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2.10. Bağlama’da Belli Başlı Tavırlar

2.10.6. Azeri Tavrı

Nos casos em que a Corte tomar conhecimento que sejam de extrema gravidade e urgência, a exigir sua atuação para evitar danos irreparáveis às pessoas, a Convenção lhe atribui a competência para tomar medidas provisórias.165

Diante da natureza da matéria, que envolve a jurisdição da Corte Interamericana, essa competência, atribuída pela Convenção Americana, vem ao encontro do objetivo de ampliar a proteção e dar ao sistema interamericano maior

163 BUERGENTHAL, 2002, p. 226. 164 Atualizado em 21 mar. 2008. 165

dinamismo, para o enfrentamento dos casos de violação, que sejam candentes e requeiram uma ação mais célere, em especial, da prestação jurisdicional.

Como afirma Fernando G. Jayme, “Trata-se de verdadeira garantia jurisdicional de natureza preventiva, cujo objetivo é preservar os direitos humanos fundamentais das pessoas envolvidas no processo para evitar um dano irreparável”.166

As medidas provisórias podem ser ordenadas em relação aos casos sub judice na Corte, bem como aos que ainda não foram submetidos a ela. Nesta situação, poderá atuar mediante provocação da Comissão Americana. A busca de proteção imediata, nos cenários de gravidade e iminente prejuízo aos direitos humanos, tem levado os indivíduos a terem acesso direto às medidas de proteção aqui em comento. Cançado Trindade relata que essa posição tem sido fortalecida e aponta dois casos como exemplo: o caso do Tribunal Constitucional (2000) no Peru, onde um magistrado demitido acudiu à Corte, onde tal caso já estava pendente; e o caso Loayza Tamayo versus Perú (2000).167 As medidas provisórias têm possibilitado o acesso dos peticionários à Corte, não tão somente para reivindicar proteção aos direitos à vida ou integridade física, como habitualmente vem acontecendo, mas também, para aumentar o leque de direitos a serem protegido por essas medidas. No que prenuncia Cançado Trindade que a medida provisória “representa o embrião de um habeas corpus internacional”.168

O Brasil está submetido, atualmente,169 a três medidas provisórias que lhe foram ordenadas pela Corte Interamericana, nos seguintes casos em tramitação naquela Corte: Caso Penitenciária de Urso Branco versus Brasil; Pessoas privadas de liberdade na Penitenciária “Dr. Sebastião Martins Pereira” em Araraquara, São Paulo versus Brasil; e as crianças e adolescentes privados de liberdade no “Complexo do Tatuapé” da FEBEM versus Brasil. 170 Pela natureza das demandas, que se referem a reclusos do sistema prisional e infratores recolhidos em casa de

166

JAYME, 2005, p. 100.

167

Vide: 1) CORTE INTERAMERICANA DE DERECHOS HUMANOS. Caso del Tribunal

Constitucional Vs. Peru. Sentencia de 31 jan. 2001. Disponível em: <http://www.corteidh.

or.cr/docs/casos/articulos/Seriec_71_esp.doc.>. Acesso em: 18 mar. 2011.

2) CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Caso Loayza Tamayo Vs Peru. Res. de 17 nov. De 1999. Disponível em: <http://www.corteidh.or.cr/docs/casos/articulos/Seriec_60_ esp.doc.>. Acesso em: 20 mar. 211.

168

CANÇADO TRINDADE, 2003, v. III, p. 81-83.

169

Consulta atualizada em 21 mar. 2008.

170

Para melhor entendimento sobre estes casos, pode-se consultar o site da Corte Interamericana de Direitos Humanos através do seguinte endereço: <http://www.corteidh.or.cr/pais.cfm?id_Pais=7.>.

acolhimento, as medidas provisórias requereram, do Governo brasileiro, que adotasse medidas de proteção do direito à vida e à integridade física de todos que estão sob seu amparo, bem como ao impedimento de tratos cruéis, desumanos degradantes ou de maus tratos. Ademais, devem ser tomadas outras medidas quanto à superlotação, organização dos estabelecimentos e atendimentos diversos. Assim, as medidas provisórias estão transformando-se em excelente medida, com caráter mais tutelar, como ensina Cançado Trindade, do que cautelar.171

Com a intensificação da atuação jurisdicional da Corte e seu reconhecimento pelo Brasil, ressalta-se a importância das funções contenciosas, opinativas e de medidas provisórias. Isto se refletirá diretamente no ordenamento jurídico brasileiro, levando as interpretações das normas internacionais, através das sentenças e pareceres, a traçarem os rumos do entendimento sobre o Direito Internacional dos Direitos Humanos junto à Justiça brasileira.

Todo este conjunto de natureza processual e material construído para desenvolver um amplo e complexo sistema de garantias e proteção da pessoa humana, com força após a fatídica segunda guerra mundial, paulatinamente, vem a integrar-se nos ordenamentos jurídicos internos.

No Brasil, vive-se um momento de inserção e solidificação do sistema internacional de proteção dos direitos humanos, que se acelera com a promulgação da Constituição Federal de 1988, instaurando-se um processo de constitucionalização dos tratados internacionais de direitos humanos. Tema que será desenvolvido a seguir.

171

5 A INCORPORAÇÃO E EFETIVIDADE DAS NORMAS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO

Viu-se, até o presente momento, que as normas de direito internacional dos direitos humanos assumem um caráter especial de imperatividade devido a sua natureza de proteção à pessoa humana. Consigo, expressam deveres aos Estados de cumprirem os acordos internacionais, em decorrência de obrigações erga omnes, delas resultantes. A evolução do conjunto de normas internacionais de direitos humanos, sentido a partir da metade do séc. XX resultou numa teia de legislação internacional de ordem global, como o sistema da DUDH e de ordem regional do sistema interamericano como a Convenção Interamericana.

Desde então, com base nos documentos fundamentais, surge um conjunto de instrumentos internacionais específicos, como a Convenção sobre o Genocídio, os Pactos Internacionais e outros, que tornam este campo de atuação do direito por demais complexo. Apontar os caminhos a seguir, para a melhor aplicação dos tratados protetivos de pessoa humana, tem sido o desafio político e, especialmente, jurídico.

Neste contexto, identifica-se, na imagem ilustrada por Bobbio, em sua metáfora do labirinto, ao tratar da condição humana, a situação em que se encontra o tema da interação entre as normas internacionais de diretos humanos e seu devido tratamento no direito interno.

Assim relata Bobbio:

Quem entra num labirinto sabe que existe uma via de saída, mas não sabe qual das muitas vias que se abrem às vezes diante de si levam a ela. Ele avança tateando. Quando encontra uma via bloqueada volta atrás e toma outra. Às vezes a via que parece mais fácil não é a mais correta; outras vezes, quando acredita estar mais próximo da meta, está mais longe, e basta um passo em falso para voltar ao ponto de partida, é preciso ter muita paciência, nunca deixar-se iludir pelas aparências, dar como se diz, um passo de cada vez, e diante das encruzilhadas, quando não se está em condições de calcular a razão da escolha, mas se é forçado a arriscar, estar sempre pronto a voltar atrás.172

O que caracteriza o labirinto é que nenhuma saída pode ser considerada absolutamente assegurada. Por mais que o caminho esteja correto, ainda assim, nunca é a saída final. E, conclui que “a única coisa que o homem do labirinto apreendeu pela experiência é que existem caminhos sem saída: a única lição do labirinto é a lição do

172

BOBBIO, Norberto. O Problema da Guerra e as Vias da Paz. Tradução de Álvaro Lorencini. São Paulo: UNESP, 2003. p. 50-51.

caminho bloqueado”. Portanto, pode-se dizer que o embate jurídico, estabelecido até aqui no trato sobre os tratados internacionais de direitos humanos e o direito brasileiro, induz a caminhos tortuosos do labirinto, por onde se explora uma saída. Analisar qual o impacto das normas jurídicas internacionais no direito interno é o que virá a seguir, analisando alguns dos caminhos traçados até então.

5.1 DIREITO INTERNACIONAL E DIREITO INTERNO – UM DEBATE

Benzer Belgeler