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4.   KENTSEL KUŞAK ALANLARI 25

4.9   Bölüm Değerlendirmesi 65

Quando alguém descumpre uma regra, um combinado ou perturba o ambiente da aula, logo pensamos em conseqüências, reações e punições. As punições ou sanções são comuns nas interações com as crianças, principalmente quando se quer ensinar a elas o respeito a regras, dar uma lição ou evitar a reincidência. Abaixo Piaget comenta:

Observemos a propósito que um dos aspectos mais delicados da educação a moral, e aquele onde existe justamente o maior desvio entre os métodos de autonomia ou de reciprocidade - formadores da personalidade - e os métodos de autoridade, é precisamente relativo ao problema das sanções. Existem castigos degradantes para aquele que os determina, e cuja essência mesma é sentida pela criança como totalmente injusta antes que ela se habitue a confundir os usos e os estados de fato com as regras moralmente válidas. Existe ao contrário uma maneira de infundir confiança ao invés de castigar, recorrendo à reciprocidade mais que a autoridade, que favorece, mais que qualquer imposição ou qualquer disciplina exterior, o desenvolvimento da personalidade moral (PIAGET, 1932/1977, p.71).

O desenvolvimento da personalidade moral está em estreita ligação com a chamada disciplina que aplicamos por meio de sanções. Piaget dividiu dois tipos de sanções: as expiatórias e por reciprocidade. A ênfase de cada uma é diferente, sendo que a primeira tem o intuito de resolver o problema e a segunda enfatiza o processo e a raiz de problema. No primeiro caso, a punição restringe-se às conseqüências imediatas dos fatos e a regra permanece exterior à consciência da criança, a necessidade é de punir qualquer delito.

Existem punições que são consideradas pelas crianças mais velhas como totalmente desproporcionais entre o ato cometido e a punição estabelecida

(sanções expiatórias). São sentidas por elas como falta de justiça e até de respeito, ainda que a idéia transmitida aos que as aplicam são de que funcionam, ou seja, de que eliminam o ato em si, prevenindo de ocorrer novamente, sendo concebida e aplicada como punição eficiente.

Como o próprio nome anuncia, refere-se à expiação, remetendo à idéia de pagar ou expiar a culpa. Faz o infrator sentir desconfortos, dor e tristeza pelo que cometeu, pelo menos temporariamente, devendo pagar pelo seu ato.

As sanções expiatórias estão em conexão com a coação e com as regras de autoridade. Nos estudos de Piaget, a forma de interpretação da criança é que a sanção expiatória é mais justa quanto mais severa for. Além disso, apresenta o caráter de ser arbitrária, isto é, de não haver nenhuma relação entre o conteúdo da sanção e a natureza do ato sancionado. Por exemplo, porque mentiu, o aluno terá que copiar um trecho muitas vezes ou porque sujou algo, ficará sem assistir televisão ou passear. O que importa é que haja proporcionalidade entre o sofrimento imposto pela sanção e a gravidade da falta – faltas leves, punições leves; faltas graves, punições mais severas.

Piaget destaca, em suas pesquisas, que as crianças pequenas, quando interrogadas sobre assuntos de justiça, concordam com a sanção hipotética proposta. Consiste tal punição em castigar e infligir uma forte dor a fim de fazer sentir a gravidade de sua falta. A punição que as crianças consideram mais justa geralmente é a mais severa, buscando prevenir a reincidência. Já as crianças mais velhas concebem as punições severas como ineficazes, anunciando mudanças na forma de interpretar as sanções.

Ainda é comum que os professores tenham uma lista de procedimentos punitivos que funcionam, justificando suas sanções. Porém, o fato de conseguir extinguir um comportamento “não significa que a criança percebeu as conseqüências de tal ato” (VINHA, 2003, p.42). Ela ainda necessita aprender outras formas de proceder diante das mesmas circunstâncias, pois as sanções dolorosas não são capazes de ensinar por si mesmas. As crianças agirão da mesma maneira até aprenderem a reagir de forma diferente diante de situações conflituosas.

Piaget aborda um outro tipo de punição – a por reciprocidade – que ocorre quando a sanção remete ao delito e às conseqüências, salientando a ruptura do vínculo social, aquilo que foi perturbado ou modificado com o ato cometido. A sanção por reciprocidade está ligada com a cooperação e regras de igualdade. Não

é mais necessário um castigo doloroso para um comportamento bom ser reforçado. Também não tem como objetivo apenas que a criança respeite a lei de forma arbitrária, como é o caso da sanção expiatória.

A sanção por reciprocidade tem como centralidade encaminhar para a consciência o que se fez, destacando o vínculo que foi perturbado, o que isso acarreta e o significado de sua falta, chamando atenção para as conseqüências inerentes à ação ou norma infringida. Assim, temos que:

Quando os materiais são usados incorretamente ou quebrados, outros que também desfrutam de seu uso são privados de fazê-los e podem ficar zangados ou tristes, quando alguém mente deve-se mostrar que não se pode mais confiar naquele que contou a mentira (DEVRIES; ZAN,1998, p.196).

Nesse sentido, ocorre uma perturbação no vínculo social e, por isso, deve-se chamar a atenção sobre a importância de tal vínculo e a necessidade de restauração e reparação dos laços sociais. Logo, para que uma sanção seja efetiva, a criança deve valorizar o vínculo social e desejar a restauração e a aprendizagem de estratégias que promovam o desenvolvimento das relações, mesmo dentro de conflitos.

O importante nas sanções por reciprocidade é que aquele que violou sinta os efeitos naturais da ação. Há aqui uma relação de conteúdo entre o que foi feito, o ato em si e a punição. As crianças maiores tendem a optar por esse tipo de justiça (medidas de reciprocidade), o qual indica ao culpado a ruptura do elo de solidariedade e a necessidade de uma reposição ou reparação, o que caracteriza o sentimento de eqüidade, quando as crianças não mais aplicam aos outros a mesma sanção, mas consideram as circunstâncias, as intenções e as particularidades de cada caso.

Por serem capazes de descentrar-se da ação, são também capazes de enxergar maiores elementos envolvidos em uma falta e nas conseqüências, percebendo que deve haver sanções diferentes, mais justas e adequadas ou menos justas.

Por fim, os estudos piagetianos descrevem que quanto mais novas as crianças, mais tendem a optar pelas sanções expiatórias a fim de que se ensine e impeça a reincidência de um delito. Com efeito, conforme os anos passam e se

tornam mais velhas, há a diminuição do respeito unilateral e a construção de relações de respeito mútuo. As crianças pré-adolescentes tendem a optar pelas sanções expiatórias em substituição à sanção por reciprocidade.

Piaget (1932/1977) cita alguns tipos de sanções por reciprocidade, que ao serem aplicadas, podem adquirir um caráter punitivo na forma do professor aplicá-las, restringindo a idéia de reciprocidade. Há, nesse caso, preocupação com a forma de administrar as regras, a cobrança pelas mesmas, bem como as sanções. As sanções por reciprocidade levam em consideração as conseqüências naturais e lógicas, que incluem a ação de compensação ou privação dos objetos mais utilizados, e também a exclusão, quando há violação dos direitos dos outros.

Deve-se, portanto, esclarecer que a distinção das punições em expiatórias ou por reciprocidade pode ajudar o professor a prever atitudes e reagir, centrar esforços e estratégias a fim de promover a construção da personalidade ética e de relacionamentos cooperativos com os outros. Com base no planejamento das reações a situações de atritos e na administração de sanções, vale buscar oportunidades de esquivar-se apenas de ações arbitrárias e punitivas para salientar os vínculos sociais rompidos pelas faltas cometidas pelas crianças. Pensar nas alternativas que se tem diante de atos infratores é pensar também em diferentes tipos de aprendizagem morais no cotidiano escolar.

Benzer Belgeler