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Baha Tevfik’in Dinler Hakkındaki Görüşleri

Cinquenta exemplares de caranguejo-uçá,Ucidescordatus,todos machos, com 7 cm delargura de carapaça (Figura 2), foram capturados em uma área localizada no manguezal do rio Jundiaí, com autorização do SISBIO (Nº 29499-1). Em seguida, os animais foram lavados com água do próprio rio, acondicionados em isopor com gelo, para uma melhor conservação, e transportados ao laboratório.

No laboratório, as amostras foram lavadas com água abundante, para a remoção dos resíduos de sedimentos do mangue; em seguida, a carne foi removida do exoesqueleto com o auxílio de martelo e colheres de plástico.Para o presente estudo, foi utilizada a carne do músculo das patas do caranguejo, por ser usualmente mais apreciada e consumida pela população local. Para a determinação do peso úmido 10 g de cada amostra, foram colocadas em triplicatas em cápsulas de porcelana e postas para a secagem em estufa com ventilação, a 105ºC, esfriadas em dessecador e pesadas, até se obter peso constante.

Após a secagem, 10 g de cada amostra em triplicata foram adicionadas aos cadinhos, sendo realizadas carbonização e calcinação em mufla. Para a abertura das amostras, foi realizado o ataque ácido com HCl 10 %; em cada cadinho com cinzas, foram adicionados 10 mL de HCl 10 %; após 20 minutos, as amostras foram filtradas em funil com papel-filtro para um balão de 100 mL, repetindo-se o procedimento até se completar o volume final dos balões.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados dos parâmetros físico-químicosem águaem pontos de amostragem localizados entre Macaíba e Natal, e dos elementos Cd, Cu, Pb, Cr, Ni e Zn adsorvidos na fração fina dos sedimentos (períodos seco e chuvoso) nos mesmos pontos, são apresentados, comparados e discutidos em 3.1e3.2,respectivamente. Os elementos químicos Cd, Cu, Pb, Cr, Ni e Zn dosados na carne da pata do caranguejo-uçá (em peso úmido) são mostrados noitem 3.3, avaliados à luz da legislação vigente, e comparados com dados obtidos na literatura para outros organismos (tainha, siri, sururu e mexilhão) neste mesmo estuário e para siris do rio Cubatão. As informações obtidas para metais adsorvidos na fração fina dos sedimentos na presente pesquisa, e em trabalhos anteriores na mesma área, permitem afirmar, dentre os metais estudados, quaisos estão associados a atividades humanas no entorno do estuário e evidenciar uma provável relação entre estes dados e os dos metais dosados no caranguejo-uçá (item 3.4).

3.1 PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS

A média dos valores dos parâmetros físico-químicos em água obtidos em campo com a sonda Multiparamétricaé apresentadana Figura 3. Os valores de oxigênio dissolvido (Figura 3A) diminuem entre Macaíba e a ponte do Igapó, local que apresentou os mais baixos valores de OD nas estações seca e chuvosa, ficando abaixo do limite mínimo estabelecido pela resolução CONAMA, que é de 5mg/L para água salobra Classe 1. Vale salientar que esse ponto se encontra em um local muito populoso, sofrendo influência das atividades das áreas circunvizinhas e do aporte das águas dos rios Golandim e Potengi. Entre a ponte de Igapó e o Canto do Mangue, há um aumento nos valores de OD.

Figura 3 – Parâmetros físico-químicos estabelecidos em água nos pontos de amostragem.

Período seco: losangos; período chuvoso: quadrados

A B

C D

E F

Observou-se aumento de pH, temperatura, cloreto e condutividade (Figura 3B, C, D e E) entre a cidade de Macaíba e a desembocadura do estuário, com exceção dos parâmetros cloreto e condutividade no período chuvoso, que são menores na ponte do Igapó. Para o pH, todos os pontos se apresentam dentro dos padrões estabelecidos para água salobras , Classe 1, da Resolução 357/05 (6,5-8,5), tanto na estação seca quanto na chuvosa. A turbidez é elevada

parâmetro na ponte dos Guarapes e no Canto do Mangue.

Comparando-se as estações seca e chuvosa, verifica-se que o cloreto apresenta valores mais elevados no período de maior precipitação, enquanto que OD e temperatura são menores para o mesmo período.

3.2 METAIS EM SEDIMENTOS

Após as leituras por AAS-CHAMA, os valores dos metais encontrados no sedimento encontram-se expressos na Tabela 1.

Os teores dos metais pesados lixiviados a partir da fração fina dos sedimentos de fundo coletados na estação seca (de menor precipitação) foram iguais (Cd) ou maiores (Cu, Pb, Cr, Ni e Zn) que os teores dos sedimentos coletados nos mesmos pontos na estação chuvosa (Tabela 1). Observa-se que o ponto P4, na estação chuvosa, apresentou maior concentração de cádmio (1,2 mg/Kg).Cabe salientar que esse ponto de amostragem fica próximo ao porto da cidade de Natal, em uma área com muita influência antrópica, o que pode estar relacionado à presença de tal elemento no ambiente.

Nos pontos P1 e P4, as concentrações do chumbo na estação seca apresentaram-se elevadas, destacando-se P1, em Macaíba, com um teor de 182 mg/Kg. As prováveis fontes de chumbo são as atividades antrópicas desenvolvidas na região, uma vez que as maiores concentrações foram encontradas nos pontos com alta densidade demográfica (P1 e P4) e intensa movimentação de embarcações (P4). Para o cobre, o ponto de amostragem da cidade de Macaíba (P1), na estação seca, apresentou o maior teor, seguido do teor do ponto 4. No que se refere ao zinco, destacam-se os pontos 4 (118 mg/Kg) e o ponto 1 (86 mg/Kg). Também foi possível observar que, para quase todos os elementos, as maiores concentrações foram encontradas nos pontos de amostragem mais próximos da zona urbana das cidades de Macaíba (P1) e Natal (P4).

Tabela 1 – Concentração de metais nos sedimentos (estação seca/estação chuvosa) do rio Jundiaí,

estuário do rio Potengi, no ano de 2011

A Figura 4 mostra a comparação entre as concentrações dos metais analisados nos sedimentos nos períodos seco e chuvoso. Verifica-se, de maneira geral, que o teor dos metais analisados apresentou redução nas concentrações durante o período chuvoso (Figura4), exceto para o cádmio, cujo teor nos sedimentos se manteve constante em quase todos os pontos, apresentando um discreto aumento no Canto do Mangue. O chumbo,no Guarapes, apresentou aumento na estação chuvosa, que pode ter ocorrido pela entrada dos metais escoados com a chuva provenientes do P1 (mais a montante da cidade de Macaíba).

Os resultados das concentrações dos metais nos sedimentos encontrados nesse estudo foram comparados com outros estudos realizados nos rios que compõem o estuário do rio Potengi (Tabela 2) e em outros rios e estuários do Brasil e do mundo (Tabela 3).

As informações encontradas no rodapé da Tabela 2 permitem a comparação dos resultados obtidos no presente estudo com dados de pesquisas desenvolvidas por quase uma década nas principais drenagens da área do estuário (GUEDES, 2003; SINDERN et al, 2007;SOARES, 2006). Nos estudos anteriores, foram analisados sedimentos finos, submetidos à lixiviação por água régia (digestão ácida forte), enquanto que, neste trabalho, utilizou-se HCl 0,5M (digestão ácida fraca) para a remoção dos metais adsorvidos nas partículas da fração < 0,063 mm.

Metais

Sedimentos (mg/Kg) Estação seca/estação chuvosa

Ponto 1

Macaíba Ponto 2 Guarapes Ponto 3 Igapó

Ponto 4 C. Mangue Cádmio 0,4 / 0,2 0,6 / 0,6 0,6 / 0,6 1,0 / 1,2 Cobre 36,8 / 9,0 8,8 / 7,2 5,2 / 5,2 20,6 / 8,8 Chumbo 182 / 28 26 / 30 28 / 24 52 / 44 Cromo 22,4 / 7,8 24 / 18,4 20,4 / 10,6 20,6 / 7,0 Níquel 10 / 8,0 12 / 6,0 12 / 6,0 16 / 8,0 Zinco 86 / 27,2 48 / 21,8 38 / 15 118 / 34

Figura 4 – Comparativo dos teores de metais em sedimentos na estação seca (losangos) e

chuvosa (quadrados)

Em uma comparação entre períodos de precipitações distintas, os teores máximos para Cu, Pb, Cr, Ni e Zn foram observados na estação seca. Isso pode estar relacionado às menores vazões nas drenagens que compõem o estuário em época de chuvas mais escassas. Teores máximos na estação seca para os elementos Pb, Cr, e Ni foram observados por Guedes (2003) no rio Jundiaí, nas adjacências da cidade de Macaíba (Tabela 2, linhas 1 e 2).

Tabela 2–Comparativo com estudos realizados nos sedimentos dos rios que compõem o estuário do

Rio Potengi

Concentração dos metais em mg/Kg; <LD – Abaixo do limite de detecção; Min – valor mínimo encontrado; Max – valor máximo encontrado; (a) Rio Jundiaí (GUEDES, 2003), fração < 0,063 mm, água régia, ICP – Plasma Indutivamente Acoplado, período seco; (b) Rio Jundiaí (GUEDES, 2003), fração < 0,063 mm, água régia, ICP, período chuvoso; (c) Rio Potengi (SINDERN et al, 2007), sedimentos finos, água régia, AAS e ICP(Ni, Cr); (d) Rio Doce(SOARES, 2006), fração < 0,063 mm, água régia, AAS;(e) Fração < 0,063 mm, HCl 0.5M, AAS – Espectrometria de absorção atômica, período seco; (f) Fração < 0,063 mm, HCl 0.5M, AAS – Espectrometria de absorção atômica, período chuvoso.

No presente estudo,foi encontrado, para o cádmio,um máximo de 1,2 mg/Kg no Canto do Mangue, valor superior aos resultados obtidos anteriormente, à exceção do trabalho de Soares (2006), que registrou um valor de Cd de 2,5 mg/Kg nos sedimentos de fundo do rio Doce. O Canto do Mangue fica próximo ao local no qual o rio Doce deságua no estuário. Destacam-se, entre fontes antropogênicas de cádmio, as descargas de efluentes industriais, principalmente as galvanoplastias, e produção de pigmentos, inseticidas, soldas de equipamentos eletrônicos, lubrificantes e fertilizantes fosfatados utilizados em áreas agrícolas.

Quanto ao chumbo, o valor máximo de 182 mg/Kg obtido com ataque de ácido fracoevidencia um aumento nas concentrações desse elemento em relação às pesquisas anteriores na mesma área.Ressalte-se que o ponto de amostragem com teor mais elevado localiza-se na cidade de Macaíba, onde Guedes (2003) também identificou teor mais elevado de chumbo nos sedimentos.

O cromo e o níquel são derivados de fontes geogênicas, dentre as quais os minerais máficos das rochas cristalinas expostas na bacia dos rios Jundiaí e Potengi são as fontes mais prováveis (SINDERN et al, 2007).

Cd Cu Pb Cr Ni Zn

Min/Max Min/Max Min/Max Min/Max Min/Max Min/Max

Rio Jundiaía <LD/0,5 12/52 16/91 37/85 24/113 24/141 Rio Jundiaíb <LD/<LD 13/61 14/48 46/82 23/49 20/143 Rio Potengic 0,01/0,10 1,6/28,4 1,67/19,7 7,2/30,0 3,8/15,4 6,7/76 Rio Doce d <LD/2,5 5,1/14,4 26,1/76,4 6,3/47,7 22,5/100,4 16,8/41,1 Este estudoe 0,4/1,0 5,2/36,8 26/182 20,4/24 10/16 38/118 Este estudof 0,2/1,2 5,0/9,0 24/44 7,0/18,4 6,0/8,0 15/34

Concentração dos metais em mg/Kg; NA – não analisado; ND – não detectado; Min – valor mínimo encontrado; Max – valor máximo encontrado; AAS – Espectrometria de absorção atômica; ICP – Plasma Indutivamente Acoplado; (a) estuário da Ilha de Vitória (JESUS et al, 2004), fração < 0,063 mm, HNO3+H2O2+HCl, AAS; (b)

Rio Barigui (FROEHNER; MARTINS,2008), HNO3+H2O2, AAS; (c)Rio Formoso (BAGGIO; HORN,2010),

fração < 0,063 mm, água régia; ICP; (d) Estuário Santos-Cubatão (LUIZ-SILVA, 2006), fração < 0,063 mm, HNO3+H2O2, ICP-AES; (e) Rio Tecate (WAKIDA et al, 2008), fração < 0,063 mm, água régia, AAS; (f)

Estuário de Tamaki (ABRAHIM et al, 2007), fração < 0,063 mm, HNO3, AAS; (g) Water systems

Macedônia(SAWIDIS et al, 1995), HNO3+HClO4, AAS.

Quando comparado com outros estudos realizados no Brasil,o presente trabalho registrou valores de metais pesados em sedimentos bem inferiores em relação ao sistema estuarino da Ilha de Vitória, no Espírito Santo. Considerando a comparação com os valores de metais encontrado no Rio Barigui, na região metropolitana de Curitiba, os teores de chumbo e cádmio encontrados no estuário Jundiaí e Potengi foram superiores ao do rio paranaense. Em comparação com os valores encontrados no Rio Formoso-MG, que pertence à bacia do São Francisco, os maiores teores de Pb, Ni, Cu e Zn no estuário dos Rios Jundiaí e Potengi foram superiores ao do rio mineiro. Em comparação com estuário de Santos-Cubatão, em São Paulo, os teores de cádmio e chumbo encontrados neste estudo foram novamente superiores, enquanto as concentrações dos demais metais se apresentaram bem inferiores ao estuário paulista.

No que se refere a investigações conduzidas em outras partes do mundo, a concentração de Pb e Cr no presente trabalho apresentou valor superior à concentração máxima encontrada no rio Tecate, no México. Quando comparado aos teores de metais do

Cd Cu Pb Cr Ni Zn

Min/Max Min/Max Min/Max Min/Max Min/Max Min/Max

I. Vitoriaa NA/NA 5/660 5/292 35/280 6/245 27/812

Rio Bariguib ND/0.6 NA/NA 46/26 6,2/35,2 2,2/16,2 16/226

Rio Formosoc 0,01/1,2 0,05/12,8 0,08/25,99 0,15/64 0,05/12,02 0,21/13,0

E. Santosd ND/0,73 28/91 18/104 38/127 17/36 80/440

Rio Tecatee ND/5,24 NA/NA ND/28 1,62/12,71 ND/16,65 NA/NA

E. Tamakif 0,04/0,5 14/113 35/80 NA/NA NA/NA 91/336

Macedôniag 1,1/3,3 19,5/27,6 6,5/20,5 NA/NA 35,4/232 42,5/95

Este estudo* 0,4/1,0 5,2/36,8 26/182 20,4/24 10/16 38/118

estuário de Tamaki, na Nova Zelândia, o teor de cádmio e, mais uma vez, o chumbo encontrado no estuário dos rios Jundiaí e Potengi foram ambos superiores. Em relação ao estudo realizado no sistema aquático da Macedônia, os teores de Cu, Pb e Zn encontrados no estuário Jundiaí e Potengi foram superiores.

Embora os níveis de zinco e cobre sejam inferiores a alguns dos estudos citados, suas concentrações já merecem atenção.Cabe destacar que as concentrações de cádmio e chumbo foram superiores até mesmo a ambientes mais impactados do Brasil e do mundo.

3.3 METAIS NO CARANGUEJO

As concentrações encontradas na carne do caranguejo-uçá foram comparadas com os limites permitidos pela legislação (Tabela 4).Após as análises das triplicatas da carne do caranguejo por AAS-CHAMA, calculou-se as médias dos valores para cada metal na amostra in natura, bem como o desvio padrão das medidas para cada metal. Ou seja, os valores encontrados na Tabela 4 foram recalculados a partir do peso seco para o peso úmido da amostra (amostra in natura), com o objetivo de comparar esses valores com os da legislação para alimentos. O teor de umidade determinado para a carne do caranguejo foi de 76,3 % ± 0,16. Observa-se que os elementos que apresentaram maiores concentrações na carne do caranguejo foram o zinco (Zn), cobre (Cu) e o chumbo (Pb), enquanto que as menores concentrações identificadas foram do cádmio (Cd), cromo (Cr) e níquel (Ni).

Para critério de comparação com as legislações brasileiras (Tabela 4), utilizou-se o Decreto 55.872/65, referente a normas reguladoras do emprego de aditivos para alimentos, e a Portaria 685/98, que trata dos “Princípios Gerais para o Estabelecimento de Níveis Máximos de Contaminantes Químicos em Alimentos", além do seu Anexo, "Limites Máximos de Tolerância para Contaminantes Inorgânicos”.

Em comparação com a legislação, verifica-se que as concentrações dos metais chumbo, cromo e zinco encontradas neste estudo excederam o limite máximo permitido por ambas as legislações. Esses resultados apontam para uma provável relação entre os metais que são encontrados nos sedimentos (derivados de atividades antrópicas) e os metais encontrados no caranguejo.

Cd Cu Pb Cr Ni Zn Teor (mg/Kg) 0,13± 0,01 (0,12-0,14) 10,65 ± 0,01 (10,64- 10,66) 3,87 ± 0,29 (3,55-4,27) 0,36 ± 0,01 (0,35- 0,37) 1,18 ± 0,00 (1,18- 1,18) 68,72 ±2,71 (65,40- 72,04) Decreto Nº 55.871/65 (mg/Kg) 1,00 30,0 2,00 0,10 5,00 50,00 Portaria Nº685/98(mg/Kg) 1,00 NE 2,00 NE NE NE

A presença de metais pesados em peixes, crustáceos e ostras está associada a riscos em relação à saúde pública, porque tais contaminantes podem se acumular nos homens,caso esses organismos sejam consumidos (JONES; MERCURIO; OLIVIER, 2000). Embora se façam necessários estudos adicionais no que se refere à contribuição do consumo da carne de caranguejo na ingestão diária de metais pesados pela população, fica clara a importância para a saúde pública dos achados do presente estudo.

Os resultados obtidos para a carne do caranguejo-uçá,Ucidescordatus,também foram comparados com valores obtidos para outros organismos estudados (Tabela 5) nesse mesmo estuário e no Brasil.Para o mesmo estuário, observa-se teor de Cd superior aos demais, uma vez que, nos outros organismos, esse metal não foi encontrado; cabe salientar que o sedimento do estuário apresentou concentrações elevadas de cádmio. Para o Pb, o valor encontrado também foi superior aos demais estudos. Em relação ao Cr, o teor encontrado no caranguejo- uçá foi inferior ao do sururu Mytellafalcata e da tainha Mugil brasiliensis coletada na praia da Redinha. O teor de Ni e Cu no crustáceo também apresentou valor superior em relação aos demais bioindicadores, com exceção da tainha M. brasiliensis coletada na praia da Redinha. As concentrações de zinco foram muito superiores aos demais bioindicadores estudados nesse estuário. De acordo com Rainbow (1996),os crustáceos decápodes têm a capacidade de regular a concentração interna de elementos essenciais, como Zn e Cu,apartir de quantidades crescentes no ambiente, empregando processos de desintoxicação fisiológica e bioquímica, como a formação de depósitos granulares e de proteínas ligadas aos metais. Tal fato pode justificar a o elevado teor de Zn na carne do caranguejo.Também foi possível observar que as concentrações de Zn e Pb no caranguejoU. cordatus foram superiores às encontradas no siris do gênero Callinectessp e nos siris Callinectessapidus estudados no estuário do Rio Cubatão.

NE – não estabelecido; em negrito, as concentrações que excederam os limites permitidos pelas legislações.

Tabela 5 –Teores de metais em espécies de peixe(tainha), crustáceos (siri) e moluscos (sururu e

mexilhão) no estuário dos rios Jundiaí e Potengi e em outros estuários do Brasil, comparados com os do presente trabalho. Concentrações dos metais dados em mg de metal/kg da amostra, em peso úmido

Espécies Cd Cu Pb Cr Ni Zn M. brasiliensis (EP/R)a ND 12,1 0,05 2,14 2,07 7,74 M. brasiliensis (EP/I)b ND 2,58 1,32 0,08 0,20 12,15 M. falcatac ND 0,5 1,1 3,5 NA 7,0 M. falcatad ND 0,5 1,1 3,8 NA 7,4 A. brasilianae ND 1,7 1,0 0,5 0,7 14,1 Callinectessp.f 0,50 44,12 2,59 1,42 NA 34,0 Callinectessapidusg 0,22 18 1,06 0,82 NA 20

U. cordatus (este estudo) 0, 13 10,65 3,87 0,36 1,18 68,72

ND – não detectado; NA – não analisado; (a) Mugil brasiliensis (tainha)coletado na Redinha(VIEIRA, 2007) – peso úmido; (b) Mugil brasiliensis (tainha)coletado em Igapó(VIEIRA, 2007) – peso úmido; (c)

MytellaFalcata(sururu)com tamanho inferior a 37 mm, estuário do rio Potengi (BRITO et al, 2008)– peso

úmido; (d) Mytella. Falcata(sururu)com tamanho superior a 42 mm, estuário do rio Potengi (BRITO et al, 2008) – peso úmido; (e)Anomalocardia brasiliana(mexilhão),estuário do rio Potengi/Jundiaí (EMERENCIANO et al, 2008) – peso úmido; (f) Callinectes sp.(siri),rio Cubatão(VIRGA, 2007)– peso úmido; (g) Callinectessapidus (siri),rio Cubatão(VIRGA 2008) – peso úmido.

Em um estudo realizado no Litoral do estado de São Paulo, em tecido de U. cordatusde mangue “contaminado” e “não contaminado”, na mesma área geográfica (HARRIS e SANTOS, 2000), verificou-se diferenças nas concentrações de metais pesados na carne dos caranguejos, com níveis significativamente mais elevados de Cu, Cd e Zn em populações “poluídas”, comparadas a caranguejos “não poluídos” vivendo em mangue não contaminado. Os seguintes valores (peso seco) são relatados: Cd (1,4 – 1,2 mg/Kg); Cu (40 – 40 mg/Kg); Zn (225 – 205 mg/Kg); comparando esses valores de HARRIS e SANTOS (2000) com os do presente estudo no rio Jundiaí (Cd – 0,53 mg/Kg; Cu – 44,97 mg/Kg; Zn – 289,97 mg/Kg; resultados para peso seco), verifica-se que os teores encontrados na carne do caranguejo do estuário dos rios Jundiaí e Potengi são menores para Cd e maiores para Cu e Zn.

3.4 METAIS NOS SEDIMENTOS E NOS CARANGUEJOS

No que se refere aos sedimentos, os resultados do presente trabalho corroboram os dados obtidos em trabalhos anteriores (GUEDES, 2003; SINDERN et al, 2007; SOARES,

sofrido alterações significativas. Sindernet al (2007) observaram uma assinatura antropogênica dos metais pesados Zn, Pb, Cu e Cd, em relação aos elementos de referência Al e Fe, próximo a pontos de descarga de efluentes na área de Natal. Isso significa que Zn, Pb, Cu e Cdestão associados a atividades humanas no entorno do estuário.

Os caranguejos foram coletados em uma área localizada entre o P1 (Macaíba) e o P2 (Guarapes). O P1 fica em uma área bastante urbanizada do município de Macaíba, que apresentou, durante o período chuvoso, o teor de oxigênio dissolvido abaixo da Resolução 357/2005, do CONAMA, e o mais baixo pH dentre os pontos estudados, além de apresentar teores elevados de cobre, chumbo e zinco.O P2 (Guarapes) fica próximo a uma importante rodovia (BR-226), entre os municípios de Macaíba e Natal, recebendo, também, o aporte das águas do rio Guarapes. Apesar do fluxo das águas do Guarapes, essa área apresentou, no período chuvoso, o oxigênio dissolvido abaixo do permitido pela legislação e a maior concentração de cromo dentre os pontos estudados. Os metais pesados com teores mais elevados nos sedimentos do ponto de amostragem em Macaíba (Cu, Pb e Zn) configuram-se também como os mais abundantes na carne da pata do caranguejo (Tabela 1). O cromo, que é o quarto metal pesado mais abundante no sedimento de P1, apresentou, na carne do caranguejo, um teor acima do limite máximo permitido pela legislação referente a normas reguladoras do emprego de aditivos para alimentos (Tabela 4).

4 CONCLUSÕES

Apesar de sua importância, o estuário dos rios Jundiaí e Potengi é afetado diretamente pelas atividades humanas desenvolvidas no entorno de seus corpos hídricos Essa influência antrópica exercida pelas cidades circunvizinhas à área do estuárioé refletida diretamente nos teores de metais pesados encontrados nos sedimentos, principalmente próximo ao núcleo urbano das cidades de Macaíba e Natal. A comparação com trabalhos anteriores permite afirmar que o aporte de metais pesados para o estuário é contínuo, não tendo sofrido alterações significativas em um período de dez anos. Os teores de Cu, Pb, Cr, Ni e Zn nos sedimentos são mais elevados no período de menor precipitação pluviométrica. Os níveis de oxigênio dissolvido na água nos pontos Guarapes e em Igapó são menores que os níveis encontrados em Macaíba e no Canto do Mangue, tanto no período de chuvas quanto na estação seca. Os elementos Cu, Cr, Pb e Zn, com teores mais elevados nos sedimentos do ponto de amostragem em Macaíba, são também os mais abundantes na carne da pata do caranguejo. Dentre eles, Pb, Zn e Cr apresentam, na carne do caranguejo, teores acima do

limite máximo permitido pela legislação referente a normas reguladoras do emprego de aditivos para alimentos.

São necessárias investigações adicionais no que se refere à contribuição do consumo da carne de caranguejo na ingestão diária de metais pesados pela população, bem como sobre os sedimentos das tocas dos caranguejos neste e em outros estuários não urbanizados no estado, para elucidar a relação entre os metais pesados encontrados nos caranguejos e nos sedimentos.

REFERÊNCIAS

ABRAHIM, G. M. S.; PARKER, R. J.; NICHOL, S. L. Distribution and assessment of