BÖLÜM 2 : TÜRKĐYE'DE BAĞIMSIZ DENETĐM ĐLE ĐLGĐLĐ
2.3. Bankalar Kanununa Göre Bağımsız Denetim
Cada ouriço-preto marcado foi acompanhado através da técnica de radiotelemetria (método homing, MECH, 1983) por 2 a 4 noites de cada mês em sessões que abrangeram a primeira e segunda metade da noite alternadamente (17h00-23h50 e 00h00-06h00), ao longo de aproximadamente um ano, conforme o esforço e período amostral apresentado na Tabela 4.1.
Quando a sessão foi realizada na primeira metade da noite (17h00-23h50), os ouriços foram localizados novamente no dia seguinte as 06h00, e em se tratando de sessão realizada na segunda metade da noite (00h00-06h00), a localização dos ouriços se dava as 17h00 do dia anterior. Desta forma, foram obtidos 151 registros pontuais adicionais sobre os locais em que se encontravam os animais marcados durante o dia (Tabela 4.1).
Durante o acompanhamento dos ouriços-preto por radiotelemetria, os animais foram observados pelo método de amostragem instantânea (ALTMANN, 1974) a cada 10 minutos de intervalo, sendo anotado o tipo de comportamento do animal, tipo de vegetação, a árvore, a altura, o tipo de suporte e o local da copa onde o ouriço se encontrava. Estas categorizações de comportamento, vegetação e recurso estão detalhadamente descritas nos itens a seguir.
As observações comportamentais se limitaram ao tipo de atividade que o animal realizava durante o registro instantâneo, de forma a identificar para qual finalidade o animal estava naquele local durante aquele momento. Deste modo, o comportamento foi registrado, conforme definido no Capítulo 3 deste trabalho, nas seguintes categorias: repousando, alimentando, viajando, eliminando dejetos, autocatando, e cuidados parentais.
Tabela 4.1 – Período e tempo de acompanhamento dos ouriços-preto em três remanescentes florestais do município de Ilhéus, Bahia, Brasil
Esforço amostral Ouriço
(1) Sexo
Peso
(g) Período Meses Dias
(2) Horas Registros pontuais (3) CS01 F 1650 08/04/05 a 17/03/06 11 35 223 31 CS02 F 1650 13/06/05 a 02/07/06 13 42 271 37 CS03 M 1500 09/10/05 a 27/09/06 12 35 229 42 CS04 F 2000 29/10/05 a 28/09/06 11 34 220 41 Total 146 944 151
(1) Cada indivíduo recebeu um código de identificação com CS (padronizado para C. subspinosus) seguido pelo número representando a sequência de captura.
(2) O número de dias equivale ao número de sessões, visto que somente uma sessão foi feita por dia.
As árvores utilizadas pelos ouriços foram marcadas com um código de identificação, e em seguida foram mapeadas (detalhes no Capítulo 3 deste trabalho) e obtidas as suas posições geográficas, o que é equivalente ao ponto de localização do animal no momento do registro instantâneo. Os tipos fitofisionômicos de vegetação em que os animais se encontravam foram categorizados como: floresta, cabruca, capoeira, seringal e área aberta, conforme as definições expostas na Tabela 4.2. As árvores em que os animais se encontravam foram identificadas em herbário, através da amostragem de material fértil e não fértil em campo, e caracterizadas quanto a seis atributos não-taxonômicos: diâmetro à altura do peito (DAP), número de cipós, porcentagem da copa coberta por cipós, distância à borda do fragmento e presença ou ausência de bromélias e emaranhados de cipós, conforme metodologia descrita na Tabela 4.3.
A altura que o animal se encontrava nos momentos de observação foi estimada por comparação a pontos de referência (adesivos refletores) colocados estrategicamente em alturas conhecidas (5, 10, 15, e 20 m) dentro das áreas de vida, conforme método utilizado com primatas (MILNER; HARRIS, 1999; NATIONAL RESEARCH COUNCIL, 1981), e registrada em categorias de estratos verticais (0-2; 2-5; 5-10; 10-15; 15-20; > 20 m).
Tabela 4.2- Definições e considerações utilizadas para a determinação dos tipos de vegetação utilizados e/ou disponíveis nas áreas de estudo dos ouriços-preto
Tipo de
vegetação Definição e considerações
Floresta Vegetação secundária em estágio médio ou avançado de regeneração, caracterizada por ter altura média de dossel superior a 5 m, diâmetro à altura do peito (DAP) médio superior a 8 cm, e vegetação composta por plantas do gênero: Protium; Bowdichia; Tabebuia; Byrsonimia; Tapirira;
Virola; Inga; Joannesia; Pogonophora; Didymopanax; Simarouba; Luehea; Dughetia; Heliocostylis; Myrcia; Cupania; Pera, entre outras (BRASIL,
1994).
Capoeira Vegetação em estágio inicial de regeneração, caracterizada por ter uma altura média de dossel inferior a 5 m e DAP médio inferior a 8 cm, com vegetação composta por plantas dos gêneros: Piper; Scleria; Pshychotria;
Henriettea; Tibouchina; Trema; Heliconia; Telepteris; Attalea; Imperata; Mimosa; Vernonia; Vismia (BRASIL, 1994).
Cabruca Plantações de cacau (Theobroma cacao L.) em sistema agroflorestal, onde árvores nativas ou exóticas ocupam o dossel e promovem o sombreamento da cultura.
Seringal Plantação de seringueiras (Hevea brasiliensis, Willd. Ex A. Juss.) em sistema agroflorestal, cultivadas em meio à floresta nativa em sistema extensivo de produção.
Tabela 4.3 – Variáveis descritoras das árvores utilizadas pelos ouriço-preto em remanescentes de floresta do município de Ilhéus: metodologia de mensuração e categorização
Atributos não-taxonômicos Mensuração e Categorização
Diâmetro à altura do peito (DAP) Cálculo a partir da circunferência do caule tomado a 1,30 m do solo com fita métrica. Árvores categorizadas em: 10-20 m, 20-30 m, e > 30 m de diâmetro.
Número de cipós na árvore Contagem de cipós à altura de 1,30 m do solo, incluindo apenas aqueles com diâmetro > 1 cm ascendendo para a copa. Árvores categorizadas em: 0, 1-5, 6-10, e > 10 cipós. Porcentagem da copa coberta
por cipós
Estimativa visual, avaliando a proporção da área externa da copa infestada e escurecida pelos cipós. Árvores categorizadas em: 0-25%, 26-50%, 51-75%, e 76-100% de cobertura.
Distância à borda do fragmento Medição com trena da distância mais próxima entre a árvore e a borda do fragmento (último ponto coberto pelo dossel). Árvores categorizadas em: < 10 m; 10-20 m; e > 20 m.
Presença/ausência de emaranhados de cipós (potencial abrigo)
Inspeção visual da copa, considerando presente quando os cipós se entrelaçaram formando um ou mais pontos escuros na copa, com ou sem acúmulo de folhas secas. Registrou-se 0 ou 1 para ausência e presença, respectivamente.
Presença/ausência de bromélias (potencial abrigo e latrina)
Inspeção visual da copa, considerando presente quando foi observada uma ou mais bromélia de tamanho suficiente para acumular fezes, ou esconder um ouriço (diâmetro basal > 20 cm). Registrou-se 0 ou 1 para ausência e presença, respectivamente.
O suporte, local no qual o animal se encontrava apoiado durante o registro instantâneo, foi categorizado pelo tipo (cipó ou galho), inclinação (horizontal: <30o; inclinado: 30 a 60o; vertical: >60o) e diâmetro (fino: < 2 cm; médio: 2 a 7 cm; grosso: > 7 cm), sendo este diâmetro, estimado através da comparação do suporte com a base da cauda (Ø 2 cm) e cabeça (Ø 7 cm) do animal.
O local da copa da árvore utilizado durante o registro instantâneo foi classificado, segundo modificação do método de Johansson (1974), nas categorias: 1. “abaixo da copa” (ACP) quando o animal estava fora e abaixo da copa da árvore; 2. “porção interna da copa” (CPI), quando o ouriço estava nos ramos primários, entre a primeira e a segunda bifurcação da copa; 3. “porção mediana da copa” (CPM), quando o animal estava em ramos intermediários, entre a segunda e as ramificações terminais da copa; e 4. “porção externa da copa” (CPE), quando estava nos ramos externos, ou seja, nas ramificações terminais da copa (Figura 4.1).
Figura 4.1 – Locais na copa da árvore segundo a modificação do método de Johansson (1974). Desenho esquemático modificado daquele apresentado por Gerhard (2007)
Por apresentarem estruturas particulares, os locais de repouso diurno (geralmente abrigos) e os locais de deposição de fezes foram classificados em diferentes categorias (Figura 4.2 e 4.3). Os sítios de repouso diurno foram classificados em: emaranhado de cipós, folha de palmeira (animal a menos de 1 metro embaixo de folha de palmeira), copa densa de árvore (animal a menos de 1 metro embaixo de uma copa densa de árvore), bromélia, oco/concavidade na madeira, e local desabrigado (animal sem cobertura). Os sítios de deposição de fezes, aqui chamados de latrinas, foram classificados em: copa de palmeira, bromélia e oco/concavidade na madeira.
Figura 4.2 – Tipos de sítios de repouso diurno utilizados pelos ouriços-preto. A. emaranhado de cipós (no detalhe animal saindo do abrigo); B. copa de palmeira; C. oco na madeira; D. desabrigado. Não foi possível obter imagem do tipo “copa de árvore” e “bromélia”
Figura 4.3 – Tipos de sítios de deposição de fezes utilizados pelos ouriços-preto. A. copa de palmeira; B. bromélia. Não foi possível obter imagem do tipo “concavidade de madeira”. (Foto: G. Giné; F.Falcão)