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Bağlanma ve Ergenler, Genç ve Orta Yetişkinlik Döneminde Kardeş İlişkileri

5. Doç Dr Güneş SALI

5.3. Ergenlik, Genç Yetişkinlik ve Orta Yetişkinlik Dönemlerinde Kardeş İlişkisi Bağlanma,

5.3.1. Bağlanma ve Ergenler, Genç ve Orta Yetişkinlik Döneminde Kardeş İlişkileri

A trajetória de Silva Jardim, tal como recuperada na biografia escrita por João Dornas Filho, é associada aos movimentos republicanos anteriores à proclamação da República. As principais fontes utilizadas pelo autor foram as Memórias e Viagens – Campanha de um

propagandista (1887-1889) - escritas pelo próprio Silva Jardim e publicadas em Lisboa pela

Typographia Cia Nacional; e Silva Jardim: Apontamentos para a biografia do ilustre

propagandista (1895), de José Leão, publicada pela Imprensa Oficial do Rio de Janeiro. Nesta

última obra, encontram-se publicadas as cartas de Silva Jardim, assim como depoimentos de seus contemporâneos e algumas análises acerca da proclamação da República feitas por Leão e retomadas por Dornas Filho. Fontes como memórias e cartas do biografado fazem com que a história ressalte os aspectos mais íntimos de Silva Jardim, deixando, muitas vezes, em segundo plano os fatores históricos e contextuais que influenciariam na trajetória do biografado.

Silva Jardim teria, segundo seu biógrafo, desde sua infância a ‘personalidade já claramente traçada’. Esta caracterização dos biografados é típica daquela ilusão biográfica apontada por Pierre Bourdieu na qual

a “vida” constitui um todo, um conjunto coerente e orientado, que pode e deve ser apreendido como expressão unitária de uma ‘intenção’ subjetiva e objetiva (...) implicada nos ‘desde então’, ‘já’, ‘desde sua juventude’, etc., das biografias (...) e das ‘histórias de vida175.

Esta ilusão biográfica está presente, em maior ou menor

grau, em quase todas as biografias aqui reunidas. Ao mesmo tempo, ao situar a formação do caráter na infância dos biografados, os autores não deixam de ressaltar a importância de uma boa educação, como a de Silva Jardim, cujo pai, agricultor e dono de uma escola primária, esforçou-se para pagar-lhe os estudos fazendo com que seu filho tivesse uma formação de qualidade, tendo aprendido o latim, o português e o francês176

No caso de Silva Jardim, seu percurso biográfico na fase adulta remonta à São Paulo da época em que esta era ‘uma terra pequena onde qualquer pessoa faz barulho’. A narrativa biográfica procura retratar a vivência na Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de São Paulo, a importância , que mais tarde lhe possibilitou o ingresso no curso jurídico superior em São Paulo. É destacada, porém, a trajetória de vida que remete à fase adulta, quando os biografados adentram a cena pública e nesta travam suas batalhas e deixam suas marcas.

175 BOURDIEU, Pierre. L’ilusion biographique. Actes de la recherche en sciences sociales. Anné 1986. Vol 62. N°1. 69

do Centro Positivista, assim como, do meio político com o qual Silva Jardim se relacionou quando redator da Tribuna Liberal. A biografia retoma as relações de Silva Jardim com os federalistas positivistas gaúchos177 Assis Brasil, Júlio de Castilhos, Homero Batista, Pereira da Costa, com o escritor e jornalista fluminense Vicente Magalhães e com os mineiros ‘sisudos e operosos’ que tinham a frente o filho do Visconde de Ouro preto, Afonso Celso. Silva Jardim tinha laços de sociabilidade com os ‘liberais exaltados’ Inglês de Souza e Martim Francisco e, dentre esta gama de orientações que variavam do monarquismo ao positivismo, o publicista optou pela última firmando seus ideais republicanos e entrou para o Centro Positivista de São Paulo178

Foi quando a Câmara de São Borja pedia que ‘fosse consultado o país sobre a oportunidade de se pronunciar desde logo relativamente à destituição da monarquia pela morte de Pedro II, visto a herdeira do trono ser uma princesa fanática, casada com um príncipe estrangeiro’ que Silva Jardim desponta como publicista do republicanismo. O biografado começara então uma série de conferências, primeiro em Santos, onde trabalhava e, depois, por várias cidades do país. Neste momento, o biógrafo ressalta a importância dos meetings para a propaganda republicana. Encontros nos quais Silva Jardim palestrava, de tal modo que, ‘em cada cidade que visitava, deixava o grão da revolta levedando o ambiente já saturado’

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Ao passar por Minas Gerais, Silva Jardim teria encontrado com os médicos que, por aí, eram ‘os mais decididos combatentes, ao contrário dos bacharéis que aguardavam prudentemente os acontecimentos’. O autor ressalta que havia uma opinião pública em ‘lua de mel’ com o imperador devido à Abolição. E é ao sentimento monarquista que se devem os ‘incidentes’ sofridos por Silva Jardim em sua caminhada. Na cidade de Angustura, foi ‘atirado por um negro, que errou o alvo ao ouvir esta sua intimação: Atire! Mate! Para mim a morte é um acidente da vida!’. Em Além Paraíba, teriam atentado contra a sua vida e em São João del Rey atearam fogo à sua casa depois de ‘intimá-lo a sair da cidade’. Apesar do tom por vezes exaltado do narrador preocupado em afirmar o caráter heróico do biografado, a narrativa biográfica retoma as manifestações públicas que antecederam a proclamação da República que serão objeto de análise de uma historiografia posterior

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177 Classificação de ALONSO, Angela. Idéias em Movimento – A Geração de 1870 na Crise do Brasil Império. São Paulo: Paz e Terra, 2002. 346

178 DORNAS FILHO, João. Silva Jardim. São Paulo: 1936. 34-36. 179 DORNAS FILHO, João. Silva Jardim. São Paulo: 1936. 43; 47.

180 Ver: VIOTTI DA COSTA, Emília. Da Monarquia à República: momentos decisivos. São Paulo: Grijalbo, 1986. HOLLANDA, Sérgio Buarque de. O Brasil Monárquico – do Império à República. In: História Geral da

Civilização Brasileira. São Paulo: Difel, 1972. CARVALHO, José Murilo. Os Bestializados. O Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Cia das Letras, 1977; MELLO, Maria Teresa Chaves. A República Consentida – Cultura Democrática e científica do final do Império. Rio de Janeiro: FGV: Editora da Universidade Rural do Rio de

Janeiro, 2007.

para ‘O País’, a ‘Gazeta de Notícias’, o ‘Mequetrefe’ e o ‘Grito do Povo’. Durante uma de suas conferências naquela cidade, ‘um grande rumor enchia a rua. Súbito, o ruído dos projéteis e dos tiros que lançavam contra o edifício denunciou a presença dos reacionários monárquicos’. Os conflitos vividos por Silva Jardim, segundo seu biógrafo Dornas Filho, revelariam que onde ‘nunca houve um brasileiro que morresse por um rei para seu país; muitos brasileiros, entretanto, têm derramado seu sangue para ver a República!’181

Embarcando no mesmo navio que o Conde D´Eu, Silva Jardim teria ido ao norte propagar o republicanismo. As cenas de confronto se repetem na Bahia, onde o biografado ‘tomou facada dos mulatos’. Em Alagoas, foi recebido com festa tendo a província, segundo o biógrafo, ‘honrado o berço de Deodoro e Floriano’. E, apesar de um comício não realizado em Recife, pois o ‘caudilho contraditório’ José Mariano ‘estava disposto a dispersar a tiros os republicanos’, ‘estava ganha a partida no Norte’. A biografia de Silva Jardim procura narrar a propaganda republicana por ele empreendida no ano anterior à proclamação da República revelando os conflitos nos quais tomou parte e as sociabilidades da qual desfrutou. No momento da proclamação, que ‘não passou de um golpe de Estado’, Silva Jardim será afastado pelos ‘adesistas de última hora’. Neste momento, a biografia retoma as ‘tramas da proclamação’, principalmente a partir de depoimentos de Silva Jardim e Aníbal Falcão descritos na obra de José Leão. As tramas da proclamação teriam se iniciado ‘desde a volta do Imperador da Europa em 1888’ quando se ‘comentava no Rio a debilidade do Imperador’. Estando as províncias de São Paulo, Minas, Bahia e Pernambuco ‘cindidas e incendiadas pela palavra de Silva Jardim’, os republicanos preparavam o golpe para o dia 2 de dezembro, aniversário do imperador, e data na qual este iria abdicar

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Seriam as ações e ‘desmandos’ de Ouro Preto que teriam feito com que a República se precipitasse, de modo que, ‘muitos republicanos só souberam da proclamação da República no dia 15 de novembro’. Benjamin Constant teria ‘jogado a cartada perigosa’ ao convencer o ‘indeciso’ Deodoro que o quartel-general seria atacado pela Guarda Negra, por ordem do gabinete, e que ambos seriam presos. Por outro lado, Quintino Bocayuva teria guardado ‘reservas’ quanto a Silva Jardim e, por isso, muitos republicanos, como Aníbal Falcão, souberam do movimento apenas na véspera. E, segundo Falcão, na noite de 11 de novembro ‘reunimo-nos vários republicanos e decidimos prestar-lhe apoio, [à B Constant] desde que se definisse acentuadamente republicano o objetivo da revolução’. O dia 14 ‘transcorreu cheio de boatos e apreensões’, às 11 da noite o chefe da polícia Basson de Miranda Osório comunica ao presidente do Conselho ‘ocorrências anormais nos quartéis’. O primeiro regimento da Infantaria e a segunda brigada já se haviam revoltado em

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181 DORNAS FILHO, João. Silva Jardim. São Paulo: 1936. 57-58; 73; 75. 182 DORNAS FILHO, João. Silva Jardim. São Paulo: 1936. 89; 94; 100-101.

função do ‘boato, que os republicanos confirmavam, da prisão de Deodoro e Benjamin’. Segundo o autor, ‘as ruas ondulavam de povo’ enquanto D Pedro II estava ‘veraneando em Petrópolis’. Quando o ajudante-general Floriano Peixoto se nega a obedecer à ordem de Ouro Preto em dar combate às tropas que tinham Deodoro à frente ‘é o princípio do fim’183

Ouro Preto, então, comunica ao Imperador que ‘a tropa acaba de fraternizar com o marechal Deodoro, abrindo-lhe a porta do quartel’. Estava deposto o ministério, mas ‘a partida ainda perigava’. É aí que Benjamin Constant encontra-se com Aníbal Falcão na rua do Ouvidor e instiga- o a agitar o povo, pois ‘a República não está proclamada’. Aníbal Falcão, em suas memórias, afirma ter se sentido angustiado, pois a ‘intenção de Deodoro era apenas o golpe de Estado’, modificando o ministério. Quando Falcão e José do Patrocínio hasteiam a bandeira republicana, Deodoro ordena sua retirada e, segundo esta versão, após aprovada duas moções movidas por Falcão na Câmara Municipal, é o ‘sr José do Patrocínio, como vereador mais moço, a quem, na forma da Constituição (...) incumbia aclamar o novo soberano, tendo decaído D Pedro II, proclamou a República’

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Se o fundador de uma república é aquele que a proclama na praça pública, este com certeza não foi entre nós o finado Benjamin Constant; mas, se é o que, no nosso caso, primeiro ergue o grito de revolta entre uma certa classe de oprimidos, seja o povo ou exército, a excita e sai com ela para o campo da peleja, com muito mais razão não foi este o marechal Deodoro da Fonseca

. Nesta versão da proclamação da República, cabe a José do Patrocínio o ato político de instauração do novo regime. Porém, este ato seria puramente institucional devendo a ‘Sentença da História’ reconhecer os verdadeiros artífices da República no Brasil. Neste sentido, o biógrafo Dornas Filho concorda com a seguinte sentença de José Leão:

185

A biografia de Silva Jardim, escrita por João Dornas Filho, ao prender-se à narrativa dos acontecimentos e dos personagens envolvidos na Proclamação da República produz uma historiografia singular acerca da história do Brasil republicano. Nesta perspectiva, as ações pessoais e de determinados grupos são determinantes dos eventos em uma narrativa carregada de juízos acerca do valor histórico dos acontecimentos, assim como sobre as posições e os lugares que cabem a cada um dos envolvidos. É importante notar que outros trabalhos que retomaram a figura de Silva Jardim não perderam o tom presente na obra de Dornas Filho, embora o tenham modificado em vários aspectos. O livro Paixão e Morte de Silva Jardim, escrito por Maurício Vinhas de Queiroz, logo após a Segunda Guerra Mundial, mas publicado apenas em 1967, dizia não se constituir como

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183 DORNAS FILHO, João. Silva Jardim. São Paulo: 1936.102-103; 104. 184 DORNAS FILHO, João. Silva Jardim. São Paulo: 1936. 104-108.

uma ‘biografia acadêmica’. Ao contrário, seria ‘obra apaixonada’ que poderia ajudar à ‘compreender melhor os conflitos políticos e sociais que vivíamos no pós-guerra’186

O interesse em se tomar a figura de Silva Jardim como mote para reflexão acerca das diretrizes da República brasileira, tampouco é estranho à obra de Dornas Filho. Queiroz, porém, acrescenta outros aspectos a serem destacados na figura de Silva Jardim, vislumbrando no biografado um ‘materialista, dialético, sem dúvida, precursor do socialismo científico no Brasil’

. O desapego ao caráter ‘acadêmico’ revela na obra de Queiroz, que a qualifica como ensaio, uma preocupação epistemológica menos rígida que a de Dornas Filho. Ensaio sem notas e centrado mais em algumas idéias de Silva Jardim e menos na composição da trajetória do biografado em uma realidade histórica, o livro compartilha das linhas gerais traçadas na obra de Dornas Filho.

187

. O livro Perfil Político de Silva Jardim escrito por Heitor Ferreira Lima e publicado pela Coleção

Brasiliana em 1987, aborda a trajetória de Jardim no interior de um contexto histórico que abarca a

‘decadência e o fim do Império’ e a ‘Implantação da República’188

Escrito no momento de abertura política no país, o livro de Heitor Ferreira Lima traz, assim como os biógrafos Dornas Filho e Maurício Vinhas de Queiroz, a questão premente acerca da ‘idéia da República’. Ferreira Lima escrevendo na década de 1980 não deixa de tocar nos temas da liberdade, da miséria, da opressão e exploração em sua reconstituição da história republicana brasileira

. Dessa forma, o escopo proposto por Ferreira Lima procura abordar a biografia de Silva Jardim no interior de processos fundamentais à história política brasileira no fim do séc. XIX: a Guerra do Paraguai, o Manifesto do Partido Republicano de 1870, a Questão Religiosa, a Questão Militar, a Abolição, dentre outros. Não obstante, no que concerne a reconstituição dos acontecimentos próximos e nos quais Silva Jardim tomou parte, a narrativa de Ferreira Lima é concorde com a biografia escrita por João Dornas Filho, em 1936.

189

186 QUEIROZ, Maurício Vinhas de. Paixão e Morte de Silva Jardim. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967. 1.

187 QUEIROZ, Maurício Vinhas de. Paixão e Morte de Silva Jardim. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967. 21.

188 LIMA, Heitor Ferreira. Perfil político de Silva Jardim. São Paulo: CEN, 1987. 189 Cf.: LIMA, Heitor Ferreira. Perfil político de Silva Jardim. São Paulo: CEN, 1987. 98.

. É em torno desta mobilização crítica do passado, sempre ressonante quando o período histórico de Silva Jardim, a Proclamação da República, é tocado que pretendemos retomar a obra de Dornas Filho no terceiro capítulo.

No prefácio da biografia de João Pandiá Calógeras escrita por Antônio Gontijo de Carvalho, Odécio Camargo, comenta que no livro

não se serviu o autor do biografado como pretexto para salientar uma época, tornando-o simples comparsa, mero acidente na paisagem nitidamente traçada; nem procurou destacar, dos matizes propositadamente esmaecidos de seu tempo, o relevo de uma individualidade190

Ainda segundo Camargo, que escreveu uma biografia de Castro Alves .

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, o livro de Gontijo de Carvalho seguiria a ‘orientação de Zweig’192 a partir da qual seria possível ‘sentir o renascimento da época inteira em que viveram’ os biografados. Além deste aspecto metodológico da biografia, Camargo ressalta a importância do fazer biográfico para o conhecimento do passado recente e reivindica obras que trabalhem com o advento da ‘república de 89, nascida, com ridículo contraste, entre a bestificação do desinteressado povo ignorante e a elite positivista ortodoxa193

Estas considerações sobre escrita biográfica revelam que havia na intelectualidade brasileira uma postura relativamente crítica acerca do fazer biográfico que deveria permitir ‘apreciar, pelo conhecimento das circunstâncias, o determinismo de muitos gestos em que outras situações seriam estranhos, senão incompreensíveis’. Outra referência que Camargo evoca em seu prefácio laudatório ao livro de Gontijo de Carvalho sobre Calógeras é a obra de Joaquim Nabuco Um Estadista no

Império

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194

, clássico do gênero biográfico no país, na qual seu autor, além da perspectiva heurística apontada acima, pintara a figura paterna de forma ‘sugestiva e encantadora’195

Gontijo de Carvalho era detentor da ‘maior parte da biblioteca’ e da ‘monumental .

190 CAMARGO, Odécio Bueno de. In: CARVALHO, Antonio Gontijo de. Calógeras. São Paulo: 1935. 11 191 CAMARGO, Odécio Bueno de. Castro Alves – estudante em São Paulo. São Paulo: Edicon, 1996. 192 Stefan Zweig (1881-1942) escritor austríaco que notabilizou-se como biógrafo. Exilou-se no Brasil, fugindo do nazismo, radicou-se em Petrópolis onde se suicidou. Este autor pertenceria, na história da produção biográfica feita por Madélenat, ao ‘paradigma moderno’. Iniciado a partir da Primeira Guerra Mundial, o ‘paradigma moderno’ do fazer biográfico é marcado por um contexto no qual ‘o homem teórico – personagem central e construtor de sua própria história vitoriosa – cede lugar a um homem complexo, contraditório, manietado por suas perplexidades. Não se crê mais no modelo do homem ‘monolítico’, incólume em relação aos desvios em sua trajetória de vida’. Cf. CARINO, Jonaedson. A biografia e a sua instrumentalidade educativa. Educação e sociedade. Vol 20. N 67. Campinas, Agosto 1999. 16.

193 CAMARGO, Odécio Bueno de. In: CARVALHO, Antonio Gontijo de. Calógeras. São Paulo: 1935. 13. 194 NABUCO, Joaquim. Um Estadista no Império. 3 v. Rio de Janeiro: Garnier, 1898.

195 CAMARGO, Odécio Bueno de. In: CARVALHO, Antonio Gontijo de. Calógeras. São Paulo: 1935. 12. Ainda nos estudos atuais a obra de Joaquim Nabuco figura como ‘manancial de informações e análises a respeito do Império brasileiro’ na qual se procura ‘reconstituir a história política e o arcabouço político-institucional do Império’. Cf. COSTA, Milton Carlos. Joaquim Nabuco – Entre a História e a Política. São Paulo, Annablume, 2003. 128-129

correspondência e fichário’ de João Pandiá Calógeras tendo acesso, portanto, a fontes importantes para a construção de uma narrativa historiográfica-biográfica. Esta se inicia pela reconstituição da origem familiar de Calógeras, mais precisamente, de sua árvore genealógica. Com origens européias datadas do século V, a família de Calógeras, ou família Calógeras [que significa ‘bom velho’ ‘responsável pela idade’], original da Ilha de Chipre, remonta à ‘cisão da igreja ortodoxa’ quando uma parte ‘continuou apostólica romana’ e a outra ‘mais numerosa aderiu ao credo oriental’196

A história da família em território brasileiro inicia-se em 1841 com a chegada de João Pandiá Calógeras, natural de Corfu, na Grécia. Era ‘amigo íntimo do Barão Laffite, célebre banqueiro e ministro do rei Luiz Phillipe, veio para o Brasil (...) a fim de dirigir uma Empresa que deveria ser organizada por aquele financista’. Por aqui, em 1858, o avô do biografado teria trabalhado para ‘coligir os documentos relativos à determinação dos limites do Império’. Já em 1859, ocupou o cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado dos Negócios do Império, da qual foi diretor e, posteriormente, entre 1862 a 1865, foi o Primeiro Oficial de Gabinete no Ministérios dos Negócios Estrangeiros

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197

O avô de Calógeras foi, ainda, ondoyer da Igreja Cismática, pois ‘não havia no Rio sacerdote ortodoxo’; professor de História e Geografia do Ginásio Pedro II, escreveu o ‘compêndio da História da Idade Média’, que, segundo Gontijo de Carvalho, teria prestado prestou ‘relevantes serviços à nossa mocidade estudiosa, foi adotado em quase todas

os colégios do Império’. Era sócio efetivo do IHGB e titular das Comendas da Ordem da Rosa; da Comenda da Ordem de Carlos III da Espanha; do oficialato da Ordem de S Maurício e S Lázaro da Itália. Seu filho e pai do biografado, Michel Calógeras (1812- 1888), teria sido ‘animador de grandes empresas’, dentre as principais a do prolongamento ‘até Petrópolis da Companhia da Estrada de Ferro Mauá’ e diretor da Companhia de Estradas de Ferro Macabá a Campos

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198

João Pandiá Calógeras seria, segundo o biógrafo, aquele que possuía ‘não só a capacidade realizadora do pai como, em

grau muito mais elevado, a cultura do avô’, de forma que seria ele quem ‘prestou ao país serviços que o sagraram um dos seus maiores filhos’. Nascido em 1870, no Rio de Janeiro, Calógeras fora

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196 CARVALHO, Antonio Gontijo de. Calógeras. São Paulo: 1935. 19. 197 CARVALHO, Antonio Gontijo de. Calógeras. São Paulo: 1935. 23-25. 198 CARVALHO, Antonio Gontijo de. Calógeras. São Paulo: 1935. 25-26

educado por um ‘luzidio corpo de professores particulares, notadamente alemães’ que o fizeram,