Enerji Yat
DĠPNOT 32 - PAY BAġINA (ZARAR)/KAR
A identificação do perfil dos egressos se deu a partir dos dados das respostas do questionário on line aplicado junto a esse público. Esse instrumento possibilitou a obtenção de
informações pessoais e da situação educacional e ocupacional dos sujeitos pesquisados. Ao todo, 35 egressos responderam ao questionário da pesquisa, tendo representantes de 15 dos 19 cursos FIC ofertados no IFCE – campus Fortaleza. Segue o resumo das principais informações coletadas, demonstrada na Tabela 8:
Tabela 8 - Perfil geral dos egressos pesquisados
Categoria Opções Frequência Percentual
Sexo Masculino 16 40,00% Feminino 21 60,00% Idade 16-25 11 31,43% 26-35 19 54,29% 36-45 5 14,29% Escolaridade Fundamental incompleto 0 0% Fundamental completo 0 0% Médio incompleto 3 8,57% Médio completo 20 57,14% Superior incompleto 6 17,14% Superior completo 6 17,14% Ocupação Profissional Sim 27 77,14% Não 8 22,86%
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa.
Conforme apresentado na tabela 8, 60% dos pesquisados é do gênero feminino. De uma forma geral, as mulheres ocuparam a maioria das vagas do programa. A faixa etária dos egressos está compreendida entre a idade mínima de 16 e a máxima de 45 anos. Observa- se uma concentração maior entre 26-35 anos (54,29%), de 16-25 anos (31,43%) e apenas 14,29% na faixa de 36-45 anos. Esse número demonstra a busca de uma maior qualificação por parte dos adultos, o que em parte evidencia que o IFCE – campus Fortaleza executou o programa de acordo com o artigo 2º, incisos II e III da Lei 12.513, de 26 de outubro de 2011, atendendo prioritariamente a trabalhadores e beneficiários dos programas federais de transferência de renda. Além disso, a faixa de 16-25 anos tende a representar os estudantes do Ensino Médio da rede pública de educação da região, outro público prioritário do Pronatec.
Ainda quanto à identificação do público atendido, 30% dos egressos responderam que obtiveram conhecimento dos cursos através dos Centros de Referência de Assistência Social – CRAS. Essa informação pode ser considerada como um forte indicativo da origem social desses sujeitos, pois geralmente os CRAS atendem pessoas pobres que procuram serviços assistenciais.
Quanto à escolaridade, a maioria dos egressos afirmou possui ensino médio completo (57,14%). Destaca-se o fato da pesquisa não ter constatado egressos com nível de ensino fundamental, uma vez que muitos cursos FIC exigiam uma escolaridade mínima e que,
às vezes, era comprovada através de auto-declaração. Já a quantidade de egressos com nível superior completo (17,14%) e incompleto (17,14%) revelou-se uma surpresa positivo, sem contudo comprovar que o programa garantiu a elevação da escolaridade desses sujeitos.
Em outras questões do questionário de pesquisa foi possível confrontar a situação educacional dos egressos. Por um lado, notou-se que o nível de formação indicado pelos egressos foi alcançado nos últimos anos, demonstrando que eles trilhavam um processo formativo sem uma grande interrupção temporal.
Tal fato apresenta-se de forma positiva de vez que a continuidade dos estudos denota maior facilidade quanto ao aprendizado e a apropriação dos conhecimentos adquiridos. Este indício foi verificado de forma clara e aponta-se como elemento bastante positivo para a pesquisa.
Já referente à questão do emprego, observou-se que a grande maioria dos egressos (77,14%) possui uma ocupação profissional. Tal fato evidencia que os cursos não são procurados somente pelos que estão fora do mercado de trabalho. Contudo, o gráfico 1 indica que 78,3% dos egressos nunca atuaram na área do curso de qualificação profissional concluído pelo Pronatec. Tal resultado é um indicativo de que os participantes procuram ampliar suas chances para o futuro.
Gráfico 1 - Egressos que trabalham na área do curso.
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa.
Passando para a avaliação geral do Pronatec, sobretudo, no que tange à questão das expectativas dos egressos com o Pronatec, 60,9% desses informaram que a maior pretensão era buscar novos conhecimentos e 26,1% indicaram que buscavam conciliar esses novos conhecimento com potenciais oportunidades de trabalho, como se vê no Gráfico 2:
Gráfico 2 - Motivos para buscar a qualificação profissional.
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa.
Na análise do gráfico 2 mostrou-se interessante o fato de que nenhum egresso tenha assinalado como motivo da busca pela formação profissional a expectativa de conseguir, exclusivamente, um emprego. Nesse sentido, a proposta do Pronatec de qualificar mão de obra para atender a demanda produtiva parece destoar das reais necessidades e interesses do grupo investigado. Talvez, a própria especificidade dos cursos FIC, baseada em uma formação aligeirada, tenha contribuído para que os egressos tivessem dúvida do potencial dessa formação no campo da inserção profissional.
A pesquisa constatou ainda que mais da metade dos egressos pesquisados não possuía conhecimento sobre a área de atuação profissional do curso do Pronatec. Nesse sentido, é possível reconhecer que o Pronatec assegurou aos seus beneficiários uma oportunidade de testarem suas aptidões profissionais ao disponibilizar formações em diferentes áreas do conhecimento.
Tem-se ainda que 65,2% dos egressos têm a pretensão de trabalhar na área profissional do curso concluído. Essa informação parece indicar que os cursos do Pronatec, de alguma forma, tendem a repercutir na escolha/trajetória profissional desses indivíduos.
Seguindo a abordagem avaliativa, a pesquisa também identificou a satisfação dos egressos no que tange aos seguintes aspectos, como se vê na Tabela 9:
Tabela 9 - Satisfação com o curso realizado
CATEGORIA OPÇÕES FREQUÊNCIA PERCENTUAL
Em relação à preparação para o mercado de trabalho Ruim 6 17,14% Regular 12 34,29% Boa 5 14,29% Muito boa 5 14,29% Ótima 7 20,00% Em relação à grade curricular Ruim 5 14,29% Regular 11 31,43% Boa 9 25,71%
Muito boa 4 11,43% Ótima 6 17,14% Em relação ao desempenho dos professores Ruim 1 2,86% Regular 9 25,71% Boa 13 37,14% Muito boa 3 8,57% Ótima 9 25,71%
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa.
A partir dos dados da tabela 9, percebe-se que a formação foi avaliada como insuficiente para a preparação para o mundo do trabalho. Mais de 50% dos egressos avaliaram os cursos como ruim ou regular nesse quesito. Essa constatação pode ser um indício da visão crítica dos beneficiários do Pronatec que conseguem perceber as limitações da formação profissional ofertada.
Em geral, as matrizes curriculares dos cursos obtiveram uma avaliação positiva. Mais da metade dos egressos avaliaram as disciplinas básicas e técnicas como boa, muito boa e ótima. Da mesma forma, mais de 70% dos egressos avaliaram satisfatoriamente o desempenho dos professores, indicando como boa, muito boa ou ótima a atuação desses profissionais.
Referente ao aspecto educacional, 70,3% dos egressos indicaram que os cursos do Pronatec lhes serviram de estímulo para dá continuidade ao processo de formação escolar.
Gráfico 3 - Nível de ensino do curso que o egresso realizou após o Pronatec.
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa.
Contudo, observou-se que somente 60,9% dos egressos confirmaram ter efetivamente dado continuidade ao ciclo formativo, sendo os cursos de nível técnico a opção escolhida por 50% desse público. Ainda vale destacar que 28,6% decidiram por buscar uma formação superior.
Por outro lado, 56,5% dos egressos concluíram outro curso de qualificação profissional, sendo que em 78,3% dos casos, essa formação se deu em área distinta da qualificação profissional que o egresso adquiriu no IFCE. Na prática, essa situação indica que os egressos dos cursos de formação inicial e continuada do Pronatec não conseguem seguir um itinerário formativo dentro de uma mesma área de conhecimento, seja por opção individual ou mesmo por falta de uma ação coordenada do Programa.
Já na análise do campo ocupacional, apenas 20% dos egressos indicaram que a formação profissional do Pronatec facilitou o ingresso em um novo emprego (faltam dados a essa pesquisa para detalhar o perfil desse novo emprego) e 80% disseram que essa formação não contribuiu para a manutenção do emprego. Em tese, isso comprova a desarticulação do Pronatec com as políticas sociais vinculadas à questão do emprego e da renda.
Quando questionados se a formação proporcional lhes rendeu alguma melhoria de vida, a maioria dos egressos ponderou que não. Aqueles que afirmaram ter conseguido ascender socialmente relataram que essa melhoria se deu no campo educacional. Diante dessas constatações e considerando as limitadas repercussões do modelo formativo do Pronatec na vida profissional dos egressos, inclusive com pouco potencial de interferência na melhoria do emprego e da renda desses indivíduos, conclui-se que o Programa obteve melhor avaliação por sua dinâmica de acesso educacional.
No que diz respeito à avaliação geral da formação profissional, verifica-se que a grande maioria dos egressos avalia positivamente a formação profissional recebida, tendo 34,8% considerado significante e 43,5% muito significante. Somente 21,7% opinaram como pouco significante.
Por fim, a pesquisa observou ainda algumas posições consensuais dos egressos no que diz respeito à avaliação dos cursos do Pronatec, podendo destacar o fato de que todos indicariam esses cursos a outras pessoas e fariam outro curso no mesmo formato do Pronatec. No fundo, essas posições atestam que a carência de formação educacional tende a induzir as pessoas a buscarem ou “aceitarem” propostas educativas fragmentas e desarticuladas de suas reais demandas de aprendizado.