2.3. BÖLGESEL SANAYİ ODAKLARI
2.3.10. BÖLGESEL ODAKLARDA YENİLİKÇİ PERFORMANS
Assim, em uma terceira etapa, e de maneira complementar aos questionários, seriam realizadas entrevistas de tipo semiestruturadas, orientadas por um roteiro de perguntas pré- determinadas, possibilitando ao entrevistado expressar seu ponto de vista, dentro do seu referencial conceitual.
As abordagens iniciais foram realizadas por telefone para apresentação da pesquisa e agendamento da entrevista. Em seguida, foi enviada carta por correspondência eletrônica, reforçando e explicando o tema. Kahn e Cannel (apud May, 2004) sugerem três condições necessárias para realização bem-sucedidas de entrevistas (ainda que mais orientadas para surveys, podem ser aplicadas às outras):
1. Acessibilidade: se o entrevistado tem acesso ou não à informação que o entrevistador procura. Muitas vezes há uma lacuna entre o entendimento do entrevistador e entrevistado sobre a questão.
2. Cognição: entendimento do entrevistado de qual é o seu papel, o que se espera dele, com o pressuposto de que a entrevista é um contato social, e não um meio passivo de obtenção de informação. O esclarecimento das regras e expectativas, sob pena de afetar os resultados, além de ser consideração prática, é ético e teórico. 3. Motivação: o entrevistador deve fazer com que o entrevistado sinta sua participação
valorizada e sua cooperação fundamental para a condução da pesquisa, mantendo o interesse durante a entrevista. A participação tende a crescer e o fluxo de informação melhora com o desenvolvimento da confiança mútua.
A amostra
A preparação da entrevista, além de organizar o roteiro ou questionário com as questões importantes, deve estar centrada no objetivo a ser alcançado, a escolha do entrevistado que tenha familiaridade com o tema pesquisado, sua disponibilidade em participar, as condições que garantam sigilo ao entrevistado (Marconi e Lakatos, 1982).
Para Pepinsky e Kosack, (2007), uma questão da metodologia diz respeito ao tamanho da amostra e à importância da relação entre as observações e a população da qual foram retiradas. Entre as técnicas estatísticas, está a amostragem aleatória, mas também as técnicas para produzir inferências a partir de amostra não-aleatória. Independentemente do método utilizado, há o pressuposto de que o critério de seleção de amostra seja completo, aleatório, ou ao menos previsível. Como melhor prática para ciência social qualitativa, antes
da codificação e como um componente integral da teorização e refinamento conceitual, há que se declarar e justificar o universo e a amostragem, o porquê da escolha e o que concluir sobre as inferências desses casos.
A escolha do núcleo de entrevistados se deu por interação e conhecimento prévio de parte dos atores do setor, com participação de destaque em diversos seminários e eventos de telecomunicações. São presidentes e representantes de associações e profissionais liberais que, indicaram outros atores por sua atuação no setor, inclusive do setor público. Ou seja, num segundo momento, foi utilizada a “estratégia de “bola de neve” (snow ball ou chain sampling) recomendada por Patton (2002 apud Cernev, 2010), que consiste em partir de grupo inicial de entrevistados respondentes que indicam potenciais entrevistados” (Cernev, 2010).
A população de interesse são profissionais decisores do setor de telecomunicações, do setor público e privado, além de profissionais liberais de telecomunicações. Cabe a ressalva de que a amostra, nesse estudo, constitui fração ou subconjunto de indivíduos de uma dada população (os atores de telecomunicações) e seu tamanho não foi determinado estatisticamente, não considerando grau de confiança ou erro amostral. Certamente, apresenta, por isso, mais limitações do que uma amostra probabilística. Sua replicabilidade é dificultada pelo fato de que, em refazendo a amostra, os resultados seriam diversos, em função dos entrevistados, cargos e respostas que podem variar segundo o cenário político setorial e a temporalidade do estudo.
O que se chamará de amostra nesse estudo é um conjunto de participantes que não se pretende representativo de todos os participantes de todos os segmentos da população de interesse. Foi não probabilístico e intencional (Marconi e Lakatos, 1982), e determinado por julgamento do pesquisador especialista (Chisnall, 1980). O conjunto de participantes (aqui denominado amostra) está constituído de:
representantes de entidades de classe e associações de pequenas provedoras de internet banda larga, além de outras correlatas do terceiro setor;
representantes de órgãos governamentais do setor:
Anatel, com foco nos problemas diagnosticados e regulamentações implementadas para a universalização da banda larga;
Telebras, sobre o seu papel no PNBL e sobre a articulação do plano regional de expansão com a América do Sul;
Ministério das Comunicações, notadamente a Secretaria de Inclusão Digital, com foco nas políticas e ações em curso e previstas,
Representantes da sociedade civil, dos quais, profissionais liberais, dirigentes de entidades civis e organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP).
Foram entrevistadas vinte e três pessoas atuantes nos mercados de telecomunicações, com diversas especialidades. São pessoas-chave do setor: diretores, superintendentes, presidentes de empresas e de associações, profissionais liberais reconhecidos por seus pares. Entre eles:
cinco executivos do Governo Federal e órgãos vinculados;
nove executivos de Associações do setor dos quais sete empresários; um empresário do setor
oito profissionais liberais atuantes no setor.
A relevância do conjunto se dá justamente pela diversidade de seus particpantes, tanto entre os executivos do Governo Federal oriundos de órgãos e departamentos distintos do MiniCom, quanto pela diversidade de localização das Associações do setor provenientes de diversos estados das regiões Sudeste, Sul e Nordeste do país, assim como pela diversidade de formação e atuação dos profissionais liberais entrevistados. Essa variedade que constitui a amostra permite a observação da existência, ou não, de unidade de ponto de vista dos entrevistados ou de desacordos e contradições latentes entre participantes de instituições da mesma natureza como executivos de Associações setoriais ou dos órgãos do Governo Federal.
Vale notar que em tendo sido suspenso o estudo comparado de experiências locais de inclusão social, não foram identificados pequenos provedores de referência para as entrevistas semiestruturadas, como inicialmente havia sido previsto. No entanto, excetuado dois executivos das associações, todos são empresários e lidam direta e diariamente com os problemas dos pequenos e médios provedores e, por estarem à frente das Associações, têm conhecimento também dos problemas de seus associados. Ou seja, as entrevistas dos executivos de associações refletem também o pensamento e contexto empresarial dos entrevistados.
Apenas quatro pessoas não responderam aos contatos nem aos pedidos de entrevista: entre eles dois executivos de Associação (um presidente e um diretor) e dois profissionais atuantes no setor. A relação das instituições de origem dos entrevistados consta do Apêndice D deste trabalho. Por razões óbvias, os nomes dos entrevistados foram omitidos.
Aplicação dos questionários
Da mesma forma que o contato inicial é fundamental, a formulação e o ordenamento das perguntas têm um forte impacto no resultado da entrevista. May (2004) recomenda a utilização da técnica do funil para o ordenamento das perguntas: começar das perguntas mais gerais e abrangentes para as perguntas mais específicas ou delicadas. Também é interessante iniciar o roteiro de perguntas com aquelas que sejam mais fáceis para o entrevistado responder ou que não sejam diretamente relacionadas com o tópico da pesquisa a fim de deixar o entrevistado mais a vontade e acostumado com a situação da entrevista.
O maior cuidado que deve ser tomado na construção das perguntas é que o entrevistador não deve fazer perguntas que contenham a própria resposta ou que enviesem o entrevistado para alguma resposta. Também deve ser muito cauteloso para não impor ao entrevistado seu referencial conceitual.
Inicialmente, foi seguido o roteiro semiestruturado do questionário elaborado para esse trabalho, contendo algumas questões fechadas, estruturadas para codificação e comparação imediata dos dados compilados. Porém, o fato de nenhum entrevistado, nas questões fechadas, ter a lembrança de dados específicos ou conhecimento de alguma experiência de parceria de governo local com um pequeno provedor, por exemplo, fez com que se permanecesse somente na parte do roteiro de perguntas semiestruturadas. Também, levando-se em conta a disponibilidade dos entrevistados e dando-lhes liberdade para resposta, as questões, geralmente todas respondidas, seguiram ordem diversa, sendo retomadas por vezes.
As respostas dos entrevistados nem sempre se davam na ordem planejada, em função do rumo das falas. Em se tratando de questões relevantes para o trabalho, mantinha-se a conversa, sem interrupções, colocando-se a ordem, de forma contextualizada, no momento da organização e análise das entrevistas. Quando não relacionadas diretamente ao tema, eram anotadas em seu contexto, mas de alguma forma, com alguma interrupção, se voltava ao tema para responder às seis grandes questões abaixo.
Os grandes temas carregavam como objetivo principal entender, do ponto do entrevistado: 1) com quais medidas, e de que forma, o país conseguirá levar infraestrutura de banda larga para as regiões remotas e de baixo poder aquisitivo; 2) se as pequenas e médias operadoras, por meio de regulamentação e com os estímulos adequados, conseguirão enfrentar as barreiras do setor e exercer o papel de universalizadoras da banda larga em regiões preteridas pelas incumbentes.
Com esse norte, as perguntas encaminharam todas as conversas, no sentido de obter a avaliação do entrevistado sobre:
O desenvolvimento da implantação das redes de infraestrutura de banda larga no país
A efetiva integração das pequenas e médias operadoras ao PNBL. Como vem se desenvolvendo o papel da Telebras?
As pequenas operadoras, quando entram em uma localidade para implantar infraestrutura, em geral o fazem em parceria com os municípios ou Telebras? Quais costumam ser os maiores entraves para as pequenas operadoras? Os
itens a seguir são somente guias: financiamento, parcerias com os governos locais, entraves jurídicos e administrativos, outros.
Quais os maiores desafios para universalizar a rede de banda larga no Brasil? Deve-se levar em conta que alguns assuntos como o Decreto 8135/2013 da Casa Civil ou a simples expectativa de votação do marco civil da internet vieram à tona por terem sido objeto de divulgação pela imprensa e especulação às vésperas das entrevistas e isso afeta o setor sobremaneira, influenciando algum foco das conversas, por parte dos entrevistados. O questionário original elaborado para as entrevistas, e que continha essas questões, consta no Apêndice E deste trabalho.
Registro dos dados
Entre as maneiras de registro de uma entrevista, há a gravação em áudio ou vídeo, anotações das respostas ao longo da entrevista e a memorização de aspectos essenciais, com anotações posteriores. Obviamente, nenhuma das três formas de registro exclui a outra. Entretanto, pondera May (2004), é preciso ter claras as suas vantagens e limites. A gravação permite que se possa voltar a qualquer momento à situação de entrevista para analisá-la. Assim, tom de voz e expressões corporais (em caso de vídeo) podem ser recuperados. A coleta de dados depende menos da capacidade de anotação e memorização do entrevistador e a narrativa pode ser transcrita integralmente após terminada a entrevista. A gravação, no entanto, pode inibir o entrevistado ao longo da entrevista a dar determinadas respostas.
Tanto as anotações ao longo da entrevista quanto as posteriores têm a desvantagem de que as narrativas não podem ser integralmente transcritas. São muito úteis, porém, para o registro das respostas e outras informações ao longo da entrevista.
Nesse trabalho, as entrevistas foram realizadas pessoalmente somente com os entrevistados residentes ou de passagem na cidade de São Paulo. Ainda assim, alguns preferiram realizá-la por telefone ou skype, dependendo de sua disponibilidade e agenda. Os outros, no momento da entrevista, estavam nas seguintes cidades brasileiras: Bauru (SP), Brasília (DF), Caixas do Sul (RS), Cajazeiras (PB), Campos de Goytacazes (RJ), Conselheiro Lafaiete (MG), Garibaldi (RS), Maringá (PR), Recife (PE), São Carlos (SP). Note-se que, muitas vezes, os presidentes de associações não estavam no mesmo endereço das respectivas sedes, mas geralmente em suas empresas que podem estar em outras cidades. Houve ainda um entrevistado que estava em Londres (Inglaterra). Por essa gama de cidades e dificuldade de deslocamento em função dos custos, essas entrevistas foram realizadas por telefone ou skype, também sempre em horário previamente agendado para garantir tranquilidade da conversa.
O período de entrevistas se deu no último trimestre de 2013, entre os meses de outubro e dezembro. Em geral as entrevistas foram registradas em áudio, com a autorização dos respectivos entrevistados, com anotações realizadas pelo autor simultânea e imediatamente após à conversa. Em algumas entrevistas realizadas por telefone, não houve registro em áudio, em função de dificuldades técnicas. Da mesma forma, foram realizadas anotações pelo autor durante a entrevista e imediatamente após.
Brum de Paula e Espinar (2002) alertam que
“o sistema de transcrição escolhido (fonético, ortográfico, fonético acompanhado da versão ortográfica, intonativo), por exemplo, também deve fazer parte da metodologia adotada. Como a transformação de sons, ritmos, entonações, gestos e/ou hesitações em escrita é uma atividade árdua, demanda paciência, homogeneidade no tratamento do material linguístico e tempo daquele que a empreende, não deve ser efetuada de qualquer modo. Não se trata de operação mecânica, mas de reconstituição perceptiva das condições da entrevista. [...] Essa tarefa corresponde à primeira interpretação e simplificação dos dados recolhidos que passam pelo filtro da percepção do pesquisador e adquirem, aos poucos, características do texto escrito, mesmo quando o sistema de codificação ou transcrição utilizado consegue preservar, de modo mais ou menos fiel, as informações veiculadas pelo comportamento interacional do informante” (Brum de Paula e Espinar, 2002, PP. 10-11).
As entrevistas foram transcritas pelo autor imediatamente após cada entrevista, num esforço de memória de anotar hesitações e/ou reações instintivas nas respostas seguidas de uma ponderação. Optou-se por não colocar a integralidade das transcrições no apêndice, mesmo que não identificadas, por questões de sigilo, acordado inclusive com os entrevistados: deles constaria apenas a instituição de origem. Como se trata de pequenos grupos de entrevistados, e principalmente por serem pessoas de destaque das telecomunicações, sejam do governo, associações ou profissionais liberais, estão com frequência em
seminários e eventos do setor e na mídia, seus discursos e declarações poderiam ter facilmente a autoria identificada. Assim, foram todos denominados “entrevistado”, independente do gênero, e havendo coincidência de pensamento e análise de situação, foram citados como diversos entrevistados, apenas indicando no texto que a consideração em questão é compartilhada.