PSĠKOLOJĠK FAKTÖRLER
2.5. BĠREYSEL YATIRIMCILARIN DEMOGRAFĠK YAPIS
conhecimento ou habilidades críticas de suas competências centrais.
2.8 Dinâmica do Setor, Arquitetura do Produto e Matriz de Dependência e Terceirização
Em “Clockspeed” (Mercados em Evolução Contínua, no Brasil), Fine (1999), fundamenta-se em uma década de pesquisas na Sloan School of Management para introduzir um novo conceito, a idéia da velocidade evolutiva, essencial para a compreensão da dinâmica de cadeias de fornecimento (ou de suprimento). Segundo o autor, cada setor produtivo possui seu próprio ciclo de vida evolutivo (clockspeed), medido pela velocidade com que se introduzem novos produtos, processos e estruturas organizacionais (cada um desses elementos com o seu próprio clockspeed). O setor de microprocessadores de computadores, por exemplo, tem uma velocidade evolutiva alta quando comparado ao setor automobilístico ou aos fabricantes de aeronaves comerciais. Versões mais modernas de computadores pessoais são lançadas a casa seis meses, enquanto em relação aos automóveis, isso demora de quatro a seis anos.
Segundo Di Serio e Sampaio (2001), a principal conseqüência desse fenômeno é a marginalização do conceito de vantagem competitiva sustentável proposto por Porter. Quanto mais rápida a velocidade evolutiva de um setor, mais temporária é sua vantagem competitiva. Segundo Fine (1999), a empresa precisa aprender a se
concentrar diretamente em dois conjuntos de prioridades: (a) explorar as atuais capacidades e vantagens competitivas e (b) construir, de forma consciente e deliberada, novas capacidades para o momento inevitável em que as antigas não mais se constituírem em fonte de vantagem competitiva. A organização precisa ter a habilidade de desenvolver uma série de competências temporárias. Fine (1996) afirma que as firmas de alto-desempenho são distinguidas das comuns pela sua habilidade de antecipar melhor onde oportunidades lucrativas são prováveis de surgir e investir nas capacidades e relações relevantes para explorar tais oportunidades.
Fine (1999) também apresenta o modelo setorial de hélice dupla, um ciclo duplo infinito que explica mudanças nas cadeias de fornecimento. Esse modelo se constitui num movimento cíclico entre setores integrados verticalmente, compostos por empresas gigantescas, e setores desintegrados horizontalmente, constituídos de uma multidão de inovadores, cada um buscando um nicho próprio no amplo espaço resultante da prévia extinção das gigantes.
Segundo o autor, quando a estrutura do setor é vertical e a arquitetura do produto é integral, as forças que atuam no sentido da configuração horizontal e modular são:
a) a entrada de competidores de nicho, que esperam conquistar segmentos setoriais distintos;
b) o desafio de manter-se à frente da concorrência nas muitas dimensões da tecnologia e dos mercados;
c) as inflexibilidades burocráticas e organizacionais que geralmente se instalam nas empresas grandes e acomodadas.
Por outro lado segundo Fine (1999), quando o setor tem uma estrutura horizontal, outro conjunto de forças o impele rumo à integração vertical e a arquitetura integrada do produto. Essas forças incluem:
a) os avanços técnicos num subsistema, capazes de transformá-lo em mercadoria escassa da cadeia e que conferem poder de mercado ao seu detentor;
b) o poder de mercado num subsistema que encoraja o bundling (venda de serviços e produtos como um conjunto) com outros subsistemas de modo a aumentar o controle e agregar mais valor;
c) o poder de mercado num subsistema que estimula a integração da engenharia com outros subsistemas de modo a desenvolver soluções integradas patenteadas.
Ao introduzir o conceito de clockspeed setorial, também argumenta Fine (1996), à luz do entendimento de uma dinâmica dos setores, que o desenho e a articulação de capacidades na cadeia de fornecimento é uma “meta ou inner-core competence” na qual as empresas precisam se focar, principalmente naquelas indústrias de alta velocidade evolutiva. Fine e Whitney em outro artigo, “Is the make-buy decision process a core competence?” (FINE; WHITNEY, 1996), ampliam a discussão sobre competências centrais e ao mostrar que não existem políticas de terceirização adequadas a todas as empresas em todas as circunstâncias, defendem que as habilidades que uma empresa deve reter são, na verdade, aquelas que apóiam o processo de decisão “make or buy”. Eles ainda afirmam que a literatura de estratégia de negócios tem historicamente se concentrado em corporações individuais, como unidade de análise apropriada, e atualmente a atenção tem se expandido para a “organização extendida” — isto é, a cadeia de suprimentos — um termo que designa a corporação acompanhada de sua rede de fornecedores, rede de distribuidores e sua rede de alianças.
Outra perspectiva importante para as decisões de terceirização, a arquitetura do produto, também foi apresentada por Fine e Whitney (1996). Os autores notaram que alguns itens entre elementos de produto e infra-estrutura são mais facilmente decompostos que outros. Os itens que podem ser decompostos são aqueles usualmente chamados de commodites. Eles estão disponíveis a partir de várias
fontes e podem ser substituídos, a princípio, independente da fonte. Uma vez que commodites são sujeitas a economias de escala, é raro para uma firma não terceirizá-las.
Além disso, as empresas não podem evitar dependência de outras e essa dependência pode ser identificada como de conhecimento ou de capacidade (FINE; WHITNEY, 1996). No primeiro caso, a empresa presumivelmente pode fazer o item em questão e sem dúvida já o faz, mas por razões de tempo, dinheiro, espaço ou atenção gerencial, escolhe estender sua capacidade através de um fornecedor. No último caso, a empresa presumivelmente precisa do item, mas não tem a habilidade para fazê-lo e procura um fornecedor especializado para preencher sua necessidade (FINE; WHITNEY, 1996). Ver Quadro 4.
Dependência de Conhecimento Dependência de Capacidade Item Mo du lar Potencial Extorsão ao Terceirizar Melhor Oportunidade de Terceirização Item É In te gral Pior Situação ao Terceirizar
Pode Viver sem Terceirizar
Quadro 4. Matriz de Dependência e Terceirização Fonte: FINE; WHITNEY,1996, p. 21.
Em síntese, Fine (1999) aponta quatro dimensões para a análise da decisão “fazer ou comprar”. O autor defende que todos os setores apresentam mudanças cíclicas em sua estrutura de cadeia de fornecimento, alternando períodos de integração com períodos de desintegração. Essas mudanças cíclicas ocorrem em diferentes velocidades evolutivas (clockspeed) em cada setor da economia e em setores com alta velocidade evolutiva as empresas não podem correr o risco de perder o controle sobre subsistemas críticos ao seu desempenho. Indicadores da velocidade evolutiva
são os ciclos evolutivos dos produtos, processos e estruturas organizacionais. Deve se classificar os serviços em termos da sua arquitetura do produto e tipo de dependência predominante. Quanto à arquitetura do produto, o modelo orienta terceirizar os produtos ou serviços que sejam modulares, isto é, exibem poucas e bem definidas interfaces com os demais componentes do sistema e podem ser substituídos independentemente da fonte, ou seja, são commodities Orienta terceirizar também se a decisão não levar à dependência de conhecimento em relação ao fornecedor, mais especificamente dependência de conhecimento sobre o projeto e desenvolvimento em oposição à dependência de capacidade produtiva, somente. Quando a base de fornecedores for grande, a terceirização também é favorecida.
Ao revermos as contribuições de Fine, terminamos o levantamento dos modelos de decisão e dispomos ilustrativamente as variáveis selecionadas de cada um deles (Quadro 5).
TEORIAS VARIÁVEIS SELECIONADAS REFERÊNCIAS PRINCIPAIS Freqüência das transações WILLIAMSON, 1981
Especificidade dos ativos WILLIAMSON, 1991 Incerteza Teoria dos Custos Transacionais
Intensidade das transações BAKER, 1990
Criticidade do recurso SALANCIK; PFEFFER, 2003 Assimetria de poder
Padronização Teoria da Dependência dos Recursos
Incerteza ambiental
Incerteza dos resultados EISENHARDT, 1989 Aversão ao risco JENSEN, 2000 Sistema de informação
Programabilidade das tarefas Teoria da Agência
Mensurabilidade Demanda por velocidade JARILLO, 1993 Conhecimento Intensivo POWELL, 1990 Inovação tecnológica
Incerteza Perspectiva das Organizações em
Redes
Importância para o cliente PRAHALAD; HAMEL, 1990 Importância relativa HAMEL; PRAHALAD, 1994
Extendabilidade QUINN; HILMER, 1994 Estratégia das Core Competences
Cloockspeed FINE, 1996, 1999
Modularidade FINE; WHITNEY, 1996 Tipo de dependência
Base de fornecedores Dinâmica do setor e Arquitetura do
Produto
Quadro 5. Variáveis independentes selecionadas dos modelos de decisão “make-or-buy” descritos