G 84. Uğur AVCI, “Başlangıç”, 2018, 100x120cm, T.Ü.Y.B
IV. BÖLÜM – UYGULAMA ÇALIŞMALAR
A Coordenação Nacional de Lutas (CONLUTAS) nasce num contexto bastante difícil para classe trabalhadora brasileira, profundamente distinto da conjuntura
social na qual foi criada a CUT83. Na realidade, o surgimento da CONLUTAS está, intimamente, associado ao processo de degeneração política da Central Única dos Trabalhadores.
Como sabemos, a CUT já vinha sofrendo alterações na sua ação política, desde o início dos anos 1990. Os retrocessos, sinalizados nas mudanças internas na central, ganharam profundidade com o advento do governo petista. Decorre que, a despeito da inclinação neoliberal desse governo, a CUT não hesitou em manifestar seu apoio político irrestrito ao governo do PT. Isto é, ao se aliar ao governo, a CUT acabou facilitando a ofensiva das políticas neoliberais no campo dos direitos sociais e trabalhistas.
Ainda que a própria existência de sindicatos fira o princípio liberal da iniciativa do mercado, no plano concreto, podem se tornar funcionais aos governos neoliberais, desde que um dos objetivos principais do neoliberalismo – a regressão dos direitos e a supressão de qualquer barreira legal ou política que inviabilize a intensificação da exploração da força de trabalho – seja garantido. Nada mais funcional, aos governos neoliberais, do que negociar com sindicatos governistas, parceiros do capital, que se limitam a atuar como intermediários na compra e venda da força de trabalho e oferecer serviços relegados pelo Estado aos trabalhadores, induzindo-os ao individualismo, ao conformismo e ao abandono de uma perspectiva sindical de classe (TRÓPIA, 2009).
Acontece que esse atrelamento não transcorreu de forma, unanimemente, tranqüila. Alguns setores do movimento sindical cutista começaram a discordar incisivamente da posição de apoio que o núcleo majoritário da central dispensara ao governo. O apoio manifesto dos setores dirigentes da central as reformas sindical, trabalhista e previdenciária do governo Lula, foi a gota d‟água para o definitivo rompimento dos vetores sindicais mais combativos da CUT com o modelo preconizado pela central.
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O surgimento da CONLUTAS foi impulsionado especialmente pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) e também por correntes que constituíram o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) (partido recentemente fundado por setores dissidentes do PT) para ajudar na reorganização dos trabalhadores e unificação das lutas. A entidade foi constituída como desdobramento do Encontro Nacional Sindical, que aconteceu em março de 2004 em Luziânia (GO) e que reuniu mais de 1.800 dirigentes e ativistas sindicais e de movimentos sociais. Apesar de ter natureza jurídica de central sindical, a CONLUTAS é composta por entidades sindicais, organizações populares e movimentos sociais da classe trabalhadora, que têm como objetivo organizar a luta contra as reformas neoliberais. O primeiro Congresso Nacional da CONLUTAS aconteceu em julho de 2008, em Betim – Minas Gerais.
Essa ruptura suscitou uma reorganização no movimento sindical, da qual emergiram a CONLUTAS e a INTERSINDICAL84 como alternativas de esquerda ao pólo cutista. Para os setores dissidentes não havia como unir os trabalhadores dentro da CUT, porque esta não mais representa os interesses da classe trabalhadora pelo nível de cooptação que se encontra e pelas vantagens e relações materiais que estabelece com o governo.
Segundo o que consta no Caderno de Teses do 1º Congresso da CONLUTAS, realizado em 2008, a INTERSINDICAL foi formada por segmentos heterogêneos dissidentes da CUT, que possuíam alas de projetos internos distintos e uma política mais moderada. Essas constatações acabaram impedindo o apoio do PSTU, que posicionou-se de forma sectária, em relação a perspectiva de unificação da INTERSINDICAL com a CONLUTAS. Contudo, havia resistência a esse processo por parte da própria INTERSINDICAL.
Sobre a fragmentação dessa dissidência da CUT nos foi apontada a seguinte questão pelo dirigente, entrevistado, da CONLUTAS:
Depois que a INTERSINDICAL conseguiu uma parte da CUT resolveu permanecer, depois não conseguiu permanecer na CUT e saiu, mas não veio ajudar a construir a CONLUTAS, construíram uma assembléia nacional popular de esquerda, depois transformaram isso na Intersindical que é o que existe hoje. É um agrupamento ainda pequeno menor do que a CONLUTAS, mas são companheiros que tem representação em alguns setores do movimento. Nós ficamos insistindo com eles para que a gente unifique forças. No movimento popular esse processo é mais intenso, o movimento popular urbano é muito intenso, houve a formação e divisão de várias organizações nesse período, primeiro na década de 1980 depois na de 1990 e agora no começo dos anos 2000 tem muita mudança (DIRIGENTE SINDICAL DA CONLUTAS).
Não sabemos ao certo se há possibilidades reais para uma fusão dessas centrais, dada as resistências que vêm se impondo até aqui, por parte das centrais ou dos segmentos com os quais mantém estreita parceria política. Mesmo em meio a essas divergências, essas centrais vêm conseguindo unificar lutas, encontros e pautas políticas, nos processos de eleições sindicais e, especialmente, no combate as reformas neoliberais.
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É nessa ambiência de contraposição ao governo Lula e seus mandos neoliberais, ao conjunto das suas contra-reformas, bem como as imposições do capital financeiro internacional, que a CONLUTAS vem se definindo como uma central sindical radicalmente renovada, com nítida perspectiva popular e de classe. A resistência que esta central vem demonstrando, nesse contexto avassalador de degradação dos direitos sociais e trabalhistas, tem desdobramentos contundentes, a exemplo da contraposição que vem fazendo ao processo de atrelamento político-financeiro dos sindicatos, previsto pela reforma sindical, seja pela forma de financiamento, através do repasse do imposto sindical para as entidades, seja pela participação nos fóruns de representação e negociação mediados pelo Estado. Sobre essa questão, assim reflete o dirigente
Pra nós isso não interessa, porque não vamos participar disso, nós somos a princípio contra. A legislação, ela tem o artigo primeiro que diz que as centrais, elas são reconhecidas na medida em que são registradas pelos sindicatos que a constituíram, então é isso que nos interessa. Nós fizemos e já recebemos, do ministério do trabalho, a confirmação do cadastramento nosso. Então, a CONLUTAS já está legalizada, agora vai haver o processo de aferição de representatividade que é o quê: 100 sindicatos filiados a central de 5 setores da economia diferentes, com pelo menos 20 sindicatos em três regiões do país diferentes, 5% de associados dos sindicalizados do país. Temos como atender esses critérios, a CONLUTAS tem hoje 170, 180 sindicatos filiados no país inteiro, falta só cadastrar o nosso pessoal. Vai demorar um ano pra fazer isso, agora pra nós não interfere porque nós já temos o registro e é o que nos interessa. Por mais que seja feito o cadastro desses sindicatos lá, nós não vamos participar do CONDEFAT, nem vamos participar do conselho da previdência, nem vamos receber o dinheiro que eles retribuem. Então, essa parte é inata, não tem validade. Então, o reconhecimento legal já se deu, nós já encaminhamos a documentação fizemos o congresso em 2006, depois resolvemos nesse congresso que houve agora, em julho, pedir o registro da CONLUTAS, foi pedido e já foi dado. E o que a gente vai fazer com isso, o dinheiro que vai ser passado para a CONLUTAS, nós vamos devolver para os sindicatos para eles fazerem o que quiserem dele, devolver para a categoria, usar nas despesas do sindicato, a maioria dos sindicatos recebem o imposto sindical e utilizam esse dinheiro; essa é uma luta que fizemos (DIRIGENTE SINDICAL DA CONLUTAS).
É interessante observar a dimensão contraditória que o elemento burocrático, aqui apresentado, possui. Por um lado ele assegura a representatividade de um coletivo, contudo, por outro obsta a luta do ponto de vista da autonomia política.
Entretanto, compreendemos que há controvérsias acerca dessa questão. Na perspectiva dos interesses gerais da classe trabalhadora, esse último aspecto se sobrepõe aquele primeiro. Pois, a representatividade é algo que só compete atribuição por parte dos sujeitos que integram um determinado processo. No caso, o reconhecimento dos sindicatos só cabe aos próprios trabalhadores que o conformam. Em tese, nem o Estado, nem o capital deveria intervir nesse quesito. Mas, claro, qualquer forma de inviabilização da autonomia política da classe trabalhadora consiste dimensão estratégica para a manutenção da ordem.
É nesse sentido que, o atrelamento das estruturas sindicais ao Estado, representa um dos maiores limites das organizações sindicais dos trabalhadores. A ultrapassagem desse ranço histórico só poderá se efetivar a partir de organizações verdadeiramente renovadas e radicalmente autônomas, que prezem, no movimento político, os verdadeiros interesses e necessidades históricas e conjunturais dos trabalhadores. Na concepção do dirigente da CONLUTAS
A condição necessária, indispensável para que uma organização possa representar efetivamente os interesses de um determinado segmento da classe trabalhadora é que ela seja independente do Estado, que o Estado não é neutro, o Estado é capitalista, e dos patrões. Por quê? Porque os interesses são antagônicos, não tem como estabelecer uma relação boa com o lado de cá e para o lado de lá. Essa relação boa dos dois lados favorece o lado mais forte e quem é o lado mais forte? Não somos nós, é o Estado, o capitalismo que está estruturado da forma que está (DIRIGENTE SINDICAL DA CUNLUTAS).
De acordo com Almeida (2009), há, por parte de alguns vetores da esquerda, certa incompreensão sobre o significado do projeto da CONLUTAS. Talvez essa incompreensão esteja relacionada à inovação da modalidade de organização proposta pelo projeto dessa entidade, que pretende ampliar a participação e unificar as lutas dos trabalhadores sindicalizados, desempregados, dos movimentos sociais populares e estudantis.
Temos a impressão que a perspectiva organizativa, proposta pela CONLUTAS, corresponde, em parte, ao movimento que os trabalhadores necessitam fazer para acompanhar as transformações da própria classe trabalhadora e definir uma
política, com perspectivas para a nova realidade, identificando os sujeitos que se incorporam ao cenário da luta de classes brasileira (MOURA, 2008). Não se trata, a partir dessa avaliação, de negar os espaços e potencialidades ainda existentes no movimento sindical organizado e nos partidos referenciados na classe trabalhadora, tampouco de uma diluição do sentido de classe, no âmbito dos seus espaços organizativos, mas de difundi-lo no combate direto aos interesses capitalistas na luta pela sobrevivência, seja referenciada pela terra, pelo emprego ou por moradia.
Ademais, essa nova expressão organizativa que a CONLUTAS vem pautando se coloca na perspectiva de rompimento da incapacidade de parte dos segmentos organizados de incorporar os novos sujeitos coletivos que surgem na cena política, determinados pelos limites impostos pela agenda do neoliberalismo, que acaba criando novas bases objetivas para a formação de novos movimentos organizados. Vale salientar que, mesmo fragmentados, esses novos movimentos vêm se caracterizando como importantes protagonistas das lutas políticas, nos últimos anos no Brasil (MOURA, 2008) A unificação das lutas desses segmentos pode resultar em maior qualidade das suas práticas políticas e intensificação das potencialidades combativas.
Ao aventar o rompimento com o corporativismo e o economicismo, presentes no movimento sindical tradicional, a CONLUTAS inaugura um novo tipo de organização para a classe trabalhadora brasileira. Em seu programa e em suas ações revela-se a tentativa de junção da luta imediata com um programa de unificação e ação conjunta com os movimentos sociais populares, para construção de uma nova sociedade, valendo-se, também, da disputa institucional mediada pela ação dos partidos de esquerda, em uma realidade que demanda novas estratégias e ferramentas de luta.
Vale lembrar que a classe trabalhadora brasileira é muito mais ampla que a fração organizada em sindicatos. De acordo com Almeida (2009), no Brasil, hoje, apenas 45% da classe trabalhadora ocupa as bases dos sindicatos. Esse contingente corresponde aos trabalhadores que estão no mercado formal de trabalho, todavia, mais da metade ainda está fora dele: os desempregados, os trabalhadores da economia formal, os trabalhadores que militam nos movimentos pelo acesso a moradia, nos movimentos de luta pela terra, dentre outros. Esses segmentos não podem ser
desconsiderados dos processos de luta que visam a construção do projeto político da classe trabalhadora, pois compõem medularmente esta classe.
Na medida em que organizam apenas as camadas empregadas, os sindicatos acabam deixando de discutir política para aqueles segmentos, deixam de organizar setores mais proletarizados da classe trabalhadora e com tendências mais explosivas. Muitas vezes, os desempregados são demitidos das empresas e dos sindicatos. Geralmente, o vínculo político entre o trabalhador e o sindicato é firmado pela condição do contrato de trabalho e é isso que expressa a dimensão economicista da luta. Os partidos, por sua vez, em prol das táticas eleitorais ou de pactos de governabilidade, acabam por distanciar-se dos enfrentamentos mais radicalizados (MOURA, 2008). Ademais:
[...] sem luta de massa não tem mudança na estrutura social e econômica deste país e os partidos sozinhos com as lutas políticas desvinculadas com a reivindicação concreta dos trabalhadores não movem massa (DIRIGENTE SINDICAL DA CONLUTAS).
Segundo os dirigentes da CONLUTAS, a organização da entidade tem como escopo maior a realização de uma transformação social no país, ou melhor, uma revolução protagonizada pela classe trabalhadora. O que não é, nem de longe, uma tarefa fácil. Isso pressupõe um trabalho árduo de formação social de base popular, fortemente articulado aos diversos setores de esquerda da classe trabalhadora organizada.
Mas, a entidade parece estar bastante lúcida quanto aos desafios que seus objetivos implicam, sobretudo, no que diz respeito a inovação do modo de organização, conforme demonstra a fala de um dos seus dirigentes
a nossa arte vai ser de buscar, ir convencendo, construindo uma massa crítica no interior da classe trabalhadora e das suas lutas, que não vai ter como ter o emprego, o salário, o direito que vai ser eliminado com a crise, se não abolir a propriedade privada e se fizer uma revolução. Então, é essa dinâmica que tem que ser construída. Esse problema da estratégia socialista da nossa luta não é um problema menor, porque não tínhamos essa estratégia quando fundamos a CUT e quando se fundou o PT também [...] (DIRIGENTE SINDICAL DA CONLUTAS).
Quanto ao direcionamento político da CONLUTAS, principalmente no que concerne a composição da sua diretoria, nos foi sinalizado o seguinte:
Nós estamos construindo uma organização que não tem ninguém com mandato fixo, tipo um grupo que pode chegar e decidir pela entidade, o que vai ser feito pela entidade, nós funcionamos como coordenação de lutas. Toda reunião, a Reunião Nacional da CONLUTAS, ela acontece a cada dois meses, cada sindicato, que faz parte da CONLUTAS, manda sua representação e essas pessoas coletivamente discutem e decidem o que é que a CONLUTAS vai fazer. Então, a cada reunião se quiser mudar a pessoa muda. Dessa forma não há possibilidade de uma direção da CONLUTAS votar algo que os sindicatos não queiram, porque vai ser os sindicatos e as entidades que fazem parte da CONLUTAS que vão decidir (DIRIGENTE SINDICAL DA CUNLUTAS).
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Parece-nos que a tentativa de descentralização das decisões políticas, indicada pela CONLUTAS, está pautada numa perspectiva de rompimento com a prática política da democracia representativa, amplamente reproduzida pelas instâncias colegiadas de representação político-coletiva. Na verdade, a proposta que a CONLUTAS traz nesse aspecto, é uma prática eminentemente inovadora no quadro das experiências sindicais, nas quais as decisões políticas são, na sua grande maioria, deliberadas pelas cúpulas dirigentes das entidades. O fato é que a concretização dessa proposta pressupõe das entidades envolvidas condições objetivas e políticas para viabilizar a participação de militantes nos espaços deliberativos. Apesar da intenção ser interessante, a fala não esclarece questões práticas, sobre como são realizados os encaminhamentos e a coordenação dos processos de discussão e deliberação; os procedimentos de escolha da representação entre os pares; a operacionalização das definições coletivas, dentre outras questões que a entidade não pode perder de vista, ainda que pareçam pragmáticas. É bem verdade que, essas inovações em curso, podem se processar de forma a aperfeiçoar o processo da participação política. No fundo, a experiência histórica demonstrará os caminhos a serem seguidos.
[...] nós definimos as tarefas da CONLUTAS e achamos que essa deve ser a forma adotada por todas as reorganizações que tenham de fato compromisso com a emancipação da classe trabalhadora com a tarefa de desenvolver, impulsionar, potencializar a luta concreta dos trabalhadores, a luta em defesa das suas reivindicações econômicas, de fato, estreitamente vinculada com a luta política geral [...]. Isso vai se materializar em políticas concretas a depender da situação política em que nós vivemos (DIRIGENTE SINDICAL DA CUNLUTAS).
Com todos os limites postos para uma ação política efetivamente autônoma e libertária, a CONLUTAS vem enfrentando um dos maiores desafios, postos a classe trabalhadora, nesse contexto defensivo em que vivemos que é o de efetivar uma ação sindical que dê respostas as necessidades imediatas do mundo do trabalho, preservando elementos de uma estratégia anticapitalista e socialista (ANTUNES 1995). Embora, a resistência encampada pelos segmentos que conformam a CONLUTAS, ainda, não possua força orgânica suficientemente capaz de revitalizar a perspectiva revolucionária no conjunto das massas trabalhadoras, vem afirmando, na dinamicidade histórica da conjuntura presente, a possibilidade de construir um projeto amplo, que possa referenciar as lutas coletivas dos trabalhadores brasileiros sob outras bases, com vista ao revigoramento do socialismo enquanto projeto emancipatório.
Mesmo reconhecendo essa possibilidade, não ousamos praticar, nessa análise, qualquer antecipação a respeito dos seus desdobramentos futuros. A dialética política está aberta a história, muitas tendências poderão se redefinir nesse tempo nebuloso que atravessamos. Por outro lado, não podemos esquecer sob quais circunstâncias nasce essa nova central, que apesar de ter se erguido numa perspectiva dissonante da ordem, surge, como nos lembra o trecho da entrevista
[...] [de] um processo de reorganização fruto dessa crise que foi aberta, particularmente, a partir da chegada do Lula ao governo e pela cooptação da maior parte das reorganizações que nós possuímos no momento anterior. Mas, ainda é um processo em curso, não é um processo que está fechado, que não está acabado, nós vamos ver muitos desdobramentos ainda nos próximos dois, três, quatro anos (DIRIGENTE SINDICAL DA CONLUTAS).
Vale salientar que, no fundo, o que está em jogo, nesse momento, não é a luta política em si, mas “a capacidade das forças anticapitalistas em construir um projeto político emancipatório frente ao capital e, neste sentido, é uma condição essencial: discernir as armadilhas liberais para delas se diferenciar” (SANTOS, 2007, p. 29). Assim, a predisposição atual da CONLUTAS é indicativa de um processo transformador, mas há um longo caminho a percorrer para que seu projeto ganhe solidez no âmbito das lutas sociais e, nesse momento, são muitos os desafios a serem enfrentados, oriundos, em boa parte, de frustrações políticas, marcadas por um contexto social nada favorável para as lutas do trabalho.
A partir dessas considerações, sobre as tendências do movimento sindical e da luta política da classe trabalhadora, cabe situar, no contexto dessas inflexões e desafios, a particularidade da organização sindical da categoria dos assistentes sociais no Brasil, contemporâneo. Esta problemática consiste objeto das reflexões trabalhadas na seção seguinte.
4. A organização sindical dos assistentes sociais na realidade brasileira: dilemas