Estado Polo Nº de municípios-
membros(*)
Municípios do PDSRT do Meio-Norte inseridos no Prodetur Nacional
CE Polo Ceará Costa
do Sol 18
Acaraú, Barroquinha, Camocim, Chaval, Cruz, Granja, Itarema, Jijoca de Jericoacoara e Viçosa do Ceará,
MA Polo São Luís e
Entorno 5 Nenhum
PI Polo Costa do
Delta 5
Ilha Grande, Parnaíba, Cajueiro da Praia e Luís Correia
Fonte: BNB, 2013.
Seguindo a lógica da descentralização proposto no PNT-2007, ações de integração ministerial também surgem como meta a ser delineada, promovendo o uso da temática turística a ser usada de modo transversal entre as diversas esferas e pastas de governo. Nesse sentido, temos por meio de uma ação interministerial, o uso do termo regional na delimitação de políticas públicas a serem desempenhadas sob o enfoque da organização da infraestrutura básica a ser pensada para o turismo.
Sob essa ótica, emerge a tomada do processo de interligação dos trabalhos entre os Ministérios do Turismo (Mtur) e da Integração Nacional (MiN). Criado em 2003, o MiN apresenta em seu escopo o foco destinado ao desenvolvimento de programas regionais de desenvolvimento. Agindo com o retorno de antigas autarquias, como a Sudam e Sudene, o Ministério da Integração Nacional vem ter na Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) sua principal diretriz de atuação.
Assim como os diversos outros projetos já destacados neste trabalho, o PNDR também surge sob a égide de promover a redução das desigualdades regionais, buscando sob o avivamento das possíveis potencialidades de desenvolvimento de cada macrorregião específica, promover uma melhoria na qualidade de vida no país.
Apesar de desempenhar papel de avanço no debate regional brasileiro, na medida em que propõe a reflexão sobre o desenvolvimento desigual do país, além da criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), o PNDR apresenta uma série de problemáticas referentes ao seu embasamento norteador. Assim, concordamos com Ribeiro (2005) ao asseverar que se valer de dados referentes a variação de renda e PIB empobrece os determinantes para esta concepção de escala regional. Dessa forma, pontos como identidade e
a relação de redes de ação pré-existentes – essenciais para possibilitar a compreensão de um projeto de cunho regional – deixam de ser o ponto de partida e tornam-se objetivos a serem alcançados pelo referido projeto. Tendo em vista essas observações, é proposta a partir do PNDR a elaboração de uma série de projetos regionais com uma diversidade de escopo temático específico, a saber:
a) Plano de Desenvolvimento Sustentável da Área de Influência da Rodovia BR- 163 – Cuiabá-Santarém;
b) Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável do Arquipélago de Marajó; c) Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável (PDRS) do Xingu.
Nesse contexto é proposto também o Plano de Desenvolvimento Sustentável da Região Turística do Meio Norte, em 2009, tendo como base, para sua gênese, as metas gerais pré-estabelecidas pelo PNDR. Elegendo o turismo como a potencialidade a ser desenvolvida nessa pretensa região, esta é a meta a ser alcançada no conjunto de trabalhos a serem elaborados por meio da articulação com os Estados do Ceará, Piauí e Maranhão. Assim, fruto da articulação entre os Ministérios da Integração Nacional e o Ministério do Turismo, a partir da interligação do PNDR e o PNT-2007, o Plano Meio-Norte surge como primeiro projeto nacional a estabelecer a formação regional turística, tendo um eixo temático específico, aqui no caso retratado pelo estabelecimento da Rota das Emoções.
Araújo (2007), ao tratar sobre a tomada da Política Nacional de Desenvolvimento Regional destaca sua importância da retomada desse tipo de modalidade de política pública no país, sobretudo ao privilegiar escalas menores do que os modelos criados na época da criação das superintendências regionais, cujo enfoque dava-se no campo macrorregional. Porém o tratamento dado à formação de sub-regiões (ARAÚJO, 2007, p. 2) traz consigo um campo complexo e contraditório que não se distância da realidade perpetuada pelas macrorregiões brasileiras.
Fruto da política regional do PNDR é formado as bases de estruturação do Plano Meio-Norte, ao qual vêm incorporar um conjunto de noventa municípios da zona norte dos estados do Ceará, Piauí e Maranhão (CEPIMA) Tendo como enfoque a temática do despertar de potencialidades turísticas nos municípios-membros, o plano regional emerge sob a justificativa de trazer dinamismo socioeconômico à uma área que apresenta um quadro de intenso atraso e estagnação econômica. Nesta:
[O PDSRT do Meio-Norte] deve ter como ponto de partida a atual situação da região, sua débil estrutura produtiva, e uma total falta de dinamismo de sua economia, frutos de um processo histórico de relativo isolamento em relação aos centros políticos dos três estados, o que resultou inclusive em precárias condições de acessibilidade até hoje a grande número de municípios. [...] Em face da débil base econômica local, essas estratégias estão em consonância com a necessidade imperiosa de se ampliar o nível de atividade econômica da região, em bases sustentáveis, elevando os níveis de emprego, renda e produtividade (BRASIL, 2009a, p. 89).
Incluindo cinco dentre os dez municípios com piores índices de IDH do Nordeste – Araioses (MA), Caraúbas do Piauí (PI), Santana do Maranhão (MA), Milton Brandão (PI), Murici dos Portelas (PI) – esse novo Meio-Norte apresenta um IDH médio de 0,567, distante da meta do Ministério da Integração de 0,699 (referente a média nacional) (verificar Mapa 5, com o IDH dos municípios do Plano Meio-Norte).
Para sua implementação, o PDSRT tem em seu escopo basilar o desenvolvimento de uma rota turística forjada a partir de um roteiro conhecido pelo meio turístico desde os anos 1990. O referido integra três importantes destinos turísticos da região: o Parque Nacional de Jericoacoara, o Delta do Parnaíba e o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
Num primeiro olhar, o plano visa como ponto de partida a atual situação da região, sua débil estrutura produtiva e a falta de dinamismo da economia local. Tal situação parte de uma justificativa histórica, na qual o relativo isolamento – notadamente referente a distância das três capitais estaduais (Fortaleza, Teresina e São Luís) – não permite alteração efetiva no quadro sociopolítico de grande parte dos noventa municípios membros do novo plano regional. Quadro marcado por dependência e atraso econômico de toda ordem.
Sendo a proposta para o PDSRT do Meio-Norte definida como participativa, dado a série de reuniões realizadas no período de sua elaboração, é importante observar que essas ações não resultaram necessariamente num conjunto de proposições que vislumbrassem o desenvolvimento turismo a partir da gerência de uma base apoiada pelos atores locais. Os seis encontros ocorridos com a comunidade (ver Figura 47 e Tabela 3), longe de propor uma consulta, desempenharam o papel midiático de apresentar um projeto já pré-acordado.
Figura 47 - Consultas públicas a respeito do PDSRT do Meio-Norte realizadas no mês de
Agosto de 2009, realizadas em Chapadinha-MA, Esperantina-PI e Tianguá-CE.
Fonte: ADRS, 2009.
- Tabela 3 -