professores e funcionários. As músicas executadas pelo trio de músicos contratados pelos organizadores da festa para tocar o triângulo, a sanfona e a zabumba contaram com o reforço das batidas bem ritmadas do pandeiro, executado com muita satisfação pelo padeiro da escola. Assim, sobressaíram os fios da ludicidade e da reflexividade histórica, pois muitos fatos marcantes foram contados pelos participantes, principalmente pelas pessoas mais velhas ali presentes. Muitos relataram situações ocorridas em tempos passados, lembrando com alegria as festas do interior, como faz o Solo F.L.S., (2008) ao comentar o seu cenário na caixa de areia:

As festas organizadas na EAJ sempre nos trazem boas recordações, como por exemplo, as festas juninas de 2008, organizadas por nossa turma. Na direita inferior do cenário, observa-se os preparativos da festa, onde tentei representar a cozinha, na preparação dos alimentos servidos na festa. Fizemos bolo de milho, canjica, tapioca, milho cozido, cachorro quente e churrasquinho, comidas que comíamos nas festas do interior.

Ainda no açude da escola, foi celebrada a festa denominada “Lual Acústico”, realizada antes do recesso escolar do meio do ano, fazendo emergir os fios da ludicidade e o da reflexividade histórica dos estudantes com tanta espontaneidade. Essa festa apresentou uma beleza singular por envolver a cultura popular, com brincadeiras tradicionais, como o pombo-correio, caracterizada pela troca de bilhetes entre as pessoas da festa. Foram trocados bilhetes apaixonados com declarações de admiração e de amor entre os participantes da festa. A denominação dessa festa “Lual Acústico” deveu-se ao uso de aparelhos de som implantados nos automóveis, havendo, uma reverência à cultura tecnológica atual. Com isso, misturavam-se acontecimentos da tradição com a contemporaneidade, o que provocava descontração e sensação de liberdade, indicando a materialização dos processos da autofruição ludopoiética. Destaca o participante Solo H.S.M. (2008): “O lual me fez esfriar mais a cabeça para que eu voltasse ativamente a rotina escolar. Nesses momentos aprendemos também a nos soltar, perder a timidez”.

A diversificação das atividades ocorridas no “Lual Acústico” possibilitou um melhor conhecimento entre os residentes, com maior aproximação entre os participantes, propiciando envolvimento e a implicação do estudante consigo mesmo e com os outros, o que mostra a

presença da autoconectividade ludopoiética. Tal fato pode ser observado na fala de um estudante que participou na organização da festa sobre o seu cenário na caixa de areia:

A festa do lual organizado pela minha turma foi o lual acústico e essa

casinha representa o “cantinho do amor”. Nele o casal fica mais próximo

para se conhecer melhor! O pessoal chegando, todo mundo muito animado, e por fim, o pessoal da organização comemorando o sucesso que foi a festa (SOLO G.C.R., 2008).

Pode-se perceber, nessa declaração, o prazer do estudante em ter proporcionado momentos tão alegres a outras pessoas, especialmente por isso ter exigido dele e dos colegas bastante dedicação na preparação do ambiente, visando possibilitar momentos de fruição e maior aproximação entre os residentes.

Para os organizadores da festa, o trabalho de preparação da festa propiciou momentos de fluição. Como argumenta Csikszentmihalyi (1999), é possível a pessoa atingir o fluxo quando experimenta desafios, mesmo que em situação de trabalho, pois podem se sentir ativa, criativa, concentrada e motivada.

Com a proximidade das festas que marcam o ciclo junino: Santo Antônio, São João e São Pedro foi organizada a festa denominada “Lual da Pipoca”. Esta foi programada por um grupo formado por estudantes residentes de diferentes turmas, não envolvendo atividades com fins lucrativos. Os estudantes se organizaram em pequenos grupos com atribuições bem definidas. Um pequeno grupo se responsabilizou pela construção da fogueira, outro pela elaboração dos convites e a fixação de cartazes de divulgação nos quadros de avisos da escola e nos alojamentos masculinos e femininos, e um terceiro, juntamente com a professora coordenadora assumiu a responsabilidade de fazer os diferentes tipos de pipoca (doces, com chocolate e caramelizada; salgadas, com manteiga e katchup).

Observamos nessa vivencia festiva os fios da ludicidade e da reflexividade histórica, a partir das brincadeiras e de músicas tradicionais que lembravam momentos da infância dos residentes. Esses fios que tecem a nossa da corporeidade também estão implicados no processo a que se relacionm à autovalia ludopoiética.

Durante essa festa, os residentes se acomodaram em pequenos grupos, sentados sobre mantas espalhadas no chão. Não houve nenhuma preocupação dos organizadores quanto à preparação do ambiente: a própria natureza se encarregou de acolher todos os que desejavam contemplar e aproveitar com os amigos as belezas de uma noite de lua cheia, saboreando pipocas com temperos diversos, cantando músicas escolhidas pelos estudantes e

tocando instrumentos como violão, pandeiro e reco-reco. Foram horas vivenciadas em clima de descontração e alegria que possibilitaram uma maior interação entre os residentes, fortalecendo laços de amizades e propiciando um rico espaço de contemplação da natureza.

Benzer Belgeler