Como sabemos a Lei. 8.842/1994, que trata da Política Nacional do Idoso, não foi revogada pelo Estatuto do Idoso, mas complementada por ele. Assim,
vários dispositivos foram inseridos na nova Lei, visando um melhor atendimento as necessidades dos idosos.
Destarte, o artigo 46 da Lei. 10.741/03 reza que a política de atendimento
ao idoso far-se-á através do conjunto articulado de ações governamentais e não governamentais, da União, do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios.
Nesta mesma esteira, Emanuel Furtado faz um comentário em seu livro acerca da importância da política de atendimento ao idoso no âmbito municipal, vejamos:
Andou bem a Lei. 10.741/03 ao instituir a política de atendimento ao idoso. Melhor obrou ao fazê-lo nas três órbitas, federal, estadual e municipal. Sabe-se que a menor esfera de estrutura do Estado federado reside no município. E é nele que de forma mais permanente e viva o administrado exercita sua cidadania, por ser no município, vale dizer, na cidade, onde mora, trabalha e participa da sociedade.206
No âmbito de ação dessas políticas públicas de atendimento aos idosos, podemos citar o art. 47 da Lei 10.741/04, verbis:
Art. 47. São linhas de ação da política de atendimento:
I – políticas sociais básicas, previstas na Lei no 8.842, de 4 de janeiro de 1994;
II – políticas e programas de assistência social, em caráter supletivo, para aqueles que necessitarem;
III – serviços especiais de prevenção e atendimento às vítimas de negligência, maus-tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão; IV – serviço de identificação e localização de parentes ou responsáveis por idosos abandonados em hospitais e instituições de longa permanência;
V – proteção jurídico-social por entidades de defesa dos direitos dos idosos;
VI – mobilização da opinião pública no sentido da participação dos diversos segmentos da sociedade no atendimento do idoso.
Conforme reza o inciso I, além das políticas sociais acima citadas, outras políticas sociais básicas já se encontravam consubstanciado na Lei. 8.842/94, referente à Política Nacional do Idoso, em seu art.10, inciso I. Destarte, abrangendo as áreas de promoção e assistência social, saúde, educação, habitação, urbanismo, justiça, cultura, esporte e lazer. Ou seja, com o advento da nova Lei ( 10.741/2003) passou a ter um tratamento mais detalhado, não conflitando com a norma de 1994.207
206 FURTADO, Emanuel Teófilo. Preconceito no trabalho e a discriminação por idade. São Paulo. LTR, 2004, p. 334.
Além destas medidas de proteção ao idoso, podemos encontrar outras previstas nos arts. 4º, caput e (parágrafos 1º e 2º); 5º; 6º e 7º da Lei 10.741/03,
verbis:
Art. 4o Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei.
§ 1o É dever de todos prevenir a ameaça ou violação aos direitos do idoso.
§ 2o As obrigações previstas nesta Lei não excluem da prevenção outras decorrentes dos princípios por ela adotados.
Art. 5o A inobservância das normas de prevenção208 importará em responsabilidade à pessoa física ou jurídica nos termos da lei. ( Grifei-os) Art. 6o Todo cidadão tem o dever de comunicar à autoridade competente qualquer forma de violação a esta Lei que tenha testemunhado ou de que tenha conhecimento.
Art. 7o Os Conselhos Nacional, Estaduais, do Distrito Federal e Municipais do Idoso, previstos na Lei no 8.842, de 4 de janeiro de 1994, zelarão pelo cumprimento dos direitos do idoso, definidos nesta Lei.
No artigo 4ª parágrafo 2ª o Estatuto do idoso optou por um sistema aberto no que tange às obrigações de prevenir violações aos direitos do idoso. Tem-se, pois, um sistema que elencam direitos e obrigações de forma não exaustiva. Assim, outras obrigações com o intuito de prevenir, proteger ofensas aos direitos dos longevos podem ser encontradas em outros diplomas normativos.
Desse modo, podemos citar um caso209 em que houve a interferência do código de defesa do consumidor e do direito civil na proteção desses direitos. Assim,
208 Há três conceitos que ilustram as formas de prevenção. A primária: quando da adoção de medidas que visem garantir os direitos fundamentais do idoso em todas as áreas, em especial através de políticas públicas. O secundário: através de programas de atendimento, auxílio e orientação, que evitem a marginalização e discriminação dos idosos. E por fim a terciária: quando puni àqueles que descumprem as normas de proteção aos idosos, servindo a sanção como caráter educativo e desestimulador de condutas ilíctas. PINHEIRO, Neide Maria ( Coord.) Estatuto do Idoso
Comentado. Campinas. LZN, 2006. p. 38-39.
209 DIREITO CIVIL. INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. LEI N. 8.078/90. RESPONSABILIDADE CIVIL
OBJETIVA. CEF. CONCESSÃO DE EMPRÉSTIMO SEM LASTRO DE PROCURAÇÃO. DANO
MORAL E MATERIAL CONFIGURADOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR. 1- - A Lei n. 8.078/90 - Código de Defesa do Consumidor -, inclui a atividade bancária no conceito de serviço (art. 3º, § 2º), estabelecendo como objetiva a responsabilidade contratual do banco (art. 14), que se funda na teoria do risco do empreendimento, segundo a qual todo aquele que se dispõe a exercer alguma atividade no campo do fornecimento de bens e serviços tem o dever de responder pelos fatos e vícios resultantes do empreendimento, independentemente de culpa. 2 - In casu, comprovado nos autos que, conquanto amplos, os poderes outorgados em 20/06/2001 pela Autora ao seu procurador, não se incluiu a contratação de empréstimo, o que configura, por si só, a culpa e negligência da CEF na concessão de empréstimo, comprometendo, durante dois anos, o equivalente a quase um terço dos proventos da Autora, a qual possui 86 anos e está sob o amparo do Estatuto do Idoso - Lei n. 10.741/2003 -, cujo art. 4º prevê que nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei.. 3- Se prevalece o direito subjetivo da Autora à inversão do ônus da prova a seu favor (art. 6º, VIII, da Lei 8.078/90), não caberia à
complementando o raciocínio acima exposto, as punições a que se faz referência o art. 4ª encontram-se nos arts. 93 ao 108 do estatuto.
Além de que, a responsabilidade mencionada no artigo 5ª pode advir tanto da ação como de omissão, podendo tanto ocorrer na esfera cível, quanto administrativa ou penal, que são independentes entre si. O estatuto também disciplina nos arts. 55 ao 58 as penalidades a que estão sujeitas as entidades de atendimento ao idoso pelo descumprimento das normas.
Por fim, no que diz respeito ao art. 7ª vale frisar o papel do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso- CNDI, órgão este colegiado de caráter deliberativo, integrante da estrutura básica da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, tendo como finalidade elaborar as diretrizes para a formulação e implementação da política nacional do idoso, observadas as linhas de ação e as diretrizes conforme dispõe a lei 10.741/03- Estatuto do idoso- bem como acompanhar e avaliar a sua execução.