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BÖLÜM BULGULAR VE YORUM

G 84. Uğur AVCI, “Başlangıç”, 2018, 100x120cm, T.Ü.Y.B

III. BÖLÜM BULGULAR VE YORUM

A fundação da CUT, em 1983, foi um marco na história da organização sindical deste país. Bem mais que expressão de ruptura com a tendência defendida pelas confederações e federações sindicais atreladas aos governos militares - uma herança histórica da ditadura de Vargas, de inspiração fascista - a CUT foi, acima de tudo, uma organização sindical que imprimiu verdadeiro sentido de classe para as lutas das diversas categorias que estavam, naquele momento, mobilizadas.

Como vimos, a fase áurea da CUT data do início dos anos 1980. A CUT nasce e se consolida como a maior central sindical do país, com uma trajetória política caracterizada pela incorporação das reivindicações dos trabalhadores, combatividade incisiva na defesa da classe e dos seus projetos imediatos, mediatos e estratégicos, relativos à construção de outra ordem societária. Nessa época, a CUT era, em síntese, uma entidade autônoma, classista e democrática (AMARAL 2009).

Antes da criação da CUT, os trabalhadores fundaram o PT, em 1980, como expressão da reorganização político-partidária dos trabalhadores, nesse período. Ambas as estruturas se constituíram, durante mais de vinte anos, um só pólo de articulação política de setores progressistas e mais combativos da sociedade brasileira. Nessa esteira histórica dos anos 1980, várias outras organizações sociais desencadearam-se nas cidades e no campo, em função das demandas que a crise econômica colocou para a classe trabalhadora. As lutas pela redemocratização deixaram o legado de fortes movimentos sociais, que, durante a década de 1990, adiaram, ou pelo menos, amenizaram a plena realização do neoliberalismo entre nós (BRAZ, 2007). No entanto, o projeto democrático popular, defendido pela CUT, PT e demais organizações dos trabalhadores, começou a se exaurir já no início dos anos 1990, demonstrando uma profunda crise no final desta década.

Esse período foi demarcado uma verdadeira conversão nas estratégias de atuação política dos trabalhadores brasileiros. Notadamente, a luta sindical foi uma das esferas que sofreu maiores rebatimentos, sobretudo nos setores mais organizados e ativos, representados, em âmbito nacional, pela CUT. A despeito da importância do seu legado histórico, o novo sindicalismo apresentou, desde o início dos anos 1990, insofismáveis sinais de impotência e incapacidade de combater os sucessivos ataques que a política neoliberal dispensou e continua dispensando ao conjunto da classe trabalhadora deste país. A força organicamente estruturada em torno das lutas que compuseram o novo sindicalismo, não se mostrou capaz de sobrepor-se as ofensivas do capital, e com condições de garantir o direcionamento crítico das suas práticas políticas anteriores.

Na realidade, o processo de expansão da reestruturação produtiva junto a ofensiva neoliberal detonou com as formas de organização dos trabalhadores, assimiladas pelo novo sindicalismo e pelo conjunto das lutas populares, nos anos 1980. Mas, a redução da capacidade de resistência dos trabalhadores, só pode ser compreendida se considerarmos os novos mecanismos de reprodução do capital e os seus rebatimentos sócio-econômicos e ideo-políticos para o processo de reorganização que a classe trabalhadora brasileira vivia naquele momento.

Ora, o período que antecedeu a ofensiva capitalista foi marcado por um processo de grandes expectativas políticas e sociais, por parte dos setores da esquerda nacional. Grande parte da classe trabalhadora estava politicamente fortalecida e organizada em torno de um projeto democrático-popular, materializado nas lutas pelos direitos sociais e trabalhistas, desembocados no processo da constituinte e nas disputas eleitorais, em 1989. A despeito da política econômica recessiva e inflacionária, os índices de desemprego eram relativamente baixos se comparados ao período posterior.

Do ponto de vista macroeconômico Cardoso (2003, p. 42), afirma que “as coisas viraram de cabeça para baixo na década de 1990”. Em lugar de inflação crescente, as taxas caíram de 40% ao mês, em 1994, chegando a ficar abaixo de 2% em 1998. Em compensação, as taxas médias de desemprego aberto explodiram de 4% em 1990 para 8% no final da década, enquanto a indústria perdia quase 2 milhões de empregos formais em virtude da reestruturação econômica com liberalização dos mercados. Ademais, a privatização de empresas estatais erodiu as bases sociais de alguns sindicatos mais fortes do país, muitos dos quais filiados a CUT. E o mercado formal de trabalho encolheu de 56% para 42% no período, reduzindo as bases estruturais das quais partia a constituição da organização política da classe trabalhadora. Em resumidas contas, as condições favoráveis de alta inflação e baixo desemprego foram substituídas por baixa inflação com alto desemprego e informalidade, introduzindo um componente de insegurança no trabalho, no emprego e na renda, reduzindo a propensão da classe trabalhadora a ação coletiva.

Nesse processo, os ataques, sofridos pelo projeto da classe trabalhadora evidenciaram um contexto bastante difícil em todas as dimensões, sobretudo, em nível de consciência política de classe. É insofismável o recuo e a quietude dos trabalhadores diante às determinações impostas pelo bloco dominante, principalmente, se comparamos com outros períodos históricos nos quais o embate da luta de classes era mais tangível. Observa-se, neste sentido, no âmbito do movimento sindical, bem como dos movimentos populares como um todo, um grande refluxo das lutas combativas e reivindicativas, “acionado diante do modelo e da política de

desenvolvimento pró-monopolista, pró-imperialista e pró-latifundiário das décadas passadas” (BOITO JÚNIOR, 1999, p 72).

Diante da crise no mundo do trabalho, os sindicatos (representados pela CUT, em especial) sentiram-se acuados com a redução dos quadros de filiação e com as sucessivas derrotas nas empreitadas pelas garantias trabalhistas. Frente a um contexto de profundos ataques, as direções sindicais não tardaram a buscar negociações com o segmento empregador e com o governo. Na verdade, o sindicalismo propositivo tem se intensificado bastante nas dimensões das propostas e negociações, o que, acabou por desenvolver práticas corporativistas e separatistas, resultando no profundo insulamento das lutas coletivas mais gerais do conjunto da classe trabalhadora. Ademais, o declínio de atividades grevistas, a diminuição do número de filiados e a afirmação, entre as direções sindicais, da tendência a moderação da luta em contraposição a postura combativa do sindicalismo dos anos 198070 são características incontornáveis da derrocada do novo sindicalismo.

A perspectiva política, adotada por ampla maioria dos sindicatos nos anos 1990, baseada no sindicalismo de resultados tem seu baluarte ancorado na defesa de maiores chances de consecuções, quando as negociações e acordos relacionados as condições de trabalho e salarial, são feitos diretamente com o patronato, sem a interferência do Estado. Assim, os sindicatos filiados a essa tendência predominante acabam por defender, nas negociações coletivas de trabalho, propostas como: a defesa do contrato coletivo de trabalho; participação nas câmaras setoriais e negociação dos bancos de horas (flexibilização da jornada semanal de trabalho, de acordo com as necessidades da empresa, prejudicando a vida pessoal e familiar do trabalhador) (BOITO JÚNIOR, 1999).

As recentes mudanças no padrão de relações de trabalho no Brasil foram introduzidas, a partir da inserção do país no processo de mundialização do capital, através de intensas políticas de liberalização e privatização da economia, iniciadas no governo Collor. Mas, o estabelecimento de um debate nacional entre representantes do

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Segundo Boito Júnior (1999) o marco inicial dessa mudança foi a IV Plenária Nacional da CUT, em agosto de 1990, na qual a CUT lançou e fez aprovar a idéia de um sindicalismo propositivo. Segundo essa proposta a central deveria ir além da postura exclusivamente reivindicativa e passar a elaborar propostas políticas a serem apresentadas e negociadas em fóruns que reunissem os sindicatos, o governo e o empresariado.

Estado, dos trabalhadores, dos empresários e da sociedade civil, foi, na verdade, uma iniciativa do Governo Itamar Franco71. Desse debate resultaram tendências que defendiam a elaboração de um contrato coletivo nacional; a reforma global defendida pelas centrais sindicais e pelo pensamento das bases empresariais, que referenciadas nos termos da Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) defendia a perspectiva da democratização das relações de trabalho; de outro lado na defesa da desregulamentação reuniam-se o pólo das entidades empresariais, que primando pela produtividade e competitividade, advogavam pela redução dos custos do trabalho, através da prevalência do negociado sobre o legislado (OLIVEIRA, 2005a).

Na Era FHC o debate público foi suspenso, prevalecendo medidas unilaterais em favor da desregulamentação72. A partir de 1994, já no início do governo FHC, as medidas governamentais adotadas alteraram, pontualmente, a normatização das relações de trabalho no país. Destacaram-se:

A nova lei de cooperativas, desresponsabilizando-as do cumprimento dos direitos trabalhistas; a denúncia da convenção 158 da [Organização Internacional do Trabalho] OIT, facilitando a demissão imotivada, a possibilidade da suspensão temporária do contato de trabalho; a eliminação da política de reajuste salarial através do Estado; a instituição do trabalho temporário, do trabalho por tempo determinado, do trabalho parcial, da participação nos lucros e resultados (estimulando a remuneração variável e a negociação por empresa73), o Banco de Horas (possibilitando ao empregador ajustar a jornada de trabalhado às flutuações da produção); a criação das Comissões de Conciliação Prévia, que tem dificultado o acesso aos trabalhadores à justiça do trabalho (KREIN, 2001, apud OLIVEIRA, 2005a, p. 48).

Nessa mesma perspectiva, a análise de Gomes et al (1999), sobre o pacote da reforma sindical e trabalhista do governo FHC, aponta que o profundo retrocesso de suas premissas, diz respeito ao estabelecimento da pulverização sindical, que tem

71 Tornou-se Presidente da República do Brasil, quando do impeachmentem de Collor em 1992.

72Oliveira (2005a) lembra que, no Brasil, além do „estado social‟ instituído na Era Vargas havíamos chegado, na

década de 1990, com uma trajetória de significativas conquistas sociais e políticas, expressas na Constituição de 1988, o que demonstra a profunda contradição desse período.

73 Os modelos de sindicalismo de negócio estadunidense e do sindicato por empresa japonês, por serem supostamente apolíticos, foram amplamente, considerados como exemplos de „bom sindicalismo‟ por parte dos neoliberais (TRÓPIA, 2009).

como objetivo o asfixiamento financeiro dos sindicatos, extinção do papel do Poder Judiciário Trabalhista de estabelecer melhores condições de trabalho, apesar de tê-lo mantido para garantir uma função policialesca de reprimir greves. O pacote determinara, também, o impedimento dos trabalhadores proporem, diretamente, reclamações contra os patrões. De acordo com os autores, o governo facilitou, significativamente, o processo de desregulamentação das relações de trabalho e precarização dos vínculos empregatícios, através de Medidas Provisórias.

Estas imposições do bloco presente no poder, representado pelo governo federal, acabaram rendendo os trabalhadores. As formas de negociação, previstas nessas reformas, extinguiram a intervenção estatal na relação contratual de trabalho, e ampliaram o processo de desregulamentação das garantias protetivas do trabalho, previstas na legislação trabalhista e Constituição Federal, vigentes.

No quadro inicial dessas mudanças mais gerais, no início do primeiro governo de FHC, uma das principais resistências do sindicalismo brasileiro teve expressão na greve dos petroleiros, no ano de 1995, que, a partir da articulação, em âmbito nacional, junto a outras categorias (telefônicos/as, eletricitários/as, funcionários/as das universidades federais e funcionários/as públicos/as federais) colocou, pela primeira vez, em xeque a política neoliberal no Brasil.

Esta greve, sob o ponto de vista econômico, alentava-se pela indignação com a realidade da imposição de uma política salarial estagnada e decrescente. Apesar de todas as manifestações e o teor organizativo de resistência que a greve conseguiu atingir, o governo não tolerou a estratégia de organização e resistência da classe trabalhadora as imposições da sua política econômica. A intolerância fez evidenciar os limites da democracia política, a partir da ordenação, pelo governo federal, para ocupação de refinarias de petróleo, por tropas de militares blindadas, como forma de coibir as manifestações de greve dos petroleiros (LEUDEMANN, 1995).

O governo utilizou-se de muitas artimanhas, permitidas pelo poder do que Gramsci chama de pequena política, lançando mão de expedientes os mais diversos, cortes de salários e articulando a justiça, a imprensa e amplas correntes de opinião para isolar e desmobilizar os grevistas, caracterizando-se numa grande repressão a

manifestação e a luta dos trabalhadores (CARVALHO, 1995). De forma altamente arbitrária, o governo demonstrou total incapacidade de “negociar”, ao menos, o conflito e as demandas que se colocaram no período, o que poderia representar, minimamente, uma atitude democrática. Sua posição, ou melhor, sua tática política, frente a situação, não poderia ser outra, senão, a de prezar pelo compromisso que assumiu com o capital internacional e com as classes dominantes do país. Afinal, o processo da neoliberalização do Estado brasileiro não permitiria a construção democrática de forças favoráveis ao trabalho, porque o neoliberalismo é incompatível com o senso de democracia, de direitos sociais e trabalhistas.

Para a ideologia neoliberal, em nome da liberdade individual, da sobrevivência do mercado e da felicidade humana, as modernas corporações, notadamente os sindicatos e suas centrais, são inimigos a serem abatidos. Em geral, os governos neoliberais assumiram o poder combatendo, no plano ideológico e com políticas concretas, os sindicatos e as centrais sindicais que lhes fizeram oposição. Procuraram enfrentar a resistência dos trabalhadores quase sempre com a mesma estratégia: “desqualificação dos sindicatos, implementação de uma legislação antissindical e utilização da força policial para reprimir greves e protestos sociais” (TRÓPIA, 2009, p. 23).

Ao lado disso, “a defesa dos direitos sociais passou a ser sistematicamente desqualificada como „corporativismo‟” (OLIVEIRA, 2005a, p. 48). Sob tais referências, as experiências das Câmaras Setoriais, assim como o Fórum Nacional sobre Contrato Coletivo e Relações de Trabalho, foram abortadas, a Reforma Trabalhista foi sendo implementada através de Medidas Provisórias e o sindicalismo converteu-se em alvo de ataques do governo federal e da Justiça do Trabalho (idem).

De fato, “as forças de trabalho foram gradativamente erodidas na Era FHC, em parte como derivação da inserção na globalização e em parte como estratégia deliberada do grupo dominante” (OLIVEIRA, 2005b, p.98). As combinações entre as mudanças que foram sendo operadas no plano da produção e as acionadas pelo governo levaram a um quadro, crescentemente, desfavorável aos trabalhadores.

Os trabalhadores se viram encurralados por essa situação caótica, assim como suas entidades representativas e reivindicações históricas. Os sindicatos de um modo geral, em especial os setores mais combativos, articulados pela CUT, foram impelidos a “uma prática hesitante, às vezes contraditória, configurando, no geral, uma estratégia de conciliação com a política neoliberal [...]” (BOITO JÚNIOR, 1999 p. 142).

As inflexões, nos rumos políticos da CUT, ganham expressão na mudança de análise da sociedade “posto que parte significativa da direção propõe uma aliança de classes fundada na ampliação e negociação de temas comuns, o que se traduziu em uma „agenda cidadã‟ para o movimento sindical” (AMARAL, 2009, p.115). A autora lembra que esta agenda sinaliza as profundas alterações nas relações produtivas, cujas evidências surpreenderam os trabalhadores, devido ao despreparo para o enfrentamento dos desafios cruciais. Para ela, as condições objetivas, também, não permitiram que o debate na Central pudesse ir além da política salarial. Nesse sentido,

O caminho encontrado por suas direções foi o da ordem, o que era possível. Conseqüentemente, não houve qualquer ampliação das lutas, nem nos sindicatos nem sob o comando de suas centrais e tampouco no partido que representava o campo majoritário da entidade: o PT, que logo também se transformou no partido da ordem (AMARAL, 2009, p.115).

Vale lembrar que a alteração do perfil político da CUT foi, intensivamente, reiterada, com o advento do governo petista. Embora contraditório, não nos parece nenhum devaneio, a idéia de que o governo Lula tenha representado uma grande ameaça a autonomia do movimento sindical brasileiro. A política conciliatória, desse governo, incidiu no âmbito da luta sindical com forte influência, o que resultou no fortalecimento de perspectivas capituladoras no sindicalismo, sobretudo no interior da CUT74.

74 Fazemos referência a CUT, não por ser a única central que esteja nesta situação de assujeitamento, muito pelo

contrário nosso apontamento vem no sentido de identificar o transformismo político desta central (claramente perceptível a partir da discrepância entre aquilo que foi e o que hoje é, no que diz respeito aos modos de pensar e atuar) como retrocesso e desestímulo de luta enormes para o projeto do trabalho. Esta consideração se deve, justamente, ao significado que esta central teve no contexto de seu surgimento, expresso pelo nível de

Segundo Galvão (2006), a eleição de Lula modificou, profundamente, o cenário sindical brasileiro. Nas palavras da autora:

[...] a opção do governo do PT em dar continuidade ao modelo neoliberal paralisou a capacidade de crítica de seus aliados, na medida em que o partido que faz oposição às reformas orientadas para o mercado acabou por assumi- las (p. 148).

A crescente tendência de ampliação, no PT, de políticas de alianças, associadas a moderação do conteúdo programático de seus projetos de governo resultou na coalizão nacional da chapa eleita nas eleições de 200275. Aliás, essa articulação consolidou a ultrapassagem daquela tendência, na medida em que a composição eleitoral e de governo transbordou do campo democrático e popular, demarcando uma inflexão sem precedente, na sua trajetória. “O gradativo deslocamento da originária centralidade da idéia de ruptura consuma-se na sua substituição por uma referência centrada nas idéias do pacto social76 e de transição” (OLIVEIRA, 2005a, p. 50). Mas claro essa transição não ocorreu sem conflitos internos, tanto no PT quanto na CUT. Voltaremos a tratar sobre essa questão mais adiante.

A eleição de Lula criou um novo campo de possibilidades para o retorno da perspectiva de democratização das relações de trabalho, que havia sido abortada pelo governo FHC e transformada em decisões isoladas e negociadas, através de Medidas Provisórias balconizadas no Congresso Nacional.

Para o governo Lula a tentativa de um pacto social foi colocada como única maneira viável de enfrentar a enorme dívida social do país. Seria nesse sentido, “base social indispensável do projeto de um governo de coalizão nacional” (OLIVEIRA, 2005a, p. 51).

representatividade (sustentado até hoje) que tornou legítima toda sua trajetória de lutas na defesa das teses do novo sindicalismo, especialmente das convicções socialistas.

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A chapa eleita no pleito para a Presidência da República, de 2002, foi composta por Lula da Silva do PT, para Presidente e José Alencar do Partido Liberal (PL) para vice-presidente.

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Segundo Oliveira (2005a), a idéia de pacto social já havia sido colocada na realidade política brasileira, mas sob outras circunstâncias. Quando da „transição pactuada‟ proposta pela Aliança Democrática que intentava negociação com os governos autoritários. E também com os governos Sarney e Collor, em situações de agravamento da crise social e política, mas claro, dessas partes não passou de encenação política. Do ponto de vista do campo democrático e popular, a noção de pacto representava uma indesejada atitude conciliatória, frente ao capital e ao governo, tido como ilegítimo.

Segundo este autor, para a classe trabalhadora, sob grandes expectativas diante do governo Lula, a idéia do pacto social constituiu-se numa oportunidade histórica de influir sobre os rumos do país, de modo a reverter os recentes processos de profunda ofensiva neoliberal.

Vale lembrar que, no Brasil, a classe trabalhadora, em particular, acalentou, durante vinte anos, a idéia e a esperança de um dia eleger Lula presidente da República e, com isso, resolver os problemas da sociedade brasileira. Poderíamos, numa palavra, afirmar que o projeto político do PT durante esses últimos vinte anos foi este, eleger Lula Presidente da República (ALMEIDA, 2009).

Nessa ambiência, o governo Lula buscou envolver a sociedade, em particular seus segmentos mais organizados, na constituição de espaços de concertação social77, inéditos no país, do tipo: O Conselho de Desenvolvimento Social e Econômico – CDES78; a Mesa Nacional de Negociação Permanente – MNNP79; e o Fórum Nacional do Trabalho – FNT80 (OLIVEIRA, 2005a).

E, realmente, as primeiras tentativas do novo governo foram bem sucedidas. Nesse processo o governo sugeriu de imediato, como exigência contemporânea, a

77 A construção desses espaços de discussão política consistiu numa tentativa, por parte do governo, de

apaziguamento, dos conflitos sociais existentes na sociedade brasileira. Na verdade, esta concertação social não

Benzer Belgeler