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TEMA III: KURUMSAL KAPASİTE

V. BÖLÜM: MALİYETLENDİRME

Fleury e Ouverney (2012) afirmam,

Ainda que o SUS tenha construído diversas instâncias de construção de regras coletivas, os desafios apontam cada vez mais para a necessidade de fortalecimento dos atores e a horizontalização das relações de poder. Isso demonstra que, para além dos aspectos estruturais, não se pode negligenciar a dinâmica do exercício do poder (p.83).

Como já anteriormente referido, o SUS tem o seu fundamento na CF e na Lei 8080 de 19 de setembro de 1990. O princípio fundamental que articula o conjunto de leis e normas que são a base jurídica da política de saúde e do processo de organização do SUS no Brasil, hoje em dia explicado no artigo 196 da Constituição Federal (1988) que afirma: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

As diretrizes e princípios fundamentais do SUS dividem-se em: diretrizes e princípios tecnoassistênciais e diretrizes e princípios tecnogerenciais.

Os primeiros são a Universalidade, a Igualdade, a Equidade, a Integridade, a Intersetorialidade, o Direito à informação, a Autonomia das pessoas, a Resolutividade, a Epidemiologia como base. Dos segundos fazem parte a Descentralização, a Direção Única, a Regionalização, a Hierarquização, a Complementaridade do Privado e a Suplementariedade do Privado, descritas no quadro 5.

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Quadro 5. Diretrizes e princípios fundamentais do SUS

Diretrizes e princípios técnicoassistenciais

Universalidade O Direito à saúde, bem-estar, felicidade é de todos. O SUS não pode discriminar quem tem direito, nem pela positiva,nem pela negativa.

Igualdade Todos os cidadãos têm igualdade de acesso às ações e serviços de saúde, não devendo haver descriminação “tratar igualmente os desiguais”.

Equidade Pela equidade busca-se tratar diferentemente os diferentes (equidade vertical) e igualmente os iguais (equidade horizontal). No SUS, só se pode fazer equidade e tratar diferentementea partir das necessidades de saúde.

Integridade A integralidade também pode ser vista sob dois prismas: o vertical que lembra a necessidade de se ver o ser humano comoum todo eo da integralidade horizontal onde se entende que a ação deva abranger seus três enfoques: promoção, proteção e recuperação da saúde. Ver como um todo e agir nesse todo, de forma integral. Intersetorialidade Os fatores determinantes e condicionantes da saúde

devem sempre ser levados em consideração: “alimentação, moradia, saneamento, meio ambiente, trabalho, renda, educação, transporte, lazer, acesso a bens e serviços essenciais; saúde expressando a organização social e econômica do Brasil” (Lei 8.080, art.º 3).

Direito à informação Todas as pessoas assistidas têm direito a todas as informações à cerca de seu estado de saúde-doença. Autonomia das

pessoas Aos utentes deve ser preservada sua autonomia na defesa de sua integralidade física e mental. Trata-se da liberdade de decisão dos pacientes.

O cidadão só poderá usufruir da verdadeira autonomia se estiver bem informado.

Resolutividade As ações e serviços de saúde devem atender ao princípio de ter capacidade de resolução em todos os níveis de assistência.

Devem procurar resolver os problemas das pessoas da melhor maneira possível e ao menor custo.

Epidemiologia como

base O objetivo mais importante da epidemiologia é o estudo da morte e de doenças que sucedem em determinada população, em determinado local. Define o perfil demográfico e o perfil de morbimortalidade em relação às doenças agudas e cronicodegenerativas (hipertensão, diabetes, câncer etc.); os agravos dos acidentes de trabalho, de trânsito, de tóxicos, dos homicídios; as doenças evitáveis; as doenças tratáveis precocemente. Descentralização É redistribuir de recursos e também responsabilidades,

com base no entendimento de que o nível central, a união, só deve executar aquilo que o nível local, municípios e estados, não podem ou não conseguem. Direção única O SUS é de responsabilidade constitucional das três

esferas de governo, não podendo nenhuma delas se dispensar dessa obrigação.

No município comanda o Prefeito e o Secretário Municipal de Saúde, no Estado, o Governador e seu Secretário de Saúde; e na União, o Presidente e o Ministro da Saúde. A direção única em cada esfera de governo é um complemento da descentralização.

140 Diretrizes e princípios

técnico gerenciais.

Regionalização As ações e serviços de saúde devem ser organizados de forma regionalizada, pois é fundamental à organização do SUS, mas só pode dar certo quando for uma regionalização funcional, de sentido ascendente, e nunca uma regionalização burocrático-administrativa e descendente.

Hierarquização A Hierarquização começa da atenção primária seguindo- se para a secundária (especialistas, internações em clínicas básicas, como pediatria, clínica e cirurgia gerais, etc.). Da secundária à terciária com profissionais e hospitais em áreas mais especializadas. Na quaternária se encontram os profissionais e hospitais superespecializados em uma determinada área, como por exemplo: cardiologia, neurologia, cirurgia plástica, etc. Complementaridade do

privado

No art.199 da CF fica claro que a saúde está livre à iniciativa privada. Sempre que os serviços do estado não forem suficientes paraatender a demanda é constitucional recorrer-se complementarmente ao privado.

Suplementariedade do

privado No Brasil, na área de saúde, é livre a iniciativa privada e pode ser exercida e utilizada de maneira totalmente liberal. Pode, de igual forma ser organizada em forma de operadoras de planos e seguros de saúde, individuais, familiares ou coletivos, conforme faculta a legislação. Entre as operadoras de saúde existem, os seguros de saúde, que são seguradoras e não podem possuir serviços de saúde; e as empresas de Medicina de Grupo, o Sistema de Autogestão, patrocinado por empresas ou trabalhadores e as Cooperativas Médicas e Odontológicas.

Fonte: Elaboração própria com base em Carvalho (2013)

Over the past 20 years, there have been other advances, including investments in human resources, science and technology, and primary care, and a substantial decentralisation process, widespread social participation, and growing public awareness of a right to health care. If the Brazilian health system is to overcome the challenges with which it is presently faced, strengthened political support is needed so that financing can be restructured and the roles of both the public and private sector can be redefined (Paim et al., 2011)13

Conclusão

Apesar de todas as mudanças ocorridas nas últimas decádas, com a implementação dos SUS, a saúde pública em nosso país continua, mesmo assim, a viver uma situação complicada.

Apesar do país gastar, por ano, cerca de 280 dólares por pessoa, em saúde, ultrapassando esse valor a média registrada na América Latina, a grande maioria desse dinheiro, fica no caminho, perdido nos sucessivos escândalos de corrupção, na falta de

13 Ao longo dos últimos 20 anos, houve outros avanços, incluindo os investimentos em recursos humanos, ciência e

tecnologia, e cuidados primários, e um processo substancial de descentralização, a participação social generalizada e crescente conscientização do público do direito a cuidados de saúde. Para que o sistema de saúde brasileiro supere os desafios com os quais se enfrenta atualmente, é necessário apoio político reforçado para que o financiamento possa ser reestruturado e os papéis de ambos os setores público e privado, possam ser redefinidos.

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mão-de-obra qualificada e na ausência de fiscalização. Assim, a população brasileira sofre com a falta de atendimento médico adequado, sendo baixíssima a qualidade de serviços de saúde pública oferecidos.

Longas filas de atendimento ambulatório e hospitalar, unidades de assistência médica superlotadas, desvio de materiais médicos e hospitalares, administradores negligentes, em parceria com governantes corruptos. Esse é, em resumo, um dos retratos da saúde proporcionada pelo Estado Brasileiro: crianças e idosos morrendo em corredores de hospitais públicos, por falta de atendimento e medicamentos, o que é motivo de vergonha nacional.

A eficiência dos serviços de saúde é um dever da gestão pública, a quem deve ser imputada a responsabilidade de proteger e prevenir os problemas que possam atingir a coletividade (Leitão, 2015).

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Benzer Belgeler