2.8 Gösterimseller
2.8.6 Zaman nedir?
A revista Veja publica muitos parágrafos dedicados às vozes contrárias às privatizações. Entretanto, em todos os casos trata-se da revista respondendo a vozes contrárias que nunca são efetivamente reveladas e jamais são diretamente citadas. Em geral, são na verdade desqualificadas, especialmente quando se trata da figura de Lula ou seus aliados, conforme os trechos que seguem:
A maioria dos que defendem as estatais acha que elas não precisam dar lucro. Seu objetivo varia. Nessa argumentação, ou servem para uma função social, manter o emprego de seus funcionários, ou tem uma razão estratégica, como preservar as riquezas do país. Quem paga por tudo isso, sem que o ouçam, é o contribuinte, pois os prejuízos terminam sempre cobertos pelo Tesouro Nacional. (ALMEIDA; FERREIRA, 1997, p. 69-70).
“Se o leilão da Telebrás não for adiado por uma daquelas ações judiciais apresentadas à última hora pelos adversários da privatização, o brasileiro estará assistindo a uma mudança
histórica que terá ampla repercussão na vida de milhões de pessoas” (NETO; PATURY, 1998, p. 102).
É curioso notar que as empresas privadas estão sendo chamadas a consertar um sistema destruído pela gestão estatal. Para alguns é de entortar a cabeça e subverter certos valores enraizados. Um dos principais argumentos contrários à venda da Telebrás é que a iniciativa privada não se interessa pelo pobre e só vai dar telefone aos mais ricos. De acordo com este raciocínio, só a empresa estatal, com sua genuína preocupação social, pode levar o telefone até o rincão e os bairros mais pobres. De acordo com uma análise feita pela Anatel, 81% dos telefones residenciais instalados no país pela Telebrás estão nas mãos dos 16% mais ricos. E os 57% mais pobres dividem apenas 2% dos telefones. A classe A tem duas linhas por família. A classe D, uma linha a cada 100 famílias (NETO; PATURY, 1998, p. 105-106). “A suspeita é que a calma possa ser uma estratégia da oposição para entrar na justiça com um caminhão de ações na ultima hora” (NETO; PATURY, 1998, p. 107).
Para os críticos da privatização da Telebrás, apresentam-se ainda duas contas. Para manter seus serviços com um padrão aceitável, a estatal teria de investir 10 bilhões ao ano. Já que o setor privado passou a cuidar disso, a verba pode tomar caminhos mais urgentes.
A outra conta é a seguinte. O governo era proprietário de 19% das ações da Telebrás. A preço de mercado, esse bolo de ações valia 13,5 bilhões de reais. No leilão, no entanto, arrecadou-se quase o dobro. Se isso é um mau negócio, segundo a crítica comum dos que se opuseram à privatização, então é o caso de se perguntar exatamente o que é um bom negócio. (DIEGUEZ, FRANÇA, 1998, p. 41-42) A mesma matéria denomina as vozes contrárias às privatizações de “Antiprivatistas”.
O centro da cidade se transformou numa área de pedradas, bombas de gás lacrimogêneo e golpes de cassetete, cena comum a outras privatizações. Mas o que se notou no meio da bagunça foi a ausência de qualquer líder expressivo da oposição nos leilões. O candidato Lula, por exemplo, ferrenho opositor à venda, preferiu fazer discurso a metalúrgicos na região do ABC, em São Paulo. Leonel Brizola também ficou recolhido”. Esta matéria cumpre o duplo objetivo de criminalizar os opositores à privatização presentes à manifestação e desqualificar os ausentes. A imagem principal da matéria é uma foto que vem acima do título, como pode ser observado na figura 6, a seguir. (DIEGUEZ, FRANÇA, 1998, p. 42)
Figura 6 - Imagem principal da matéria “22 bi no bolso”, publicada pela revista Veja em 5 de agosto de 1998
Fonte: Acervo disponível na página eletrônica da revista Veja
A imagem da figura 6 traz um jovem vestindo a camisa amarrada no pescoço e calça jeans com um pedaço de bloco de concreto na mão, prestes a jogar em algum lugar (ou alguém). O alvo real não aparece, mas a composição de imagens leva a crer que o destino do bloco de concreto é o ministro Mendonça de Barros, cuja foto aparece na página seguinte, posicionada ao lado da primeira. Ou seja, o alvo simbólico do concreto prestes a ser lançado é a política de privatizações, conduzida pelo referido ministro. Ao fundo, na primeira foto, outro jovem com o rosto escondido por trás de sua própria camisa, como quem não quer ser reconhecido. Ao lado do jovem sem camisa, placas sinalizam “EMERGÊNCIA”. A legenda deixa claro quem esses jovens representam para a revista: “Manifestante nas cercanias da bolsa: Lula ficou no ABC e Brizola preferiu se recolher” (DIEGUEZ, FRANÇA, 1998).
Foi a privatização da Telebrás que levou o telefone às camadas mais pobres da população, dando aos marceneiros, encanadores, mecânicos, costureiras, cozinheiras e outros profissionais um imprescindível instrumento de trabalho. O Brasil caminha para ter 100 milhões de telefones celulares, vendidos a preço de banana e com tarifas ao alcance do bolso dos trabalhadores. A Telebrás que Lula endeusa vendia um telefone por 5 000 dólares e, pior, não o entregava. Só os amigos do rei conseguiam ver suas linhas instaladas. Vivessem as telecomunicações ainda sob o jugo da
Telebrás hoje, só os petistas teriam direito a um telefone. Será que é isso que atrai Lula no modelo estatal de telefonia? (GUADALINI, 2006, p. 54).
Com tom bastante ácido e direto, este trecho não esconde o posicionamento da revista em relação à figura de Lula: “O estatismo ruiu em todo o mundo, por sua ineficiência e estímulo à corrupção. Sua reencarnação tropical sob os auspícios do PT é anacrônica e altamente suspeita” (GUADALINI, 2006, p. 54).
Não foi encontrado contraponto nas matérias da revista Carta Capital.