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A sociabilidade é uma característica presente na Internet devido ao caráter estrutural de organização em rede de grupos sociais para dividir, articular e construir suas atuações e atividades conjuntas num tempo real. Estas manifestações se atualizam constantemente numa contínua troca entre grupos sociais através da criação de laços afetivos, culturais e de interesse comum formando uma sociabilidade instituída por uma nova lógica espacial e temporal. As relações sociais são reorganizadas numa sociedade global em

rede, como define Castells (1999). A diferenciação de socialização e sociabilidade é explicada por Souza & Santos (2009, apud BAUMAN,1997):

Nesse caso, entende-se que “a socialização (pelo menos na sociedade moderna) visa a criar um ambiente de ação feito de escolhas passíveis de serem ‘desempenhadas discursivamente’, que se concentra no cálculo racional de ganhos e perdas” (Bauman, 1997, p. 138). E, por outro lado, a sociabilidade deve ser observada através de uma emergência da multidão, na qual os indivíduos compartilham ações baseadas no instante em que se vive e nas condições semelhantes nas quais se encontram (SOUZA & SANTOS, 2009, p.06).

Por mais que a sociabilidade da Internet apresente um aspecto global de organização, ela se forma a partir de grupos específicos que partilham interesses comuns. O que não necessariamente envolve todos os seres que estão presentes na rede. Por exemplo, as discussões geradas por uma comunidade de alunos de jornalismo da UFPB têm repercussão dentro deste grupo e não precisamente na comunidade de todos os estudantes da UFPB. Mesmo que os membros da comunidade de estudantes de jornalismo participam e compõem a comunidade de alunos da UFPB de uma rede social virtual. Ou seja, as relações sociais de interesses na Internet mudam dependendo dos envolvidos e do espaço onde se encontram. Com isso a forma de sociabilidade estabelecida também se transforma. É necessário um estudo que investigue as diferentes formas de sociabilidades proposta no ambiente da Internet, o que não é o objetivo desta pesquisa.

Já no campo televisivo, constitui-se uma socialização por causa da característica de agregadora e articuladora de discursos comuns a partir da sua capacidade de transmissão que apresenta uma maior abrangência. A TV tem como principal aspecto a geração e estímulo de diálogos entre a audiência. Ela socializa o debate. Mesmo com a TV digital oferecendo a opção de uma programação de nichos, o alcance da TV nestes nichos é amplo. Pelo seu caráter abrangente a televisão comunica para um todo coletivo. É a lógica do assunto comum destacada por Guido Souza Filho (2009) quando afirma:

Mas acredito que a questão do assunto comum permanecerá. Porque as pessoas eventualmente precisam quebrar o gelo, o assunto comum é ponto de partida para uma conversa. E ter assunto é tão importante que muita gente considera o assunto mais importante do que a comida. Tem residência com televisão e sem geladeira (SOUZA FILHO, 2009, p. 129).

O potencial de gerar a socialização de assuntos comuns se dá pela própria estrutura tecnológica do sistema de transmissão, segundo Souza Filho. Diferentemente de mídias com a Internet, o envio de informações se realiza pela emissão e recepção momentânea e abrangente da TV. A Internet apresenta possibilidade de atingir audiências mundiais, mas é necessário não só um aparelho (computador). Outro aspecto é que a experiência de recepção na Internet é individual por excelência, enquanto a da televisão historicamente surge como um ponto de encontro e compartilhamento de momentos coletivamente. Ao contrário da TV, ainda no Brasil o computador e a Internet não apresentam grande penetração nos lares brasileiros. O diferencial de socialização da TV em relação a outras mídias é justamente a sua capacidade de atingir uma grande audiência e a partir disto gerar e estimular um interesse comum de assuntos que são divididos por diferentes grupos.

A necessidade da audiência em compartilhar suas opiniões, inquietações e revoltas sobre um fato, uma cena de novela ou uma postura de uma personalidade da TV é um aspecto caracteristicamente forte na cultura brasileira. Os diálogos mais comuns estabelecidos pela audiência geralmente partem de algo que foi transmitido na televisão. A TV intensifica a socialização de assuntos cotidianos presentes nas conversas de família, trabalho, grupos de amigos e ambiente coletivos.

Newton Cannito também compartilha da ideia do assunto comum defendido por Guido Souza Filho (2009). Para Cannito (2010, p.155) a prática televisiva é essencialmente coletiva e por isso é uma “catalisadora de conversas”. “As pessoas assistem não apenas para ter uma experiência individual, mas também para dialogar com o vizinho. Mais do que simplesmente criar um final que seja seu, o público de televisão quer debater o final exibido”. A televisão é uma mídia social por natureza já que se configura como um ponto de discussões públicas, sociais, econômicas, culturais e políticas.

Segundo Guido Souza Filho (2009) a lógica do assunto comum já está introspectiva na cultura brasileira e é estendida em alguns casos para o ambiente da Internet. Para exemplificar sua posição o autor ressalta:

Qual a estratégia do Youtube, do Myspace para resolver o problema do

lost in mídia space? Audiência. Se muita gente assistiu, é porque o

negócio é interessante. Essa ainda é a lógica da audiência, e também de que você sabe que as outras pessoas terão assistindo e você poderá comentar com elas. É o assunto comum (SOUZA FILHO, 2009, p. 132).

Atualmente, há um movimento de retroalimentação de assuntos gerados na TV que são potencializados na Internet e vice-versa. Neste sentido, tanto a TV como a Internet se completam. Juntas, elas configuram o cenário dos principais debates públicos atuais da sociedade contemporânea. Um exemplo deste movimento são os inúmeros portais e sites que promovem debates sobre fatos atuais articulados pela audiência. A mídia televisiva percebeu este potencial e o agregou para alguns dos seus conteúdos, criando sites e portais onde dialogam sobre determinado assunto e estimulam o envio de material. A respeito destes dois exemplos será feita uma análise descritiva de sites e portais que de alguma forma estimulam a produção colaborativa da audiência para o jornalismo.