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BÖLÜM 2: BÜTÇE HARCAMA POLİTİKALARI VE MAKRO

2.2. Bütçe Harcama Politikaları ve Ekonomik Büyüme İlişkisi

A fala temática é o principal modo responsável pela introdução dos itens temáticos no discurso. Esta função é cumprida tanto pela fala dos monitores como pela fala dos alunos: para ambos os grupos de atores, a fala temática foi largamente predominante sobre a fala nos outros espaços semióticos.

A maneira como se constrói a narrativa científica é a interação do tipo IRF. Praticamente toda a fala temática se baseia em um discurso dialógico, controlado pelo monitor, que, ao conduzir a construção da narrativa, alterna perguntas e intervenções de avaliação das respostas dos alunos (no padrão IRF) com apoios estratégicos do âmbito da gestão da representação, como analogias ou referências a contextos compartilhados, sendo que o monitor fala o dobro das mensagens que fala o aluno.

A participação dos alunos na construção da narrativa parece significativa: em seu discurso, a fala temática predomina em relação aos outros espaços semióticos, correspondendo a mais de 70% das mensagens que produzem nesse modo.

No entanto, são os monitores que constroem a narrativa, ainda que os alunos sejam os responsáveis por lançar muitos dos itens temáticos no discurso público.

A participação dos alunos fica em grande parte restrita a fornecer respostas às perguntas do monitor, sendo os itens temáticos destas respostas provenientes de três fontes: (1) resultados de observação direta do meio material, (2) contextos

referenciais com os quais os alunos são familiares, e (3) desdobramentos lógicos sobre as considerações temáticas presentes no discurso público, manipuladas pelo monitor.

Resultados de observação direta do meio material

Resultados de observação direta do meio material: Exemplo 1. ST#3 – Costão Rochoso

Tempo: próximo a 05:30. Gestos na coluna da direita; M= monitor.

Os resultados da observação do meio material entram no discurso sob a demanda da interação IRF, em que o monitor muitas vezes determina, na forma de uma pergunta temática, o âmbito da observação. A origem dos itens temáticos introduzidos pelo aluno está, nesses casos, na própria observação do meio material que ele faz..

Nesse exemplo, a origem do item temático “as conchas estão nas pedras” está na observação do meio material que o aluno realizou, sob a demanda da pergunta do professor. É um típico exemplo de interação IRF, sendo que, na avaliação, o monitor re-elabora ligeiramente a resposta acrescentando a idéia de “colados na rocha”. O monitor controlou a ação de observação do aluno por meio da

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pergunta temática que iniciou a IRF, controlando assim o tipo de item temático que o aluno introduziu no discurso público.

O item temático que nasce da observação pode, inclusive, não ser a representação de uma entidade concreta visível no mundo material, como no exemplo anterior, mas um item temático que o aluno imagina relacionado ao contexto referencial empírico da observação, como veremos a seguir:

Resultados de observação direta do meio material: Exemplo 2. ST#3 – Costão Rochoso

Tempo: próximo a 03:00. Gestos na coluna da direita; M= monitor, A= aluno.

Nesse exemplo, da mesma sessão de trabalho, há um exemplo que ilustra de forma interessante essa forma de introdução de itens temáticos, porque o aluno percebe e verbaliza o fato de que a observação pedida pelo professor não funcionaria naquele momento particular. O professor, por sua vez, re-elabora a pergunta, explicitando a necessidade de se usar a imaginação, embasada no contexto empírico e material da situação.

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O grau de controle da observação varia bastante. Em geral, os gestos controlam os limites espaciais da observação, e a fala controla seu caráter e seu âmbito temático.

Perguntas como “Quais os fatores abióticos que vocês percebem neste ambiente?” são bastante abertas no sentido de comportar uma grande variedade de aspectos do meio material e uma grande variedade de possíveis itens temáticos como resposta.

No outro extremo, os monitores utilizam com freqüência uma forma poderosa do controle temático da ação de observação, que, como conseqüência, controla firmemente os itens temáticos que os alunos utilizam para expressar o fruto de sua observação: são o que chamamos de “perguntas dicotômicas”, em que o monitor, na própria pergunta, estabelece tanto o âmbito da observação como os termos em que pretende que a resposta seja dada. A seguir, transcrevemos uma longa série de interações IRF na qual o monitor utiliza o recurso das perguntas dicotômicas para controlar os itens temáticos que os alunos trazem para o discurso.

Esse fragmento também traz exemplos de contribuições dos alunos que se originaram em contextos referenciais e exemplos de desdobramentos lógicos a partir das intervenções do monitor.

Origem das contribuições temáticas dos alunos: Exemplo. ST#4 – Praia e Duna

Tempo: próximo a 04:00. Gestos na coluna da direita; M= monitor.

Nesta série de interações, os alunos introduzem itens temáticos oriundos das três fontes que citamos acima: na primeira interação IRF, o item temático “há muita água nesse ambiente” é fruto da observação do meio material.

Na segunda, a resposta tem origem em um contexto referencial: o monitor fornece uma analogia com uma situação que é familiar para alguns alunos, dentro

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do marco referencial social, e um aluno responde que a água iria para o fundo do hipotético balde de areia.

Nas demais interações os alunos elaboram desdobramentos lógicos sobre as considerações que faz o monitor: “solo arenoso permeável” implica em “água desloca-se para o fundo”, que implica em “solo retém pouca água”.

Em todas as interações fica claro, nas intervenções do monitor, o esforço de controle sobre os itens temáticos que se acrescentam ao discurso, bem como sobre os padrões de relações que se estabelecem entre eles.

Vale notar que quando o monitor restringe os itens temáticos possíveis na resposta, usando a dicotomia muito/pouco nas perguntas sobre quantidade de água e permeabilidade do solo, ele evita a negociação de outros significados que são muito delicados: a expressão de grandezas qualitativas.

Essa questão é recorrente quando os alunos são instados a observar o meio e expressar qualitativamente o estado das variáveis. Se o monitor pergunta a temperatura, uma resposta baseada no uso de um termômetro diria, por exemplo, 28°C., o que seria uma resposta razoavelmente objetiva cujo significado é percebido dentro do referencial dessa escala de temperatura.

Por outro lado, se a avaliação da temperatura é qualitativa, os significados de “é quente”, “é frio” ou “é mais ou menos”, se não forem negociados em relação a algum referencial, ficam sem sentido como no exemplo a seguir, relativo à intensidade de vento.

ST#3 – Costão Rochoso

Tempo: próximo a 04:10 Gestos na coluna da direita.

Observando outras aulas, além das que aqui transcrevemos, percebemos que os monitores normalmente adotam um referencial comparativo com os outros ambientes: “é mais quente do que o mangue?”. Ainda assim, o problema é maior quando os alunos estão no primeiro dos ambientes a serem visitados e não têm ainda um referencial negociado de comparação.

Uma forma usual de resolver o impasse é orientar aos alunos que memorizem a sensação para comparar com a obtida nos próximos locais de observação. Por vezes, a comparação é refinada pela negociação de uma escala qualitativa do tipo “numa escala de uma a cinco, esta temperatura será equivalente a três”. De toda a forma, negocia-se um referencial para que se possa compartilhar os significados atribuídos à experiência empírica.

Estratégias de controle dos itens temáticos

Além dessas estratégias que discutimos, que visam o controle dos itens temáticos que os alunos introduzem no discurso, os monitores lançam mão de outras formas de controle que agem sobre a participação dos alunos na negociação dos significados que estão postos no discurso público, organizando retoricamente a construção da narrativa científica.

Tais estratégias também são realizadas no âmbito da fala temática dos monitores: três delas são bem claras nas interações que observamos, encontrando-

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se descritas em estudos que investigaram situações de ensino em sala de aula e incluídas entre as táticas temáticas (LEMKE, 1990) ou regras básicas do ensino (EDWARDS; MERCER, 1993).

São elas: refazer a pergunta para indicar que as respostas dadas não foram adequadas; re-elaborar as respostas dos alunos utilizando os padrões temáticos que se julgam “adequados”; e ignorar contribuições dos alunos demarcando sua irrelevância.

Estratégias de controle dos itens temáticos (táticas temática): Exemplo 1. ST#1 - Manguezal

Tempo: próximo a 00:30. Gestos na coluna da direita; M= monitor.

A estratégia de refazer a pergunta para indicar que as respostas dadas não foram adequadas é ilustrada neste exemplo: é realizada pelo monitor com o uso da fala temática e é reforçada pelo uso simultâneo de um gesto de desacordo, demonstrado pela expressão facial “negativa”.

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Estratégias de controle dos itens temáticos (táticas temática): Exemplo 2. ST#4 – Praia e Duna

Tempo: próximo a 01:00. Gestos na coluna da direita; M= monitor.

A segunda estratégia, a re-elaboração da resposta da aluna, fica clara neste fragmento: o monitor re-elabora a resposta e amplia o padrão temático do discurso, quando substitui “nutrientes” por “pouco de matéria orgânica que tem ali decompondo”, dando mais um passo na construção do padrão que envolve “sucessão ecológica“ e que será o tema final da sessão de trabalho.

Essa sutil re-elaboração da fala temática é de grande importância, pois o acúmulo de matéria orgânica em decomposição é justamente o indício visível, no meio material, de que a qualidade do solo foi modificada pelas comunidades de organismos que ali viveram.

Quando o aluno for orientado a observar o solo, no final da sessão de trabalho, ele não poderá ver “nutrientes”, mas sim, um pouco de matéria orgânica

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em decomposição, denunciada pela coloração escura dos sedimentos e pela presença de fibras vegetais.

Estratégias de controle dos itens temáticos (táticas temática): Exemplo 3. ST#2 - Restinga

Tempo: próximo a 03:00. Gestos na coluna da direita; M= monitor, A= aluno.

A terceira estratégia de controle do tema, por fim, é a de ignorar contribuições dos alunos que não contenham os itens temáticos desejados para integrar a narrativa científica que o monitor pretende construir.

Esses processos de controle sobre o tema, que discutimos até aqui, ilustram o grau de controle do monitor na construção da narrativa científica.

Aos alunos, à parte de sua relevante participação na negociação de significados e contextualização dos itens temáticos, pouco ou quase nada cabe de autonomia na escolha dos temas abordados pelo grupo.

De um total de mais de quinhentos turnos de fala produzidos pelos alunos, nas quatro sessões de trabalho, apenas oito perguntas temáticas foram feitas por esses atores. 3 $ + ( = / ( / \ $ ) $ /$ ) / \ ' ) # ! ! ' ) # "! ! %

O forte controle temático é ilustrado na brincadeira que faz o monitor, no fragmento abaixo, que é efetivamente utilizada para pautar o diálogo que se continua com uma explicação sobre a planta em questão.

ST#2 - Restinga

Tempo: próximo a 04:00. Gestos na coluna da direita; M= monitor.

Benzer Belgeler