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BAŞLICA ÜLKE GRUPLARI İTİBARIYLA İHRACAT

Belgede HRACATIN GENEL GÖRÜNÜMÜ (sayfa 24-38)

Dada a importância que as delegacias tiveram como serviço público especializado de atenção às mulheres em violência, que confirmou a necessidade de política para as mulheres, considerou-se necessário apontar algumas questões a seu respeito. As Delegacias de Defesa da Mulher - DDM, como já se situou, foram criadas pontualmente no processo de redemocratização da sociedade brasileira. Foi uma resposta do Estado às reivindicações feministas, que na época já se referenciavam nos debates dos direitos humanos. Esse serviço significou a objetivação de condições de incorporação das questões relacionadas à violência de gênero e de âmbito privado ao Sistema Judiciário, embora não tenha se generalizado como um serviço disponível aos municípios em geral.

A confirmação da tendência da demanda, posta às Delegacias de Defesa da Mulher que sofre agressões físicas ou lesão corporal, ratificou a reivindicação das mulheres por especialização no atendimento.

Por outro lado, acima foi mencionado que, através da avaliação das experiências que tiveram fonte na análise dos documentos gerados nos atendimentos realizados nas delegacias, puderam ser observados os limites dos serviços realizados pelas DDM. Um destes limites constatava-se com a pouca resolução apresentada nas situações atendidas, demonstradas ora pelo retorno da mulher ao serviço, ora pela não apresentação de resultados nos processos judiciais desencadeados, que eram arquivados ou pode-se dizer, apresentavam resultados que não correspondiam à finalização do conflito entre o casal.

A evidência destes limites, também demonstrou que a necessidade das mulheres não se relacionava somente à ação policial, uma vez que, muitas vezes, elas não davam seguimento aos recursos judiciais, conforme o proposto pela DDM. Isso

fortaleceu a idéia da exigência da constituição de serviços no âmbito civil e público, ou seja, fora da delegacia e da segurança pública, remetendo a questão também para os direitos sociais e não os restringindo aos direitos penais. Havia, nessa compreensão, o entendimento de que outros espaços poderiam gerar condições para o estabelecimento de relações de confiança entre os profissionais e as mulheres, as quais não encontravam saída na via policial e judicial. Isso situou a delegacia especializada como um dos serviços necessários na proposição de políticas de não- violência às mulheres, embora inserido em rede de serviços complementares.

Outras análises foram feitas em relação aos limites da DDM, como a trajetória da instituição policial, que leva à rejeição da população à imagem da polícia. Os limites da ação da segurança pública, dada relação de ambigüidade que a população tem com as instituições da polícia demonstram que, ao mesmo tempo, a população reivindica a sua presença, mas, em contrapartida, acumula passagens negativas com as experiências, vividas nas ações policiais: “[...] sendo sua ação contraditoriamente necessária e temida” (SILVA, 1992, p.106). Ou seja, ao mesmo tempo, a população deseja a segurança que poderia ser por ela oferecida, mas também a recusa, em razão da história da polícia na relação com civis.

Este momento foi coincidente com as iniciativas de implantação dos serviços de atenção à mulher em situação de violência que demarcaram as primeiras iniciativas em âmbito municipal. Houve, nesse período, o afastamento das assistentes sociais, que atuavam nas Delegacias de Polícia e passaram assumir compromissos com os serviços que se montavam nas administrações municipais e nas organizações não governamentais, demarcando a opção pelo direito social, mesmo que com nítida confluência com direito criminal.

Para as delegadas que, muitas vezes, não têm a formação que incorpora as questões relativas às relações de gênero e, outras vezes, recusam o debate feminista, torna-se comum sentirem-se portadoras de poder inferior de atuação em uma delegacia especializada (DEBERT, 2006) em comparação a uma delegacia comum.

Dada a realidade da demanda que chega às DDMs, considerada de menor gravidade, o que o contato com as delegadas sugere é que elas estão envolvidas, pela atribuição da delegacia às quais são responsáveis, em Inquéritos Policiais menos relevantes. Ao contrário das delegacias comuns, em que chegam variadas situações

criminais, envolvendo os profissionais em situações mais complexas, como os crimes de destaque nos meios de comunicação. Outro aspecto que se agrega à inferioridade de poder para as delegadas, em relação aos responsáveis pelas delegacias consideradas comuns, é a sobrecarga, gerada pela destinação dos atendimentos, relacionados às crianças, aos adolescentes e aos idosos, para as Delegacias de Defesa da Mulher.

Observa-se, nesse aspecto, que as Delegacias de Defesa da Mulher, independente de suas funções policiais, agregaram uma nova atribuição, um papel assistencial(SOARES, 1999) e de atendimento à família. Esta é uma questão, que retira o caráter reservado à conquista feminista de obter este serviço, voltado ao atendimento das questões de gênero.

Na defesa do espaço especializado de atendimento às mulheres, há embutida a idéia de que, em muitas situações, gênero e família são temas contraditórios e sem possibilidade de conciliação. Por essa mesma forma de entendimento, a defesa de que os serviços de atendimento aos agressores devem situar-se em locais diversos daqueles que atendem as mulheres.

A atual perspectiva dada às DDMs tende a recuperar a forma anterior nos atendimentos realizados às mulheres nas delegacias comuns, de considerar a questão como familiar e não de gênero, o que, de alguma forma, foi superado com as Delegacias de Defesa da Mulher (DEBERT, 2006).

Várias situações fazem com que isso ocorra dessa forma. A democracia exige o maior acesso da população à justiça; o Sistema Judiciário precisa acelerar as suas formas processuais, respondendo de maneira mais rápida às demandas29. Também há pressão de setores que defendem os direitos humanos na defesa da humanização das formas de atendimento aos presos e condenados pela Justiça Criminal, o que recai sobre as atribuições das instituições que compõem o Sistema Judiciário.

Outra questão que repercutiu nas delegacias foi o fato de ampliarem-se os atendimentos, através da incorporação da questão da violência doméstica, nas políticas sociais. Essa necessidade de ampliação dos atendimentos, através das

29 Nesse sentido, a conciliação, mecanismo valorizado na Lei Federal nº 9.099/95 é uma das formas

políticas sociais, ou seja, a expansão dos direitos sociais, rumo à garantia da universalidade no acesso aos atendimentos, muitas vezes, retira o conteúdo da conquista histórica das delegacias especializadas, enfatizando a devolução à situação anterior ou similar ao que era na conjuntura passada. Ou seja, porque outros serviços passaram a atender a mulher, às vezes, é sugerido a não necessidade da atenção especializada à mulher na segurança pública.

Ao mesmo tempo, vê-se a política social devolvendo à família questões que não se resolvem em seu âmbito. A legislação de combate à violência doméstica contra mulheres, a Lei Maria da Penha, reconhece que é necessária, no interior do Sistema Judiciário, a criação de espaços específicos para o atendimento às mulheres, o que supostamente reafirma a necessidade da DDM.

A ênfase na violência familiar, muitas vezes, expressa a resistência pela não incorporação das dimensões e abordagens da violência de gênero, o que favorece o Estado nas respostas que necessariamente deve dar às expressões da questão social, em dois aspectos. Ocorre a agregação de questões relacionadas ao espaço doméstico (criança, adolescente, idoso) e, às vezes, até mesmo pressupõe orientar resoluções para conflitos desta natureza para o próprio âmbito conflituoso da família. Um segundo aspectos que favorece o Estado é que a não ênfase na violência de gênero, muitas vezes, também corresponde ao atendimento às pressões feitas por segmentos sociais que resistem à individuação da mulher.

Estudos anteriores mostraram (SILVA, 1992; ALMEIDA, 1998), no início das experiências das Delegacias de Defesa da Mulher, a presença de profissionais de outras áreas, com atendimento suplementar ao dos profissionais da delegacia, como psicólogas, assistentes sociais e outros das ciências sociais e humanas nas delegacias. Com a perspectiva de implantação dos serviços de atendimentos, no contexto das políticas para mulheres, poucas dessas experiências sobreviveram no interior das delegacias. Para o serviço social, que tem nos direitos sociais a forma de realização dos direitos humanos, isso significa a ampliação de possibilidades de fortalecimento da política social e das mulheres.

Belgede HRACATIN GENEL GÖRÜNÜMÜ (sayfa 24-38)

Benzer Belgeler