• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

3.2. Bankacılık Kanununda Yer Alan Düzenlemelerde Denetim Komitesi

A paisagem terrestre é produto da combinação entre processos geológicos e fisiográficos, história climática, variação temporal, padrões de colonização de organismos e possíveis perturbações nos ecossistemas locais; efeito de uma evolução específica, com diferentes formas de relevo, tipos de vegetação e usos do solo, organizada em fragmentos ou manchas (Villotta 1991, Forman & Godron 1986). Para Maximiano (2004), a paisagem se organiza de maneira dinâmica, sendo produto das interações entre elementos de origem natural e humana, podendo ser compreendida como uma manifestação do espaço geográfico.

O termo “paisagem”, no sentido científico-geográfico, foi introduzido pelo geobotânico, A. von Humboldt, no início do século XIX, referindo-se à “característica total de uma região terrestre” (Metzger 2001). A partir daí, a paisagem deixou de ser entendida apenas pela visão estética ou como parte do ambiente físico e passou a ser concebida de maneira integrada, considerando a totalidade do espaço de vida humano (Nucci 2007).

Os conceitos mais modernos empregados para definir uma paisagem possuem caráter interdisciplinar, integrando as esferas ambientais e sociais. Tal percepção considera o estudo da paisagem como primordial frente à compreensão dos problemas relacionados ao desenvolvimento sustentável (Lang & Blaschke 2009).

O planejamento da ocupação e conservação da paisagem deve levar em consideração a compatibilização do uso das terras com a sustentabilidade ambiental, social e econômica (Metzger 2001). No entanto, conforme relata Bensusan (2006), o avanço crescente da humanidade sobre o meio ambiente, em função das tecnologias desenvolvidas que permitem explorar mais rapidamente a natureza, tem causado profundas modificações na paisagem com influência direta na destruição da biodiversidade.

Em 1938 o biogeógrafo alemão, Carl Troll, utilizou o termo “ecologia de paisagens” destacando o uso da fotointerpretação como técnica futura a ser empregada nos estudos da paisagem (Troppmair 2001). Apesar de ter origem semelhante à ecologia de ecossistemas, a ecologia da paisagem difere desta pela preocupação com a heterogeneidade espacial, combinando a análise geográfica com o estudo funcional da ecologia, sendo considerada como a base científica para o planejamento, manejo e conservação da paisagem (Naveh & Lieberman 1994, Christofoletti 1999, Metzger 2001, Silva 2004, Odum & Barret 2007).

O estudo da ecologia da paisagem leva em consideração a dinâmica da heterogeneidade espacial da paisagem e seus efeitos nos processos ecológicos, podendo ser analisada segundo três características: estrutura, função e mudança (Forman & Godron 1986).

13

A estrutura da paisagem é baseada nas relações espaciais de ecossistemas distintos, mais especificamente: distribuição de energia, matéria e espécies em relação ao tamanho, forma, número e configuração dos ecossistemas. A função corresponde às interações ou fluxos entre os elementos espaciais, como o trânsito de animais e a dinâmica populacional e de fragmentos. A mudança refere-se à alteração na estrutura e na função do mosaico ecológico ao longo do tempo (Forman & Godron 1986).

O estudo da Ecologia da Paisagem tem assumido dimensões científicas expressivas por meio de pesquisas que abordam a integração entre o ordenamento territorial e a conservação biológica, considerando os aspectos físicos, biológicos e socioeconômicos de determinada região, assim como o seu histórico de perturbação antrópica (Primack & Rodrigues 2001). Dentre as principais contribuições da ecologia da paisagem, destacam-se: a consideração sobre a importância da heterogeneidade espacial e da escala nos estudos ecológicos e a possibilidade de obtenção de respostas diante dos problemas ambientais relacionados à fragmentação de habitats e ao uso inadequado dos solos e da água (Wiens 1999, Metzger 2001).

A crescente fragmentação das paisagens tem contribuído para a perda da diversidade biológica nas diversas regiões brasileiras, podendo associá-la à redução na extensão dos habitats naturais, exploração econômica de recursos naturais, caça, extrativismo e poluição (Fonseca et al. 1997). Considerada como um processo dinâmico, a fragmentação de habitats pode ser originária de causas naturais ou antrópicas, na qual uma grande e contínua área de habitat é dividida em manchas ou fragmentos, implicando na perda de habitats como um todo, na redução do tamanho dos fragmentos remanescentes e no crescente isolamento destes fragmentos (Cerqueira et al. 2005).

Para Harris (1984), a diminuição da área de manchas florestais pode afetar a dinâmica de populações de plantas e animais e comprometer a sustentabilidade do ecossistema. De acordo com Viana & Pinheiro (1998), o potencial de sustentabilidade de fragmentos florestais é decorrente da área, forma, isolamento, vizinhança e relação da população do entorno com o fragmento. Fahrig (2003) destaca quatro efeitos do processo de fragmentação sobre o padrão de uso do habitat: redução na extensão do habitat original, aumento no número de fragmentos, diminuição no tamanho dos fragmentos e aumento no isolamento dos fragmentos.

Para Cerqueira et al. (2005), a fragmentação de habitats é a mais profunda alteração causada pelo homem ao meio ambiente, considerando que habitats naturais, quase contínuos, foram transformados em paisagens compostas por manchas isoladas do habitat natural. Farina (2007) cita a perda de espécies nativas de plantas e animais, invasão de espécies exóticas, aumento da erosão e piora da qualidade das águas como algumas das conseqüências da fragmentação de habitats.

14

Forero-Medina & Vieira (2007) relacionam a extinção de espécies e perda de diversidade biológica como uma das principais causas decorrentes da fragmentação de habitats. Com base em extensa revisão bibliográfica, os autores citam algumas conseqüências negativas do processo de fragmentação: redução do número de espécies com a diminuição da área do fragmento; interfere na abundância e distribuição das populações; reduz a probabilidade de persistência em populações isoladas que ocupam pequenos fragmentos; afetam o sucesso reprodutivo e a taxa de predação.

No relatório do Ministério do Meio Ambiente – MMA (1999), sobre Estratégia de Conservação in situ no Brasil, é enfatizada a preocupação com o isolamento geográfico das UCs em decorrência da fragmentação de habitats em seu entorno: “Na ausência de medidas que impeçam a antropização progressiva dos espaços que circundam as unidades de conservação, essas últimas passarão a se comportar como fragmentos crescentemente isolados em um oceano de habitats essencialmente inóspito [...] A matriz da paisagem é pois um complemento essencial para assegurar a proteção da diversidade biológica”.