2. PROBLEMLERİN TANIMLANMASI VE KARMAŞIKLIK ANALİZİ
3.4. Ağ Modüllerinin Tespitinde Kullanılan Yöntemler
3.4.1. Ayrık Yarasa Algoritması
Espécie e área de estudo
Investigamos o boto cinza que na nomenclatura de Monteiro–Filho et al. (2002) e Cunha et al. (2005) é Sotalia guianensis van Bénéden 1864 (Cetacea, Delphinidae). Essa espécie possui distribuição restrita entre o Norte da Lagoa de Waunte, Nicarágua e o sul da Baía Norte, no Estado de Santa Catarina, Brasil (da Silva and Best 1996).
Este estudo restringiu-se aos indivíduos que ocorreram na enseada do Curral (6º13’00”S; 35º3’36”W), no distrito de Pipa, RN, Brazil. A enseada possui aproximadamente um quilômetro de extensão. A área de estudo ficou compreendida entre a praia e uma linha reta imaginária traçada ligando as extremidades da enseada (Fig. 1). Essa linha tem cerca de 800 m e a maior distância da praia é na região central (cerca de 500 m). As extremidades dessa enseada apresentam formações rochosas (arenito sedimentar) que se estendem do andar infralitoral para o supralitoral até unir-
se à falésia, cuja altura atinge cerca de 30 m em sua porção mais elevada (local usado para as observações). O fundo na enseada é constituído exclusivamente de arenito, com profundidade máxima de cinco metros. É uma região abrigada de ventos (< 1,0 na escala de Beaufort) e das correntes costeiras. O clima na região varia ente semi-árido mediano e tropical úmido com temperaturas variando de 24° a 30°C, sendo uma região sem variações sazonais evidentes.
Delineamento Observacional
As observações foram realizadas entre outubro de 1999 a setembro de 2003, por meio de coletas mensais (4 por mês) com registros instantâneos realizada a cada 5 min ao longo de seis horas, no período claro do dia, das 06:00 h às 17:00 h.
As observações foram realizadas com auxílio de binóculos (10x50 mm) simultaneamente por dois observadores, posicionados em um ponto fixo no alto da falésia, com condições de visualização de toda a enseada. Registrava-se o número de indivíduos visíveis por emergirem total ou parcialmente, discriminando-se a faixa etária (adulto e imaturo) e os comportamentos emitidos.
Para quantificação do número de indivíduos, a observação era feita continuamente, sendo o registro do número de animais realizado ao som de uma campainha disparado a cada 5 min. Com isso, a contagem era continuamente avaliada pelo observador e o registro era pontual, evitando assim a contagem repetida de um mesmo indivíduo.
As freqüências dos seguintes comportamentos foram registradas (baseado em Connor et al. 2000):
Forrageio: o boto deslocava-se em nado rápido, geralmente solitário, com o ventre voltado para cima (identificado pela coloração clara) e perseguindo a presa (peixe) que saltava sucessivamente, podendo ser capturada por meio de um salto ou bote, já na região próxima à praia.
Atividade aérea: saltos em que os animais saem total ou parcialmente da água, independente da posição do animal.
Socialização: toda e qualquer atividade envolvendo contato físico entre os animais, incluindo contextos agonísticos ou afiliativos.
Análise dos dados
Como o número total de animais variava a cada dia de observação, corrigiu-se tal efeito calculando-se a taxa percentual da freqüência de indivíduos para cada dia de observação. Essas taxas, bem como as freqüências dos itens comportamentais, foram então calculadas por hora de observação e esses valores comparados entre os períodos do dia ou fases de maré.
Os períodos do dia foram considerados das 06:00 h e 09:00 h, das 09:00 h às 12:00 h, das 12:00 h às 15:00 h e das 15:00 h às 18:00 h. Com relação às marés, estabeleceu-se 4 períodos de 2 h cada, variando em torno da maré baixa e alta. Com isso, discriminou-se os seguintes períodos: maré subindo, maré alta, maré descendo e maré baixa.
Comparou-se estatisticamente as medianas de cada conjunto de dados por meio do teste de Wilcoxon (medidas dependentes), adotando o nível de significância a 5%.
RESULTADOS
Freqüência de Indivíduos
Durante todos os dias de observação, verificamos a presença de indivíduos. O número variou de um a dezesseis indivíduos na enseada. A freqüência de indivíduos variou significativamente durante os períodos do dia, com maior freqüência entre as 09:00 h e 12:00 h (Md9h–12h = 1.00). Esse período do dia apresentou diferença significativa em relação ao primeiro período (Md6h–9h = 0.50) (Z = -5.341; p = 0.0001);
terceiro (Md12h–15h = 0.67) (Z = -3.957; p = 0.0001) e quarto período (Md15h–18h = 0.60) (Z = -2.338; p = 0.019) (figura 2a). Foi verificada ainda, variação da freqüência de indivíduos entre os estados de maré. A maré alta (MdHigh = 0.57), apresentou diferença significativa entre a maré baixa (MdLow = 0.75) (Z = -1.964; p = 0.049); maré subindo (MdFood = 0.80) (Z = -2.310; p = 0.021) e maré baixando (MdEbb = 0.83) (Z = -2.192; p = 0.028) (figura 2b).
Freqüência de Comportamentos
O comportamento de socialização representou 12.6% de toda a atividade realizada durante o período de estudo. A atividade aérea representou 30.7% e forrageio 56.7%. A freqüência de socialização foi significativamente menor que a atividade aérea (Z = - 3.037; p = 0.002) e o forrageio (Z = - 6.462; p = 0.0001). A atividade de forrageio ainda se mostro significativamente maior do que a atividade aérea (Z = -4.089; p = 0.0001) (figura 3).
A variação da freqüência da atividade de socialização não apresentou diferença significativa entre os períodos do dia (figura 4a) e entre os intervalos de maré. A mediana tanto para os períodos do dia como as maré foram zero (figura 4b).
A variação da freqüência da atividade aérea também não apresentou diferença significativa entre os períodos do dia (figura 4a), porém apresentou diferença significativa entre maré baixa (MdLow = 0.850) e subindo (MdFlood = 0.001) (Z = -2.544; p = 0.011) e entre maré subindo (MdFlood = 0.001) e baixando (MdEbb = 0.500) (Z = -2.572; p = 0.010) (figura 4b).
A variação da freqüência de forrageio no primeiro período do dia (Md6h–9h = 1.580) foi significantemente diferente do segundo (Md9h–12h = 3.000) (Z = -2.084; p = 0.037) e terceiro (Md12h–15h = 3.000) (Z = -2.299; p = 0.022), sendo esses dois últimos onde se concentrou a maior freqüência de atividade (figura 4a). Houve diferença significativa na
freqüência de forrageio entre a maré alta (MdHigh = 1.500) e baixando (MdEbb = 2.670) (Z = -2.554; p = 0.011), com maior atividade durante a maré baixando (figura 4b).
DISCUSSÃO
Os resultados aqui encontrados nos permitem indicar que o Boto Cinza (Sotalia guianensis) é mais ativo e freqüente na Praia do Curral no período da manhã. A diferença foi significativa para freqüência de indivíduos e forrageio, não sendo para atividade aérea e socialização.
Semelhante ao que verificamos no presente estudo, a população de Boto Cinza no estuário de Cananéia também apresentou uma maior freqüência de indivíduos (adulto, juvenil e filhote) no período da manhã, mais precisamente entre as 09:00 h e 10:00 h. Nesse estudo os autores descrevem técnicas diferentes de forrageio, cada qual em horários distintos do dia. A estratégia de pesca casual, na superfície, a mais comum e semelhante ao que ocorre em Pipa, se deu pela manhã entre as 06:00 h as 07:00 h. Por outro lado, a população de Cananéia possui um pico de atividade aérea no final da tarde e após o meio dia (Geise et al. 1999). Consideramos que em Pipa, diferente do que ocorre em Cananéia, a atividade aérea e socialização estejam associadas com o forrageio.
Neumann (2001) verificou em uma população de Delphinus delphis, na baia de Plenty, Nova Zelândia, que após a atividade de forrageio, deu-se início a socialização e que o tempo de socialização esteve relacionado com a disponibilidade alimentar ou com o quanto os indivíduos estariam satisfeitos após o forrageio. O golfinho Tursiops truncatus, nos estuários da costa do Texas apresenta um padrão, cujo pico de atividade é durante a fase clara do dia com uma queda de atividade durante a fase escura (Lynn 1995). Segundo esse autor, o golfinho nariz de garrafa apresentou um pico de atividade principalmente no início da manhã diminuindo ao longo do dia, sendo
o forrageio a atividade mais freqüente. Ainda segundo ele, após a atividade de forrageio, os animais envolveram-se em atividades de socialização. Comportamento semelhante apresentou o golfinho nariz de garrafa do oceano Indico (Tursiops aduncus ehrenburg) na Baía de Algoa, África do Sul (Saayman et al. 1973) e o golfinho corcunda (Souza chinensis) também em Algoa, África do Sul (Karczmarski et al. 2000). Em todos esses estúdios os animais apresentaram um padrão, cujo pico de atividade foi durante a fase clara do dia decrescendo durante a fase escura, com atividades como a socialização ocorrendo após o forrageio. De forma semelhante, verificamos no presente estudo que a população de boto cinza além de ter apresentado uma maior freqüência das três atividades comportamentais estudadas pela manhã, tem mostrado que após a atividade de forrageio, segue-se a atividade de socialização.
Corroborando com o que verificamos para o boto cinza em Pipa, Norris et al. (1994), no Havaí, afirmaram que a atividade diária do golfinho rotador (Stenella longirostris) na baía de kealake`akua tem pelo menos duas finalidades. A primeira e primordial foi o descanso; a segunda foi entre outras, a socialização. Após a entrada dos animais na baía nas primeiras horas do dia, houve um período de repouso de quatro a cinco horas. Em seguida, o tempo restante entre o repouso e o início do forrageio (que ocorre no início da noite) foi gasto de varias maneiras como a atividade aérea e socialização.
Semelhante ao Havaí, o golfinho de Hector (Cephalorhynchus hectori) no porto de Akaroa, Nova Zelândia, também usa aquela área durante o dia para repouso, socialização e forrageio (Nichols et al. 2001). A maioria dos mamíferos aquáticos apresenta um padrão de atividade, que oscila dentro das 24 h. É o que ocorre em relação ao forrageio e repouso, com as focas (Siniff et al. 1971; Thompon et al. 1989; Orthmann 1998); leões marinhos (Sepúlveda et al. 2001); lontras (Estes et al. 1982) e morças (Salter 1979). No caso da Foca de pêlo e Leões marinhos do Arquipélago das Galápagos, ocorreu uma distribuição temporal onde as focas são diurnas e os leões
noturnos. Tal situação foi indicada como adaptação à pressão imposta pela competição interespecífica por alimento, separando-os em nichos diferentes (Dellinger and Trillmich 1999). O equilíbrio entre presa e predador, em dada região, pode refletir-se na variação da atividade de forrageio ao longo do dia com picos no início e final dele e um grande custo de energia. Já o desequilíbrio entre ambos, onde haja abundância alimentar (de presa), pode refletir um padrão homogêneo da atividade de forrageio ao longo do dia com um baixo custo energético nessa atividade, dado a grande disponibilidade de presas (Estes et al. 1982). Os resultados aqui apresentados para o boto de Pipa, apontam um padrão de equilíbrio semelhante.
Alguns mamíferos aquáticos sincronizam suas atividades, como repouso ou forrageio, não só com o ciclo claro-escuro, mas também com o ciclo de maré (Thompson et al. 1989; Thompson and Miller 1990; Bjørge et al. 2002). A maré pode ainda, influenciar o forrageio devido à sincronia que determinadas presas tem com sua flutuação. É o caso da Phoca vitulina no estuário de Moray (Thompson and Miller 1990) e Orkney (Thompson et al. 1989), ambas na Escócia. O golfinho T. truncatus no estuário de Shannon, Irlanda, repousa no estofo da maré e socializa e forrageia durante a subida e descida (Rogan et al. 2000).
O forrageio durante a subida e descida da maré pode estar relacionada à estratégia de captura, considerando o aumento da densidade de presas devido à diminuição da lâmina de água (Karczmarski et al. 2000). Pode estar ainda, relacionado à facilidade de emboscar, arrebanhar, perseguir as prezas ou ainda minimizar os gastos energéticos (Wilson et al. 1997).
Em nosso estudo, verificamos que durante a maré baixando, baixa e subindo, freqüência de indivíduos; atividade aérea e forrageio foram maiores do que na maré alta. Isso indica que esta população de Pipa ajusta-se às condições ambientais como
disponibilidade de alimento, densidade de presa, profundidade, respondendo a pressão das condições locais.
Os resultados apresentados indicam que o boto cinza é mais ativo e mais freqüente durante o período da manhã. Verificamos ainda, que os comportamentos do boto sofrem influências do estado da maré, com maior atividade na fase de maré baixa. Além disso, a variação diária da freqüência e atividade variam ao longo do ano respondendo a variação ambiental.
AGRADECIMENTOS
Somos extremamente gratos ao prof. Gilson Volpato pela participação nas sugestões e correções do manuscrito, aos amigos Érico dos Santos Junior; Kelly Cristina de Araújo Pansard; Lídio França do Nascimento; Mariana Alves Gondim; Luiza; Priscila Izabel Alves Pereira de Medeiros; Sandra Mara de Araújo Ananias; Rose Emília Macedo de Queiroz pela ajuda nas atividades de campo, sem as quais este trabalho não teria sido realizado.
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